28.4.13

Blanche - XXII

*  Aqui  terá o conto completo!

Não há feriados em Riolama, senão o santo dia de reza. Mais que um direito, o ócio domingueiro matutino, se faz ônus religioso, para orar e catequizar compulsoriamente, mesmo que em convenção domiciliar. 
Então os entes masculinos, sendo procuradores de família, devem apresentar-se prontamente à capela, assim que anunciado o recrutamento pelo aferrenhado badalo de Karly, ao dilúculo. 
Numa rotina desconstruída, tentar ignorar o clamor às orações, ou realizar utilitaridades à aurora domingueira, é falta grave, censurada com carrancas espinescentes pelos silentes convíveres eclesiásticos. 
Aos desfavorecidos infantes não se permite brincar, sorrir, correr. Não se penteia o cabelo, nem dialoga-se displicentemente, apenas as atividades inevitáveis são executadas metodicamente na “Manhã do Senhor”. Sol em zênite, cessam enfim as rigorosas restrições. 
O badalar do sino alicerça teimosamente a alvorada do domingo, ao passo que o tinido dos tambores na bosquímana reserva indígena, percutem a transcendente mudança lunar, após o crepúsculo. 
Não se orça as horas com o sinete da capela, irrelevantes neste ermo recanto. Tem-se comumente sol e lua para marcação temporal. E num sincretismo, tem-se o auspício do deus branco correlato aos casmurros deuses indígenas. 
Blanche aprendeu a registrar as semanas, acompanhando os quartos de lua. Cordões confeccionados de forma especial, presos a um toco de galho, alferem nozinhos a cada dia que chega, e outros maiores para mudança lunar. Um nó peculiar é adicionado à chegada da cultuada lua cheia. 
Neste calendário lunar, Blanche computa os vinte e um dias em que suas introspectivas galinhas chocam os ovos, as vinte e uma semanas da gestação das cabras, e o tempo variável de germinação das sementes.
O tempo cíclico, em Riolama, onde as estações demarcam época de colheitas ou privações, prescinde o tempo linear, que escoa pouco perceptível e regula o tempo subjetivo, onde o inverno austero aparenta um tempo infinitamente maior que o verão abundante.
Noutro calendário (secreto), Blanche tece com nozinhos a presença de Eric e seu possível retorno. Em momentos de melancolia, recorre a ele como ponto de comovente esperança, apaziguando o labaredado arrebatamento íntimo.
Seus poucos eus dialogam absortos antevendo as emoções, como uma levíssima cortina esvoejante a gotejar perfume silvestre. Feito uma tela desertando a moldura, voam até Eric possuidor.

27.4.13

Alina Pain

Enquanto aguardo a máquina de lavar, tiro e ponho roupas no varal, cozinho, asso, eu vou lendo.
Minha amiga me pegou 8 livros de doação da biblioteca (idosos, coitadinhos).
Este da Alina, foi doado à biblioteca em 1982, sem ler, e ninguém o pegou na biblioteca. O cartão de empréstimo está limpinho.
É de 1965, um ano mais novo que eu! Trata-se do terceiro livro de uma trilogia com a personagem Catarina (claro que não li os outros dois, pois ele me escolheu e não eu a ele ).
Fiz uns remendos para que não se despedace. Veja como as folhas nunca foram dobradas, manuseadas, elas param em pé.
O livro narra as memórias embaralhadas da personagem, enquanto ela vela a filhinha febril pela madrugada afora. Há passagens autobiográficas mixadas com ficção.

Estou leve e só, curtindo o friozinho de outono, com um chá de canela com capim cidreira (do sítio). Adoro este parzinho de meias em lã.

O "Par" diz que estou com "síndrome de Escandinávia": penso que está nevando! 

Veja uma parte de orelha de porco saindo quentinha para se juntar à feijoada amanhã. Deu um trabalhão limpar e retirar tanta gordura. Adoro pedaços exóticos, miúdos e tal. Se "Fiotão" vê, não come.

Músculo bovino molinho, esfriando para ser congelado. Vai bem em sopas; com batatas; com tomates picadinhos, numa macarronada. É uma carne sem gorduras. O flash da foto está péssimo...


Mazelas

 Ó o estado que ficou minha panela e meu fogão!
Cozinhei uma peça inteira (piquei) de músculo bovino para congelar nos potinhos (durante a semana vou retirando). 
Sempre faço carne a mais para congelar pronta. A semana de trabalho é braba. 
Faço almoço às 5 h da manhã, por isso uso o fim de semana para adiantar os pratos (feijão, carnes, pães).
Cozinhei ingredientes para feijoada. Neste outono, é um prato excelente. Também congelo. Fica até mais gostosa.
Fui limpando o fogão enquanto o "Par" faz trilha de jipe com outros donos de oficinas e uns médicos.

Ficou assim: 
Agora, mereço dormir no Mamonal na terça à noite, não é? Feriadão na quarta...
Após minha reunião com pais de alunos, `as 18 h, voltarei em casa para guardar a moto, e subiremos a serra à noite. Eba! 
Estou louca para ver o por do sol no "Pico do Gavião" - transcendência no sentido pragmático da palavra.
Voltar na quarta à noite, vendo os olhos dos bichos como faróis à beira da estradinha, um sonho!

