26.5.13

Blanche XXVI

*  Aqui  terá o conto completo!

No tremulante arruado rural, o terceiro e último estabelecimento embarafustado adiante, também emoldurado pelo enovelado regato chorão, é a recém inaugurada (e necessária) alfaiataria.
É patrimônio de uma polida família negra: O letrado e milimetricamente minucioso Benhur, de porte diminuto, semblante pesado, palavras cativantes e o hábito de calcar o lábio inferior com os dentes incisivos laterais, alternadamente.
Sua irmã Shoe, ainda encantadora quadragenária, de esverdeados olhares agateados, descendo ao colo em recato,  solteirona e deficiente auditiva, coabita esgazeadamente junto a eles.
Encarrega-se dos afazeres domésticos e auxilia a cunhada na criação dos meninos Rick e Hírax. Em cada momento vago, dirige-se ao atelier e arremata as peças mais delicadas, com miudinha perfeição transcendental.
Sua comunicação gutural e gesticular, moldada ao abrandamento, não escandaliza e rapidamente se faz espontânea e de fácil entendimento, personalíssima ao interlocutor.
A esmerada e complacente Ingrid, esposa de Benhur, costureira e professora destas artes, altamente subordinada ao nevrálgico olhar marital, tem altura mediana, excessiva magreza, feito um capim panasco.
Grata demasiadamente pelo exponencial apoio da altiva Shoe, se ampara nela quando o esposo, alterado pelo secreto vício à bebida artesanal fermentada (alcoólica), invade sua oceânica alma.
Ingrid nunca reclama, nunca diz maledicências, sorri encolhidamente, mas sorri sempre. Desfrutou infância difícil e rende graças pela existência  privilegiada que alcançou, apesar da consumição.
A alfaiataria comercializa tecidos e aviamentos com audácia mercantilista. Um avultado devaneio para as mulheres roceiras, que nem sempre o concretizam, espionando ao longe, e desertando subjugadas à falta de numerário.
Blanche procedeu ao escambo de um suave vestido, por um airoso e amplo tapete para a alfaiataria. Os modelos são fulcrais: blusinhas em mangas longas, acinturadas, e as saias fartas, ansiando em varrer o pavimento. 
As cores escuras são favoritas, devido à complicação na lavagem de roupas à mão, naquelas tingidas terras secas. Um tom escuro de verde, com tímidas e esparsas florzinhas do campo, foi o tecido eleito.
As provas de roupas são diversas e extenuantes: tudo é detalhado, refeito, ajustado. O fato de Blanche comparecer escassamente àquele arruamento, faz com que alguns estágios necessitem ser galgados.
Enfim, aprontado... comporá um harmonioso par com as nupérrimas botinas. A garota, enviesando um sorriso, anseia que Eric fique visivelmente surpreendido, e cada vez mais a contemple em plena e sedutora mulher feita.
A flecha ervada desferida contra Eric, à maneira indígena, escaramuçando e debulhando seu coração, envenena-o um golezinho mais, no lastro amoroso.

25.5.13

Mão na Roda

Recebi um e-mail sobre o meu trabalho no período da tarde, então explico: ajudo na firma de usinagem do "Par", ao lado de casa.
Fazemos trabalhos em tornearia, soldas diversas, serviços de fresa, plaina, reparos em peças automotivas e sobretudo recuperamos rodas.
Você já ralou aquela linda roda de liga leve na guia, ao estacionar? Nós refazemos a pintura, diamantamos novamente, deixamos nova.
Não é propaganda, pois o "Fiotão (devido à engenharia) não trabalha mais aqui, e não damos conta do serviço.
Eu e o "Par" (só com os funcionários) não pensamos em ampliar a empresa, pelo menos enquanto o filho estiver fora.
Caímos na "burrada" de "confeccionar" um único bebê, agora estamos desfalcados de administradores e afins.
O marido já é aposentado, e eu jamais penso em deixar de ser professora. Trabalhar por conta, requer presença constante: "Só os olhos dos donos engordam o gado".
Quase não viajamos, somente fazemos passeios próximos aos finais de semana e feriados, pois a oficina não fecha. Muita coisa aqui, apenas o "Par" sabe fazer / resolver.
Meu canto do leste paulista ainda é calmo. Tenho medo, quando visito as cidades de Campinas e sobretudo São Paulo, pois não estamos acostumados a andar sobressaltados, olhando para trás, e até prefiro me aventurar aqui pelas redondezas.

