29.9.12

Torta de banana nanica

Fiz uma grande torta com as bananas muito maduras. Mas tem que ser nanica.
É só descascá-las, dividir ao meio e forrar uma forma "enorme"! 
Leve ao forno alto. Após 15 min, comece a bater uma massa básica de bolo festa ou pan-de-ló.
Jogue a massa sobre as bananas pré assadas e deixe até dourar bem. Tire os pedaços com espátula.
Sirva com chá de melissa: esta erva aí embaixo, muito comum em solo degradado e beira de barrancos. Seu perfume é inconfundível e contagiante.
O aroma do chá é delicioso. Ela serve também como tempero.
Sobre seu nome, sempre há controvérsias. Nesta região, chamamos assim!
Brinquei muito com esta erva rasteira quando criança...ela forma touceiras de cipós.
Um pedaço virado de ponta-cabeça para ver as bananas. 

Melissa plantada num vaso do quintal.

28.9.12

Gastrite X goiabas

Fonte:  esta    
A mais de dez anos, sofro de dores (fracas) no estômago. A chamada "dor de vacuidade" atacava entre meia-noite e duas da manhã, visto que sempre me alimento até 19 horas (durmo cedo).
Eu perco mais de duas horas, do melhor de meu sono toda noite, em épocas de crise... 
Vou chamá-la genericamente de gastrite, embora alguns especialistas discordem do nome.
Quando o estômago está vazio e sem movimentar-se, em época de crise, eu acordo com o desconforto, a me impedir o sono.
Durante o dia, evito estômago vazio, previno logo com água ou alimento. Em crises mais fortes, claro que dói também de dia.
No plantão do plano de saúde, recebo receita de Omeprazol aos  punhados. Até Ranitidina tomei.
Sempre há recomendação para uma endoscopia, que evito... podem me introduzir mais bactérias com os tubos... sei lá! Já chegam as minhas (se as tiver).
Falando da tal estirpe de bactéria,  parece que é tão comum e fácil de se conviver "pacificamente", quanto difícil de se erradicar.
Minha  avó me ensinou a usar bicarbonato de sódio. Muito bom, todavia, após anos, enjoei dele.
Quando fui diretora da creche, pelo estresse e falta de rotina, sentia uma ferida doendo quase permanentemente no canto superior esquerdo.
Evito cítricos, abacaxi, maracujá, carambola, acerola, e produtos que fermentem demais no estômago: carboidratos com derivados do milho e mandioca (até biscoitinho branco é um veneno, quando em crise).
Leite e derivados, assim como café, eu diminuo, sem contudo eliminar (pêssego, uva e maçã também fermentam). 
Evito tudo que leva vinagre. Frango ou peixe temperado com limão, pimenta. Salada, só sem tempero ácido.
Arroz e batata são carboidratos amigos, assim como farinha de trigo sem fermento. Suco de caju também é ótimo.
Onde quero chegar? No fim do ano, minha cachorrinha, após 15 anos comigo, morreu. A gastrite explodiu porque foram quatro dias terminais.
Logo iniciou-se a safra de goiabas, que neste ano, foi excepcional. Passei a colhê-las e congelar a polpa, visto que o "Fiotão" adora! E aqui ha´ goiabeiras em qualquer beira de estrada.
Então percebi que o suco de goiabas estava fazendo milagres. Cadê a gastrite?
Hoje não vivo sem o suco, faço manutenção toda semana. Comer a fruta não faz o mesmo efeito.
Se há bactérias, elas estão domesticadas e calminhas, devido às goiabas. Uma fruta rende um litro de suco, com o miolo batido em separado, para coar as sementes.
Comentei com a Tia "Nenen". Ela disse que na roça, o chá de brotos de goiabeira era o remédio de gastrite... e eu não soube antes?
Suco de alface e água de canela também ajudam, pois são calmantes e não ácidos. A canela ameniza a inflamação na parede estomacal.