Pães doces

Fiz com 1 e meio kg de farinha, três cenouras, três ovos,  uma bandeja de frutas cristalizadas, três colheres de fibra de trigo, 4 tabletes de fermento para pão, 1 colher rasa de sal, 6 colheres bem cheias de açúcar, 1 xícara de óleo, outra de leite integral.
Bati os ingredientes no liquidificador, menos a farinha e as frutinhas. Joguei 1 kg de farinha numa bacia grande e despejei o conteúdo do copo liquidificado. Sovei, e fui adicionando farinha até dar ponto, acrescentei água aos poucos. Sovei mais.

Enrolei de várias formas e deixei crescer até dobrar de tamanho (várias horas, não tenha pressa).

Ao esfriar, congelei uma parte para comer nos outros finais de semana. Servido?

23.4.13

Vai Mocinha, vai Mocinha!

Fonte: http://blogs.98fmcuritiba.com.br/andre/2011/09/13/menino-abandonado-mama-na-teta-de-vaca/
Hoje veio aqui na oficina, o administrador  de uma fazenda por onde pedalamos.
Certa manhãzinha de domingo, eu na frente e o "Par" bem atrás, descíamos a estradinha. O rapaz veio de carro tocando cinco vacas, a nosso encontro.
Parei na beirinha com a bicicleta, e ele tocando as "moças":
_ Vai mocinha, vai mocinha!
O "Par", bem  atrás, achando que eu estava desobedecendo o rapaz.
E lá tenho cara de mocinha? Ou de vaca? Nem de capacete...

Não é que hoje ele diz a história ao administrador da fazenda, na minha frente? Os dois gargalhando e eu enxavida...

22.4.13

Dia da Terra

Dia da Terra 2013 ganhou homenagem do Google Foto: Reprodução

Costumo verificar os doodles da Google e tive hoje uma fantástica surpresa: uma animação, onde a terra é acompanhada, não somente por um turno de 24 horas, mas também pelas estações e fases da lua.
Demonstra a mudança da posição e intensidade solar ao longo do dia, peixinhos nadando e a lua deslizando pela noite.
O ecossistema, com um campo florido representando a letra G, duas montanhas representando os "Os", o lago formando o "g" minúsculo, e o regato a completar a palavra.
A data deve nos trazer reflexões coletivas acerca da harmonia com o Planeta, onde humanos devem ponderar a economia com conservacionismo.
Somos cerca de sete bilhões a esmagar, empurrar e prejudicar outras formas de vida, inclusive vegetais.
Continuamos procriando, mas até que ponto a Mãe suportará?  
É viável a população de humanos continuar avançando? 
Viável para a economia ou para a natureza? 
Qual a contrapartida desta equação? 
O que se faz pragmaticamente quanto a isto? 
Deve-se mesmo fazer algo?

21.4.13

Blanche - XXI

*  Aqui  terá o conto completo!

No lado oposto da estrada, em Riolama, de costas à falda íngreme, a caiada capela do vilarejo abre-se em ternurinhas, ocupando parte do terreno ondulante, com arvorezinhas sombreadeiras.
As grandes portas, à frente e aos fundos, trazem refrescante corrente dum arzinho filtrado. O anexo feminino à direita, menor e mais baixo, possui diversas janelas em toda a lateral, onde as catitas garotas se debruçam aguardando o início da celebração.
O campanário, sobrelevado ao casario, numa pintura azul acinzentado, copiando portas e janelas, comporta o sintetizado sino, num bronzeado reluzente, enquanto mira todo o trecho do rio cioso, tentando ninar as mágoas do vale.
O dobrar do sino envia deliberadamente advertências obtusas a toda a plaga. Num ato persecutório, reporta melancólico, ocorrências maniqueístas, num hino agregador. 
São lamentosos repiques para devastadores incêndios, terríveis assassinatos,  poderosas enchentes,  corriqueiros falecimentos naturais, acidentes assustadores e outras tormentas.
E bimbalhando festivo, também reporta singelos nascimentos, festas, celebrações religiosas, reuniões políticas que requeiram a assiduidade dos “homens bons do lugar” para auxílio ou tomada de decisões. 
Seu tintinabular melódico ou lastimoso, vai se modificando minuciosamente conforme o flagelo, em colisões espaçadas, num código em lassidão, para cada categoria catastrófica ou solene. 
Destarte, o vibrante grito do sino entrecruza cada encosta, estremecendo os ouvidos e fremindo corações, golpeado pelo  minucioso sacristão Karly, em movimentos oscilatórios. 
Ao alvorecer de domingo, seu pendulear é absorto e ranzinza, em chamativa ao rebanho, anunciando que se faz um letárgico dia sacro ou “dia dos pecados”. 
O badalo somente alinda propedeuticamente as tardes de sábado, quando há esporádicos matrimônios. Alia-se aos perfumosos arranjos de flores silvestres e os coloridos laços de fitas conferindo às noivas uma aura peculiar.
Ressoa num plêiade de alegrias e brincadeiras, conquanto por vezes, mimético em açucenas e narcisos, traz tristezas enviesadas de um enlace forçosamente arranjado. 
Blanche, alongada na montanha dos caprinos, sente seu reverberante percurtir em serpentina, na esparsa longuidão da reentrância. É um intenso quebrar de rotinas e eminente despertar de sensações.
Neste instante, está em pendularidade pela lúgubre noiva Ariadne. Seu coração (de Blanche) se estilhaça em melancolia ternurenta no isolamento da montanha, em estima à dileta amiga. 
Nick cantará louvores na cerimônia. Blanche não estará presente, contudo teceu coesivamente um tapete oval, como presente ao enlace.
Abundante em fruição, apascenta a alma da amiga em ruidosas orações indígenas. O choro se abre doído por Ariadne, com pelotinhas de lágrimas tentando forçar festa ao saltitarem rosto abaixo.

