28.11.12

Bairro rural Mamonal

Estamos quase no sítio... enfim, sossego!


Meu "Resortinho" é este cômodo azul, atrás do mourão, anexo ao quintal do casarão da Avó. O sol da manhãzinha e JP brincando com os cães no terreiro. 
Fom, Carlão, JP e Marco bancando os trilheiros.
A planta da mamona, que fornece o nome à localidade.
                       Carlão e Rita "furtando" bananas num casebre abandonado...         

23.11.12

Contracepção

A vida sexual de uma mulher inclui o risco de fertilização do óvulo (oócito), na grande maioria dos métodos: Em maior ou menor graus.
Meus primos da roça (eles também primos entre si), "engravidaram" na adolescência - ela virgem. Como?
Praticavam sexo interfemural, e os milhões de "bichinhos" passam pela vulva, entram no vãozinho onde sai a menstruação, e atingem o útero. Veio um lindo garotão.
Muitas garotas iniciam a vida sexual fazendo uso de um determinado contraceptivo, achando que estão seguras; de repente a surpresa: Gravidez!
Será que sempre um bebê a caminho é motivo de alegria? Por que não, se muitas gastam horrores, e sofrem em prol do sonho da generatividade?
O desprendimento masculino e feminino são equivalentes neste processo? E as mudanças corporais?
Se os dois têm uma renda aproximada, e um necessita abrir mão do trabalho para ficar criando o bebê, é possível tirar "par ou ímpar" ao decidir? 
Ficamos de certa forma "escravizadas" por nossos bebezinhos anos a fio?
Meu primeiro método foi o "Billings" - tabelinha: Iniciando a menstruação, marque a data em calendário próprio.
Conte 14 dias e risque 4 para trás, 4 para frente (eu sempre risquei 5), no total, 9 dias em abstinência sexual (o meu somava 11 dias).
Só isso? Não, de forma alguma! É importante ter ciclo menstrual regulado (geralmente de 28 dias).
Em torno do décimo dia, use calcinhas brancas, troque-as mais vezes e observe-se: antes de ovular, o organismo expele uma secreção (tipo clara de ovo) de odor forte, para lubrificar o óvulo (E espermatozoide?) assim como todo o local de seu percurso.
Este é o alerta de que se está prestes a ovular. Caso não ocorra, a ovulação está atrasada. Cuidado, então! 
A gravidez não ocorre somente no dia exato da ovulação, os espermatozoides ficarão tentando por algum tempo.
Não sei se é fato científico, numa palestra (a décadas) fui informada que nos dias anteriores (antes do décimo quarto dia) temos mais chance de conceber meninas.
Após o óvulo ter tido um trajeto maior, a chance é para garotos. Motivo: espermatozoides com cromossomos X são mais lentos, todavia sobrevivem mais tempo.
Aqueles com cromossomos Y correm à frente, gastando toda energia, e morrem logo. 
Eu engravidei no décimo quarto dia (quando muita secreção "clara de ovo" já havia sido expelida) , e veio o Cláudio... Pode ser coincidência.
Importantíssimo: Concilie o "Método Billings" com seu método  atual , caso não possa engravidar no momento. Evite confiar num único... e não custa nada, apenas organização!
Obs.: Fiz uma explanação empírica (e bastante simplista), conquanto fica a dica de mais pesquisa (científica).

Lembrem-se: preservativo (masculino ou feminino) é questão de higiene. Não há exceção!
Fonte da imagem: pt.wikipedia.org /

20.11.12

Trilogia sobre o Afeganistão

Fonte:  esta  

Fonte:  pt.scribd.com/doc/44109741/ Shah-Muhammad-Rais-
Eu-Sou-o-Livreiro-de-Cabul

Terminei o último de três livros sobre Cabul, a capital afegã. O primeiro é uma réplica: uma resposta escrita por um afegão à uma jornalista norueguesa.
Ela permaneceu meses na casa dele, para escrever um livro sobre sua família. Por não ter gostado do resultado, ele se defende neste livreto.
Utilizou os mitológicos trolls noruegueses para compor sua trama. Eu amo literatura infantil, então os trolls me caíram bem.
É a visão de um homem letrado afegão (cerca de 70% da população é analfabeta), contrastando com a visão de uma mulher dum país com um dos maiores IDHs mundiais (quase dois planetas distintos).

