21.11.13

Entrevista a uma Estagiária:

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1. Como se tornou Professora? Descreva seu percurso:

Eu nunca tive pretensão em ser professora, pois não havia podido cursar magistério no ensino médio, por trabalhar o dia todo.

Iniciei numa escola estadual como Servente de Escola em 1992, e notei que poderia ministrar aulas como qualquer pessoa. Passei a cursar pedagogia em 1994. 

Fiquei trabalhando nesta escola (aqui na esquina) menos de dois anos. Logo fui chamada num concurso para Auxiliar de Creche (hoje PAEB). Fiquei dois anos e meio com turminhas de Maternal.
Passei no concurso para o 1º grupo de Conselheiros Tutelares (em 1996), fiquei afastada da Creche.
Lá pude cursar magistério, pois trabalhava à tarde e noite (até 20 h). Logo iniciei Psicopedagogia na Universidade Católica (concomitantemente ao magistério).
Ao terminar meu mandato no Conselho, fiquei como secretária de Assistente Social por uns meses (a quatro quadras daqui). Surgiu concurso para professor e passei; assumi o Ensino Fundamental em março de 2000.
2. Sua história na instituição atual:
Estou nesta Escola desde final de 2010; sempre fico com os menores (alfabetização). Em 2005 me afastei por dois anos e três meses, num cargo de Coordenador de Creche. Acabei voltando, por excesso de conflitos na instituição creche.
3. Descreva sua rotina (preparação de aulas):
Nós temos o planejamento anual, dividido por quatro bimestres. Preparamos semanalmente as aulas a serem ministradas na semana seguinte (temos uma grade curricular - das disciplinas),  de acordo com os conteúdos do bimestre em curso.
Temos livros didáticos, que utilizamos como apoio. Segue em anexo, um modelo de “semanário” (disponibilizei a última semana de aulas a ela).
4. Há um currículo norteador?
O currículo norteador é o que recebemos no início do ano, do Departamento de Educação, e utilizamos toda semana para preparar as aulas da próxima semana, escolhendo os conteúdos e inventando estratégias diversas para aplicá-los.
5. Como conhecer os alunos?
A primeira quinzena do ano é de sondagem, onde realizamos atividades psicomotoras, desvendamos as fases de escrita de cada um, e outros conteúdos relevantes. Temos reunião com pais neste período. O principal é a observação diária, com anotações.
6. Qual o rotina no período de adaptação?
Nos primeiros dias, além das sondagens, realizamos dinâmicas de interação e acolhimento, com cantigas infantis, brincadeiras e atividades de artes.
A maior dificuldade (no meu caso) é reconhecer os responsáveis na hora da saída, para entregar corretamente cada criança. Num grupo numeroso (25), este se torna um momento tenso durante os primeiros meses, principalmente quando são vários responsáveis que se revezam para buscar a criança.
7. Relação professor aluno:
É necessário primeiramente profissionalismo, com respeito e paciência, pois somos os adultos nesta relação. Magistério não é sacerdócio. A criança precisa saber que nós gostamos dela, todavia não aceitaremos comportamentos inadequados que ela possa  vir a apresentar (“Eu gosto de você, mas não permito este comportamento inadequado”).
8. Trabalho diferenciado:
Num grupo numeroso, é difícil atender a contento os casos com Necessidades Especiais, porém temos que fazê-lo.  Eu divido todas as crianças com dificuldades (não só casos especiais) durante os dias da semana: se tenho 10, procuro atender quatro por dia; assim duas vezes na semana eles terão este atendimento.
É importantíssimo que seja feito logo no início da aula, quando a turma está mais calma e compenetrada em outra atividade. Após o recreio, somente numa turma muito tranquila fica viável (o que é raríssimo).
9.  Avaliação:
Avaliamos o avanço da criança em relação a ela mesma, não comparando com o grupo: como iniciou e como está hoje. Temos avaliação de sondagem (diagnóstico), formativa (ao longo do processo, onde eu ajudo, dou aquela dica), avaliações bimestrais com registros escritos (provas) e observações diárias com registros numa tabela própria (modelo em anexo – disponibilizei a ela).
10. Desafios e dificuldades:
O desafio que se sobressai é relacionado aos conflitos: CONTROLAR A CLASSE. Temos casos de crianças que não produzem atividades (“enrolam” a aula toda) e aquelas que não conseguem avançar; contudo aquelas que apresentam transtornos psiquiátricos e síndromes (vide um exemplo em anexo – texto no blog – Transtorno Desafiador) são casos mais complexos.
Por vezes nos sentimos “num depósito de crianças”, tamanho o descaso governamental com a quantidade excessiva, a impedir trabalhos individualizados, principalmente na alfabetização, tão artesanal.
Perdemos muito tempo “ toreando” alunos conflituosos, apaziguando desafetos, o que desgasta nossa energia, pois um pequeno espaço lotado gera crianças estressadas.
11. Realização profissional:
Me sinto totalmente realizada por auxiliar anualmente, num trabalho árduo, dezenas de famílias na minha comunidade (moro perto). E principalmente por contribuir para que no futuro, indivíduos com melhor formação global possam inserir-se na sociedade, melhorando-a em vez de prejudicá-la.
Em suma: faço a minha parte em prol do Brasil!

Fonte da imagem: daqui

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