Droga

Fonte: http://imagensnet-imagensnet.blogspot.com.br/2012/11/brinquedos-antigos.html
Na segunda-feira, durante a linguagem oral, meu aluno JV estava radiante: a mãe receberia alta de sua internação. 
Foi a primeira manifestação de amor, sem mágoas, dele para com sua genitora.
Ela encontrava-se a dois meses num hospital psiquiátrico na cidade vizinha devido a dependência química.
Quando fui diretora da creche, este garoto nasceu, e a Assistente Social do bairro pediu uma vaga com urgência, pois ela já era dependente.
O pai engravidou duas mulheres ao mesmo tempo, a irmãzinha dele estuda na sala ao lado.
JV estava até mais calmo, dizendo menos palavras de calão, e na terça-feira não via a hora de ir para casa, pois o vizinho iria buscá-la.
Quarta-feira chegou desanimado, porque ela já não estava em casa quando ele acordou cedinho.
Disse que ela poderia estar no CAPS, ou então teria fugido, pulando  o muro, pois tudo estava trancado.
Trouxe uma saboneteira, com sabonete usado que ela lhe dera. A toda hora pedia para ir ao banheiro, queria usar o tesouro recebido da mãe. 
Na quinta-feira veio mais "jururu", pois ela fugiu mesmo, e ainda furtou sua bicicletinha.
A avó, que é empregada doméstica, pediu ao vizinho que a procure num ponto tradicional de usuários.
Detalhe: segundo o menino, a mãe está grávida e logo o bebê nascerá. Além dele, ela tem uma filha adolescente, que conforme relato do garoto, também está grávida.
O avô trabalha com uma carroça e cavalo, recolhendo entulhos pelo bairro, mediante pagamento.
Já encaminhei o garoto para a psicóloga escolar, contudo ela ainda não chegou à nossa escola, está atendendo em outros bairros.

20.4.13

Que pecado!

Menina correndo em um gramado
Fonte: http://br.photaki.com/picture-menina-correndo-em-um-gramado_136967.htm
Estava agora mesmo, voltando da caminhada, e passei em frente a uma lanchonete. Havia algumas crianças, porém no escuro da noite, não reconheci nenhuma.
Quando já estou em meio ao quarteirão, ouço uma voz de menina gritando: "Tia Cri, Tia Cri!"
Ao me virar para trás, noto minha ex aluna Júlia (que ficou comigo dois anos). Ela estava correndo, arfando e toda vermelhinha.
Por que o sacrifício? Só para me dar um abraço. Dei-lhe alguma atenção, emocionada, e pedi que voltasse.
A mãe acompanhava da esquina. Fiquei ali parada no escuro, até que as duas, com acenos, adentrassem o estabelecimento.
São as emoções apaixonantes da profissão de professora alfabetizadora. 
Dois anos na vida de uma criança são totalmente diferentes de dois anos na vida adulta. E deixamos nossa marca.

Atarefada

Fonte: http://acervodeprofessor.blogspot.com.br/2012/02/relatorio-de-aulas.html
Estou `as voltas com o fechamento do bimestre letivo: corrigir inúmeras avaliações, correr atrás de justificativas de faltas das crianças, junto aos pais, repor conteúdos atrasados pelos faltosos (eles faltam, ralamos nós). 
As sondagens de leitura, oralidade (contação de histórias) e escrita espontânea, são individuais. Os textos espontâneos quase sempre são ilegíveis, então temos que transcrever abaixo, o que tentaram escrever. 
Enquanto estou com um aluno, "sondando", o restante da turma, põe fogo na classe: tudo explode em algazarra, corre-pula, mesmo com atividade em andamento.
Então é assim: sonda, toreia, sonda, para tudo e muda de atividade, por toda a semana.
Na sexta feira, estou exaurida, pois ainda temos reuniões às noites de segunda e curso às noites de quinta.
Toda terça à noite, trago os vinte cadernos para examinar, colar atividades, dar uma geral.
Na quarta, faço caminhada. Na sexta à noite, faço lição de casa do curso. 
No sábado de manhã, vou trabalhando na oficina e preparando a semana de aulas (tarefa que dura mais de três horas).
Esposo está "uma maritaca", de tão bravo. Estou deixando o trabalho na oficina a desejar. E ainda dizem que professor trabalha meio período...
Sorte que tenho a  Luana para limpar minha casa toda manhã de sábado (a sua hora de trabalho é maior que a minha, mas vale a pena).
Neste instante a máquina de lavar está a todo vapor; amanhã cedinho passo a ferro. 
Após cuidar das roupas, tenho que tabular todas as faltas, compor uma nota de 5 a 9 para cada criança,  através de meus registros cotidianos e provas bimestrais.
Tenho que preencher papéis sem rasuras, pois segunda é dia de "Conselho de Classes".
A aprendizagem? Estão ótimos! Três já leem pela rota fonológica (decifrando cada sílaba - aos soquinhos).
Os outros alunos usam a rota logográfica e tentam decifrar a palavra globalmente, com pistas (letra inicial, final, consoantes, etc. Se começa com P, é pato e pronto).
Até o final do ano letivo, alguns chegarão à rota lexical - a nossa.