27.9.12

Briga de galos...

Imagem:   aqui   
Trata-se de um movimento anárquico que aparentemente se discimina na saída de escolas com adolescentes.
Algum determinado grupo elege uma dupla de alunos (as) propensos a conflitos, passando a incitá-los, ainda dentro das escolas.
Quando então, na saída, a pancadaria se instala, a incitação aumenta, para que os vídeos feitos com celulares, atinjam a net.
O que sai na mídia, geralmente é alguém sendo altamente vitimizado (o que apanha mais) e alguém sendo acusado (o que domina o ringue).
Todo o contexto anterior, o histórico não somente da dupla, mas principalmente de todo o grupo incitante, nunca é demonstrado. 
As chamadas "gangues" envolvem sim a dupla-chave, contudo também os que incitaram, não defenderam, utilizaram a imagem degradante na net, e muitas vezes passam desapercebidos.
A dupla nem se dá conta de que foi usada. Fica o trauma para as duas famílias, que por sinal, estão perdendo as rédeas destes adolescentes "chucros" a um bom tempo.
Um fato assim, aconteceu aqui nesta cidade não tão violenta, à porta de uma escola estadual. Rapidinho, o vídeo estava "bombando".
Será que nada acontece com quem publica algo assim? Se passa por simples expectador? Não é omissão de socorro? E quanto ao uso indevido de imagens?
Digo isto porque hoje tivemos reunião do conselho de escola, justamente por indisciplina e sanções possíveis. E nossos miúdos são infantos. Que será do futuro?
Eu, aos treze anos de idade, recebi de presente de aniversário da patroa (num açougue de frangos), o registro em carteira.
Meu tempo e energia, assim como de meus convíveres de mesma idade, eram canalizados ao trabalho. A carga horária obrigatória era de 48 horas semanais, com horas extras, tínhamos 50, 55.
À noite, na escola, éramos pacíficos e interessados em evoluir. Sabíamos bem o valor de tudo: da convivência, do dinheiro, do tempo, da  suada educação... 

26.9.12

Virada na temperatura

Aqui no leste paulista, estávamos num calor imenso, no finalzinho do inverno. Todavia, em setembro, com as chuvas, esfria novamente.
Fato é que desde a chegada das abençoadas, o tempo está perfeito, fresquinho!
Contudo hoje, após chuvisco no arrebol, tempo fechado pela manhã, o vento apertou à tarde, trazendo um "gelo" até para os homens, que sentem menos frio.
Saí de moto para uma cobrança programada da firma, e todos na rua de blusão, ou "encarangados"!
Fui a pouco, sondar na rua, está tudo deserto! E eu com duas blusas, em plena primavera...
Difícil é explicar para os miúdos (alunos) sobre as quatro estações, com este revés.
"Fiotão" está tossindo em seu quarto, ficou alérgico a estas mudanças bruscas, depois de adulto. E terá que ir à faculdade...
Estou doida para voltar ao Mamonal e presenciar a mudança de roupas da paisagem: do dourado ao verdinho, e ao verdão, quando a vegetação crescer!
Agora, mais umas fotos de lá, no auge do inverno seco.
A união faz formigueiro imenso!
Seiva no galho caído, e cortado.

Nascente... tudo molhadinho aí!


Mamãozinho selvagem: é do tamanho de um dedo,
tão menor que aquele domesticado pelo homem...

Fruto da nascente. Secos e molhados.

Esposo na caminhada. Ó a vista!

Inseto mamando néctar.

Trincheira feita pelas vacas, de tanto passar.

Milho de grilo (comestível).

o "corguin" no auge da seca: raleado.