O segundo livro, o da jornalista, retrata uma Cabul destruída moral e economicamente, após a queda do Taleban.
Ela discorre sobre detalhes cotidianos relacionados à família, que em certos casos, poderiam ser omitidos, visto que se trata de muçulmanos (que seguem regras rígidas de comportamento e religiosidade).
O foco principal do livro está no patriarcalismo (ou machismo) dos chefes de família afegãos, contrastando com o conformismo feminino (ou submissão).
As escalas de poder dentre as mulheres de uma mesma família, dentre os homens de uma mesma comunidade.
As famílias estendidas vivendo em um mesmo espaço (pequeno): pais, esposas (sim, mais de uma), sogra, cunhadas, sobrinhos, filhos, e os conflitos advindos daí.
O grande número de filhos, e o desejo por meninos (mulher é um ser de segunda categoria, inclusive para elas próprias, que criam e fazem a cabeça das crianças).
A miséria de um país assolado por diversas guerras, "coalhado" de viúvas e órfãos, quase sem fonte de sustento.
Fonte:   aqui 

O terceiro é a "sobremesa": Com entrevistas jornalísticas feitas por outra européia, traçando um paralelo entre o período Taleban (1997), e após sua queda (2001).
Ele é mais cru, mais ardente. E mostra que as mudanças são lentas para as mulheres (não tão passivas). 
A burkha ainda persiste após sua liberação: as mulheres se sentem protegidas dentro daquela "cabaninha", pois os homens as agridem e molestam, caso não as usem em público.
Até mesmo bonecas haviam sido proibidas às garotinhas, por serem consideradas "idolatrias".
Os três livros demonstram a importância do Paquistão na vida afegã (mais que o Irã).
Há um outro livro, que ainda não li: "O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini", para fechar a trama.
Os três livros que li, estão no scribd: é só clicar e se cadastrar (publicando algum texto).

O que fica? Creio que a busca pelo protagonismo é um caminho à libertação feminina. A procura de fontes de renda (assalariada ou autônoma), com apoio de ONGs.
O conformismo é quebrado, com este protagonismo levando à busca por conhecimento (educação formal e autodidata).
Ato contínuo, consegue-se o empoderamento: onde alarga-se a parcela de poder daquele grupo de mulheres perante sua comunidade.
Se tornarão mais autônomas, atrevidas, politizadas, lutando para serem senhoras de seu destino e o da prole.

18.11.12

De bicicleta...

A primeira era verde (cor que amo) e tinha uma plataforma para o garupa trepar.
Fonte da imagem: fotos.blogs.sapo/150 180 html



Acabo de realizar a façanha: 20 minutos pelo bairro. Nunca tive uma magrela; na infância rural, ganhamos um triciclo usado, que logo quebrou.
Aos 11 anos, andava pela roça, numa que meu irmão conseguiu de "quinta mão" (véia, véia). Logo se destruiu,  e ficamos nisto.
Quando jovem, dei algumas voltinhas na "caloi 10" do irmão, sem ao menos conseguir pegar prática. 
Desequilibrei-me e levei um tombo em público (Também, quem manda ir pela avenida?). Fiquei envergonhada e desisti.
Comprei a moto a seis anos e tive que ralar para me equilibrar. É muita aprendizagem simultânea.
Hoje saímos às seis horas, pois um funcionário deixou a dele na firma (e peguei). Comecei lá da esquina, que é plano. A calça se enroscava (Esposo nem prá avisar).
A cidade dorme profundamente: rua vazia. Digo ao Esposo para ir na outra mão, estava atrapalhando em minha frente. 
Preferiu ir atrás. Ao final da rua plana, subimos para contornar criar volta pelo alto. Força, força...
Passei a quebrar ruas: sobe, vira, sobe, vira. Que delícia está ficando! Na rua plana sem pedalar. E a calça enrosca e desfia-se.
Em frente minha escola. Em frente a casa do primo. "Pertin" da casa da mãe (que "faz meia-noite" ainda).
Chegamos após rodar uma volta como 3/4 de pizza, todavia a subidinha de minha rua íngreme, fiz pela metade. 
Não mudei uma marcha sequer; são 24... Fica para a próxima (talvez retorne nesta tarde, talvez)!
Esposo seguiu para a cidade de Águas da Prata, a 10 km (Quem já bebeu água Prata? É daqui! Jorra pela borda vulcânica - de Poços de Caldas).
Da próxima vez, quero passar em frente a casa de meu irmão, aqui perto (o outro irmão, aquele das bicicletas faleceu a 15 anos).
Joãozinho, esta foi em homenagem a você, Mano! Onde quer que esteja!

