4.10.12

Eu estava "de mal"

Se eu conseguisse fazer esta cara...
fonte:    esta   
Tenho uma criança bem maior e mais velha que a turma: apresenta deficiência intelectual, diagnóstico de hiperatividade (TDA/H) e traços de transtorno desafiador.
Nesta semana ela estava demasiadamente agitada. Quanto à medicação, a família diz que fornece, ela diz que toma somente após o término das aulas...aí não me interessa mais!
Quando agitada demais, ela não bate, porém empurra, vai à mesa do colega e o chacoalha, insulta, mexe, fica "caçando" qualquer deslize das crianças, zanza o tempo todo, fala aos gritos.
Me desautoriza, tenta ir à direção escolar porque cisma que alguém caçoou dela: mania de perseguição. Nem era dela que as crianças falavam.
Ri de tudo e de todos. Nas aulas de dança e artesanato, com poucos alunos, não deu certo.
Eu compreendo demasiadamente seu lado, só que já está se tornando bulling contra os menores (detesto este nome), prefiro intimidação.
Ontem me enchi e fiquei "de mal", literalmente. Chamei-a lá fora, abaixei-me  e disse que gosto dela, e ela sabe disso, porém detesto tais comportamentos, que não me deixam trabalhar: só conflito, conflito!
Ela está extrapolando diversos limites aceitáveis, mesmo em sua condição de criança "não regular" (temos que fortalecer seu superego).
Falei: a partir de agora, estou "de mal". Entramos e retirei as duas crianças que coloco para auxiliá-la.
Lá ficou ela, toda bicuda até o fim da aula. Na saída, fiquei em dilema, pois pela 1ª vez, não iria beijá-la na despedida, mesmo que viesse. 
 Ela viu minha "cara de mau" para com ela (eu não estava para brincadeiras), e só mostrou a avó e se foi.
Remorsos? Claro que acordei às duas da manhã, todavia não cedi. Hoje foi uma maravilha! Até outras duas crianças difíceis, ficaram mais calmas, cismadas.
Somente na despedida a beijei (não aguentaria o final de semana assim), pois amanhã não há aulas (TRE - eleições).
Vou me manter firme e a "distância inteligente" irá continuar.
Há um ditado antigo que diz: "Evite mostrar os dentes para o aluno indisciplinado".

4 comentários:

  1. Oi, Cristina!
    Nossa, que situação difícil!
    Mas, vejo que você tomou uma atitude e acertada, pois só de se abaixar para falar com ela 'tête a tête" e firme, mostrará a ela que você não se intimida e ela vai pensar sobre isso. Garanto que o saldo será positivo.
    bjs cariocas



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    1. Olá Beth, a vinte anos trabalho com crianças!
      Todo ano temos casos difíceis...
      Eu coloco no blog, para que a sociedade tenha noção de como funcionam as classe numerosas.
      O poder público é o culpado por "depósitos de crianças".
      Grata pela visita,
      Cri.

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  2. Cristina, admiro a sua paciência. Deve ser muito desafiante lidar com crianças assim, é preciso ter uma personalidade forte para conseguir. Beijo

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    1. Então, Joana!
      Certas famílias evitam dialogar, para o bem da própria criança e principalmente dos convíveres.
      Quando a medicação está de acordo, é mais fácil!
      Adorei sua visita,
      Cri.

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