4.5.13

Abate de animais

Passei o feriado no sítio, onde pela manhã, todos os primos trabalharam normalmente (não é dia santo). ficamos sós: eu e o "Par".
Ato contínuo, a priminha de 12 anos avisou que haveria o abate de um porco imenso, mais à tarde. Fui criada na roça até os 13 anos, convivi com isso, tenho prática.
Aguardei para reviver minha infância: sempre tive pena, contudo sempre encarei com naturalidade também. Criávamos os pintinhos com tanto amor, e ao virarem frangos, os comíamos (ainda comemos os frangos do sítio, contudo os primos é que cuidam deles).
A diferença de um açougue, é que o respeito à cria ainda é enorme nesses abates: aproveita-se tudo, até o sangue, que vira uma iguaria chamada chouriço (ele é bem temperado e embutido numa tripa - igual linguiça).
Eles abatem seus animais para consumo próprio, fazem linguiça, torresmo, feijoada e separam as partes da carne para congelar no freezer -subsistência. 
É costume que os moradores dos sítios vizinhos recebam, numa baciinha, partes de várias peças: carne, miúdos, pele. Quando ocorrer com eles, a paga será feita da mesma maneira - costume ancestral.
Quase 15 h e começam a chegar os ajudantes: a família do primo de outro sítio, e um amigo com  bastante prática na peleja.
Foram os homens ao chiqueiro pegar o "penitente". Era um porcão de granja, todo rosadinho, gorducho e ingênuo, que veio docilmente puxado por uma cordinha.
Em local próprio, o primo do outro sítio atirou-lhe na cabeça com uma cartucheira. Eu resisti firme diante da cena; o "Par" ficou "alongado" no nosso "puxadinho".
Foram gritos horrendos e outro tiro. Não caiu. Grande demais. O terceiro tiro o desmaiou, todavia ficou estrebuchando.
O amigo experiente, com uma faca medonha, abri-lhe um rasgo na axila, para atingir o coração. Fiquei calma. O sangue jorrou e escorreu a litros (usam o sangue interno para o chouriço).  
Dois tachos de água fervente estavam ao fogo. Foram deitando a água e depilando o bicho. A partir daí evadi-me, era hora de descer a serra.
Esposo, ao ir lá se despedir, encomendou dois kg de linguiça. Será que conseguirei comê-las? 
Neste instante, acabei de almoçar um pedaço de frango (comprado em mercado), e de manhã, comprei fatias de presunto na padaria. Por que nesses casos não nos incomodamos?
Almocei também uma salada de alface. O pé de alface é um bebê que "abatemos" para comer. Quando ele chega à puberdade, solta um pendão que será a inflorescência, e posteriormente terá sementes.
Não dá mais para aproveitar a alface quando ela chega à puberdade... comi um bebezinho vegetal! Será que por sermos animais, fazemos esta hierarquia, achando que a vida do porco é mais vida que a vida da alface?
Será que os vegetarianos são ingênuos ou hierárquicos? Será por isso que os veganos são tão restritivos?
Tive que colocar tudo isso no post, estas caraminholas estavam em minha cabeça desde quarta-feira. 
Alface na "puberdade". Fonte: http://www.deverdecasa.com/2010/10/alface-em-flor.html
leiam todo o post e comentários sobre a vida da alface.
Fonte da imagem: http://escavar-em-ruinas.blogs.sapo.pt/58418.html
leiam o post relacionado acima.  Permaneci com a máquina na mão
e não tive coragem de tirar uma foto sequer. Isso já seria demais...

6 comentários:

  1. Na casa dos meus avós maternos também era um ritual numa determinada época do ano. O meu avó não se envolvia na matança do porco, como chamamos, mas empregava dois homens para o fazer e as respetivas esposas para prepararem a carne, os enchidos e tudo o resto.

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  2. Então, Catarina! Em determinados locais chega a ser uma festa... ali se cozinha o suã com arroz, faz-se a exótica farofa de miolos (o cérebro do animal), e vai aparecendo gente de todo canto.
    Até uns dez anos atrás, a minha avó (com quase 80 na época) fazia sabão com a "barrigada" do porco, nada se perdia.

    Um abraço.

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  3. O meu pai também teve porcos e nós fazemos criação de frangos, que ainda ontem comemos assados, eu não tenho problema com isso, acho que é uma questão de sobrevivência, nós temos de comer, o porco, o frango e a alface, senão eles nos comeriam a nós'???
    A questão é tratar bem o animal até à altura de sua morte, eles vivem com uma função, a de nos alimentar.Nós crescemos com este pensamento, com esta ideia e nos habituamos.Temos de ser racionais.
    Beijinho e Feliz dia da mãe, aí também é dia das mães?


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  4. Oi Marina! Como vai?
    Lindinha a sua nova foto.

    Olha, os animais orgânicos lá do sítio são criados soltos, felizes e saudáveis. antes da engorda, os porquinhos ficam para lá, e para cá, vão embaixo das fruteiras se deliciar: adoram jabuticaba, nêspera, coquinho e goiaba ( tangerina eles detestam).

    Quanto ao dia das mães, aqui no Brasil acontece no segundo domingo de maio (dia 12). Mesmo assim, parabéns válido!
    Eu também te parabenizo por ser mãe daquele lindo "bebezão".

    Na minha escola, comemoramos só o dia da família (15 de maio), pois há famílias tão misturadas, que o importante é alguém que cuide das crianças, pode ser até o primo.

    Outros beijos.

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  5. Se pensarmos demais, viveremos apenas de frutas que caem do pé.

    Eu seria vegetariana facilmente, mas apenas na Índia, aqui no Brasil é muito difícil manter-se no vegetarianismo por causa dessa cultura tão fortemente baseada em carnes e mais carnes. Eu nunca tentei ser vegetariana, a única coisa que tento é deixar de ser chocólatra (inclua aqui doces de quase todos os tipos), isso sim é dificílimo.

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  6. Ai menina! Sou desesperada por um docinho, principalmente à noite, para compensar um dia cansativo.
    Às vezes obrigo o "Par" a correr no botequinho da esquina para pegar uma cocada, tamanha a dependência!
    Quanto à carne, procuro consumi-la com moderação, todavia se não experimentar nem um pedacinho, parece que não almocei devidamente (a menos que consuma ovos).
    Se pensarmos nela como um temperinho, como um leve complemento ao prato, estaremos contribuindo para o equilíbrio das forças do nosso organismo e do Planeta.

    Grande abraço.

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