24.9.12

TDA/H ou DDA

Respondendo a uma Estagiária de Pedagogia sobre Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade ou Distúrbio de Déficit de Atenção (para os não hiperativos):

1) Qual a maior dificuldade diante de uma criança (aluno) com TDA/H?
A maior dificuldade encontra-se nas comorbidades que estão presentes em mais da metade dos casos de TDA/H.
A comorbidade mais freqüente, e muito mais difícil de se lidar que o próprio TDA/H, é o TDO: Transtorno Desafiador Opositor, que vale um capitulo à parte, por não ser devidamente diagnosticado em muitos casos,  por sua gravidade - risco de lenquência futura, e pela freqüência com que é comórbido com o TDA/H.

2) O fato de não conseguir ficar quieta atrapalha a aprendizagem dela?
Não atrapalha tanto, basta exigir dela aquilo que ela consegue: uma parte das atividades gerais. Portanto, é fundamental que se dê a ela as atividades mais significativas logo no início da aula, e sempre cobrar a parte mais substancial de uma atividade (pois ela não dará conta de tudo, como os outros). Focar a oralidade é crucial.
A conscientização da própria criança, e do restante da turma de alunos sobre o Transtorno, é fundamental para a aceitação e compreensão do mesmo.
O que prejudica  mais, é o déficit de atenção contido no TDA/H, pois a criança se perde, não acompanha os conteúdos explicados, devaneia durante as aulas.

3)  Existe uma técnica específica para lidar com ela em sala de aula?
Não. Sempre devemos conjugar diversas técnicas, para que se obtenha êxito. Eis algumas:
  • Aquelas citadas no item 2;
  • Colocar sempre um  colega “tutor” que possa fazer dupla com a criança, e trazê-la de volta às atividades quando esta se perde (em forma de rodízio, para que haja interação positiva para ambos);
  • A localização dela em sala, sempre próxima ao professor e lousa;
  • Chamá-la à lousa, para execução de algumas atividades;
  • Tocar-lhe o ombro, para que volte ao trabalho quando devaneando (geralmente o contato físico é mais eficaz nestes casos, que gritos de chamado).
 4)     É possível que ela seja avaliada em igualdade às crianças regulares?
Cada caso é único: depende se há comorbidade e qual (quais). Se houver deficiência intelectual associada, haverá o limite do grau de deficiência. Neste ano letivo, estou com uma criança com deficiência intelectual, TDA/H e TDO; ela é um caso de inclusão educacional e sua avaliação deve ser diferenciada.
Nos casos de TDA/H não comórbido, é perfeitamente possível, visto que a criança pode ser avaliada mais lentamente, e utilizando-se diversas estratégias: avaliações escritas, orais, observações cotidianas com registros.

5)   O tema TDA/H tem uma abordagem satisfatória dentro do campo educacional?
Como citado desde o item 1, as comorbidades não são devidamente levadas em consideração.
Há diagnósticos confusos, onde a criança é TDO  comórbida com TDA/H e não o contrário, visto que o transtorno que se sobressai é justamente o TDO, e acaba sendo rotulada como “criança hiperativa”. 
Torna-se fundamental que o TDA/H seja explorado juntamente com outros transtornos associados, e que também ocorrem com devida freqüência.