Estas rodas eram prateadas. Costumizadas, ficaram branco e lilás.
 Cor hiper-prata (degraée: clareia e escurece). 
 Diamantação na face - brilho.
 Eu que encaixei os enfeites ("parafusinhos"). Nós pintamos em branco e diamantamos.
 Cor "cromo" (com montagem e balanceamento).
 Prontas "para outra ralada".
 Não trabalhamos só com coisas bonitas. Nesta roda de trator, será preciso trocar o centro. 
 Exagero: aro 26' . Tivemos que abrir um pouco o centro, vai para uma caminhonete.
 Milagre não fazemos - sucata.
 Ralada na face, será repintada.
 Pintura danificada - já entrou no "pronto-socorro". 

20.5.13

Cambuquira

Ontem, no sítio, fui caminhar cedinho e trouxe cambuquira de abóbora (também há de chuchu).
Para o almoço, lavei bem, piquei miúdo e refoguei com alho e um "tiquin" de gordura de porco. Acrescentei água para cozer e um tomate picado.
Há quem diga que a gordura de porco caipira (e orgânico) faz menos mal a nós e principalmente ao Planeta, que a soja (sempre transgênica). O sabor é inigualável!
Trangenia é a aceleração exacerbada de um melhoramento genético, que o homem, artesanalmente, levaria até milhares de anos para completar, dando tempo para a natureza se acostumar à mudança.
Cambuquira? São os brotinhos da abobreira: com os talos, flores, folhinhas, botões e até abobrinhas minúsculas.
Ato contínuo, fiz quatro omeletes fininhas, recheei com a cambuquira e enrolei (como panqueca). Servi com arroz feito com cubinhos de cenoura.
Complementei com docinho de bananas morninho e suco de limão cavalo, com água da serra, sem a máfia da controversa "aguinha mineral engarrafada" (E  existe água não mineral?).  
Nesta região serrana, a água de torneira é boa, meu irmão trata água (na Sabesp) a 15 anos, e confio na opinião dele.
E foi assim, a comida roceira simples, saudável e econômica, degustada ao sopé da Serra da Mantiqueira. Hoje devorei o restinho...

Fonte: http://www.cidadaonet.com.br/?pg=ceva-conteudo&id=7713

19.5.13

Sutianzada

É um evento anual que ocorre aqui, onde um grupo de mulheres sai pelas estradinhas rurais, a cavalo.
Neste ano, pelas contas dos primos, foram 68 amazonas, mais um grupo que sempre vai em pau de arara: bancos amarrados na carroceria do caminhão, cheios de madames.
Juntando uns 20 homens que foram de apoio, totalizou cerca de 100 pessoas. O evento iniciou-se ontem e terminou nesta tarde.
No percurso deste ano, as "sutianzudas" subiram ontem até o Mamonal (onde estive), almoçaram na vendinha do primo Luis, desceram até o bairro rural denominado "Óleo", onde deixaram os cavalos (dizem que alguns são caríssimos).
Dois ônibus as levaram a um hotel em Poços de Caldas - MG. Nesta manhã (não tão manhã assim) elas retornaram e almoçaram numa chácara aqui perto da Cidade.
Quando cheguei ontem ao sítio, a prima estava terminando de arrumar a bagunça remanescente do almoço. Segundo a prima, havia "sutianzuda" de Fortaleza (que vem sempre), de Cuiabá, de estados como S. Catarina e Paraná. Um dos cavalos veio de avião até São Paulo.
Consta que algumas "amazonas" não sabem cavalgar, nunca haviam montado: precisavam de apoio para apear e montar no animal.
Os primos são tão rústicos, que falam tudo com R (como os espanhóis): armoço, vorta, Gerarda, borsa. Para essas mulheres urbanas, deve ser o cúmulo do exotismo.
Hoje, quando eu e o "Par" descíamos a serra, topamos com parte delas também descendo. A sogra de meu filho estava no caminhão.
Ontem à noite, invejamos as "sutianzudas" e fizemos uma "carcinhada" no sítio de uma das primas. Nós éramos em 11 "carçudas" casadas, mais os dois homens da casa, três garotas adolescentes e cinco meninos.
A sutianzada custou R$ 390,00  "por cabeça", e a insultuosa "carcinhada" custou R$ 7,00 (com sobremesa).
Eu amei estar sozinha em meio a 21 pessoas rurais. Ali eu encontro subsídios para construir a meu conto.
Uma prosa agradável, uma volta às raízes, falavam de suas hortas, dos queijos que fazem, dos animais que criam, de como fazer sabão de cinzas, de nossos antepassados.
A prima foi na frente para cozinhar, eu fui à noite com três dos garotos. Me esqueci que havia trancado a porteira e tivemos que trepar   pular sobre ela.
Fomos pela estradinha, iluminados por uma lua rala, vestida de nuvens, quase apagada.