Que mais? Comprei três Kg de coxas de frango, temperei ontem à noite com bastante melissa (erva aromática) e assei  com batatas, para o almoço: 25 unidades! Ficaram lindas e deliciosas (sobraram para amanhã). As sobrecoxas são muito gordurosas, aboli.

Estou lendo um livro (Lendo? Tentando!), e tenho oito à espera. Pedi prá amiga pegar na mesa de doações da biblioteca. Velhinhos e pouco lidos - uma pena.

Jacinta Passos

Estudos de lógica:
O sanatório é Bahia ou Bahia é um sanatório?
A mulher está presa porque é comunista ou é comunista porque está 
presa?
O homem tem família porque tem propriedade privada ou
tem propriedade privada porque tem família?
Este homem faz continência porque trabalha ou
trabalha para fazer continência?
Os trabalhadores da arte trabalham para fazer figuração ou
fazem figuração porque trabalham?
Eu faço arte porque sou artista ou sou artista porque faço arte?

(PASSOS, caderno 14, escrito em setembro ou outubro de 1967 apud 
AMADO, 2010, p. 19)

Fonte: http://www.edufba.ufba.br/2010/05/jacinta-passos-coracao-militante/


“A mulher está presa porque é comunista 

ou é Comunista porque está presa?


Conhecem esta brasileira? Cunhada do escritor Jorge Amado; o seu cérebro era um vulcão, e este vulcão a matou aos 57 anos de idade.
Admiro intensamente as mulheres comunistas que passaram por nossa história. Admiro todas elas, independentemente da ideologia de seu partido político, pois mulheres têm pensamentos femininos. 
A frase impecável diz tudo: são mulheres presas por questões sociológicas intensas. Ao lutar por causas humanitárias, são literalmente presas.
Agora sim, encarceradas em suas lutas internas e sociais constantes, e aprisionadas numa cadeia imunda. 


18.4.13

Patativa

Fonte da imagem: http://carvalhorobles.blogspot.com.br/
“De noite tu vives na tua palhoça,
de dia na roça de enxada na mão.
Julgando que Deus é um Pai vingativo,
não vês o motivo da tua pressão.


Tu és nesta vida um fiel penitente,
um pobre inocente no banco do réu.
Caboclo não guarde contigo essa crença,
a tua sentença não parte do Céu”

Patativa do  Assaré

 Quanta sapiência para alguém que estudou apenas quatro meses, em 1921, tendo um mestre leigo que pouco entendia das letras!