16.11.12

Pyongyang

Se perguntarmos a alguém que capital de país desejaria conhecer, provavelmente diria nomes do tipo: Tóquio na Ásia; Paris na Europa; Washington DC na América. E por aí vai. 
Quem escolheria uma cidade supostamente de fraco luxo, repleta de noticiários sensacionalistas, hermética, e que retém seu passaporte?
Uma capital movida à ideologia de autossuficiência (juche), envolvendo dados não confirmados (rumores) de barbáries contra civis "dissidentes"?
Um local com singelas guardinhas de trânsito nos uniformes azuis, executando malabarismos em meio a veículos arcaicos (e outros nem tanto)?
A capital dos mosaicos humanos (com sorrisos forçados) presentes em qualquer comemoração cívica, e com um exército teoricamente imenso a desfilar ao pé de seu quarto de hotel?
Uma região onde o turista só pode deslocar-se munido de vigia, e que este vigia repassa quase todas as fotos,  e proíbe certas filmagens? E só te mostra o politicamente correto?
Um povo que comeu o pão que o diabo amassou com as nádegas em mãos dos "nazistas" japoneses?
Local onde internet e telefones celulares são "desaconselhados"? E suas mulheres? Gostaria de ler os pensamentos daquelas mulheres...
Uma culinária ainda pouco conhecida, com ingredientes não tão cosmopolitas devido ao ostracismo, e com quase nada de liberdade religiosa?
É quase uma realidade paralela? Até na contagem do tempo? Não estão em 2012? Não há mendigos?
Como pensa esta população? Sentem falta do que não conhecem? Querem se "ocidentalizar"  e se capitalizar (ou gerar dívidas)?
Seriam felizes ou infelizes? Resignados ou serenos? Massacrados ou disciplinados? Tratados pelos dirigentes com moderação ou excessos?
É perigoso visitar um país com armamento nuclear? Então o que fazer com a Disneylândia? As pessoas levam seus filhos lá?
Quem conhece Pyongyang? Eu não, todavia gostaria, ao menos para tirar dela minhas próprias conclusões e ensinamentos sobre diversidade!
Vista Panorâmica pelo Rio Taedong.

Fonte das imagens:       

13.11.12

E fomos à Serra...

Subir mais uma vez à quase mantiqueira é revigorante!
Esta é a fazenda dos padres, doada a muito tempo pela Dona Tita (não casou-se, nem teve filhos).
Esta "plantação" de granito começou a ser extraída a uma década. Após protestos ambientalistas, houve embargo. Devem ter sido forjados em épocas vulcânicas. Imagine o horror, perdermos a montanha!
Os famosos granitos no caminho.
Eis a borda sul, vista por fora, de todo o complexo alcalino de Poços de Caldas (a bacia dos vulcões), com o Pico do Gavião mais à frente, pela direita. Há muita água mineral jorrando por aí.
A encosta montanhosa.
Chegando no sábado à tarde para dormir. Já se vê algumas construções.
Nosso recanto fica bem à direita...
As transformações naturais ao longo das estações do ano são constantes. Em duas semanas há diferenças.
Pêssego antes.

Depois.
 Daqui a duas semanas, as jabuticabeiras estarão peladas, é uma fruta efêmera demais!
Antes

Depois (e depois nas barrigas)!


A amarelinha, eu devorei...

Pintangas. Comi várias!