Calma, que também há a cuecada. Neste evento, nem mulher no apoio é permitido.

O dono deste cavalo está ali na vendinha, "mamando".
 Cavaleiros voltando à cidade (outro grupo).
 Vai amanhecer. Ó meu quartinho aceso, nos fundos do casarão, com a bela parede furadinha!
 Aí na venda, os priminhos da roça, que me levaram à "carcinhada".
 Nosso pasto, com um coqueiro jerivá.

12.5.13

Achei a casinha "dugout "!

A Beira do Riacho
Fonte: http://www.skoob.com.br/livro/33284-a-beira-do-riacho
No livro 4: "À beira do riacho" da belíssima coleção "Uma casa na pradaria", a autora Laura, à qual sou fã da época de adolescência, cita a época em que o pai comprou um pequeno sítio de um norueguês solteirão.
Eis a descrição do tal estrangeiro:"Tinha cabelo amarelo-claro, cara redonda e vermelha como a de um índio e olhos tão claros que dava a impressão de ter havido um erro qualquer."
O homem morava numa cabana escavada no barranco, coisa atípica na região centro-norte americana, que fez a menina ser ridicularizada na escola quando se mudou para lá. 
Veja na ilustração, a mãe passando roupas, enquanto a garota salta por sobre a casinha, com seu fiel cãozinho! 
Algumas fontes citam que a casa não existiu de verdade, todavia a Wilqui acaba de me provar que é possivelmente verídica.
Olha a foto que ela tirou nas proximidades da pequena vila em que reside na Noruega... gente, é a mesma casinha!
O norueguês a reproduziiu nos Estados Unidos, tal qual a tinha em seu antigo país.
Isso pode parecer uma bobagem, mas significa muito para mim. Foi grande a emoção em ver a foto. Pessoas moravam assim no séc. IXX.
É um bom abrigo contra a neve do inverno, que cai em ambos locais. No interior, havia uma chaminé para expelir a fumaça do fogão, e despontava no solo superior.
Eis agora, a descrição da tal casa:
"O carreiro (trilha - é português de Portugal) terminava num lugar mais largo e plano, onde virava e descia para o ribeiro, em degraus. Foi então que Laura viu a porta, que erguia-se no aterro relvoso, no ponto onde o carreiro virava. Era como a porta de uma casa, mas o que ficava atrás dela estava debaixo do chão."
http://veja.abril.com.br/blog/temporadas/tag/os-pioneiros/
Você já leu esta deliciosa coleção ou assistiu ao seriado de TV na adolescência? Está quase toda em e-book.
Esta é a casinha dogout que ainda hoje existe e a Wilqui fotografou... gostaria tanto de fotos do seu interior"! Será que há mesmo a chaminé? Como será o fogãozinho? Será que a porta ainda está presa ao portal? Como será a lateral e os fundos?
Fonte: http://wilquidias.blogspot.com.br/

Matriarca

No dia das mães, nada melhor que homenagear a mãe das mães: minha avó tem noventa anos e ainda está lúcida.
O "Fiotão" é seu bisneto mais velho: 27 anos. Ela já tem um trineto de 8 anos (popularmente dito como tataraneto).
Nesta foto, está na porta da cozinha, na casa da serra que ela tanto ama.
Nesta foto, está com a Maria, sua filha vaidosa igual a ela. A avó usa dois potes de creme no rosto todo mês; fica uma hora em frente ao espelho toda manhã. Eu não puxei nadica... 