23.9.12

Sóror Mariana - terceira carta

Que há-de ser de mim? Que queres tu que eu faça? Estou tão longe de tudo quanto imaginei!
Esperava que me escrevesses de toda a parte por onde passasses e que as tuas cartas fossem longas; que alimentasses a minha paixão com a esperança de voltar a ver-te; que uma inteira confiança na tua fidelidade me desse algum sossego, e ficasse, apesar de tudo, num estado suportável, sem excessivo sofrimento.
Tinha até formado uns vagos projectos de fazer todos os esforços que pudesse para me curar, se tivesse a certeza de me haveres esquecido por completo.
A tua ausência, alguns impulsos de devoção, o receio de arruinar inteiramente o que me resta de saúde com tanta vigília e tanta aflição, as poucas possibilidades do teu regresso, a frieza dos teus sentimentos e da tua despedida, a tua partida justificada com falsos pretextos, e tantas outras razões, tão boas como inúteis, prometiam ser-me ajuda suficiente, se viesse a precisar dela.
Não sendo, afinal, senão eu própria o meu inimigo, não podia suspeitar de toda a minha fraqueza, nem prever todo o sofrimento de agora.
Ai, como sou digna de piedade por não partilhar contigo as minhas mágoas, e ser só minha a desventura!
Esta ideia mata-me, e morro de terror ao pensar que nunca te houvesses entregado completamente aos nossos prazeres. Sim, reconheço agora a falsidade do teu arrebatamento.
Enganaste-me sempre que falaste do encantamento que sentias quando estavas a sós comigo. Unicamente à minha insistência devo os teus cuidados e a tua ternura.
Intentaste desvairar-me a sangue-frio; nunca olhaste a minha paixão senão como um troféu, o teu coração não foi verdadeiramente atingido por ela.
Serás tão infeliz, e terás tão pouca delicadeza, que só para isso te servisse o meu ardor? E como é possível que, com tanto amor, não te houvesse feito inteiramente feliz?
Tenho pena, por amor de ti apenas, dos infinitos prazeres que perdeste. Será possível que não te tenham interessado?
Ah, se os conhecesses, perceberias, sem dúvida, que são mais delicados do que o de me haveres seduzido, e terias compreendido que é bem mais comovente, e bem melhor, amar violentamente que ser amado.
Não sei o que sou, nem o que faço, nem o que quero; estou despedaçada por mil sentimentos contrários. Pode imaginar-se estado mais deplorável?
Amo-te de tal maneira que nem ouso sequer desejar que venhas a ser perturbado por igual arrebatamento.
Matar-me-ia ou, se o não fizesse, morreria desesperada, se viesse a ter a certeza que nunca mais tinhas descanso, que tudo te era odioso, e a tua vida não era mais que perturbação, desespero e pranto.
Se não consigo já suportar o meu próprio mal, como poderia ainda com o teu, a que sou mil vezes mais sensível?
Contudo, não me resolvo a desejar que não penses em mim; e confesso ter ciúmes terríveis de tudo o que em França te dá gosto e alegria, e impressiona o teu coração.
Não sei porque te escrevo: terás, quando muito, piedade de mim, e eu não quero a tua piedade.
Contra mim própria me indigno, quando penso em tudo o que te sacrifiquei: perdi a reputação, expus-me à cólera de minha família, a severidade das leis deste país para com as freiras, e à tua ingratidão, que me parece o maior de todos os males.
Apesar disso, creio que os meus remorsos não são verdadeiros; do fundo do meu coração queria ter corrido ainda perigos maiores pelo teu amor, e sinto um prazer fatal por ter arriscado a vida e a honra por ti. 
Não deveria oferecer-te o que tenho de mais precioso? E não devo sentir-me satisfeita por ter feito o que fiz? 
O que me não satisfaz, pelo menos assim me parece, é o sofrimento e o desvario deste amor, embora não possa, pobre de mim!, iludir-me a ponto de estar contente contigo.
Vivo - que infidelidade! - e faço tanto por conservar a vida como por perdê-la! Morro de vergonha!
Então o meu desespero está só nas minhas cartas? Se te amasse tanto como já mil vezes te disse, não teria morrido há muito tempo?
Enganei-te, és tu que deves queixar-te de mim. Ah, porque não te queixas? Vi-te partir, não tenho esperança de te ver regressar e no entanto respiro.
Atraiçoei-te; peço-te perdão. Mas não, não me perdoes! Trata-me com dureza. Que a violência dos meus sentimentos te não baste! Sê mais exigente!
Ordena-me que morra de amor por ti! Suplico-te que me ajudes a vencer a fraqueza própria de uma mulher, e que toda a minha indecisão acabe em puro desespero.
Um fim trágico obrigar-te-ia, sem dúvida, a pensar mais em mim; talvez fosses sensível a uma morte extraordinária, e a minha memória seria amada. 
Não é isso preferível ao estado a que me reduziste? Adeus. Era melhor nunca te ter visto. 
Ah, sinto até ao fundo a mentira deste pensamento e reconheço, no momento em que escrevo, que prefiro ser desgraçada amando-te do que nunca te haver conhecido.
Aceito, assim, sem uma queixa, a minha má fortuna, pois não a quiseste tornar melhor. Adeus: promete-me que terás saudades minhas se vier a morrer de tristeza; e oxalá o desvario desta paixão consiga afastar-te de tudo.
Tal consolação me bastará, e se é forçoso abandonar-te para sempre, queria ao menos não te deixar a nenhuma outra.
E serias tão cruel que te servisses do meu desespero para te tornares mais sedutor, e te gabares de ter despertado a maior paixão do mundo? Adeus, mais urna vez.
Escrevo-te cartas tão longas! Não tenho cuidado contigo! Peço-te que me perdoes, e espero que terás ainda alguma indulgência com uma pobre insensata, que o não era, como sabes, antes de te amar.
Adeus; parece-me que te falo de mais do estado insuportável em que me encontro; mas agradeço-te, com toda a minha alma, o desespero que me causas, e odeio a tranquilidade em que vivi antes de te conhecer.  Adeus.
O meu amor aumenta a cada momento. Ah, quanto me fica ainda por dizer...
Fonte: aqui      (Digite Sóror em "procurar" e terá as 5 cartas).

