26.5.13

Blanche XXVI

*  Aqui  terá o conto completo!

No tremulante arruado rural, o terceiro e último estabelecimento embarafustado adiante, também emoldurado pelo enovelado regato chorão, é a recém inaugurada (e necessária) alfaiataria.
É patrimônio de uma polida família negra: O letrado e milimetricamente minucioso Benhur, de porte diminuto, semblante pesado, palavras cativantes e o hábito de calcar o lábio inferior com os dentes incisivos laterais, alternadamente.
Sua irmã Shoe, ainda encantadora quadragenária, de esverdeados olhares agateados, descendo ao colo em recato,  solteirona e deficiente auditiva, coabita esgazeadamente junto a eles.
Encarrega-se dos afazeres domésticos e auxilia a cunhada na criação dos meninos Rick e Hírax. Em cada momento vago, dirige-se ao atelier e arremata as peças mais delicadas, com miudinha perfeição transcendental.
Sua comunicação gutural e gesticular, moldada ao abrandamento, não escandaliza e rapidamente se faz espontânea e de fácil entendimento, personalíssima ao interlocutor.
A esmerada e complacente Ingrid, esposa de Benhur, costureira e professora destas artes, altamente subordinada ao nevrálgico olhar marital, tem altura mediana, excessiva magreza, feito um capim panasco.
Grata demasiadamente pelo exponencial apoio da altiva Shoe, se ampara nela quando o esposo, alterado pelo secreto vício à bebida artesanal fermentada (alcoólica), invade sua oceânica alma.
Ingrid nunca reclama, nunca diz maledicências, sorri encolhidamente, mas sorri sempre. Desfrutou infância difícil e rende graças pela existência  privilegiada que alcançou, apesar da consumição.
A alfaiataria comercializa tecidos e aviamentos com audácia mercantilista. Um avultado devaneio para as mulheres roceiras, que nem sempre o concretizam, espionando ao longe, e desertando subjugadas à falta de numerário.
Blanche procedeu ao escambo de um suave vestido, por um airoso e amplo tapete para a alfaiataria. Os modelos são fulcrais: blusinhas em mangas longas, acinturadas, e as saias fartas, ansiando em varrer o pavimento. 
As cores escuras são favoritas, devido à complicação na lavagem de roupas à mão, naquelas tingidas terras secas. Um tom escuro de verde, com tímidas e esparsas florzinhas do campo, foi o tecido eleito.
As provas de roupas são diversas e extenuantes: tudo é detalhado, refeito, ajustado. O fato de Blanche comparecer escassamente àquele arruamento, faz com que alguns estágios necessitem ser galgados.
Enfim, aprontado... comporá um harmonioso par com as nupérrimas botinas. A garota, enviesando um sorriso, anseia que Eric fique visivelmente surpreendido, e cada vez mais a contemple em plena e sedutora mulher feita.
A flecha ervada desferida contra Eric, à maneira indígena, escaramuçando e debulhando seu coração, envenena-o um golezinho mais, no lastro amoroso.

4 comentários:

  1. Olá Cristina.
    Tudo bem.
    Passando rapidinho para deixar um carinho, estou adorando ler a mais um capitulo. Beijos.

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  2. Oi Verinha! Gostei da nova foto!

    Aos pouquinhos, eu vou compondo os personagens todos, para alinhavar melhor o pretérito universo de Blanche.

    Outros beijos para você.

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  3. Oie Cristina, vc que esta escrevendo essa historia dividida em capitulos? Mto interessante!!

    bjiimm e otima semana

    http://meuamorpaquistanes.blogspot.ie/

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  4. Olá, Andreza!
    A Blanche é minha "cria", com ela vou compondo uma trama ambientada no final do século XIX. Passe sempre por aqui para desvendá-la, e viver um pouquinho de um passado tão exótico para nossas vidas tecnológicas.

    Outros beijos, e também uma semana sossegada com a neném!

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