Vó Nina teve sete filhas e um filho.
Hoje nos reunimos na casa dela para um churrasco. A turma ainda está lá.
Esta é sua filha mais velha, Corina; apenas 18 anos mais nova que ela: minha mãe. 

No ano passado, trabalhei a imagem abaixo, no calendário de maio com as crianças. Há doçura maior?
Fonte: http://bobodacorte.com.br/2012/05/13/dia-das-maes/
Sereno restinho de dia das mães para todas vocês!

11.5.13

Secura no leste paulista

Neste ano, a chuva estendeu-se atipicamente até meados de abril, todavia agora, em pleno outono, ela escasseou de vez.
Março foi um mês com cara de janeiro: úmido e fresquinho. Em maio fez mais calor que abril, contudo na última terça-feira chuviscou de madrugada.
Agora temos temperatura média própria à estação: gelado de manhãzinha e à noite, quente à tarde.
Até meados de setembro, a pele ficará um horror. Minhas canelas começaram a se coçar no meio da semana e somente untando em creme hidratante, abrandou.
Agora é a vez dos pulsos: vamos besuntar, senão eu coço até verter sangue. Os calcanhares também necessitarão de cuidados extras.
Eu uso meias constantemente e em duas noites por semana, passo bastante vaselina nos calcanhares, caso contrário, em fim de agosto podem partir a pele.
Quanto às crianças, vão assim à Escola:
É comum até mesmo os adultos usarem blusão enorme, bermuda e sandálias, sendo que os pés é que necessitam de mais proteção!
Esta usa casaco pesado sobre alcinhas e fica neste tira-põe. Mãe sem noção... Eu guardo todas as minhas roupas sem mangas e bermudas. 
Olha o exagerado (está de luvas)!  Isso numa temperatura em torno dos 20 e poucos graus.
Sinto até saudades do verão, quando vão todos iguaizinhos nos uniformes.

Rubem Alves

Capa
Fonte: http://books.google.com.br
Este excelente escritor também se embrenhou pela literatura infantil, assim como seu amigo Carlos Rodrigues Brandão (meu ex professor - PUC).
Guardo a sete chaves o livrinho "Estórias de Bichos" onde há cinco contos. Também colei o "retratinho" do autor na contracapa para demonstrar aos alunos.
Gosto de falar um pouco sobre a UNICAMP (onde ele trabalhou tanto). Quase todas as crianças já ouviram falar nesta renomada Universidade, devido aos tratamentos médicos oferecidos lá. 
Eu gosto de contar cada história em duas partes (dois dias seguidos), pois há vocábulos e temas complexos. 
Veja um trecho de "O pintassilgo e as Rãs":
"De um ponto de vista filosófico, faltava rigor ao discurso do pássaro, pois ele mais se aproxima da poesia que da ciência".
"De um ponto de vista ideológico, tratava-se de um discurso alienado, no qual não se fazia nem mesmo uma análise crítica das condições objetivas da sociedade ranal."
Trata-se de um grupo de rãs confinadas em um buraco, que recebe após muito tempo, a visita de um pássaro.
Ele conta ao "proletariado", sobre a vida lá fora. O grupo dominante simplesmente o mata e empalha para expor num museu (servirá de exemplo).
Certa vez, numa visita escolar ao museu, um aluninho questiona a professora rã:
_ E não seria melhor voar?

De acordo com cada faixa etária, rende um debate áureo; voemos com nossos pequenos, para que na vida adulta eles tenham asas! 

