6.12.13

Itaú Social

Nesta semana, chegou meu envelope do "Itaú Social". Gosto de deixar para abrir na classe, pois a criançada se alvoroça.
Aproveitei para reforçar o conceito de "remetente": aquele que remete, leva, entrega; e "destinatário": o destino final do envelope, quem recebe. Eu.
A ajudante do dia, cerimoniosamente abrindo o envelope. Ela está agasalhada porque choveu à noite e refrescou. No horário real, são seis horas da manhã.
Retirou os dois livrinhos doados pela "Fundação Itaú". A classe escolheu o da direita para ser lido por mim, neste dia.
Ela folheando para a turma... (meus alunos são lindos, mas dão muuuuto trabalho, mas são lindos).
Sorteei o marca-textos. Quem quiser ganhar livros infantis de qualidade, procure na net o "Itaú Social".
Esses livrinhos, eu comprei para eles (20), presente de final de ano. São grandes, para colorir, com contos clássicos. Os textos vêm em linguagem simplista, todavia estão em letra bastão maiúscula, que facilita a leitura nesta faixa etária.
Para a criança ler sozinha, os textos simplizinhos não são prejudiciais, contudo na "Leitura Deleite" escolho material com linguagem mais rebuscada.
Eu faço a "Leitura Deleite" logo ao início da aula: apago as luzes, eles fazem "bracinhos em travesseiros" (cruzadinhos), sento-me no meio da sala e vou lendo teatralmente.
A alguns dias, ao terminar a leitura, o ajudante acendeu as luzes, me levantei e vi pedaços de cabelo no chão...
O J. V. havia feito "um caminho de rato" no meu cabelo. Sim, cortou uma mecha. Ainda bem que estava mais que na hora de eu ir à cabeleireira. 
Na hora, eu não sabia se ria, chorava ou xingava. Por ser sexta-feira, peguei a mecha, guardei num saquinho e olhei fixamente para J. V. O garoto disfarçou, procurou o que fazer, como procede sempre em suas artes. 
A tempos eu aprendi que não há necessidade de resolver certos conflitos à "queima roupa", é melhor esperar e escolher com muita calma, a melhor solução.
Na segunda-feira de manhã, chamei-o de lado e desferi a consequência (castigo): ficar a semana toda sem recreação, fazendo reforço comigo (ele precisa mesmo).
A cada dia, a aulinha de reforço foi sobre o assunto "cortar meu cabelo": desenhar, fazer texto, frases, ditado de palavras, leitura de palavras.
Fizemos um balanço na sexta-feira e ele concluiu que não compensa mexer no cabelo dos outros, ou algo similar, pois para tudo há consequências.
Este é um dos dois garotos que tenho, filhos de mães dependentes químicas, que fizeram uso na gravidez.
Pelas mães que têm, até que eles são bons demais... este é extremamente ansioso e o outro não tem controle corporal (não se senta nem para escrever - pouco escreve).
Por milagre e inteligência, os dois estão praticamente alfabetizados.
Olha, trabalho com crianças a mais de vinte anos, tive uma classe "tenebrosa" no ano passado (a deste ano é fichinha), já tive muita criança que cortou o próprio cabelo, o cabelo do amigo, mas nunca o da professora...

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