25.6.13

Demência


Minha avó completa 91 anos em outubro, e desde o início deste ano, o cérebro começou a falhar...
Ela acorda bem, ao longo do dia vai regredindo, e à noite a confusão mental fica forte. Quando dorme mal (tosse),   ou quando há mudanças na rotina, a demência se acentua.
Ela tem vivido numa intermitência entre sua própria casa e a casa de uma filha. Piora, via com a filha, melhora, volta para casa.
A sua sobrinha, que dormia com ela a mais de dez anos, faleceu. O fato lhe gerou angústia. Várias pessoas foram trabalhar (dormir) lá, e não houve êxito.
Minha outra prima cuida durante o dia (agora, novamente na casa da mãe dela). 
Levamos a avó no sítio neste fim de semana prolongado. Ela adora. Na primeira noite, quando o sono não vinha, falava sem parar, esbravejava.
Depois de um tempo, disse que estava perdida, que é horrível, que não sabia onde estava... a casa onde morou quase toda a vida de casada.
Fisicamente, está bem. Come bem. Tem verticulite, o que faz o intestino funcionar mais de uma vez ao dia, e a desidrata. Temos que fornecer líquidos o tempo todo.
É uma preocupação constante: a cada fim de semana,  um dos filhos fica com ela na sua própria casa (ou no sítio), para descansar minha tia.
Ela ainda tem uma reserva financeira (fruto do trabalho duro no sítio), mas sua pensão é de apenas um salário mínimo (gasta de três a quatro vezes este valor).
Não temos no município e região, "creches para idosos" ou  casas de repouso / asilos públicos (temos aqueles filantrópicos - de qualidade, pagos, mas com poucas vagas).
Minha avó tem oito filhos, todos foram educados para cuidar, acolher... e a nossa geração? Como será o futuro? 
Tive uma ideia! Poderemos utilizar os estádios de futebol para acondicionar nossos idosos no futuro (ou nós mesmos). Pelo menos, terão uma serventia...

Imagem: http://www.arcoweb.com.br/memoria/estadio-do-corinthians-as-diversas-11-01-2010.html

2 comentários:

  1. Anônimo25/6/13

    Pois é. Os estádios de Futebol! Enquanto se gasta aí dinheiro, bem podia ser canalisado para outras obras, como cuidar dos velhinhos e melhor serviço de saúde. E depois admiram-se das manifestações...

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  2. Olá. Anônimo! Seja bem vindo. Apenas gostaria de saber seu nome...

    O atendimento ao idoso é um dispêndio financeiro, emocional e físico, com que nem todas as famílias conseguem arcar.
    E aqueles velhinhos que moram sós, sem auxílio, o Estado simplesmente lava as mãos. Ou é problema da família, ou é de si próprio.
    Imagina se um idoso com pensão de um salário mínimo consegue sobreviver, comprar remédios, e pagar um auxiliar? Impossível.
    É por essas e outras, que o boicote aos jogos está tão forte, principalmente no exterior. Incoerência pura!

    Um abraço.

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