25.10.12

Transtorno de Ansiedade de Separação

Nada a ver com pais separados (isso é neura). Trata-se de algo que acomete crianças em idade escolar, quase todo ano eu tenho um ou mais casos, tamanha a frequência. Veja um caso real, o encaminhamento de meu miúdo.
O garoto (8 anos) está comigo desde o início do ano passado. Era um pouquinho ansioso, contudo sua ansiedade não atrapalhava as atividades acadêmicas. Atualmente porém, vem apresentado-a num grau muito maior: Está evitando as aulas de informática, chegando a ter dores de estômago na entrada da Escola (voltando então para casa).
Vai à Ed. Física, todavia pergunta se quero ajuda (para ficar em sala). Estando lá, tudo fica bem e se diverte. É um aluno enturmado e fica naturalmente em sala de aula, o que o assusta é o novo, a quebra de rotina. Na “Semana da Criança”, chorou para adentrar à Escola na segunda-feira, já prevendo coisas diferentes.
Não tenta experimentar alimentos que lhe sejam exóticos (tipo crepe suíço), afirmando que o estômago está doendo. Demonstra fobia odontológica. Anteriormente, se restringia aos consultórios. Ultimamente se esquiva de ir com as profissionais da escovação dentária também. Seus dentinhos necessitam tratamento e a genitora não consegue êxito.
Os pais sentem-se inseguros, chegando a temer que algo possa ter acontecido de extraordinário na Escola, e o menor vem apresentando faltas às aulas devido à ansiedade.
Há uma criança com Transtorno Desafiador Opositor em sala (há post anterior), sendo que este garotinho chega a ter pesadelos por medo da criança citada.
Critérios Diagnósticos para F93.0 - 309.21 Transtorno de Ansiedade de Separação:
Ansiedade inapropriada e excessiva, envolvendo a separação do lar ou de figuras de vinculação, evidenciada por três (ou mais) dos seguintes aspectos: 
(1) sofrimento excessivo e recorrente frente à ocorrência ou previsão de afastamento de casa ou de figuras importantes de vinculação;
(2) preocupação persistente e excessiva acerca de perder, ou sobre possíveis perigos envolvendo figuras importantes de vinculação;
(3) preocupação persistente e excessiva de que um evento indesejado leve à separação de uma figura importante de vinculação (por ex., perder-se ou ser seqüestrado);
(4) relutância persistente ou recusa a ir para a escola ou a qualquer outro lugar, em razão do medo da separação;
(5) temor excessivo e persistente ou relutância em ficar sozinho ou sem as figuras importantes de vinculação em casa ou sem adultos significativos em outros contextos;
(6) relutância ou recusa persistente a ir dormir sem estar próximo a uma figura importante de vinculação ou a pernoitar longe de casa;
(7) pesadelos repetidos envolvendo o tema da separação;
(8) repetidas queixas de sintomas somáticos (tais como cefaléias, dores abdominais, náusea ou vômitos) quando a separação de figuras importantes de vinculação ocorre ou é prevista;

A perturbação tem uma duração mínima de 4 semanas. Inicia-se antes dos 18 anos. Causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, acadêmico (ocupacional) ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. Não ocorre exclusivamente durante o curso de um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Esquizofrenia ou outro Transtorno Psicótico e, em adolescentes e adultos, não é melhor explicada por Transtorno de Pânico Com Agorafobia. Início Precoce: se ocorrer antes dos 6 anos de idade.
Fonte de apoio teórico:  esta

10 comentários:

  1. Acho que me chegou a acontecer algo parecido em criança algumas vezes.

    xx

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    1. Olá! Este transtorno, caso seja recorrente, requer acompanhamento multiprofissional: Do Pedagogo - professor da criança; do psicólogo; e do psiquiatra, caso seja mais grave.
      Pode ser confundido como birra, preguiça, todavia se não tratado pode levar a quadros depressivos na vida adulta!

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  2. Menina do céu! Dei uma olhada nos posts e temos muito em comum, principalmente essa diferença pouca entre o filho e você. Vou voltar. Agora estou entre o fim de obras em casa e retorno ao meu trabalho.

    beijos pitangueiros e até logo.

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  3. Que bom, Pitanga!
    Aguardo seu retorno
    E prá você, um beijo caipira...

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  4. Cristina,
    Seu post será de grande importância para chamar a atenção aos pais que possam ter um filho com estas características.
    O meu, ao contrário, dava tchauzinho e ia todo contente para junto da sua turminha no colégio, graças a Deus!
    bjs cariocas e ótimo fimdi




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    1. Ah, Beth!
      Só muita psicopedagogia para dar conta da individualidade humana, adoro estes temas!
      Imagine ajudar a evitar estados depressivos, que em casos extremos chegam a Síndrome do Pânico...
      Tudo de bom prá ti!

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  5. Ai Cristinha, tadinho, gente, ele deve estar sofrendo muito. Vc comenta que os pais pensam que foi algo na escola, ne? entao eles devem ser pais interessados pelo bem do filho, ja foi recomendado terapeuta ao menino?

    Nossa, essas coisas mexem comigo. Meu filho nao tinha problema na escola, mas em casa fazia xixi na cama constantemente ate´os 10 anos de idade. Ele era e é ainda, mt nervoso. Melhorou bastante, mas ainda tem resquicios. Nao deve ser a mesma coisa, mas antes (qd disse aos 10 anos) o casamento que vivia com seu pai era mt estressante, acho que isso tudo mexia mt com ele. Desde que me separei ele melhorou mt.

    Cada um tem seu jeito de reagir as coisas a sua volta ne?

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  6. Nina, este transtorno acomete mais famílias muito unidas. Já encaminhei (esta é a cópia parcial) e a triagem iniciou-se.
    Há infinidade de síndromes, transtornos, distúrbios, disfunções...
    Também me sensibilizo e encaminho, estudo para ajudar.
    Um abração!

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  7. Oi pessoal, eu sou adulta e desde criança sofro deste mal, queria conhecer pessoas que tem o mesmo problema que eu. Há algumas semanas descobri que o meu problema de infância tem um nome, comecei só agora a terapia e queria saber se alguém já passou por isso e se curou...

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  8. Carol, os primeiros sintomas podem surgir aos 4, 5 anos; todavia são mais perceptíveis aos 7, 8.
    Já tive muitos alunos assim, e uma parte dos professores, por ignorarem o Transtorno, consideram manha, birra, mimo.
    A terapia é importante para o auto conhecimento e diminuição dos sintomas. O alerta aos familiares também ajuda.
    Não sei se é curável, contudo a medicação (fornecida por psiquiatra) é um grande aliado nos casos mais graves.
    Grata pela visita, um abraço.

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