12.11.12

Sóror Mariana - quarta carta


Fonte da imagem:    esta   (Digite Sóror em "pesquisar" e terá as 5 cartas)
O teu tenente acaba de me contar que um temporal te obrigou a arribar ao Reino do Algarve. Receio que tenhas sofrido muito no mar, e este temor de tal modo se apoderou de mim, que nem tenho pensado nas minhas mágoas. Estás convencido que o teu tenente se preocupa mais com o que te acontece do que eu? Porque está então mais bem informado e, enfim, porque não me tens escrito?
Bem desgraçada sou, se depois da tua partida ainda não tiveste ocasião de o fazer; e mais ainda, se a tiveste e não me escreveste. Não sei de maior ingratidão e injustiça; mas ficaria aflitíssima se, por causa disso, te viesse a acontecer qualquer desgraça, pois prefiro não ser vingada a que sejas punido. Resisto a tudo o que parece mostrar-me que já me não amas, e com mais facilidade me entrego cegamente à minha paixão do que às razões que tenho para lamentar o teu abandono.
Quanta inquietação me terias poupado se, quando nos conhecemos, o teu procedimento fosse tão descuidado como o é agora! Mas quem, como eu, se não deixaria enganar por tantos cuidados , e a quem não pareceriam verdadeiros? Que difícil resolvermo-nos a duvidar da lealdade de quem amamos! Sei muito bem que te serves de qualquer desculpa, mas, mesmo sem pensares em dar-ma, o meu amor é tão fiel que só consente em culpar-te para ser maior o prazer em te justificar.
Atormentaste-me com a tua insistência, transtornaste-me com o teu ardor, encantaste-me com a tua delicadeza, confiei nas tuas juras, seduziu-me a minha inclinação violenta, e o que se seguiu a tão agradável e feliz começo não são mais que suspiros, lágrimas e uma tristíssima morte que julgo sem remédio. É certo que tive, ao amar-te, alegrias surpreendentes, mas custam-me agora os maiores tormentos: são extremas todas as emoções que me causas. Se tivesse resistido com afinco ao teu amor, se te houvesse dados motivos de desgosto ou de ciúme para mais te prender, se tivesses notado em mim qualquer intencional reserva, se, enfim, tivesse tentado opor (embora, sem duvida, fossem inúteis tais esforços) a razão à natural inclinação que tenho por ti, e que cedo me fizeste notar, poderias então punir-me severamente e servires-te do teu domínio sobre mim; porém antes de dizeres que me querias já eu te julgava digno de amor, manifestaste-me a tua paixão, fiquei deslumbrada, e abandonei-me a ti perdidamente.
Tu não estavas cego como eu, porque me deixaste então chegar ao estado a que cheguei? Que querias dum desvario que não podia senão importunar-te? Se sabias que não ficavas em Portugal, porque me escolheste a mim para tornares tão desgraçada? Terias, certamente encontrado neste país uma mulher mais bonita com quem tivesses os mesmos prazeres, pois só os de natureza grosseira procuravas; que te amasse fielmente enquanto aqui estivesses; que se resignasse, com o tempo, à tua ausência, e a quem poderias abandonar sem perfídia e crueldade. O teu procedimento é mais de um tirano empenhado em perseguir, que de um amante preocupado apenas em agradar. Ai!, porque tratas tão mal um coração que é teu?
Bem sei que é tão fácil para ti desprenderes-te de mim como para mim o foi prender-me a ti. Eu teria resistido a razões bem mais poderosas do que as que te levaram a partir, sem precisar de invocar o meu amor por ti, nem me passar pela cabeça que fazia fosse o que fosse de extraordinário: todas elas me pareceriam insignificantes e nunca nenhuma poderia arrancar-me de ao pé de ti. Mas tu quiseste aproveitar os pretextos que encontraste para regressar à França. Um navio partia -  porque não o deixaste partir? Tua família havia-te escrito  - não sabias quanto a minha me tem perseguido? Razões de honra levavam-te a abandonar-me - fiz eu algum caso da minha? Tinhas obrigação de servir o teu Rei - mas, se é verdade o que dizem dele, não necessitava dos teus serviços e ter-te-ia dispensado.
