18.8.13

Ativista da amamentação

http://luzdeluma.blogspot.com.br/2013/08/por-que-sou-ativista-da-amamentacao-2.html

Esta blogagem coletiva (link acima) me pegou em cheio: eu aqui, me lembrando do Cláudio pequenino, e puf! No blog da Calu encontro um tema tão relevante.
Fui mãe com vinte e um anos e dois meses. De início, tudo transcorreu naturalmente: as mamas cresceram bastante na gravidez, o bico do seio não partiu, o bebê aderiu rapidamente ao ato de mamar.
Após um mês, num domingo, tive febre e dores na mama esquerda, que apresentava estranha vermelhidão. Meu sogro e esposo foram "ao pastinho" colher "erva lanceta".
Fiz um chá com a erva, e banhei muito a mama, deixei uma fralda embebida sobre o seio para que desenflamasse. Não estava adiantando; eu fiquei mole, sem forças, e tinha que cuidar do bebê e todo o serviço da casa. 
Fiquei assustadíssima: como iria amamentar com febre? Faria mal a ele? Então com o que o alimentaria? Eu não tinha telefone, nem sogra, a mãe longe... médico, só na segunda-feira. 
Afortunadamente, uma amiga chegou em casa e me ensinou a virar o bebê com os pezinhos para trás, mamando ao contrário do habitual.
Com o apoio dela, ele foi sugando as glândulas mamárias que não estavam tão ativas e aos poucos fui melhorando. A amiga tinha uma filha de um ano e passara por esta situação. Ufa!
Nesta época, eu fazia crochê "prá fora" e enquanto ele mamava calmamente, no sofá eu ajeitava-o com almofadas, ia fazendo crochê e ele mamando em mim, trabalhávamos em equipe.
Eu conversava ou cantava para ele, e ele dava aquelas paradinhas, fitava-me nos olhos, comunicando-se. Emoção pura! Jamais esquecerei...
Aos quatro meses, o leite diminuiu, e apesar dos chás, sucos, canjicas, cerveja preta (detesto cerveja), tive que aderir à mamadeira no período noturno, pois ele puxava e nada saía das mamas - frustração. 
Além de saudável, imunizante, prático e gratuito, o leite materno era fator de interação afetiva entre nós. Aos seis meses, ele secou de vez e fiquei apenas na mamadeira. Me senti menos mãe que as outras... por uns dias, depois me habituei.
Dava mais trabalho higienizar a mamadeira que o peito, a preocupação em comprar o leite bovino fresquinho todo dia, e reservar para os domingos e feriados, pois naquela época não havia estabelecimentos abertos nestas datas. 
E o que acrescentar? Era hábito não fornecer o leito puro, e certos leites em pó custavam muito caro. Então, até um ano e meio, eu usava um daqueles farináceos que vêm enlatados, e leite bovino integral (de saquinho - que fervia e derramava, lambuzando o fogão, pois longa vida não havia). 
Tudo muito mais trabalhoso que o peito, principalmente nas madrugadas, tendo que ir à cozinha, aquecer o leite (não havia micro-ondas), sujar louça, acrescentar a mistura enlatada (que eu não podia deixar acabar).
Após ele completar um ano e meio, passei a fazer mingau de fubá. Era mais trabalhoso ainda, pois necessitava cozer bastante, e a preocupação com o sistema digestório dele (que sempre foi bom) ... até que aos três anos, ele passou ao leite no copo. Até os 25 anos de idade, tomava um litro por dia.

8 comentários:

  1. Oi, Cristina!!
    Sua amiga caiu do céu!! Foi o anjinho da guarda do seu filho que a chamou :) E você fez o que pode! São histórias de vidas compartilhadas, que você contará para o seu filho. Eu faço isso com o meu... "quando você era bebê..." ou "quando você era pequeno"... e chegará um tempo que contará para os netos: "Quando seu pai era pequeno". De vez em quando, conto para mim mesma, para não esquecer tantos momentos bons... como se isso fosse possível, não é mesmo?
    Obrigada por participar da blogagem!!
    Beijus,

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  2. Olá, Luma!
    Estou grata por poder participar de sua blogagem, sobre este tema elogiável!
    A pressão comercial/ econômica faz com que as mães saiam para trabalhar, tornando inviável a amamentação até os dois anos (o que seria o ideal).
    Creio que o mínimo possível deva ser tentado, ao menos enquanto durar a licença maternidade...
    Quanto às histórias, aderi rapidamente à blogagem para que esta minha experiência não se perca, e eu possa ler quando tiver netos.

    Incrível seu profissionalismo na condução de seu blog!
    Outros beijos.

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  3. Nossa,Cristina, que depoimento tocante. é difícil imaginar hoje essas dificuldades q passou qdo temos td à mão.
    BJ,
    Marília

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    1. Então, Marília, o papel desempenhado pelas enfermeiras hoje na Europa, em 1985 era executado pelas tradicionais farmácias da cidade, principalmente aqui no interior.
      Acontece que naquela época, o comércio não funcionava aos domingos, tudo era suspenso...
      Me lembro que raramente se ia ao médico, os farmacêuticos eram muito requisitados e respeitados.

      Outros beijos!

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  4. Que lindo teu relato,Cristina e ninguém é menos mãe por isso! Claro que todas querem amamentar, mas nem sempre podemos!

    beijos,chica

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    1. Oi, Chica!

      À época, eu deixei um emprego de seis anos, dois meses antes dele nascer, para que pudesse me dedicar plenamente à maternidade.
      Então, foi frustante sim!

      Outras beijocas.

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  5. Olá Cristina
    Muito assertivo este seu post, sobre um tema candente e ...premente
    Beijinho

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    1. Oi, Carlos!

      São relatos viscerais, que de vez em quando, necessitamos externar.

      Beijos brasileiros.

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