24.9.12

TDA/H ou DDA

Respondendo a uma Estagiária de Pedagogia sobre Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade ou Distúrbio de Déficit de Atenção (para os não hiperativos):

1) Qual a maior dificuldade diante de uma criança (aluno) com TDA/H?
A maior dificuldade encontra-se nas comorbidades que estão presentes em mais da metade dos casos de TDA/H.
A comorbidade mais freqüente, e muito mais difícil de se lidar que o próprio TDA/H, é o TDO: Transtorno Desafiador Opositor, que vale um capitulo à parte, por não ser devidamente diagnosticado em muitos casos,  por sua gravidade - risco de lenquência futura, e pela freqüência com que é comórbido com o TDA/H.

2) O fato de não conseguir ficar quieta atrapalha a aprendizagem dela?
Não atrapalha tanto, basta exigir dela aquilo que ela consegue: uma parte das atividades gerais. Portanto, é fundamental que se dê a ela as atividades mais significativas logo no início da aula, e sempre cobrar a parte mais substancial de uma atividade (pois ela não dará conta de tudo, como os outros). Focar a oralidade é crucial.
A conscientização da própria criança, e do restante da turma de alunos sobre o Transtorno, é fundamental para a aceitação e compreensão do mesmo.
O que prejudica  mais, é o déficit de atenção contido no TDA/H, pois a criança se perde, não acompanha os conteúdos explicados, devaneia durante as aulas.

3)  Existe uma técnica específica para lidar com ela em sala de aula?
Não. Sempre devemos conjugar diversas técnicas, para que se obtenha êxito. Eis algumas:
  • Aquelas citadas no item 2;
  • Colocar sempre um  colega “tutor” que possa fazer dupla com a criança, e trazê-la de volta às atividades quando esta se perde (em forma de rodízio, para que haja interação positiva para ambos);
  • A localização dela em sala, sempre próxima ao professor e lousa;
  • Chamá-la à lousa, para execução de algumas atividades;
  • Tocar-lhe o ombro, para que volte ao trabalho quando devaneando (geralmente o contato físico é mais eficaz nestes casos, que gritos de chamado).
 4)     É possível que ela seja avaliada em igualdade às crianças regulares?
Cada caso é único: depende se há comorbidade e qual (quais). Se houver deficiência intelectual associada, haverá o limite do grau de deficiência. Neste ano letivo, estou com uma criança com deficiência intelectual, TDA/H e TDO; ela é um caso de inclusão educacional e sua avaliação deve ser diferenciada.
Nos casos de TDA/H não comórbido, é perfeitamente possível, visto que a criança pode ser avaliada mais lentamente, e utilizando-se diversas estratégias: avaliações escritas, orais, observações cotidianas com registros.

5)   O tema TDA/H tem uma abordagem satisfatória dentro do campo educacional?
Como citado desde o item 1, as comorbidades não são devidamente levadas em consideração.
Há diagnósticos confusos, onde a criança é TDO  comórbida com TDA/H e não o contrário, visto que o transtorno que se sobressai é justamente o TDO, e acaba sendo rotulada como “criança hiperativa”. 
Torna-se fundamental que o TDA/H seja explorado juntamente com outros transtornos associados, e que também ocorrem com devida freqüência.

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