13.4.13

Matriarca Maria

Minha tia querida, casada com um irmão mais velho de meu pai, ficou viúva dele a algumas semanas. 
Apesar das adversidades, ela nunca reclamava, sempre esteve alegre, gosta de passear, ama a vida,  tem uma felicidade interna que é dádiva a poucos. 
Analfabeta, frequentou o "Mobral" à noite, na década de 70. Aprendeu a grafar seu nome completo, depois saiu.
Meu tio estava demente a quase dez anos, o que a impeliu a deixar de trabalhar na feira livre, ofício que adorava.
Deixando os filhos neste encargo, passou a cuidar do tio "Lia" (Elias) em tempo integral. Sendo cinco anos mais nova que ele, hoje conta 83 anos de idade. 
Lúcida, terminando um tratamento de câncer de pele ao redor da boca, tem dificuldade em andar devido a uma fratura na perna a alguns anos.
Nesta queda, na lavanderia, clamava pela ajuda do tio em prantos, e dava a mão para que a levantasse. Ele sorria com o seu cérebro restante (de criancinha de 3 / 4 aninhos), achando que ela estava a brincar pelo chão.
Certa vez ele sumiu (foram umas três vezes) e embrenhou-se num pasto próximo a seu bairro. Estava descalço numa região com diversas macaubeiras. Foi encontrado pela família aflita, com os pés repletos de espinhos.
O casal teve treze filhos: Joana, Maria Alice, João, Lourdes, Vera, Cecília, José, Elza, Ana Luisa, Angela, Leonardo, Andreia, Juliano. 
Nenhum filho faleceu na infância ou juventude; joão morreu atropelado com mais de 50 anos, os outros estão todos bem.
Viveram no sítio do vovô até que o caçula estivesse grandinho e já estavam no ofício da feira-livre, talvez por uns vinte e cinco anos. 
Imaginem o que este casal passou com treze criancinhas, num casebre roceiro, sem ao menos dipirona para abrandar uma febre. Quantas noites em claro, quanto choro infantil e adulto.
Distavam quatro km da rodovia asfaltada, onde passava ônibus para a cidade. No finalzinho da estada na  roça, ele já tinha um jeep, mas antes disso havia somente as pernas.
Me lembro da Tia preparando o jantar. Vinha mais cedo da roça, onde trabalhava desde o raiar do dia. O feijão já estava cozinhando a algumas horas pela filha Elza (a mais velha em casa, pois as outras cinco já viviam numa casa alugada aqui na cidade, para trabalhar).
Ela fazia arroz (socado no pilão para expelir a casca - ficava todo quebradinho), mexia uma polenta enorme, com fubá trocado por milho na fazenda do Tio Antenor (tio meu, não deles). Como "mistura", fazia couve ou chuchu refogado da horta, ou abobrinha batida, alguma salada, ou batata.
O Tio e o filho mais velho (que nessa época era o José, pois o João já morava e trabalhava no hotel em Águas da Prata), ganhavam um ovo caipira frito. Era costume alimentar melhor os braços trabalhadores. O restante dos ovos eram para vender na cidade, assim como os frangos.
Ela repartia a comida em pratos, baciinhas de alumínio e latinhas de marmelada. Todos tinham um quinhão definido e não podiam repetir. Os maiorzinhos, que ainda tinham fome ao término do jantar, pediam emprestado, uma "cuiada" (colherada) aos menores, para pagar amanhã.
Aos domingos, ela matava uma galinha caipira e dividia a todos, inclusive aos filhos da cidade que vinham de visita. Alguns ganhavam o pé e a pontinha da asa, outro herdava o pescoço, outro recebia o coração e fígado, sendo os melhores pedaços reservado aos trabalhadores.
O quase vegetarianismo forçado era comum na zona rural, naquelas famílias enormes e paupérrimas. A carne era usada como um temperinho esporádico. Na minha casa, não era diferente, mas minha mãe tinha um casal. Meu irmãozinho (o terceiro filho) nasceu quando eu já passava dos doze anos.        
Os quatro filhos da tia Maria geraram nove netos. Das nove filhas, sete se casaram e geraram mais 16. No total, são 25, com cinco bisnetos. Todos os filhos têm casa própria, inclusive as duas solteiras (que mantém alugadas). 
A primogênita Joana não se casou e vivia desde adolescente na cidade de São Paulo, como empregada doméstica em tempo integral. Ainda hoje, mesmo aposentada, vive e cuida da mesma patroa, velhinha, moram em Ubatuba.
A Elza vive com a mãe aqui na cidade, e enfrentou a barra dos cuidados com o pai. Aposentou-se e continua trabalhando a décadas num consultório médico. Almoça em casa, a comidinha preparada pela tia Maria.
O Tio morreu nos braços dela, num domingo de manhã, após gritar com "dor de barriga". Em seu cérebro já desgastado, restava apenas as memórias de um menininho, que considerou assim o ataque cardíaco.
A segunda filha, M. Alice, é aposentada pelo INSS e auxilia o esposo no sítio deles. Agora cuidará do primeiro neto, quando a filha voltar ao trabalho (da licença maternidade).
O João faleceu a quase uma década, deixou um casal de filhos, que já estão jovens. A Lourdes aposentou-se muito nova na Prefeitura (probleminha simples "na cabeça") e tem uma loja de roupas.
A Vera mora em seu sítio, faz feira livre e mantém um restaurante lá mesmo, aos finais de semana. A Cecília casou-se com cerca de quarenta anos e teve um filho. É enfermeira aposentada e continua a trabalhar no hospital (dava os banhos no Tio).
O José é feirante e tem duas filhas moças: uma morena e a outra muito loira, que puxou à tia Maria. A Ana casou-se com o primo Romeu (primos em primeiro grau), vive na grande São Paulo e dá aulas de matemática a pouco tempo (só formou-se agora).
A Ângela vive pertinho da mãe e trabalha em consultório médico também. Está se aposentando e vai continuar, pois a sogra faz tudo em casa. O Leonardo é pedreiro (fui professora de seu filho mais novo).
A Andreia é policial feminina e seu filho menor estuda na sala onde leciono, só que com minha colega da tarde. O Cacula Juliano é feirante e é vizinho da mãe; tem três filhos.
Foto minha - Mamonal.