Fim de um longo ciclo

Fonte: http://www.dormiu.com.br/imagens/a-vovo-tirou-o-dia-para-fazer-faxina-16007/
Histórico: Gosto da faxina sempre às manhãs de sábado - meio período, pois estou aqui ao lado para qualquer dúvida que surja.
Então, em 2006, quando minha faxineira antiga arrumou emprego fixo, encontrei a Sandra, após um tempo sozinha.
Ela ficou apenas parte do segundo semestre... novamente eu estava "na mão". Consigo ficar de um a dois meses sem ajudante - depois não dou mais conta.
Os dois homens de casa não têm como me ajudar: O "Par" quase fica maluco tocando esta oficina, das 6 h às 18 h.  "Fiotão" trabalha fora e estuda à noite. Sem chance!
No início de 2007, a Néia (irmã de Sandra) me procurou, vinha da roça. Ficou comigo até início de 2010, quando arrumou num restaurante popular aqui no bairro (são todas minhas vizinhas).
A própria Néia treinou a filha da Sandra (Janaína) e sua própria filha (Luana) para a substituírem. Fiquei um ano com as duas mocinhas, quando optei apenas pela Luana.
Ela esteve até hoje comigo: arrumei-lhe emprego para cuidar de minha aluna (à época) como babá, no período da tarde, de segunda à sexta- feira.
Ela fazia o ensino médio de manhã. Tudo encaixadinho. Neste ano, ela passou a fazer um curso à noite e procurava emprego fixo.
Conseguiu numa lojinha aqui perto. Estou feliz (e já com saudades), pois é uma mocinha adorável. 
Ela canta no coral da igreja e as pessoas se emocionam a ponto de chorar, de  tão lindo.
Luana  tem um pouquinho de dificuldade em raciocínio lógico- matemático, assim como os irmãos. Todos estudaram na escola onde trabalho.
A mãe tem um filho moço, a Luana e mais duas garotas. A terceira menina (de 16 anos) passou a ocupar o cargo de babá.
A caçula, de 13 anos, irá cuidar da casa de manhã, pois estuda à tarde. E eu vou tentar com a senhora que trabalha aqui na vizinha ao lado.
Fui eu que arrumei a faxineira para a vizinha, esta senhora mora na rua de cima desde que me mudei para cá, em 1988.  
Este é o fim da saga destas quatro mulheres que muito me ajudaram, e que durou quase sete anos. Vida nova, apesar do aperto no coração!
A posteriori:  A Janaína, filha de Sandra, veio! Ficará com a vaga da prima. Afinal, tudo continua...Eba!

7.5.13

Abacate


Acabo de receber lindos e imensos abacates: seis! Eu os guardo em geladeira para não amadurecerem todos juntos, vou deixando um a um na fruteira.
O "Par" come um pedaço in natura toda manhã. Eu também gosto de levar à escola, para comer durante o recreio. É bem energético e sustenta até o almoço.
Quem me doou foi o tio Anísio: marido da irmã de meu pai. Ele tem uma pequena chácara aqui perto e sabe que gosto, então me fez este carinho.
A fruta é rica em magnésio (metaboliza a glicose e nutre os nervos e o cérebro), cálcio, ferro, fósforo (melhora o raciocínio), potássio (pressão arterial).
Faz bem ao coração devido à gordura monoinsaturada, também combate diabetes, colesterol (aumenta o HDL, que protege as artérias) e reumatismo. 
Contém o antioxidante glutationa e vitaminas A (visão), B1, B2 (ajuda a absorver carboidratos), E (fertilidade), K (formação dos cabelos).
Também contém açúcar, fitosterol (reduz o colesterol), lecitina (proteína que protege as células contra o câncer), tanino (sequestra radicais livres).
Tem ácidos oleico (filtra o colesterol ruim), linoleico (ômega 6), palmítico (usado em cosméticos).
Ajuda a reduzir a taxa de colesterol e pressão sanguínea; age contra prisão de ventre e perturbações digestivas.
É anti inflamatório; desintoxica o fígado; reduz fadiga mental; protege ossos e dentes; dá disposição; fortalece o sistema imunológico e ameniza doenças de pele (em emplasto).
Batido no liquidificador com água, torna-se uma ótima máscara para o rosto e restaura cabelos judiados. Basta aplicar e deixar uma hora.
Há inúmeros abacateiros nesta região e passarão 6 meses frutificando. São resistentes no pé, colhemos verdes e em poucos dias perdem o brilho e amadurecem. 
Nem precisa comprar, é abundante mesmo, sendo que na feira livre custam em torno de R$1,00 cada, ou três por R$2,00. Acessíveis a qualquer pessoa.

