19.8.12

Orides Fontela


AXIOMA

Sempre é melhor
saber

     que não saber.
Sempre é melhor
     sofrer
     que não sofrer.
Sempre é melhor
     desfazer

     que tecer.
Vemos por espelho e enigma (mas haverá outra forma de ver?).
O espelho dissolve o tempo.

O espelho aprofunda o enigma.
O espelho devora a face.
Leio minha mão, livro único.
FUI EU
eu fui
eu?
consegui?

Fui eu! Serei?Existir: assombro.
Nem Deus diz.
Existir: abismo.
Como me atrevi,
como nasci?


Conterrânea, cá viveu até os 27 anos, quando foi cursar filosofia na USP. Trabalhou por algum tempo, como professora primária e bibliotecária na grande SP. Morreu na miséria aos 58 anos, num sanatório.
De personalidade densa, figura ácida e sempre em ebulição. Sua permanente insatisfação e busca por serenidade, renderam poesias à flor da lâmina.
Tive uma Professora que, em mocinha, declamava em praça pública, como era costume à época, em cidades pequenas.
Numa apresentação de "Navio Negreiro - castro Alves", viu-se interrompida contundentemente! Era Orides em meio à platéia, implorando o cessamento... causara-lhe demasiado sofrimento, já quase não suportava...
Ouvi dela (minha Professora), por mais de uma vez esta história. Sempre que leio Orides, fico a imaginar seu psique: um ser atormentado, ao ponto de adentrar os meandros duma declamação, trazendo-a ao seco real. 
Foto:  aqui   Poema  Axioma:  esta    Poema   FUI  EU:  

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