9.4.13

Asilo

Fonte: http://inperennemovimento.blogspot.com.br
Sou esta "garotinha" aí, compenetrada em seu lep top! Me vejo exatamente assim na quarta idade: lecionando para minhas coleguinhas de asilo (aulinhas de informática).
Sempre comento com o "Par": aquele que ficar sozinho deverá sair à caça de um asilo o mais rápido possível, enquanto tiver boa saúde.
O "Fiotão" é apenas vinte e um anos mais jovem que eu, e estará bem velho quando eu estiver assim (caso consiga), não pretendo jamais ser um fardo para ele.
Com a taxa de natalidade caindo (no Brasil, estamos a 1,9 nascimentos por mulher), esta imagem tende a se multiplicar, para desespero dos assistentes sociais.
Quando passo em frente ao belo asilo da Cidade, localizado em um espigão arejado, fico admirando o local e me imaginando lá dentro; é o  recanto mais apropriado para uma(a) idoso (a) sem par.
Procuro trabalhar bastante agora, garantindo aposentadoria suficiente para bancar um quarto individual. 
Hoje em dia é chique denominarmos "Casa de Repouso" para esses recantos, contudo eu sou muito apegada aos termos de origem, e asilo me soa mais natural.
Eu poderia dar aulinhas para estimular o raciocínio lógico da equipe, memória, criatividade, ludicidade; não seria produtivo?  
Sinto apreensão por esses idosos que não aceitam viver em comunidade e ficam sozinhos, de maneira precária, ou se tornam uma preocupação extra para familiares (quando há).
Cada época da vida tem suas agruras e alegrias, e desde que as aceitemos como são, tudo fica bem.

8.4.13

Poetinha

O Elefantinho

Onde vais, elefantinho
Correndo pelo caminho
Assim tão desconsolado?

Andas perdido, bichinho
Espetaste o pé no espinho
Que sentes, pobre coitado?

_ Ah! Estou com um medo danado...
Encontrei um passarinho!
VINÍCIUS  DE  MORAES
Fonte:http://colunas.revistaepoca.globo.com

7.4.13

Blanche - XX

*  Aqui  terá o conto completo!

Em Riolama, a derradeira instituição comercial a acariciar o desabalado rio, afronteirada pela descida saltitante do regato chorão, é a extensa e fina faixa da vivenda da estrebaria, com permuta de grandes animais (equinos, bovinos, muares, bubalinos), reabilitação, selaria, construção e reparação de carroças. 
O inóspito (e de beleza excêntrica) proprietário Willy, pintalgado com a pele amulatada, é esposo da cabisbaixa e rogativa Corinne, e genitor de Ariadne, Dory e da caçula Críscia.
Willy, hierárquico, governa a família com punhos de aço, já tendo sido advertido inclusive pelo reverendo Albert. A prole trabalha incessantemente a seu comando, e unicamente à insípida Corinne sobeja todo o expediente doméstico.
Homenzarrão, fala rouca e imponente. Seus olhos de jaboticaba cravam forte no interlocutor. Uma compleição física admirável, até mesmo entre companheiros. Disfarça um secreto medo (pavoroso) de abelhas.
Seus carroções, perfeitíssimos, são comercializados por toda a província; o aguardo por um exemplar estende-se por quadrimestres. Willy proíbe a qualquer ente ou camarada, assentar-se durante o expediente, inclusive à esposa, que traz feito a uma escrava.
A etapa de colocação do anel metálico (aro) nas rodas dos carroções, é um espetáculo à parte: vão se arrimando e a madeira se incendeia, enquanto dois homens açoitam com a marreta, um outro abduz com uma pinça. Uma cabaça d‘água chuviscadinha por Críscia ajusta finalmente a peça.
Dory é disponibilizado exclusivamente para um dia de aulas com Charlote, e as cachopas, com Ingrid. Saber coser amplia o dote, nesta região com inúmeros homens desgarrados e escassas (e valiosas) damas!
Apesar de esplendoroso, Dory herdou de Corinne a baixa estatura, o que o impulsiona a estar sempre montado aos domingos, e a refrear passeios a pé. Herdou também os longos cabelos negros, sempre esteticamente trançados e reclusos num tênue filete de couro. 
A proximidade do enlace de Ariadne aduz apreensão ao grupo familiar; a avó índia (materna), prostrada desde que fraturou o fêmur em ablução de roupas ao arteiro regato chorão, almeja avançar com ela. 
A árdua negociação com o futuro esposo será advogada por Dory, à ocasião oportuna. O coraçãozinho da noiva flutua, em atinar a possibilidade de arrebanhar consigo a frágil e reverenciada anciã.
Mesmo acamada, ela confecciona com junco e outras fibras, cestaria indígena delicada, concebendo subsistência com a vendagem, executada pelo ardiloso Lucano em “Corda-Bamba”. Tal fato privilegia a barganha em prol de sua comuta.
Críscia não se encontra preparada para o matrimônio com seu nubente Lucano: secretamente, angaria pedrinhas, cacos de “louça” em terracota, grandes sementes, e nos parcos momentos livres, “trabalha” simbolicamente, cuidando do fictício rebanho de ovinos a que tanto ama.
Blanche sabe que vasqueiramente irá rever Ariadne, e padece ao pensar na ocorrência. Pela infância, suas mãozinhas dadas seguiam por toda a celebração feminina dominical. Blanche dispunha nela um ancoradouro confiável, seu exclusivo “quase ente familiar” naquele "imenso" santuário.

6.4.13

Se eu fosse...

Boa a ideia da Lúcia http://www.luciahsoares.com/ para uma feliz brincadeira!

