20.11.12

Trilogia sobre o Afeganistão

Fonte:  esta  

Fonte:  pt.scribd.com/doc/44109741/ Shah-Muhammad-Rais-
Eu-Sou-o-Livreiro-de-Cabul

Terminei o último de três livros sobre Cabul, a capital afegã. O primeiro é uma réplica: uma resposta escrita por um afegão à uma jornalista norueguesa.
Ela permaneceu meses na casa dele, para escrever um livro sobre sua família. Por não ter gostado do resultado, ele se defende neste livreto.
Utilizou os mitológicos trolls noruegueses para compor sua trama. Eu amo literatura infantil, então os trolls me caíram bem.
É a visão de um homem letrado afegão (cerca de 70% da população é analfabeta), contrastando com a visão de uma mulher dum país com um dos maiores IDHs mundiais (quase dois planetas distintos).

O segundo livro, o da jornalista, retrata uma Cabul destruída moral e economicamente, após a queda do Taleban.
Ela discorre sobre detalhes cotidianos relacionados à família, que em certos casos, poderiam ser omitidos, visto que se trata de muçulmanos (que seguem regras rígidas de comportamento e religiosidade).
O foco principal do livro está no patriarcalismo (ou machismo) dos chefes de família afegãos, contrastando com o conformismo feminino (ou submissão).
As escalas de poder dentre as mulheres de uma mesma família, dentre os homens de uma mesma comunidade.
As famílias estendidas vivendo em um mesmo espaço (pequeno): pais, esposas (sim, mais de uma), sogra, cunhadas, sobrinhos, filhos, e os conflitos advindos daí.
O grande número de filhos, e o desejo por meninos (mulher é um ser de segunda categoria, inclusive para elas próprias, que criam e fazem a cabeça das crianças).
A miséria de um país assolado por diversas guerras, "coalhado" de viúvas e órfãos, quase sem fonte de sustento.
Fonte:   aqui 

O terceiro é a "sobremesa": Com entrevistas jornalísticas feitas por outra européia, traçando um paralelo entre o período Taleban (1997), e após sua queda (2001).
Ele é mais cru, mais ardente. E mostra que as mudanças são lentas para as mulheres (não tão passivas). 
A burkha ainda persiste após sua liberação: as mulheres se sentem protegidas dentro daquela "cabaninha", pois os homens as agridem e molestam, caso não as usem em público.
Até mesmo bonecas haviam sido proibidas às garotinhas, por serem consideradas "idolatrias".
Os três livros demonstram a importância do Paquistão na vida afegã (mais que o Irã).
Há um outro livro, que ainda não li: "O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini", para fechar a trama.
Os três livros que li, estão no scribd: é só clicar e se cadastrar (publicando algum texto).

O que fica? Creio que a busca pelo protagonismo é um caminho à libertação feminina. A procura de fontes de renda (assalariada ou autônoma), com apoio de ONGs.
O conformismo é quebrado, com este protagonismo levando à busca por conhecimento (educação formal e autodidata).
Ato contínuo, consegue-se o empoderamento: onde alarga-se a parcela de poder daquele grupo de mulheres perante sua comunidade.
Se tornarão mais autônomas, atrevidas, politizadas, lutando para serem senhoras de seu destino e o da prole.

16 comentários:

  1. Gosto muito do "Livreiro de Cabul", já li, reli e quero ler mais vezes futuramente, é simplesmente um livro que não cansa e o melhor, baseado em história real.

    O Caçador de Pipas é um livro muito bonito também e a descrição dos lugares te faz sonhar e querer conhecer as belezas do Afeganistão. Mas é só sonho mesmo, uma pena.

    Grande abraço!

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  2. Ahh! Você já leu "O Caçador de Pipas"? Quero bastante lê-lo...
    Em Portugal se chama "O Menino de Cabul".
    Grata pela visita!
    Outro abraço prá ti.

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    1. Oi Cris, vi esse post e amei as dicas! Eu já li o livreiro de Cabul, mas agora estou muito curiosa par ler estes outros dois livros que vc falou. Também já li "O Caçador de Pipas" e "A Cidade do Sol" do mesmo autor (Khaled Hosseini), recomendo como dois livros que vão marcar a sua vida porque falam de amizade! O último, confesso que foi um dos livros mais fortes e apaixonantes que já li...
      Um super beijo!

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    2. Oi Jana!
      Já salvei "O Caçador de Pipas" para quando eu terminar outro que leio.
      Estou ansiosa para iniciar a leitura...
      Já pesquisei sobre a cidade do sol, agora você me instigou mais ainda!
      Grata pela visita,
      Outro beijão prá ti.