Que felicidade a minha, se tivéssemos passado a vida juntos! Mas, se era forçoso que uma cruel ausência nos separasse, creio que devo estar satisfeita por não ter sido infiel, e por nada do mundo quereria ter cometido acção tão indigna. Como pudeste, conhecendo o meu coração e a minha ternura até ao fundo, decidir-te a deixar-me para sempre, e a expor-me ao tormento de que só venhas a lembrar-te de mim quando me sacrificas a nova paixão?
Bem sei que te amo perdidamente; no entanto, não lamento a violência dos impulsos do meu coração; habituei-me à sua tirania, e já não poderia viver sem este prazer que vou descobrindo: amar-te entre tanta mágoa. O que me desgosta e atormenta é o ódio e a aversão que ganhei a tudo. A família, os amigos e este convento são-me insuportáveis. Tudo o que seja obrigada a ver, tudo o que inadiavelmente tenha de fazer, me é odioso. Tão ciosa sou da minha paixão que julgo dizerem-te respeito todas as minhas acções e todas as minhas obrigações. Sim, tenho escrúpulo de não serem para ti todos os momentos da minha vida. Ai!, que seria de mim sem tanto ódio e tanto amor a encher-me o coração? Conseguiria eu sobreviver ao que obsessivamente me preocupa para levar uma existência tranquila e sem cuidados? Tal vazio e tal insensibilidade não me convêm.
Toda a gente se apercebeu da completa mudança do meu carácter, dos meus modos, do meu ser. Minha mãe falou-me nisto, primeiro com azedume, depois com certa brandura. Nem sei que lhe respondi; parece-me que lhe confessei tudo. Até as freiras mais austeras têm dó do estado em que me encontro, que lhes merece alguma simpatia, e até cuidado. Todos se comovem com o meu amor, só tu ficas profundamente indiferente, escrevendo-me apenas frias cartas, cheias de repetições, metade do papel em branco, dando grosseiramente a entender que estavas morto por acabá-las.
Dona Brites insistiu, nestes últimos dias, para que saísse do meu quarto; julgando distrair-me, levou-me a passear até ao balcão de onde se avista Mértola. Segui-a, mas fui logo ferida por tão atroz lembrança que passei o resto do dia lavada em lágrimas. Trouxe-me outra vez para o meu quarto, atirei-me para cima da cama, e ali fiquei a reflectir na pouca esperança que tenho de vir um dia a curar-me. Tudo o que fazem para me confortar agrava o meu sofrimento, e nos próprios remédios encontro novas razões de aflição. Muitas vezes dali te vi passar com um ar que me deslumbrava; estava naquele balcão no dia fatal em que senti os primeiros sinais da minha desgraçada paixão. Pareceu-me que pretendias agradar-me, embora não me conhecesses; convenci-me de que me havias distinguido entre todas aquelas que estavam comigo; quando paravas imaginava que o fazias intencionalmente para que melhor te visse, e admirasse o garbo e a destreza com que dominavas o cavalo; dava comigo assustada, quando o levavas por sítios perigosos; enfim, interessava-me secretamente por todas as tuas acções, sentia já que não eras de modo nenhum indiferente, e reclamava para mim tudo quanto fazias. Conheces de sobra o que se seguiu a tal começo; e, embora não tenha obrigação de te poupar, não devo falar-te nisso, com receio de te tornar ainda mais culpado, se possível, do que já és, e ter de me acusar por tantos e inúteis esforços que te obrigassem a ser-me fiel. Nunca o serás! Se não conseguir vencer a tua ingratidão à força de amor e renúncia, como haveria de consegui-lo com cartas e queixumes?
Estou mais que convencida do meu infortúnio; a injustiça do teu procedimento não me deixa a menor dúvida, e tudo devo recear, já que me abandonaste.
Serei só eu a sentir o teu encanto? Nenhuns outros olhos darão por ele? Creio que me não seria desagradável se, de algum modo, os sentimentos de outras justificassem os meus, e gostaria que todas as mulheres de França te achassem encantador, mas que nenhuma te amasse e nenhuma te agradasse. Este desejo é inconcebível e ridículo; sei por experiência que és incapaz de fidelidade e não precisas de ajuda para me esqueceres, nem a isso seres levado por nova paixão. Desejaria eu que tivesses um motivo razoável? Seria mais desgraçada, é certo, mas não serias tão culpado.
