19.10.13

Travessão



Numa produção textual, após os pequenotes terem feito um teatrinho dos três porquinhos, pedi que cada um a seu nível, reproduzisse a historinha.
A menina B., ainda com seis anos, encontra-se no nível silábico qualitativo de alfabetização, onde coloca uma letra (correta) para cada sílaba.
Para cachorro, grafa KXO; para tanajura - TNURA, já acertando uma sílaba.  
Seu texto, um montinho de letras aglomeradas, ainda é ilegível, o que não impede que ela vá à frente, toda orgulhosa, suba na cadeira e "leia". 
Sabendo que se trata de algo escrito, ela mudou sua fala coloquial e "leu" na norma escrita da língua. Inventou uma bela história, com coerência, princípio, meio e fim lógicos. A certa altura, parou e chamou a atenção dos amigos:
_ Pessoal, agora tem um travessão aqui, vou fazer a voz do bicho, tá?
E imitou direitinho o lobo mau.
Verifiquei, e o travessão estava lá, misturado às letrinhas. Uma  criança que apresenta mais dificuldade que as outras, já está dominando o princípio do travessão!   E a turma a aplaudiu com palminhas!

aqui   imagem.

4 comentários:

  1. Isso é muito reconfortante.Que legal! beijos,tudo de bom! chica

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  2. Oi, Chiquinha!
    Algumas crianças nos surpreendem, mesmo.Mas no geral, a alfabetização é uma mágica: para eles e para nós.

    Um excelente domingo!

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  3. Histórias como essa me dão vontade de lecionar na escola primária na Noruega. Imagina o orgulho e a emoção que dá! Abraços!

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  4. Bom dia, Raquel!
    Quando eu faço uma reflexão sobre a situação educacional brasileira, vejo que não se aplica às séries iniciais.
    Todos os meus alunos fizeram ao menos dois anos de infantário, e chegam bem trabalhados para nós.
    Ao completar sete anos, a maioria está alfabetizada, e os outros já se encontram a meio caminho.
    Até o quinto ano, quando só há uma professora na sala, fica mais fácil manter a qualidade e o interesse do grupo.
    Ao se mudarem para a escola estadual, com um professor a cada 50 minutos e com uma cultura do desleixo, o nível cai drasticamente.
    Na minha realidade escolar, sinto que nesto ponto deva ser feitas mudanças urgentes...

    Os pequenos nos divertem o tempo todo (mas também sugam nossa energia)!
    Outro abração a ti e ao Morten.

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