12.5.13

Horrorizada

O Grito.jpg
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Grito_(pintura)
A algum tempo, venho me horrorizando cada vez mais com a realidade nua e crua das escolas estaduais de segundo ciclo: sexto ao nono ano.
Nossas mães de alunos, que nem têm casa própria, estão arcando com escolas particulares após terminarem  seu tempo na escola municipal onde atuo.
A alguns meses, encontrei uma prima num velório. Perguntando pelos filhos, obtive a resposta de que o menor está amando a escola da prefeitura (segundo ano), todavia, o maior iniciou o sexto ano numa escola particular por absoluta falta de opção.
Meu Deus! Com seis aninhos eles já estão quase alfabetizados. Nos empenhamos em cursos, trabalhos em fins de semana, fazemos atividades lúdicas, trabalhamos todas as disciplinas do currículo (inclusive Ensino Religioso - ética, filosofia). 
Na última reunião, as mães estavam boquiabertas pelo potencial dos pequenos. Elogiaram a eles, a mim e à Escola. E com o passar do tempo, tudo vai se esvaindo, se banalizando...
Tem uma sala de quinto ano próxima à minha, e noto o desinteresse, desrespeito com a Professora, reclamações constantes para não estudar, ausência de pais nas reuniões, descaso com a lição de casa.
Sinto pena de minha colega, ao mesmo tempo me sinto privilegiada por estar com os pequeninos, que tanto amo e sou correspondida com avanços na aprendizagem.
Hoje falei com outra prima, que trabalha como empregada doméstica para minha avó. Ela está encantada com a professora deste ano. Seu garoto está em outro quinto ano em minha escola.
Quanto ao ano que vem, não há a menor chance dele "digladiar" com uma escola estadual. Ela já cotou preços e escolheu uma excelente escola particular aqui perto.
Como pagar? Ainda não sabe, mas cogita tentar algum trabalho extra.  
Outra prima que estava conosco, e tem o filho no primeiro ano ao lado do meu, está encantada por ele já estar lendo palavrinhas com seis anos!
Ela quis saber se todos estão no mesmo nível, está achando avançado demais. Expliquei que todas as seis classes de primeiro ano da Escola estão assim.
Ela também não consegue compreender como podem chegar ao sexto ano e enfrentar uma realidade tão diversa, tão caótica... onde estará a falha? Quais os principais pontos que consomem nossa escola pública estadual? Por que o declínio exacerbado em qualidade?
Esta minha prima disse que nem aos oito anos conseguia a aprendizagem que o filho já conseguiu aos seis.
Os professores do segundo ciclo têm um desafio astronômico diante deste caos, e o governo deve agir com ênfase "elevada ao cubo", antes que "o munda acabe" para as escolas estaduais.
Na época do "Fiotão", era tranquilo ficar até a antiga "oitava série" na escola pública e fazer apenas o ensino médio numa boa escola particular.
Eu mesma fiz ensino médio, depois magistério, tudo em escola pública. Apenas paguei o curso de pedagogia e a primeira especialização (a segunda, consegui numa universidade pública).
Nesta semana, uma professora de escola estadual (segundo ciclo) esteve em minha oficina, e expôs o retrato de horror que é trabalhar nestes estabelecimentos.
Os alunos se aliam e comandam tudo: é impossível ministrar aulas após o recreio, eles ficam ao celular, fazem rodinhas, ignoram a professora, respondem com palavras de calão, não têm receio ou respeito por nada, os familiares são ausentes...
Estamos em maio, e ela já vive à beira de um ataque nervoso, tomada pela angústia e desespero, enquanto os "bambambans" da educação assinam papeis em seus remansados gabinetes.

E você? Tem alguma opinião quanto a este quadro "deseducacional", que horrorizaria até mesmo  Edvard Munch?

2 comentários:

  1. Salam, Cristina!

    a violência dessa geração é consequência do declínio político, social e até espiritual do povo brasileiro. Um exemplo claro disso tudo é: músicas que incentivam a violência são o hit do momento na Mídia. Parece que nós, que amamos a paz, estamos ficando marginalizados, pois tudo se inverteu.
    A falta de punição adequada gerou o caos, que ainda aumenta em nossa sociedade.
    No Rio de Janeiro, por exemplo, aumentaram os casos de estupro. Estamos voltando ao tempo das cavernas???

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  2. Olá Denise!
    Que degradação... aqui no interior as pessoas eram mais "centradas", respeitosas.
    Agora as empresas não contratam antes dos 18 anos, e os familiares dos adolescentes ficam sem perspectiva.
    O foco da educação está se dissipando, escola é apenas para "matar o tempo" e cumprir uma obrigação.
    Temo pelos alunos de minha escola, que até o 5º ano são arrebanhados por uma só professora, havendo mais controle.
    Numa escola onde a cada 50 minutos entra um professor diferente (muitas vezes substituto), a turma "arrebenta as rédeas". Lastimável.
    E esta história de estupro? Estão recebendo influência de outras culturas?

    Tenha uma semana passífica!

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