6.5.13

Organização e Planejamento

Fonte: http://www.alessandrarigazzo.com/2011/10/organizacao-por-onde-comecar.html
Iniciei meu trabalho numa escola no ano de 1992, desde então nunca mais parei de trabalhar com crianças e / ou famílias.
Através de observações constantes, pude confirmar uma constatação já antiga: o que faz uma família viver de forma minimamente digna, e criar os filhos com mais possibilidades de ascensão social no futuro, mesmo com renda próxima a outras é a capacidade de planejar e organizar-se.
Planejamento e organização são portanto, dois conteúdos matemáticos importantíssimos, a serem desenvolvidos com as crianças desda a creche, em atividades lúdicas. 
A organização têmporoespacial, a rotina preestabelecida, a esquematização (mesmo que mentalmente) de tarefas a serem cumpridas ou problemas a serem resolvidos, por graus de urgência ou importância, podem levar ao sucesso ou fracasso de uma empreitada.
Nas famílias desorganizadas, as crianças geralmente apresentam um rendimento escolar menor, pois tais conteúdos matemáticos são construídos, não são inatos, e pais desorganizados formam filhos desorganizados (se a escola não conseguir remediar). 
Quando se dizia que os homens são melhores em matemática que as mulheres, não se levava em conta esses dois quesitos interligados. Mulher pode ser ótima em matemática, prova disso é que muitas são arrimos de família e sustentam a casa com um salário mínimo. 
Uma atividade concreta simples que auxilia na aquisição destes conteúdos e pode ser feita também em casa, numa brincadeira, é o que denominamos "Organizando o Caos".
Pega-se uma quantidade razoável de sucata (tampinhas, embalagens diversas e afins) e distribui-se nos grupos ou duplas para que organizem.
De início não se deve estabelecer critérios de organização, para que novas possibilidades surjam. O mais comum é que arrumem por cores, então, com o passar do tempo, este critério deve ser eliminado para  permitir outras possibilidades.
Nesta brincadeira é possível trabalhar classificação, seriação, correspondência biunívoca, sequência lógica e recursiva, grandezas e medidas (quantificação, tamanho, vocabulário fundamental), espaço e forma (geometria, pontos de referência e posição).
Então vale a pena mandar a criança para a creche, apesar de que antes dos dois anos de idade, há risco de contaminação nos berçários (vírus, bactérias, fungos), e consequente uso de antibióticos em excesso.

5.5.13

Panquecas

Acordei às 5 h para caminhar e pedi ao "Par" o percurso do pastinho: lá eu peguei ramas de melissa e flores de manjericão (ervas).
Após tomar café e passar roupas, fiz uma massa de panquecas com as ervas, assim: coloquei 3 ovos, 1 copo pequeno de leite integral, 1 pitada de sal, 1 xícara de óleo (para a massa não ficar rija), folhas e brotos de melissa e flores de manjericão. Liquidifiquei e acrescentei um copo de água. Bati mais e fui acrescentando farinha até ficar em ponto mole, viscoso.
Fritei todas as massas em frigideira antiaderente, misturei a carne moída que já tinha pronta, com um sachê de molho de tomates (almoço de amanhã garantido também).
Recheei bem e montei na forma. Deixei um restinho da carne, misturei mais meio sachê e fiz a cobertura com molho e fatias de mussarela. Servirei com arroz branco e salada ("Fiotão" e a namorada, comem puro).
O pote acima estava repleto de carne moída já pronta, músculo sequinho e congelado. 

Adeus, última polpa de goiabas congelada...  é da safra do sítio (peguei na sexta-feira santa) virará suco!

Abaixo, melissa (com duas florzinhas roxas); acima, manjericão com flores. Irão se desidratar à sombra.

As 15 panquecas montadas (massa ervada).

Já com molho de tomates pronto (com um pouquinho de carne moída).

Pronta para gratinar. Depois, é só degustar.

Um imenso pé de "nona" (pinha) no vaso. Esqueci de levá-lo ao sítio. Plantei as flores secas de manjericão ali.

Um pé de melancia no mesmo vaso... o que fazer?

Também esqueci de levar o maracujá para transplantar na roça, podei várias vezes. Aí tem goiabeira e limoeiro (sou eu querendo trazer o sítio pro quintal).

Pé de pitanga rodeado por melissas. Essa pitanga vai morar aí prá sempre - é nativa nessa região, como a goiaba e a jabuticaba (pegam facin, facin, e a melissa também - é só fincar a rama).
À noite, após a caminhada, farei um chá de melissa com capim cidreira desidratado e canela. Faço bastante e conservo em geladeira.