Vejo que ficarás em França sem grande prazer, e com inteira liberdade. Será a fadiga de tão longa viagem, qualquer pequena conveniência, ou o receio de não corresponderes à minha exaltação que aí te retêm? De mim, nada receies! Bastar-me-ia ver-te de vez em quando e saber apenas que estávamos no mesmo lugar. E talvez me iluda; sei lá se não serás mais sensível à crueldade e à frieza de outra mulher do que foste à minha generosidade. Será possível que gostes de quem te faça mal? Mas antes de te enleares numa grande paixão, reflecte bem no horror do meu sofrimento, na incerteza dos meus planos, na contradição dos meus impulsos, na extravagância das minhas cartas, na minha confiança, e aflição, e desejos, e ciúmes. Ah, serás um desgraçado! Suplico-te que tires ao menos proveito do estado em que me encontro, e que assim o meu sofrimento não seja inútil.
Haverá cinco ou seis meses, fizeste-me uma confidência bem desagradável: confessaste-me, com a maior franqueza, teres amado uma mulher na tua terra; se é ela que te impede de regressar, manda-mo dizer sem rodeios, para que eu deixe de me consumir. Um resto de esperança tem-me ainda de pé, mas, se a não puder sustentar, prefiro perdê-la por completo e perder-me também. Envia-me o retrato dela e alguma das suas cartas e conta-me tudo quanto te diz. Talvez encontre nisso razões para me consolar, ou afligir ainda mais. Neste estado é que não posso permanecer, e qualquer mudança me será favorável. Gostaria também de ter o retrato do teu irmão e da tua cunhada. Tudo o que te diz respeito me enternece, a minha dedicação ao que te pertence é completa; só o que a mim se refere não me preocupa. Às vezes parece-me que até me sujeitaria a servir aquela que amas.  O tormento que me causas e o teu desprezo abalaram-me de tal modo, que nem sequer ouso pensar que pudesse vir a ter ciúmes de ti, com receio de te desagradar; e creio ter feito o pior que podia fazer ao atrever-me a censurar-te. Também estou convencida de que não devia impor-te desvairadamente como faço, por vezes, um sentimento que não aprovas.
Há já muito tempo que um oficial espera esta carta. Tencionava escrevê-la de forma a não te aborrecer, mas é tão incoerente que será melhor acabá-la. Ai, não está em mim poder fazê-lo! Quando te escrevo é como se falasse contigo e estivesses, de algum modo, mais perto de mim. A próxima não será tão longa nem tão importuna; podes abri-la e lê-la, confiado na minha promessa. Na verdade não devo falar-te de uma paixão que te desagrada, e não voltarei a falar nela.
Vai fazer um ano, faltam só alguns dias, que me entreguei inteiramente a ti. A tua paixão parecia-me tão sincera e ardente, que não poderia imaginar sequer que a minha te viesse a aborrecer, a ponto de te obrigar a fazer quinhentas léguas, e a expores-te a naufrágios, para te afastares de mim. Não esperava ser tratada assim por ninguém: devias lembrar-te do meu pudor, da minha confusão, da minha vergonha, mas tu não te lembras de nada que possa levar-te contra vontade a amar-me.
O oficial que há-de levar esta carta previne-me, pela quarta vez, que quer partir. Como ele tem pressa! Abandona, com certeza, alguma desgraçada neste pais. Adeus. Custa-me mais acabar esta carta do que te custou a ti deixa-me, talvez para sempre. Adeus. Não me atrevo sequer a chamar-te meu amor, nem a abandonar-me completamente a tudo o que sinto. Quero-te mil vezes mais que à minha vida e mil vezes mais do que imagino. Ah, como eu te amo, e como tu és cruel! Nunca me escreves; não consigo deixar de te dizer ainda isto. Recomeço, e o oficial partirá. Se partir, que importa? Escrevo mais para mim do que para ti; não procuro senão alívio. O tamanho desta carta vai assustar-te: não a lerás. Que fiz eu para ser tão desgraçada? Porque envenenaste a minha vida? Porque não nasci noutro país? Adeus. Perdoa-me. Já não ouso pedir-te que me queiras. Vê ao que me reduziu o meu destino. Adeus.
Fonte do texto:veja 