22.9.12

Blanche - IV

*  Aqui  terá o conto completo!

Blanche jogou-se toda nos seus 16 anos. Mulher feitinha, fragilidade autodemolida. No rodízio para auxiliá-la na montanha dos caprinos, sucedem-se Nick e posteriormente, Tom.
Nick é celibatário, todavia nutre uma arrebatadora paixão secreta por Tom. O fato de não haver-lhe uma migalha sequer de esperança, faz com que entregue-se ao celibato em louvor a este nobre sentimento.
Conhece Tom como à sua própria alma, por terem crescido juntos nos entreveros, e mesmo desconfiando de que ele leia seus pensamentos, nunca ousou confidenciar-lhe tal arroubo.
Tom, por sua vez, é assex convicto e confesso. Prática corriqueira neste local e época, onde o sexo significa casamento e ausência de matrimônio, o natural celibato, naquele olhar de coisa nenhuma. 
Há muitos solteirões (termo da época), e grupos de irmãos (de ambos os sexos), que evitam núpcias. Se esquivam, evadem-se, cautelam-se uns aos outros comunitariamente, embora muitas mulheres desposem-se forçosamente por estranhos arranjados.
Também há casos em que, dentre grande proprietários de terras, os irmãos mais velhos impedem casamentos dos mais novos a qualquer custo, sobretudo para que não haja herdeiros na próxima geração a competir com seus próprios.
A timidez, a falta de pretendentes, a homossexualidade, medo da responsabilidade familiar, da submissão e parição (de altíssimo risco à época), o comodismo e a assexualidade estão imbricados neste emaranhado, onde a razão dialoga com forças abstrusas.
Os homossexuais, aceitos com alguma reserva na colônia, são denominados "invertidos", todavia não podem se manifestar exacerbadamente, devem apresentar-se contidos como as comportadas águas do lago.
Toda menina-moça, após a primeira menstruação, passa a usar o coque, com o cabelo cobrindo as orelhas (obscenas), e lenço preso ao queixo, com as pontinhas a acariciar o colo, sobre a roupa.
Os travestis, mais "estranhos", são estimulados a ser ermitões: construir, decorar, zelar e realizar serviços religiosos numa pequena ermida, afastada do vilarejo, a viver de pequeno roçado e caridade.
São parcos na região, obrigados a levar uma vida paralela, alisadinha no macio da noite. Em público, chegam a se tornar veneráveis, realizando curas, aprofundando-se na arte com ervas medicinais, por sua alta sensibilidade.
Conquanto aqueles que praticam a abstinência sexual indiferente, são apreciados com satisfação, visto não possuírem trejeitos, não escandalizam. São tidos apenas como altruístas eremitas (vivendo sós em local ermo).
O casamento "branco" também é trivial: onde o casal já se une, com votos religiosos para a abstinência sexual, e o Reverendo anuncia pomposamente a penitência à confraria jubilosa!  
Tom não busca sequer atração romântica com as moças do vilarejo, pois qualquer olhar maior, poderia forçar um matrimônio indesejado, como um tiçãozinho de brasa a acender  o palheiro.
Quando interpelado por outros homens sobre a pertinência de contrair uma esposa (e filhos), responde abrupta e ignobilmente que já habita com as cinco concupiscentes manas.
Na verdade, se refere a uma prática também corriqueira, de liberar-se através da masturbação, utilizando os cinco dedos da mão esquerda, mais delicada que a destra (repleta de calosidade pelo trabalho braçal).
Nick sublima suas aspirações amorosas através da religiosidade, da poesia e da  música: compõe, toca e canta na celebração dominical, discretamente como o andar rastejante de um tracajá.
Contempla Tom sempre próximo: gestos, voz, odor, olhar, trejeitos ao se movimentar. Tudo sem nunca tocá-lo, pois sabe que seria repelido, e este ato o feriria, tamanha sua sensibilidade.
Tom daria sua vida por Nick, sem pestanejar; é o único "parente" que possui. São manos de sangue por opção e por ritual. Tudo faz por ele, tudo que o melhor irmão faria. Menos o incesto.  