4.5.13

Abate de animais

Passei o feriado no sítio, onde pela manhã, todos os primos trabalharam normalmente (não é dia santo). ficamos sós: eu e o "Par".
Ato contínuo, a priminha de 12 anos avisou que haveria o abate de um porco imenso, mais à tarde. Fui criada na roça até os 13 anos, convivi com isso, tenho prática.
Aguardei para reviver minha infância: sempre tive pena, contudo sempre encarei com naturalidade também. Criávamos os pintinhos com tanto amor, e ao virarem frangos, os comíamos (ainda comemos os frangos do sítio, contudo os primos é que cuidam deles).
A diferença de um açougue, é que o respeito à cria ainda é enorme nesses abates: aproveita-se tudo, até o sangue, que vira uma iguaria chamada chouriço (ele é bem temperado e embutido numa tripa - igual linguiça).
Eles abatem seus animais para consumo próprio, fazem linguiça, torresmo, feijoada e separam as partes da carne para congelar no freezer -subsistência. 
É costume que os moradores dos sítios vizinhos recebam, numa baciinha, partes de várias peças: carne, miúdos, pele. Quando ocorrer com eles, a paga será feita da mesma maneira - costume ancestral.
Quase 15 h e começam a chegar os ajudantes: a família do primo de outro sítio, e um amigo com  bastante prática na peleja.
Foram os homens ao chiqueiro pegar o "penitente". Era um porcão de granja, todo rosadinho, gorducho e ingênuo, que veio docilmente puxado por uma cordinha.
Em local próprio, o primo do outro sítio atirou-lhe na cabeça com uma cartucheira. Eu resisti firme diante da cena; o "Par" ficou "alongado" no nosso "puxadinho".
Foram gritos horrendos e outro tiro. Não caiu. Grande demais. O terceiro tiro o desmaiou, todavia ficou estrebuchando.
O amigo experiente, com uma faca medonha, abri-lhe um rasgo na axila, para atingir o coração. Fiquei calma. O sangue jorrou e escorreu a litros (usam o sangue interno para o chouriço).  
Dois tachos de água fervente estavam ao fogo. Foram deitando a água e depilando o bicho. A partir daí evadi-me, era hora de descer a serra.
Esposo, ao ir lá se despedir, encomendou dois kg de linguiça. Será que conseguirei comê-las? 
Neste instante, acabei de almoçar um pedaço de frango (comprado em mercado), e de manhã, comprei fatias de presunto na padaria. Por que nesses casos não nos incomodamos?
Almocei também uma salada de alface. O pé de alface é um bebê que "abatemos" para comer. Quando ele chega à puberdade, solta um pendão que será a inflorescência, e posteriormente terá sementes.
Não dá mais para aproveitar a alface quando ela chega à puberdade... comi um bebezinho vegetal! Será que por sermos animais, fazemos esta hierarquia, achando que a vida do porco é mais vida que a vida da alface?
Será que os vegetarianos são ingênuos ou hierárquicos? Será por isso que os veganos são tão restritivos?
Tive que colocar tudo isso no post, estas caraminholas estavam em minha cabeça desde quarta-feira. 
Alface na "puberdade". Fonte: http://www.deverdecasa.com/2010/10/alface-em-flor.html
leiam todo o post e comentários sobre a vida da alface.
Fonte da imagem: http://escavar-em-ruinas.blogs.sapo.pt/58418.html
leiam o post relacionado acima.  Permaneci com a máquina na mão
e não tive coragem de tirar uma foto sequer. Isso já seria demais...

