22.3.13

Desinvenção da alfabetização X Alfabetizar letrando

Fonte da imagem: letramentopro.blogspot.com.br
A Dra. Magda Soares aponta a perda de especificidade do processo de alfabetização, com a implantação distorcida do Construtivismo, nas décadas de 80/ 90, que “jurava” acabar com as excessivas repetências no 1º ano de alfabetização.
Ela considera que a contribuição da Psicogênese da Língua Escrita é incontestável na compreensão da trajetória da criança rumo à descoberta do sistema alfabético, todavia também creio que houve demasiada confusão entre pesquisa e método pedagógico.
Equívocos e falsas inferências ocorreram na transposição desta abordagem para a prática educacional: O privilégio à faceta psicológica obscureceu a faceta lingüística, crucial à alfabetização.
O paradigma psicogenético estava incompatível com os métodos de alfabetização até então cartilhados (BA-BE-BI-BO-BU).
E agora, como fazer? O professorado deveria jogar fora seu aconchegante e seguro chinelinho havaianas (a cartilha) para adotar um tamanco salto altíssimo que as deixavam cambaleantes para a direita e para a esquerda (Construtivismo), ao se esgueirarem em meio a uma classe de quase quarenta alunos?
Escondidinho, elas buscavam o chinelo na gaveta. Iam trabalhando e sondando: ao primeiro sinal de visita (supervisão), lá vinha o tamanco belíssimo “brincar de escolinha”!
Aquelas que realmente prenderam o tamanco a sete chaves aos pés, também não lograram o sucesso devido.
Conseqüência: os alunos continuavam sem aprender devidamente, porém, com o advento dos programas de progressão continuada, uma parcela passou  a chegar à quarta série sem atingir sequer a fase alfabética.
Então qual a contribuição de teóricos como a Dra. Magda Soares e sua equipe para aproximar os pedagogos da solução deste problema gigantesco?
Alfabetizar letrando: Reflexões sobre o sistema de escrita alfabética, inseridas em práticas de letramento.
A distinção (mas não separação) entre os termos alfabetização (aprendizagem sistemática de leitura e escrita) e letramento (práticas sociais, com utilização de textos reais: panfletos, quadrinhos, folclóricos, clássicos, texto epistolar) traz o fiel da balança nesta questão.
Através de pesquisas, concluiu-se que é possível a apropriação do sistema de escrita alfabética enquanto vai-se ampliando as experiências de letramento.
Atividades sistemáticas de alfabetização levam a refletir sobre o sistema de escrita alfabética, tanto quanto a leitura e produção de textos diversificados, de forma reflexiva e lúdica, consolidam as correspondências grafofônicas.
Será que conseguimos o casamento perfeito? Fato é que as crianças se alfabetizam facilmente aos seis anos, desde que não apresentem sérios problemas como deficiências (principalmente intelectual moderada)  disfunções, dislexias, distúrbios, síndromes, transtornos.
Para se aprofundar:
http://pt.scribd.com/doc/18892732/Artigo-Alfabetizacao-e-Letramento-Magda-Soares1

10 comentários:

  1. Gostei muito desta reflexão, Cristina
    Beijinho e bom fds

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  2. Oi Carlos!
    Educação é um tema relevante para qualquer público.
    Ótimo fim de semana também para você (espero que esteja melhor de saúde).

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  3. Importante tema e texto!...beijos,chica,lindo fds!

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    1. Ótimo domingo também para você, Chica.
      A alfabetização é meu universo.
      Um beijo.

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  4. Cristina, imagino o quanto é frustrante ser professor alfabetizador em tempos atuais. Uma confusão sem tamanho, para mim. Tomara que haja uma luz no fim desse túnel!
    Beijo e bom fim de semana.

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    1. Então, Lucia, esta sua conterrânea, Dra. Magda, veio nos trazer esta luz. E não é que tem dado certo? Aprender que é uma belezinha.
      Ótimo domingo, e outro beijão.

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  5. Anônimo24/3/13

    Wonderful post however , I was wondering if you could write a litte more on this subject?
    I'd be very grateful if you could elaborate a little bit more. Kudos!

    Feel free to surf to my blog post :: todo

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  6. Olá Anônimo!
    Grata por ter gostado. Aos poucos irei elaborando melhor as ideias atuais sobre alfabetização.
    Visitei seu blog em italiano. Vou traduzindo aos poucos.
    Abraço brasileiro.

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  7. Muito bacana essa reflexão. Dá mesmo "panos pra manga"!
    Beijuuss Cris

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  8. Oi Regina!
    E há quem diga não haver mudanças da educação...
    Outros beijos.

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