19.6.13

Inversão de valores

Imagem espalhada pelo google
A anos, tive um caso (de polícia) com um aluno meu. Preciso vomitar o relato, mesmo que tardio, sob pena de explodir.
Numa terça-feira, ele me apareceu em sala de aula, com uma marca (feia) de bofetada do lado direito da face. Havia marchas vermelhas e arroxeadas, com visíveis sinais de dedos enormes.
Questionado disfarçadamente (pois já conhecia a família "usuária"), ele desfiou uma gama de acusações contra a escola.
Disse que havia sido ferido no dia anterior, durante o recreio. Ressalva: no dia anterior (segunda-feira) não houve recreio, foi dia de conselho de classes e todos saíram às 10 h. Eu o entreguei "limpinho" ao irmão da mãe. 
Ele disse ainda, que todo dia ia embora machucado, que as crianças o atacavam no recreio (um discurso atípico e metálico - ensaiado).
Pedi à colega da sala ao lado (estranha para ele) que o entrevistasse por alto, como quem nada queria: havia sido o então namorado da mãe (que ele era obrigado a chamar de pai) a batê-lo.
Deixei recado na diretoria, para que a Diretora (à época) lhe atendesse assim que chegasse, impreterivelmente.
Com ela, a criança contou os detalhes (o seu olhinho do lado oposto havia sofrido um derrame, estava todo avermelhado). 
Na saída, o fulano estava na diretoria. Deixei o garoto com a inspetora, no pátio, pensado que o homem havia sido convocado pela profissional.
No dia seguinte, soube (em off,  por uma colega) que o sujeito foi de livre e espontânea vontade, denunciar a escola pelo ato (cruel e impiedoso) causado por ele próprio.
Ele não arredou pé de sua esdrúxula versão, apesar dos detalhes ditos a ele pela responsável escolar (creio que  ela lavrou Ata para registrar a ocorrência, e o admoestou).
Não me meti mais, pois não fui solicitada (autorizada) a fazê-lo. O problema era entre a direção e a família. O menino continuou frequentando... Que será dele no futuro?
Quando fui diretora de creche, num caso parecido (e reincidente), convoquei o Conselho Tutelar (que tentou desconversar - amenizar), e exigi um exame imediato de corpo de delito.
Pronto, no meu bloguito posso desabafar!

2 comentários:

  1. Estou abismada...mas por cá tambem é assim...ouvimos casos desses frequentemente!
    Beijinho Cristina!

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  2. Oi, Marina. Espero que esteja ótima!

    Então, esta história me voltou à tona nesta semana, por outro caso parecido.
    Com certas famílias, a escola "pisa em ovos" devido à possibilidade de escândalos e retaliações, são indivíduos dispostos a tudo.
    O que me deixa doida, é que há uma criança de carne e osso no meio desta trama. ela repetirá a cena em sua vida adulta, e a "bola de neve" somente aumentará.

    Outros beijos para você!

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