21.9.12

Enfim! Choveu, chove, choverá...


Quarta à noite, enquanto eu postava, uma ventania apossou-se da redondeza. O vizinho saiu ao quintal (ouvi), chamando a esposa para constatarem:  se tratava de poeira, demasiadamente. Nem sinal de chuva.
Esposo chega esbaforido da rua, dizendo que se fosse dia, as luzes se acenderiam, tamanha a escura nuvem de terra.
Tinha Saci a se perder de vista naqueles redemoinhos, e eu sem peneira para a caçada! Mesmo assim, ameacei-os: se não assoprarem as nuvens neste rumo, lhes retiro a carapuça.
A garagem virou uma feira livre (ao seu final): folhas secas, jornais, "santinhos" (época de eleições).
Quase duas horas mais tarde, ELA chegou! A primogênita! Mansa, em pingos fortes, espaçados. Corri, escorregando, cheguei lá. Gritava pelo Esposo (que tinha sido abduzido pelo sofá, inerte).
Não foi o suficiente para um banho, contudo valeu. Grata Sacis!
Ontem choveu mais um pouco. Os miúdos pintaram o calendário num azul escuro (escurão) para reforçar.
 Hoje ela desavergonhou-se, e esparramando com todo gosto, despontou antes do arrebol.
Às 6 h e 30, "urinou" aliviada. Conclusão: 10 miúdos a menos. Lecionei para 18! Eis o número ideal deles em sala de aula. Sobrou espaço para trabalho em grupo, roda de leitura, joguinhos ao chão, conselhos.
O dia todo foi assim: chuvoso, nublado, chuvoso. Agora está constante e vem a horas. Alguns relâmpagos anêmicos rumo oeste (Pinhal). 
Abandonei a moto e estou pilotando o computador. Vida boa no trabalho! Esposo foi fazer uma cobrança inadiável, em meu lugar (ele ia por lá mesmo)...