10.11.12

Confraternização no trabalho...

Trabalhar é gratificante, é superação, nosso meio de vida!
Temos momentos felizes, de gargalhadas... Há horas em que ansiamos sumir prá Saturno.
A maioria de nosso cotidiano trabalhista, no entanto, é de rotina.
Rotina esta, que para alguns se traduz em tédio, para outros em sossego, ou um misto dos dois com  determinados temperos.
Para as Professoras, é sempre uma ebulição. Não tem como retirar a mente dali, por um instante sequer.
As solicitações são constantes, e diversas ao mesmo tempo.
Há uma evolução neste "vulcão" ao longo do período: inicia-se morno, esquenta até o recreio.
Na volta deste recreio, tudo ferve, quase explodindo! Assopramos, assopramos e a temperatura baixa.
Meia hora antes do final, a "cratera" passa a transbordar com lavas, e a atirar detritos.
Não há leque que diminua a temperatura: quase um caos... Eis meu cotidiano:
Ontem fizemos produção textual, e os miúdos surpreenderam! Dominam parcialmente parágrafo, alguma pontuação, escolhem as melhores palavras.
Para escrever sobre um garoto que "caiu com tudo no chão", acharam horrível, queriam palavra de gente grande.
Após um debate, sugeri o dicionário e elenquei algumas. Escolheram "estatelou-se".
Foi tão emocionante que marejei os olhos!!!
Então vem o outro lado da moeda...
Quase onze da manhã, um garoto surtou (um pouco mais que seu normal).
Ai!  Tenho mais de meia hora!  Tudo vai explodir!
Tive que lecionar segurando-lhe pelas duas mãozinhas, pois atirava tudo, arrastava os materiais das carteiras, tudo ao chão.
Dava tapas sorrindo, feliz e  satisfeito. Quando só lhe restaram as pernas e boquinha, era chutes e gritos de baixo calão!
Quarta-feira, ele fez mais um eletroencefalograma (viajou à cidade de Casa Branca para tal).
Devemos ser pacientes,  todavia há outros três... e mais três que se aproveitam da situação.
Meu diploma de "toureira" está garantido!
Dez minutos antes do final, levei-o à Diretoria para acalmar os tais seis. 
Após cinco minutos estava de volta... Juro! Custava deixá-lo lá até bater o sinal?
Nem deu tempo de acertar a bagunça e abrandar o "vulcão": faltavam dois (dos seis) para uma admoestação verbal.
Em casa, chorei por mim mesma, pelo garotinho e sobretudo por meus miúdos assustados...
Depois fazem confraternização natalina? Abraços e beijos? Equipe unida? Escola harmônica? Tô  bem longe!
Fonte:   aqui  

9.11.12

Coruja buraqueira

Elas consomem insetos, pequenos roedores, fazem "uma limpa" nas redondezas! 
Ao voltarmos da caminhada, pelo pasto do André, lá estava a família: mamãe e dois bebezões.
A uma distância segura, tudo bem. Na aproximação para as fotos, adeus!
Só sobrou o buraco nu... Qui-qui-qui-qui!!!
Fugiram: os filhotões para dentro, e a mãe a voar, tentando me dissuadir.

Dá para ver a danada superprotetora e bravia, "tenenteando" sobre o cupinzeiro.

Está voando por aí, num mimetismo só!
E o dia quer clarear, veja o horizonte leste quase aceso...

A mãe está me enganando, para que eu vá a outro buraco, e não mastigue seus bebês.

Este é o buraco de mentira, ou será que é de outra família? Ela não é boba...

Pertinho das corujas, esta vaca negra deitada atrás: Uma gir-holanda.
Filha de mãe holandesa e pai gir.
Se casará no futuro com este belo touro também gir...
Ó uma lambidinha de sol à direita, alegrando a mata do bugiu!

Aqui, Esposo me flagra após catar colher cebolinha na horta do Luis! Cedinho ainda...

6.11.12

Enterrem Meu Coração Na Curva do Rio.


