2.7.13

Fome


Há pessoas que passam fome no Brasil? Certamente deve haver - isso ocorre em qualquer canto do mundo.
E se lembrarmos que este país é um "continente", e que na região Nordeste há períodos de seca...
Por outro lado, é necessário se esforçar para passar fome, no caso de minha região.
Os andarilhos recebem alimento em qualquer residência, e principalmente estabelecimentos comerciais que pedirem. Também recebem marmitas nos postos de Assistência Social e albergues.
Os portadores de deficiência, recebem um benefício através da LOAS (Lei Orgânica de Assistência Social - pesquise). Este benefício vitalício, é como uma aposentadoria (pequena).
Os desempregados (além do seguro-desemprego) têm a opção de fazer curso profissionalizante no SENAI, recebendo bolsa de estudos. Se forem esforçados, saem contratados (meu filho foi instrutor) - há pessoas que fazem cursos apenas pelo dinheiro.
Famílias carentes com crianças, recebem "Bolsa Família", que deu um salto na qualidade de vida, sobretudo no Nordeste (houve diminuição inclusive da migração de lá para minha região - alguns até retornaram).
Não temos neve (salvo raríssimas exceções), geadas - muito pouco. As quatro estações se entrecruzam, não são estanques - temos sol e chuva o ano todo.
Fui à feira livre bem cedinho. Esta compra acima, com 13 itens, me custou R$20,90 (ontem eu já havia comprado maçã, uva e cheiro verde no mercado). 
Este valor equivale ao pagamento de duas horas de trabalho a uma diarista (ou três horas a um colhedor de café não tão rápido).
Sim, a moça que me ajuda na faxina aos sábados de manhã, trabalha cinco horas a R$ 50,00 (justo para ambas). 
Ela é estudante de jornalismo, sábado não trabalhou (avisando antes), pois foi sua festa de 19 anos - numa chácara, onde a família permaneceu "churrascando e cervejando" até o dia seguinte. Durante a semana tem outro emprego ( mensalista - com valor menor). 
Voltando ao tema: tenho repolho, beterrabas e chicória que sobraram da semana passada. Tenho abacates, limões e mamão que trouxe gratuitamente do sítio.
Veja: peguei três tipos de bananas e batatas-doce (ao lado do tomate), por R$ 8,00. A batata inglesa e as duas cebolas me custaram R$ 2,90. 
Na terceira banca, peguei 4 pimentões a R$ 0,50 cada. O tomate, que saía a R$ 7,00 na estação chuvosa, agora na seca, caiu para R 1,00 o KG (assim como o pepino caipira). 
Uma inflorescência enorme de bróculis, bem embalada, a R$ 1,50 - estou cozendo no vapor.
As três goiabas, são para suco. A abobrinha caipira, faço refogada, batidinha. As cenouras, ralo e cozinho no arroz (para enriquecê-lo).
Não pesquisei, passei rápido em apenas três bancas, talvez haja preços ainda menores (para quem tem tempo e paciência de andar a feira toda).
Existem produtos caros? Sim! Os pastéis, não saudáveis. As pamonhas e bolo de milho, que evito por conter muito óleo e açúcar. Algumas frutas estão mais caro que no mercado.
Meu funcionário português, acha que se come demasiado aqui. Uma marmita com arroz, feijão, carnes, legumes e uma salada à parte,  custa em torno de R$ 10,00 e serve um casal (se acrescentarmos frutas de sobremesa).
Ele diz que, em grande parte da Europa, as pessoas não almoçam (assim como na América do Norte). Só fazem um lanche ao meio dia. 
Preparam o "almojantar" em torno das 17 h. Comida pronta é caríssimo, carne bovina e frutas também é caro.

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