2.10.13

Estamos encolhendo...

Algumas pessoas ainda relutam em acreditar que a taxa de fecundidade das brasileiras  está em apenas 1,9 filhos por mulher, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) .
Tudo que nós, na faixa dos 45 / 50 anos, aprendemos no ensino médio sobre um país de jovens, o crescimento populacional exagerado, já caiu por terra.
Sim, o Brasil não mais repõe sua população. Para tal, é necessário 2,1 filhos: dois para repor os pais e a fração para compensar aqueles que morrerão antes da idade procriativa.
Eu tive dois irmãos e oitenta primos: sessenta paternos e vinte maternos. Meu filho (único) tem dezesseis primos paternos e um materno.
Importante frisar que meu esposo é o último filho de sete irmãos (temporão), e o único que teve apenas um descendente. Eu sou a primeira de três irmãos, o inverso dele (meus pais eram cerca de vinte anos mais novos que os dele). 
Pela discrepância no número de primos paternos e materno de meu filho, notamos a mudança de mentalidade do brasileiro quanto à procriação, em apenas duas décadas.
Na zona rural, onde fui criada, era necessário muitos filhos para contribuir com a força de trabalho familiar. Ali também quase não havia gastos com a criação dos bebês, numa agricultura de subsistência.
Pequenos proprietários de terras ou trabalhadores meeiros em fazendas, usavam os filhos desde bem pequenos para compor o orçamento.
Um meeiro trabalhava por empreita, ficando com metade da produção e deixando a outra metade com o fazendeiro, necessitando de toda a prole para agilizar os trabalhos braçais.
Conhece o ditado?: "Criança ajuda pouco, mas quem recusa é louco".
Sem contar que o tabu rural (aliado à igreja) quanto aos métodos contraceptivos se materializava até mesmo em músicas populares.
Quem não se lembra de "Pare de tomar a pílula" (Uma vida só), de Odair José? Foi um grande sucesso no rádio, por toda a década de setenta.
Eu mesma, aos treze anos, já contribuía com uma grande parcela do orçamento familiar, entregando nas mãos do pai, toda a féria mensal.
As exigências atuais quanto aos cuidados infantis fizeram com que os casais repensassem seus valores, trocando a quantidade pela qualidade.
A ida da mulher casada para o mercado de trabalho e o aumento nos anos de escolarização da criança, também estão influenciando muito nos números atuais.
Ainda temos deficiência grave em educação sexual para adolescentes. No posto de saúde aqui da esquina, a maioria de gestantes é muito jovem.
"Mulher casada não tem mais filho", me disse uma das funcionárias, quando comentei que minha ex aluna, tão novinha, já está ali, numa gravidez não planejada.
Neste ano, tenho apenas um aluno numa família de cinco irmãos. É uma turma predominantemente de baixa renda, ficando em 2,5 filhos por família, todavia alguns são apenas "meio irmãos".

A região brasileira com maior taxa de fecundidade é a Norte, com 2,51 filhos por mulher. O Sudeste detém a menor média, com 1,75. As Regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul, apresentam taxa de fecundidade de 2,04, 1,93 e 1,92, respectivamente (fonte - IBGE). 

Fonte da imagem:  daqui    

10 comentários:

  1. Oi, Cristina!
    Não sei o que sinto quando vejo esses dados, pois ao meu ver até são bonzinhos e por outro lado, assustadores!
    Vejo muitos casais com apenas um filho e com pensamentos avessos a ter mais filhos e outros casais com filho algum e com ideias de que filho atrapalha a vida à dois.
    Minha mãe teve 3 filhos e adotou mais 3. Eu tenho muitos sobrinhos adotados e tenho dois filhos, um natural e outro adotado. Sempre dou a opção de adoção para os meus amigos, porque enquanto existem muitos casais sem filhos, existem muitas crianças sem lar.
    A cidade onde moro está se transformando em receptora de eventos da terceira idade. A população está envelhecendo! E diante das últimas notícias catastróficas, fica cada vez mais complicado pensar em ter filhos.
    Do lado da minha mãe todos os meus tios são fazendeiros e do lado do meu pai todos os meus tios são urbanos. Engraçado que tenho 7 tios de um lado e 7 tios do outro lado. Os urbanos estão com sobrevida maior e eu achava que a vida no campo seria melhor. Mas percebo que é muito desgastante e por isso, estão todos fugindo para a cidade onde o trabalho tem tempo de começar e terminar.
    A vida está cronometrada!
    Beijus,

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    1. Excelente dia, Luma!
      Realmente esta questão suscita muita reflexão. Estamos investindo nos programas de auxílio aos idosos? Quem cuidará deles (nós) no futuro? Como ficará a economia? E os valores familiares / de solidariedade? E em relação ao Planeta / outros animais?
      São inúmeras questões, que foram atropeladas pela realidade, possivelmente sem volta.
      O estado, cada vez mais, interfere na educação da criança: é "Conselho Tutelar" para tudo, é educação em tempo integral, é antibiótico para doencinhas básicas, que se observado amiúde, veremos que tem fundo emocional.
      Como professora, preciso de crianças, são minha ferramenta de trabalho... será que um dia serei pedagoga numa casa de repouso, por inversão de demanda?
      Quanto à vida no campo, é desgastante, cheia de intempéries, do "se vira sozinho", dos agrotóxicos, das não férias.
      Quantos pontos cegos! E o futuro nos respondera.