Se eu fosse um mês seria… NOVEMBRO, quase fim de ano letivo.
Se eu fosse um dia da semana seria… SÁBADO, tarde sossegada.
Se eu fosse um número seria… 7, muita responsabilidade ser nota 10.
Se eu fosse um planeta seria… VÊNUS, para aparecer toda manhã.
Se eu fosse uma direção seria… SUL, devido ao cruzeiro.
Se eu fosse um móvel seria… CAMA, pelo merecido descanso.
Se eu fosse um líquido seria… CALDO DE CANA, por sua doçura.
Se eu fosse um pecado seria… AVAREZA, sempre me preocupei com o futuro.
Se eu fosse uma pedra seria… ESMERALDA, pois adoro verde.
Se eu fosse um metal seria… ALUMÍNIO, pois é com ele que trabalho à tarde.
Se eu fosse uma árvore seria… GOIABEIRA, pela rusticidade.
Se eu fosse uma fruta seria… BANANA, por matar a fome facilmente.
Se eu fosse uma flor seria… FLOR DO CAMPO, pela simplicidade.
Se eu fosse um clima seria… AMENO, por seu tempero.
Se eu fosse um instrumento musical seria… TAMBOR, pela ancestralidade.
Se eu fosse um elemento seria… AR, por ser o mais urgente.
Se eu fosse uma cor seria… VERDE, não sei porque.
Se eu fosse um animal seria… PORQUINHA, pela importância na história rural.
Se eu fosse um som seria… ASSOBIO, por seu romantismo.
Se eu fosse uma letra de música seria… AQUARELA, porque tudo descolorirá.
Se eu fosse uma música seria… HINO NACIONAL, para manter o Brasil unido.
Se eu fosse um estilo de música seria… INFANTIL, para encantar as crianças.
Se eu fosse um perfume seria… ODOR DE FLORES, por ser suave e natural.
Se eu fosse um sentimento seria… NASTALGIA, pois adoro o passado.
Se eu fosse um livro seria… GIBI DUMBO, pois foi meu primeiro.
Se eu fosse uma comida seria… ARROZ, ARROZ, ARROZ, pois combina com tudo.
Se eu fosse um lugar seria … LESTE PAULISTA, pois é meu mundinho.
Se eu fosse um gosto seria… AZEDO, porque acorda as pessoas.
Se eu fosse um cheiro seria… CAMPESTRE, pois me traz leveza.
Se eu fosse uma palavra seria… ORGANIZAÇÃO, pois é a mãe da matemática.
Se eu fosse um verbo seria… PERSISTIR, pois sou determinada.
Se eu fosse um objeto seria…FACA, por sua versatilidade.
Se eu fosse uma roupa seria… MEIAS, pela proteção discreta.
Se eu fosse uma parte do corpo seria… CABEÇA, pois comanda o resto.
Se eu fosse uma expressão seria… ASSOMBRO, pois há tanto a conhecer.
Se eu fosse um desenho animado seria… KIKA, para saber "de onde vem" tudo.
Se eu fosse um filme seria… DOCUMENTÁRIO, por sua parcela verídica.
Se eu fosse uma forma seria…TRIÂNGULO, pela raridade.
Se eu fosse uma estação seria… PRIMAVERA, pela renovação.
Se eu fosse uma frase seria… " NÃO DÁ TEMPO", pela loucura do século XXI.
Gostaria que você também aceitasse o convite da Lúcia (aproveite para conhecer esta mineirinha).
Fonte da imagem: http://www.animesuasmensagens.net

