1.7.13

Blanche XXX

*  Aqui  terá o conto completo!

Na arruadela chamada Riolama, já temos um novo e aldrabão estabelecimento sendo erigido: “Céu Plantado” (reverendo Albert perderá o fôlego com a tendenciosidade da nomenclatura).
Não é o fato do pabulado inferninho ter pulado, com seus pretenciosismos, para além do sumarento regato chorão, que possa deter uma fugacidade segura.
Helen, em disrupção, segue botando as manguinhas de fora. Espicaçar suas ordinarices irracíveis e incumpridoras da decência, nem com incontinência verbal.
Charlote solicita mansidão ao esposo. O brotar de um vilarejo traz consigo estas facetas escuras e  a certo ponto, até necessárias. Homens vadios, em suas esferas incongruentes, são sempre inconvenientes e requerem atendimento sexual especializado, amenizando riscos de estupro.
Reverendo Albert, então abranda discussões ocasionais relacionados ao surubal em edificação, haja visto que localiza-se fora do povoado, cercado por muramento e distante dos bons costumes.
A taxa de concessão para funcionamento do pardieiro será fiscalizada pelos "homens bons" da localidade, provavelmente em forma de dízimo à igreja local, como qualquer outro empreendimento.
Os impostos dizimais são arrecadados anualmente pelo conselho de anciãos, e todo chefe familiar contribui. A forma de aplicação da verba em prol do bem comum, é decidida em assembléia.  
Noru, a cunhã, e mais duas mocinhas arrebanhadas em Corda Bamba (uma negra e outra grávida), rindo ou chorando, aperaltar-se-ão no plantel inicial do prostíbulo em construção. 
As três já habitam desgastadamente a hospedaria, e estão sendo devidamente adestradas aos fingimentos e subserviências, vaticinando o trabalho madrastal.
Noru, mascando desconchavadamente uma fruta, recostada ao portal, observa, em claustrofóbica confusão mental, as duas colegas confabularem.
Total inconveniência, Emma (ainda) donzela, de olhos perdidos, suspiro afogueado e fino, em luxúria pulsante, dar oitiva às sacanagens de homens de uso (“Zés Gostosos”), citadas pela incoercível rapariga amojada.
Noru bem atina o dispêndio da servidão a homens... causa-lhe ojeriza, as recordações das crueldades sexuais aplicados por seu feitor indígena. Caso houvesse opção, doravante tornaria-se assex.
Não contraria a opinião destoante da (embora adolescente) "mulher pública", plantada na ainda inócua cabecinha de Emma... saber saborear o estranho ofício de cortesã é privilégio para escassas profissionais.
Ao inaugurar o inferninho, provavelmente já terá eclodido a cria da meretriz habilitada, e será entregue em adoção a qualquer família, em total pragmatismo.
A bela e negra garota Emma é púbere imperita. Embora não saiba da repugnância que o ofício possa apresentar, indubitavelmente não conduzirá o grupo de quengas, quando da ausência de Helen.
Será decepcionante, caso algum dia Blanche trave conhecimento, aturar o inamigável destino da (não bonita) cunhã, a quem acudiu na montanha. Após tanta borrasca, lograria-lhe  sina mais branda que esta tareia.
Blanche, nefelibaticamente colhe uma flor, a pensar na áspera e mirrada cunhã. Bem gostaria de angariar companhia feminina, naquele isolamento montanhês. Alguém para confidenciar, repartir afazeres, talhar uma trança ao cabelo, enfeitada por aquela efêmera flor...

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