19.5.13

Sutianzada

É um evento anual que ocorre aqui, onde um grupo de mulheres sai pelas estradinhas rurais, a cavalo.
Neste ano, pelas contas dos primos, foram 68 amazonas, mais um grupo que sempre vai em pau de arara: bancos amarrados na carroceria do caminhão, cheios de madames.
Juntando uns 20 homens que foram de apoio, totalizou cerca de 100 pessoas. O evento iniciou-se ontem e terminou nesta tarde.
No percurso deste ano, as "sutianzudas" subiram ontem até o Mamonal (onde estive), almoçaram na vendinha do primo Luis, desceram até o bairro rural denominado "Óleo", onde deixaram os cavalos (dizem que alguns são caríssimos).
Dois ônibus as levaram a um hotel em Poços de Caldas - MG. Nesta manhã (não tão manhã assim) elas retornaram e almoçaram numa chácara aqui perto da Cidade.
Quando cheguei ontem ao sítio, a prima estava terminando de arrumar a bagunça remanescente do almoço. Segundo a prima, havia "sutianzuda" de Fortaleza (que vem sempre), de Cuiabá, de estados como S. Catarina e Paraná. Um dos cavalos veio de avião até São Paulo.
Consta que algumas "amazonas" não sabem cavalgar, nunca haviam montado: precisavam de apoio para apear e montar no animal.
Os primos são tão rústicos, que falam tudo com R (como os espanhóis): armoço, vorta, Gerarda, borsa. Para essas mulheres urbanas, deve ser o cúmulo do exotismo.
Hoje, quando eu e o "Par" descíamos a serra, topamos com parte delas também descendo. A sogra de meu filho estava no caminhão.
Ontem à noite, invejamos as "sutianzudas" e fizemos uma "carcinhada" no sítio de uma das primas. Nós éramos em 11 "carçudas" casadas, mais os dois homens da casa, três garotas adolescentes e cinco meninos.
A sutianzada custou R$ 390,00  "por cabeça", e a insultuosa "carcinhada" custou R$ 7,00 (com sobremesa).
Eu amei estar sozinha em meio a 21 pessoas rurais. Ali eu encontro subsídios para construir a meu conto.
Uma prosa agradável, uma volta às raízes, falavam de suas hortas, dos queijos que fazem, dos animais que criam, de como fazer sabão de cinzas, de nossos antepassados.
A prima foi na frente para cozinhar, eu fui à noite com três dos garotos. Me esqueci que havia trancado a porteira e tivemos que trepar   pular sobre ela.
Fomos pela estradinha, iluminados por uma lua rala, vestida de nuvens, quase apagada.

Calma, que também há a cuecada. Neste evento, nem mulher no apoio é permitido.

O dono deste cavalo está ali na vendinha, "mamando".
 Cavaleiros voltando à cidade (outro grupo).
 Vai amanhecer. Ó meu quartinho aceso, nos fundos do casarão, com a bela parede furadinha!
 Aí na venda, os priminhos da roça, que me levaram à "carcinhada".
 Nosso pasto, com um coqueiro jerivá.

2 comentários:

  1. Cristina,
    deve ter sido bem divertido!
    Eu não conhecia nenhum desses costumes nem, confesso, algumas expressões da variante da língua portuguesa aí no Brasil.
    Muito interessantes!
    Mas irei analisar e investigar os termos usados... para recordar e enriquecer o que aprendi nos meus tempos de estudante de filologia.
    Obrigada pela visita e comentário.
    Vou ler todas as suas crónicas deliciosas.
    Uma boa semana.
    Beijo da
    Teresinha

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  2. Olá, Teresinha!
    Temos certos costumes interioranos que talvez não hajam em outras partes do Brasil.
    Quanto às expressões, realmente variam um pouco. Inclusive dentro do País também há variantes. A troca do L pelo R é a variante caipira mais marcante.

    Eu também agradeço a visita, tinha uma semana tranquila.
    Outro beijão.

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