1.7.13

Saúde

http://enfermeiraalmeida.blogspot.com.br/
Não posso dizer pelo Brasil como um todo, pois vivemos num quase continente. Digo pelo interior do estado de São Paulo, onde vivo.
Toda esta polêmica envolvendo a contratação de médicos estrangeiros, a meu ver, é demagogia e bairrismo (se há professores estrangeiros nas universidades brasileiras...).
Uma pessoa próxima, que trabalhava numa conhecida empresa de planos de saúde, citava os médicos desta região, como extremamente corporativistas.
Eles costumam trabalhar em seus próprios consultórios, nos postos de saúde pública, na UNIMED, na Santa Casa (que atende em regime particular e pelo SUS), em outras clínicas conveniadas, de acordo com cada especialização.
Fato é que, em cada local de trabalho, assumem posturas diversas. Percebem uma remuneração para cumprir carga horária (por exemplo,  4 h) no serviço público municipal, e cumprem bem menos (tipo 40 mim.).
Manter quatro ou cinco trabalhos, sendo altamente remunerados (pelos padrões interioranos), assumindo cargos públicos (temos três médicos vereadores - o povo os elege e eles usam o cargo em prol do corporativismo - salvo exceções), é praxe por aqui.
Não considero ético, um médico que tem quatro, cinco empregos, que não tem tempo hábil, assumir mandato de vereança - quais suas reais intenções?
Não podemos nos esquecer de que eles (salvo exceções) estudaram em universidades públicas - pagas pela sociedade, e eticamente, devem retribuir-lhes. 
Também sou funcionária pública. Sou pós graduada pela Universidade Católica, e por uma Federal. Não vou denominar um médico por "Doutor", apenas para exaltá-lo. O suado título de doutorado convém a quem o tem de direito... 
Cumpro com minha carga horária, sempre além do estipulado em contrato. Procuro fornecer uma educação de qualidade a meus alunos, apesar das condições adversas (é comum, professor retirar dinheiro do bolso em prol dos alunos - apesar dos baixos salários).
A Noruega (país com um dos melhores índices de qualidade de vida) atua com grande quantidade de médicos estrangeiros.
Em grande parte dos países europeus, a enfermeira, a parteira, atuam mais ativamente no serviço de saúde, deixando que os médicos exerçam atividades mais especializadas. 
Aqui é proibido. Absurdo faltar médico e não deixar o enfermeiro atuar (não estou me referindo ao auxiliar de enfermagem, falo daquele profissional que antigamente denominávamos "enfermeiro-padrão" ).
Na esquina, a cem metros de casa, funciona um "postinho". Frequento-o desde sua inauguração, em meados de 1987.
Quando a enfermeira-chefe assumiu o cargo, ela passou a verificar o resultado do meu Papanicolau, poupando-me de enfrentar uma consulta médica para algo tão simples. Assim ela assumiu diversas atribuições afins. Amei!
Ato contínuo, a operação foi cancela. Hoje, mesmo graduada e concursada, ela atua basicamente no plano organizacional e administrativo. Não me conformo. 
É um absurdo termos que passar por médico para atividades tão simples. Corporativismo e atraso na legislação brasileira - feita por médicos, para médicos. 
Tenho plano de saúde desde 1993 - sem direito à consultas (inclui internações, exames e atendimento ambulatorial de emergência).
Faço consultas ambulatoriais pelo plano de saúde, quando não estou bem. Considero o atendimento igual ao público, mesmo sendo pago.
Sempre dei preferência a consultas de rotina, Papanicolau, mamografia, no postinho aqui da esquina. Tenho acesso inclusive, a remédios gratuitos. Faço questão de cobrar qualidade, sou cidadã - pago inúmeros impostos.
Os funcionários mais antigos sabem que eu sou a professora do bairro, a dona da empresa vizinha a eles. O tratamento é igual a qualquer outro paciente (e deve ser).
Um dos fatores que podem agilizar, humanizar e melhorar sobremaneira a qualidade da saúde pública, sem aumentar os custos, é justamente ampliar o campo de atuação dos enfermeiros.
São profissionais graduados, gabaritados, concursados, qualificados. Devemos lutar pelo melhor aproveitamento de suas habilidades e qualidades profissionais. Confio neles.

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