31.3.13

Blanche - XIX

*  Aqui  terá o conto completo!

Os intensos viventes da comunidade “Riolama” constituem um misto de seres incontestavelmente obstinados e seviciados, vencendo percalços na interseção entre o rural e o urbano, o rudimentar e a vanguarda que ronda este final de século.
A terceira herdade do vilarejo, divisada pelo “rio em priaprismo”, e apartada às outras, é dos vendeiros Adso e da mestiça indígena Núbia, com seu jactâncio e harmônico descendente Lucano.
Ali também opera a incipiente e pouco usufruída estação dos correios. Num desassossego, a família realiza escambo, adquirindo peles, pequenos animais, ovos, queijos, grãos, artesanato, e aduzindo bens manufaturados de Corda Bamba.
Celeremente, fazem para lá, o transporte de passageiros, em ritmo quinzenal, num carroção fechado (um luxo). Rob, genitor de Blanche, já usufruiu deste meio de locomoção diversos pares de vezes.
Núbia, dama empreendedora e sagaz, mesmo analfabeta, guia a família. Adso e Lucano acolhem seus pertinentes comandos; assim evoluíram de uma itinerante carroça de escambo à próspera propriedade urbana.
No anexo da mercearia, a residência é ampla e arejada; a chácara produz vitualha sortida, para o consumo e para venda, graças às lodosas enchentes do “rio precioso” e à dedicação do senhor Karly, um negro empregado prestimoso, de meia idade, que habita o porão.
Lucano cavalga e doma animais como tanajura em asas, inclusive detém os melhores espécimes equinos da região. Seu porte avantajado e beleza ímpar fazem dele um ser idílico, reputado dentre os demais rapazes.
As garotas não ousam apreciá-lo em seu olhar de esmeraldas, nem mesmo sua Críscia. Tal enlevo é terminantemente ilícito a qualquer ente feminino. A provável transcendência das jovenzinhas induz candura angelical.
Quando a galope ele irrompe da montanha, com o cesto de taquara repleto de colheitas exóticas, deixa um rastro de fragrâncias, que sendo açoitadas pela brisa, se espalham por cada fresta.
Adso é idoso e obeso, muito loiro e cosmopolita: já viveu em quatro países, em dois continentes distintos, repousando agora nestes confins a vinte anos, desde que se enamorou da esposa Núbia, uma geração mais jovem.
O sogro, também branco, a vendeu a prestações. Ela trouxe consigo a túnica que vestia e adornos corporais. Bichinho aprisionado, foi se abrindo à medida que a confiança aumentava. Expandiu-se celeremente, feito fermento ao calor.
Blanche comercializa aqui seus psicodélicos tapetes, onde emprega pura lã de ovinos da estância. A combinação dos nozinhos complexos repassada pela avó indígena torna o trabalho fabuloso.
Na montanha, apenas há caprinos, e mesmo não sendo endêmicos, estão amplamente adaptados a se dependurar absortos pelas encostas e escarpas montanhosas, feito floquinhos encardidos.

2 comentários:

  1. Cristina, a ordem das letras está trocada: 19= XIX
    A história de Blanche está, no mínimo, curiosa. Esperar os capítulos dá uma boa ansiedade.
    Beijo!

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  2. É verdade, Lúcia, estou arrumando, obrigada por me avisar.

    Domingo teremos um novo capítulo!
    Outro beijo.

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