19.9.12

Carrapato

Antiontem pedi ao Esposo para verificar meu ombro esquerdo: tinha coceirinha de carrapato (e olha que a conheço bem), pois passamos o fim de semana na roça.
O míope cegueta nada encontrou. Tudo se aquietou então.
Ainda a pouco, banhada e de camisola com alcinha, eu enchia a máquina de roupas.
Ele se aproxima e diz que machuquei o ombro, pois está vermelho e com casca preta.
_  Como assim, casca? Não é o carrapato?
Ele diz que tive uma "boa ideia". Retira um carrapato estrela rechonchudo, já entrando na adolescência!
E eu precisei ficar mais 48 horas com esse bichão regurgitando em minha corrente sanguínea... este vômito dele é que pode causar doenças.
Agora o local está expelindo uma aguinha rosada.
Deixa prá lá, eu devo ser imune mesmo, fui criada com eles...
A seguir, mais fotos da roça às 6 h da manhã!
Esposo segurando a moldura: ficheiras em flor!



O arrebol começando a desenhar o domingo...


Erva lanceta: desinflama peito empedrado na amamentação. 
Me vali dela a quase 27 anos, devido ao "Fiotão".
Seu perfume de mel é transcendente.
Amoreira tomada por parasitas (líquens). Lindos brinquinhos!




Goiabeira (muito) idosa no despontar do dia.
Várias gerações comeram dela nesta beira de estrada...


O vento de leste a oeste: bem forte no coqueiro!
E o azul intenso de céu rural...  Até dói nas vistas.

Frutinhos de nome excêntrico: ânus de cachorro.
Eu  traduzi, viu?
Amo esta arvorezinha rústica...

A beleza do alvorecer até onde a vista atingir...
Minha cidade está acordando lá nos fundos!

Erva de São João, enfeita o dourado da estação seca.
Trata-se de um cipó muito resistente. 
Serralha florida: é uma verdura amarguinha 
e deliciosa com arroz, feijão e ovo caipira!
Sempre viva, num amarelo bebê, a enriquecer este jardim dEle!



Esta espécie de lírio (ou orquídea), desponta na securidão,
com viço e cor, direto da terra dura.
Repare o brotinho ao lado direito...
Maravilhosa e abundante, algumas já secas por lá.


Orelhas do Bigão (padre). São um chocalho para bebês.
Árvore frondosa, de flores que formam um tapete azul...

16.9.12

E aqui no Leste Paulista...

"Triozinho" feito pelas vacas.

Fomos dormir no Mamonal para o desligamento necessário. De madrugada, ventou muito... Na caminhada matinal, e ao longo do dia, fui registrando:





Maria Jacinta


A planta exótica, só tem este pé. É espinhenta e linda!
Forma uma mandala.




Os porquinhos (4) comendo o cacho de bananas que colhi. Dei bobeira e nhac, nhac, nhac.
Não sobrou nada... Danadinhos!








Garças alçando voo com nossa proximidade. Sinta no coqueiro, o vento cruviana rumo a oeste. Vamos passar por esta "rodovia".
A planta "Maria Jacinta" vive à beira d`água e é prima do gengibre. Suas flores brancas são belas e cheirosas. Na seca extrema, costuma-se fornecê-las ao gado. O leite fica temperadinho e passa o gosto ao queijo...




Cacto














O bambuzal ao alto, e o sol despontando na serra. Tudo douradinho na estação seca. Se enxerga lá longe, até onde a vista alcança!
O caminho está extinto. Por aqui, minha mãe, Tia Dinha e Tiza subiam para ir à escola e buscar alimentos,
que ficavam armazenados na casa da Tia Antonieta ("ridica").
Cupinzeiro. vários animais costumam alugar este espaço: cobras,corujas, lagartos.