Logo agora que um grupo de indígenas brasileiros aparece na mídia internacional, eu havia iniciado este tijolão com diversos termos técnicos e uma história verídica até demais! 
É cansativo, com muitos nomes a serem decorados, descrições rústicas, uma "doação de sangue"!
O autor não traz florzinhas secas, cavoca nossa carne na ponta do canivete, girando a 300 graus...
Um documentário sobre povos oprimidos pelo dito povo "civilizador". Quem assistiu a filmes de bang-bang se familiariza com nomes dos locais, de tribos, de chefes indígenas e dos comandantes do exército americano.
Quem gosta dos livros (como eu) de Laura Ingalls Wilder, também estará ambientado com locais e sobretudo datas (coincidentes).
Trata-se de uma faceta importante da história da colonização americana, iniciada sobretudo por europeus do norte (ingleses, escandinavos e afins). 
Os indígenas barbarizaram? Obvio! Após sua ingenuidade ser apunhalada com ataques horrendos, desumanidades com tribos inteiras, reservas que na verdade eram campos de concentração (e o intuito de muitos comandantes era unicamente exterminá-los).
Houveram brancos "camaradas"? Obvio! Muitos se casaram com mulheres indígenas e se solidarizaram, gerando filhos mestiços.
Não li esta versão do Scribd (li outra em PDF), todavia tiro daqui uma canja e também as ricas imagens de época. Há muitas outras para quem se aventurar ao  deleite!

A versão que li, leva esta foto na capa.
Nesse período de amizade, os navajos iam freqüentemente a Fort Fauntleroy (Wingate), para comerciar e receber rações de seu agente. A maioria dos soldados recebia-os bem e desenvolveu-se um costume de fazer corridas de cavalos entre os navajos e os soldados. Todos os navajos esperavam ansiosamente essas corridas e, nos dias de competição, centenas de homens, mulheres e crianças vestiam suas roupas melhores e iam, em suas melhores montarias, a Fort Wingate. Numa clara e ensolarada manhã de setembro, foram disputadas várias corridas, mas a corrida especial do dia estava marcada para o meio-dia. Seria entre Bala de Pistola (nome dado a Manuelito pelos soldados), num cavalo navajo, e um tenente, num cavalo do Exército. Muitas apostas haviam sido feitas para esta corrida — dinheiro, cobertores, gado, contas de vidro,
 tudo que um homem pode usar numa aposta. Os cavalos partiram juntos, mas em alguns segundos todos podiam ver que Bala de Pistola (Manuelito) estava em apuros. Perdeu o controle do seu cavalo, que saiu do percurso. Logo, todos viram que as rédeas haviam sido cortadas com uma faca. Os navajos recorreram aos juízes e pediram que a corrida fosse disputada outra vez. Os juízes recusaram; declararam vencedor o cavalo militar do Tenente. Imediatamente os soldados fizeram um desfile de vitória numa marcha até o forte, para pegar as apostas... 
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Fonte: esta  

2.11.12

Mão na roda...

Em casa de ferreiro, o espeto é de pau!  
Nunca duvide desta frase: os "ferreiros" enjoam de tanto trabalhar para os clientes e acabam não cuidando bem do que é seu.
Estas rodas estavam mais raladas que camelos no deserto. 
Ói que escolhi a melhorzinha para tirar retrato!
Tinham esta cor tão básica (alumínio para rodas), sem diamantação nem na borda, não estavam fazendo vista, o verniz ficou meio opaco pelo desgaste do tempo. 
Vamos fazer a recuperação das rodas? 
Mudaremos a cor,  tiraremos os  ralados, desempenaremos e daremos um toque diamantado na face toda. Que tal um grafite médio? 
E não é que tinha roda torta mesmo?  
Agora já foram para a oficina de pintura, lá nos fundos.
Estão sendo lixadas para a aplicação de primer. Depois da secagem, lixa-se novamente para lavar, secar e pintar na nova cor escolhida.
Ó os pintores de lá de trás! 
Isto azul no pescoço do Ié trata-se da máscara. Fizeram igualzinho como para qualquer um dos clientes, nada de privilégios... 
Pintadas na nova cor, diamantadas na face toda e prontas para se lavar o querosene utilizado na usinagem. 
Agora então é envernizar, aguardar a secagem na estufa e montar pneus! 
Miorô... 
Brilhando ao sol... 
 Agora evite estacionar próximo ao meio-fio, senão alguém lhe esgana, trucida, enforca ou danifica!