5.4.13

deus existe

Escrevi estrategicamente com "d" minúsculo por se tratar do deus "vivo" Kim II-Sung, governando a metade norte da Península Coreana mesmo após a morte, e como todo deus, é onipotente e onisciente.
O que acontece agora às crianças ao norte desse famoso paralelo 38? Nas escolas voltadas aos turistas, crianças-prodígio apresentam sorriso falso, inclusive durante as dores causadas pelas danças coreografadas exaustivamente. 
Segundo entrevista de Arnaldo Carrilho, ex embaixador brasileiro na República Popular Democrática da Coreia: http://www.cafenapolitica.com/develop/?p=7125 , muitos estão sim, passando fome.
A ração de inverno (na metade do ano) se concentra sobretudo em folhas de acelga “empanando” nabo azedo. O "pão" é o repolho, quem mora próximo à praia tem o privilégio de colher algas; no interior comem grama e cascas de árvore (?).
A Coreia do Norte novamente encontra-se no epicentro de um conflito com dimensões nucleares, onde as informações costumam ser manipuladas, contudo eles não estão canibalizando criancinhas, são acostumados a passar fome. 
Apenas 16% do território é agricultável, descontando-se ainda um inverno rigoroso na metade do ano. As sanções impedem que o país importe alimentos da China e Rússia como costumeiramente fazia.
A América do Norte faz uso deste estratagema como forma de intimidação (exemplo de Cuba). Possivelmente, se interessa tanto por esta "terrinha" devido às suas fronteiras com a China  do noroeste (mais industrializada) e a Rússia (extremo leste siberiano).
O próprio embaixador adquiria arroz, batata e pão na China, visto que a situação alimentar é gravíssima, mesmo com alta tecnologia, investindo inclusive em nanotecnologia para cultivo de arroz (os turistas viram tração animal, agricultura arcaica). 
A população é altamente mobilizada em favor do regime ditatorial (robôs), doutrinada desde a infância. As empregadas domésticas em casa dos embaixadores sabem manusear fuzis militares, e todos se unem numa causa militar-social, com mais intensidade nestas épocas de crise. 
A política focada no poderio militar tem por lema “tudo para os militares”, “os militares em primeiro lugar”, o que significa que são as pessoas melhor remuneradas, melhor cuidadas e alimentadas do país (elite de semideuses). 
Os Campos de Concentração para opositores (e seus descendentes) do regime comunista e outras medidas drásticas, fazem com que haja sérias violações de direitos humanos, impondo legitimidade às sanções. Claro que o regime nega, até mesmo para os seus.
Fuga do Campo 14 - a Dramática Jornada de Um Prisioneiro da Coreia do Norte Rumo À Liberdade
Fonte: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/4054111/fuga-do-campo-14-a-dramatica-jornada-de-um-prisioneiro-da-coreia-do-norte-rumo-a-liberdade
Os líderes supremos são endeusados e há monumentos por toda parte para reverenciá-los. 
Os japoneses são odiados devido à época em que colonizaram a península com tirania. As moças coreanas serviam de “mulheres de conforto” para os militares japoneses, que ao engravidá-las, as esfaqueavam com a baioneta. 
Na visão norte coreana, a parte sul está invadida pelos americanos desde o final da segunda grande guerra (o que não deixa de ser verdade). Para o grupo do sul, o norte é um lugar atrasado, mas ainda é parte de seu país. 
Nenhuma das duas metades reconhece a outra como um pais, e ensinam às crianças na escola, que a Coreia se consiste em toda a península.
O armistício nunca foi assinado, devido principalmente a este fato. O norte se vê em beligerância com os americanos e não com o sul.
Fato é que este povo já tem seus próprios problemas, não necessitando acréscimo norte-americano.
Para turistas (que pagam caro) tudo é maquiado: comida farta, gestos e falas ensaiados, locais escolhidos a dedo. Obediência, disciplina, cortina de medo, fantoches num teatro de conformismo ou ignorância?
Mas nas entrelinhas vê-se ruas sem carros, privilégios à elite (heróis envoltos em medalhas), quietude, falta de aglomerações, seres apáticos, sem margem à criatividade ou improviso.
Não há moradores de rua (Estão nos campos de concentração?). Mães exemplares, a favor do regime, recebem condecorações. O metrô quase vazio se assemelha a um bunker.
Em meio a tanta nebulosidade, pesquise mais e tire suas próprias conclusões.
Leia o livro aqui: http://pt.scribd.com/search?query=fuga+do+campo+14

Pacto pela alfabetização

O que aprendemos neste curso do MEC, direcionado a todo o Brasil?
Imagem: pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
Os direitos de aprendizagem no ciclo de alfabetização em Língua Portuguesa, têm por finalidade, desenvolver plenamente os educandos, sendo então a escolaridade obrigatória às crianças a partir dos seis anos de idade, para que participem ativamente das esferas sociais, priorizando a leitura e a escrita. 
Direitos de aprendizagem gerais, e conhecimentos e capacidades específicas, compreendem leitura, produção textual escrita, oralidade e análise linguística. 
A progressão de conhecimentos segue as fases de introdução, aprofundamento e consolidação das aprendizagens, sendo necessário, por vezes, mais de um ano letivo para consolidar-se todo o processo, ou até mesmo a vida toda, conforme o caso. 
É importante atentar para os conhecimentos prévios, interesses e modos de lidar com os saberes trazidos pelo grupo de alunos, socializando-os. 
Em todos os anos de escolarização, as crianças devem ler, produzir e refletir sobre textos de diferentes esferas sociais e interlocução, atentando para valores e atitudes não discriminatórios. 
Os textos considerados prioritários no ciclo de alfabetização são os literários, focando fenômenos de fruição estética, imaginação e lirismo; textos acadêmicos que levem à reflexão e discussão; e textos midiáticos, onde se discute temas sociais relevantes. 
Ao final do processo, o que se espera é que a criança consiga compreender e produzir textos orais e escritos de diferentes gêneros, veiculados em suportes textuais diversos, atendendo a propósitos comunicativos variados, considerando as condições em que os discursos são criados e recebidos. 
A leitura deve progredir, partindo do auxílio de um ledor, até atingir-se a autonomia, assim como a escrita, que deve partir do apoio de um escriba até alcançar o domínio do Sistema de Escrita Alfabética. 
A oralidade deve envolver interações sociais, escuta atenta, intervenções, produção oral para destino escrito, com pertinência e consistência, relacionando fala e escrita, valorizando a diversidade linguística, diferenças culturais e tradição oral. 
A Análise Linguística deve contemplar discursividade, textualidade e normatividade, enquanto paralelamente ocorre a apropriação do Sistema de Escrita Alfabética. Eis, então, o que leva os professores a alfabetizar letrando.