13.9.12

Cotidiano



Hoje tive uma manhã cheia:  criança com Transtorno Desafiador dando "baile". Literalmente subindo pelas paredes.
Tem soleira larga nos vitrôs da sala, onde esta criança passou a subir e pular, abrir e fechar. Fazer e soltar aviãozinho.
Do nada, expelia gritos estridentes, atormentava os colegas com palavras de baixo calão, dizia que mataria enforcado.
Me xingou de palavrões, e zanzava o tempo todo. Trocava os pertences dos colegas de lugar. Tive que "toreá-la" o tempo todo, a ainda lecionar aos outros 27;  a classe ficou estressada.
Mordeu uma colega, bateu no outro, amassou o caderno da terceira, rasgou sua atividade de casa.
Ela faz coisas assim todo dia, contudo hoje foi atípico, tudo ao mesmo tempo (tipo pagamento à vista). 
Administro Ritalina 10 mg `as 8 h, todavia não faz o menor efeito. A dose não pode ser aumentada, pois  está tão miudinha, magrinha, embora se alimente bem no recreio.
Ontem, a Diretora chamou a genitora para que esta comunique o médico (e mude a medicação). A mesma mudou-se para um bairro distante e não aceita transferi-lo. Então que melhore o tratamento, em prol dos outros alunos.
Conclusão: ela (a mãe) se aborreceu e foi às instâncias superiores.  Eis o motivo do agito da criança (poder). 
Passei metade do tempo em meu outro trabalho pesquisando fármacos. Há opções, porém os efeitos colaterais existem. O que também existe em 75% dos casos, é o risco de evoluir para Transtorno de Conduta.
É apavorante pensar que algum de meus miúdos um dia possa estar nas páginas policiais. Antes da saída, abaixei-me e lhe disse pela milésima vez o quanto gosto dela, e o quanto detesto aqueles comportamentos. 
Já tive casos em que a evolução foi ruim, inclusive o próprio pai desta criança, que eu atendia no Conselho Tutelar. A dias, esta criança estava querendo atenção, colo. Ao questionar porque estava amuadinha, disse que "os homens" levaram seu pai  só por ele estar entre os "nóias".
Não pude dar atenção suficiente aos outros, e amanhã terei que dar consequências a esta criança.
Porém é assim mesmo: tudo que fica fácil demais não nos presta; vivemos desafios diários!
Quer esporte radical? Quer adrenalina? Mas também quer melhorar o Brasil? Seja um professor...

Fonte da imagem: esta

9.9.12

Alfenas - MG

Estive por três dias nesta linda cidade, devido a formatura de minha última priminha Fê. Nutrição.
A UNIFAL hospeda anualmente, assim como muitas outras universidade públicas e privadas, situadas em Minas, grande número de paulistas... 
Na turma da Fê, a maioria também é daqui. Obrigada, Minas, pela acolhida a nossos estudantes (e a mim, por passeio)!
Na quinta houve um lindo jantar de gala, com banda (dancei bastante). Cada rostinho das formandas (e do único formando), cada vestido longo, e sapatos altíssimos (que no fim sumiram)!
Os convidados, orgulhosos, suspiravam aqui e acolá. A satisfação dos pais pelo dever cumprido, o fim de uma etapa, a saudade na despedida...
Na sexta, a Colação de Grau simbólica: chorei do início ao fim. Amo esta parte! Becas elegantes, e por baixo, mais vestidos novos e sapatos (mesmo sendo escondidos).
O discurso inicial, de uma delas, exaltou a característica marcante de cada colega, um primor! Sabe que a Fê se destacou como professorinha da turma (puxou a mim)?
Ontem tivemos um culto ecumênico pela manhã, com todas de branco (e o Ulisses). Um belo sermão proferido pelo religioso... 
O baile à noite, foi o desfecho apoteótico. Que peculiar um cantinho country com gostosuras de bar (torresmo, mandioca, linguiça, batata frita).
A valsa é sempre emocionante. Em cada mesa, uma formanda de foto, em tamanho real , toda uniformizada nos aguardando a sorrir! Maravilhoso.

A mais bela formanda com a mãe e "dinda"

Eu e Esposo

Na casa: amassadeira e gamela. Aqui quitanda é quitute, e não Hortifruti como em SP
 A dona da casa (já virou "prima"); na foto: Maria; Lé; Eliana; Rita e Marco (anfitriões)


A casa que a Rita alugou (ela e o Lé)

Centro de Alfenas - calçada é passeio (fininho)!

Chegando...

Indo embora...