      Adorei debater contigo, beijicos caipiras.

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  2. Oi Cristina! É interessante ver como essa tendência é global. Em Portugal o número é semelhante, embora um pouco mais baixo, e de acordo com as minhas observações isso se deve à crise económica e ao maior grau de estudos (as mulheres começam a ter filhos mais tarde). Para ser sincera a tendência não me preocupa, é bom saber que os casais começam a reflectir antes de porem criancinhas neste mundo. Já vi casos em que os pais continuam tendo filhos mesmo sem ter condições para cuidar deles e isso é triste...
    Bom texto Cristina!
    Beijos

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  3. Então, Joana! A trinta anos atrás, nem imaginávamos que esta tendência aconteceria na maior naturalidade.
    Aqui também as mulheres estão adiando a primeira gravidez; minha colega de trabalho teve o primeiro aos 38 anos.
    Algumas aguardam tanto, e depois não conseguem mais, pois temos prazo de validade como mães.
    Ainda temos muitas mães aqui na região, que engravidam de supetão, pela falha do método escolhido ou descuido, senão a queda seria ainda maior.

    Grata pelo elogio, Joaninha, outros beijos.

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  4. Interessantes os gráficos e as constatações, Cristina!
    Mas, sabe, acho que para um país como o nosso, com tanto descontrole social, o melhor mesmo seria diminuir o número de filhos.
    Sabemos que não podemos contar com nosso governo, ele não nos protege, assim, colocar filhos no mundo atual é algo muito perigoso para o futuro dos mesmos.
    Enfim, o país é enorme, tem lugar para muitos ainda, mas as condições que nos são oferecidas são precárias, precisamos de muita coisa para vivermos bem e dar conforto, saúde e educação para os filhos.
    beijos cariocas


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    1. Ótimo dia, Betinha!

      A alguns anos, participei de uma palestra onde o palestrante informou que a população mundial havia chegado a um patamar ideal no final da década de 70, início da década de 80.
      Não me lembro a fonte que ele usou, nunca mais encontrei nada sobre o assunto, todavia ele dizia enfaticamente que o acréscimo populacional a partir daí, não condizia mais com as dimensões da Terra.
      Vejamos: a Índia possui um território com tamanho próximo ao nosso, e nossa população é cerca de 10% da indiana.
      Ásia e África continuam crescendo, apesar das condições de subsistência... Passamos de 7 bilhões!

      Gostoso falar cocê,
      Beijão.

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  5. Salam, Cristina!

    ótimo post. Sim, estamos encolhendo mesmo.
    Um ótimo final de semana para você e sua família!

    há novo poema no blog (sobre paixão-amor)
    Denise Bomfim

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    1. Ótima manhã, Denise!
      Vou conferir mais um de seus belos poemas...
      Não tenho conseguido comentar em seus últimos posts, vou tentar novamente.

      Bom descanso também a ti e aos seus.

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  6. As vezes temos que fazer um grande exercício com relação a estes números. Há uma corrente que defende de unhas e dentes o controle de natalidade, o que influenciaria terrivelmente nestes números. Na batalha igreja e governo temos crescimento das famílias onde as condições são menores e assim fomentam o numero de pessoas no bolsão da miséria, que deve ser bem observada nesta reflexão.Enfim Cristina os números nos colocam numa sinuca de bico mesmo. Mas não podemos conviver com o numero crescente de natalidade na classe D como chamam hoje. Sem educação e saúde não podemos permitir o crescimento dos números nas áreas sem recursos. As ruas e viadutos das cidades precisam não conhecer estes seres, gente precisa de casa,escola,alimentação, sem estes estamos criando pessoas violentas na maioria.
    Um bom texto para uma boa rodada de reflexão sem dor.
    Muito bom mesmo seu texto.
    Meu terno abraço.
    Bjo.

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    1. Oi, toninho!
      Eu que cresci na roça, envolta nos pensamentos de "quantos Deus mandar", fiquei surpresa na primeira vez que me deparei com os dados, por isso gosto de expô-los sempre.
      Ocorreu de maneira natural, com conscientização boca-a-boca , sem campanhas governamentais contundentes. Apenas será reversível se houver um dia, auxílio financeiro significativo, como ocorreu em alguns locais da Europa.

      É um causo a repassar aos netos.
      Abraços.

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