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  3. Cristina, não li nenhum deles e me encantei com a possibilidade. Mas li "O Caçador de pipas" e lhe afirmo, com segurança, que é um dos mais lindos livros que já li. Depois me conta se gostou. Já anotei todos, tinha mesmo na minha lista "O livreiro de Cabul" e agora vou ler a resposta dele.
    Beijo!

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    1. Olá, Lúcia!
      Tenho que terminar um "tijolão" que leio, para iniciar "O Caçador de Pipas"!
      Vocês estão me deixando mais curiosa ainda...
      Outro beijo, e grata pela visita!

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  4. Ei Cris, se vc vai ler o cacador de pipas, prepara o lenco pra chorar, é lindo, triste, comovente!
    E é um dos meus preferidos ate hj.

    Li o livreiro de Cabul, sabe que nao gostei mt?? acho que é porque ali nada é mt novidade ne?? se o livro tivesse saido na epoca certa, teria sido mais interessante,mas no mesmo livro ela explica que o livreiro ficou fulo da vida com ela, e entao, vc leu a resposta dele... interessante, nem saba que tinha saido em forma de livro. Recomendo tbm,se vc ainda nao leu, o livro A cidade do sol, tbm super bom.

    E lê assim que puder Cris, lê o cacador de pipas!

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    1. Ai Nina! E minhas férias que não chegam...
      Me interesso pelas mulheres, e consequentemente crianças em situação difícil!
      São ainda tão dominadas...
      Grata pela visita, um abração!

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  5. Li o segundo livro e percebi a visão ocidental sobre a realidade afegã, porém a situação das mulheres não me deixa indiferente, embora saiba que somente elas podem mudar algo.Outro livro que aborda o tema é Cidade do Sol.
    Assisti ontem a um filme sobre a temática, neste mesmo foco:A fonte das mulheres.Interesante!
    Anotei pra ler o da resposta do livreiro.Não sabia que havia.
    Bjos e boa semana , Cris.
    Calu

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    1. Então Calu! Sem acesso a informação (escolaridade, internet e outras fontes)fica difícil a auto conscientização das afegãs.
      O fato de estarmos debatendo sobre, já é um passo em favor da temática feminina.
      Fico agradecida,
      Outros beijos e também boa semana para ti!

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  6. Salam, Cris!
    Li no Blog da Jana que você gosta do Afeganistão e, eis que vim até aqui, e tive a ótima surpresa desse texto.
    Gostei da frase: as mulheres se sentem protegidas nas suas "cabaninhas".
    É lamentável que os Talibans fazem por lá a interpretarem o Alcorão do jeito que Shaitan gosta...Mas, graças a Deus, há muitas pessoas que são muçulmanas de verdade e lá estão a desvelar o Mal e a elucidar as mentes doentes.
    Há em DVD o filme "Caçador de Pipas"; é ótimo tal como o livro.
    Também há um filme sobre uma professora que sofre no Afeganistão e foge para os EUA: "Em busca da Liberdade" com Juliette Lewis. Acho que vc vai gostar.
    Beijos

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  7. Olha, Denise! Me lembro do Bruno quando há mulheres (e crianças) sofrendo...
    Nas férias escolares, procurarei todas estas fontes que vocês estão me passando!
    Me apavora pensar que se as mulheres se "rebelam", são espancadas e até assassinadas.
    Outros beijos também para você!

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  8. Este é um tema muito sensível... Eu confesso que, por muito mais que tente, não entendo como é que pode ocorrer a alguém que está certo oprimir as mulheres dessa forma, como é que se usa a religião para justificar todas as ideas absurdas que se possam ter...

    Espero que a situação mude, mas não é fácil não.

    Beijos!

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  9. Bom te ver, Joana!
    Elas são expulsas pelos irmãos, cunhados, maridos (há mais de uma esposa), e mesmo assim permanecem, por não tem a quer recorrer.
    Qualquer tentativa de emancipação é punida com surra e até morte!
    Ao debatermos sobre o tema na net, já estamos auxiliando de certa forma.
    Outros beijos para ti.

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  10. Cristina,
    Li o segundo "O Livreiro de Cabul", li também O Caçador de Pipas, assim como li também A Cidade do Sol. São livros que se a gente começa a ler, vai procurando outros sobre estes temas e vai encontrando, porque dá curiosidade na gente descobrir como vivem estes povos e, principalmente, a situação das mulheres até hoje. Outro muito bom nesta mesma linha é "A Princesa" de Jean P.Sasson e dela também "Mayada". Todos livros que mergulham no mundo islâmico, Iraque, Afeganistão nos dias atuais.
    grande beijo, carioca


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  11. Grata por mais dicas, Beth!
    Me preocupa muito a falta de protagonismo feminino em algumas regiões do Globo. visto que sem o empoderamento delas, sofrem as crianças (que são sempre meu foco).
    Vai prá ti, meu beijo caipira!

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