Semana do trabalhador

Fonte: http://www.baixaki.com.br
Utilizei o tema "trabalho" em minhas aulas com os pequenos. Neste ano, a turma é composta principalmente por famílias de baixa renda e com predominância do sub emprego.
Tenho apenas um aluno filho de micro empresário: coincidência ou não, é de longe a criança com mais facilidade de aprendizagem, e me ajuda muito, orientando os coleguinhas.
Elenquei o trabalho no comércio, e diversos entes familiares dos miúdos atuam em supermercados e outros pequenos estabelecimentos.
As empregadas domésticas, que a mais de vinte anos, quando comecei a trabalhar com crianças, era uma constante, estão em extinção.
Para a mulher pouco escolarizada do leste paulista, temos as profissões de faxineira diarista, manicure / cabeleireira / esteticista, trabalhadora do comércio, faxineira mensalista (em empresas terceirizadas), operária.
As empresas terceirizadas assumiram os cargos antigamente públicos, de servente de escola, faxineira em repartições públicas diversas, e também em empresas privadas. 
O salário mínimo e uma cestinha básica destas trabalhadoras, estão um pouco aquém ao salário e muito  aquém aos benefícios de um funcionário público.
O emprego na terceirização da limpeza também fica aquém ao piso salarial empresarial, com seus benefícios (plano de saúde, por exemplo).
Quanto à mulher operária, ela está assumindo cada vez mais os cargos anteriormente masculinos. Passam pela rua, de moto, com uniforme "unissex", sapatão de segurança e outros equipamentos.
No distrito industrial temos montadoras, operadoras de máquinas e afins. As mulheres "soldadoras" estão inclusive sendo preferidas aos homens, em muitas empresas.
Temos aqui uma unidade do SENAI, onde o "Fiotão" foi instrutor. Ele deu aulas de torno, solda, desenho mecânico, manutenção de máquinas, e outros. Havia turmas exclusivamente femininas.
Quanto ao desemprego, que abordei na "resolução de problemas", pelas respostas da turma, notei que a mudança de trabalho é constante entre os familiares: se for despedido, arruma outro e pronto!
Um garotinho até sugeriu pegar dinheiro do governo, quando desempregado. O sub emprego tem lá suas vantagens: o pessoal não se preocupa muito com a manutenção do cargo.   
Pelo fato do tema ser abordado em todas as classes da Escola, quando eu passie pelo pátio, o filho de um funcionário aqui da oficina disse ao colega:
_ Essa tia é a chefe do meu pai, lá na "Mão na Roda".
O que prontamente respondi:
_ Oi, J.V.! (risadinhas entre eles).

3.5.13

Blanche - XXIII

*  Aqui  terá o conto completo!

Também para as prestimosas damas com seus olhos cuidadosos no importante auxílio infantil, a rotina semanal é bem demarcada na comunidade Riolama, após a introspecção e encalacrado repouso dominical. 
Às segundas e quintas-feiras, com a madrugada empurrando o dia, lavora-se com toda a roupagem: Lavar, ferver, passar, engomar, coser, cerzir, remendar, tingir, fiar, tecer. Os coloridos varais balançando-se ao vento, gritam a paisagem.
Às terças e sextas-feiras, a incumbência é com a vivenda: faxinar, repor o (indispensável) estoque de lenha, fazer reparos, confeccionar cestaria, utensílios em terracota, ornatos, manter a horta, jardim e pomar. As crianças tagarelas seguem enfileiradas morro abaixo, cada qual com seu despenteado feixinho de lenhas à cabeça.
As quartas-feiras são reservadas para deliciosos trabalhos ocasionais: pescar e salgar, abater animais e ocupar-se da carne: defumar, preparar embutidos, acondicionar em recipientes de terracota, selados com gordura, fritar torresmos. O aroma viaja denunciante.
Também às quartas, manufaturar sabão e açúcar mascavo, preparar compotas com frutas de época (silvestres ou cultivadas), deixar as passas secando ao sol, montar réstias de legumes e especiarias, desidratar ervas e temperos, preparar picles para o inverno. A criançada afasta as galinhas. 
Os sábados são reservados aos banhos dos entes familiares, o que requer armazenamento extra de água, aquecimento, colheita de flores para aromatização da água (pois o sabão de cinzas é fétido), vestimentas limpas para vestes e para as camas, toalhas rústicas, revezamentos no barril do banho. Um fuá.
Nesta comunidade distante, não se faz quitutes ou pão, pois a farinha de trigo, com seu manancial de lucratividade, ainda não é encontrada. Nem mesmo se planta o arroz para encher a terra de satisfação.
A auto suficiência faz com que adquiram o sal e façam escambos entre si. Guloseimas industrializadas são raramente presenteadas às crianças, e quando ocorrem, chegam trazendo sorrizinhos. 
Utiliza-se os carboidratos da mandioca, do cará (a variedade cará-moela é silvestre), batatas diversas e outros tubérculos, abóboras variadas, inhame, milho, e frutas “carnudas”, como banana da terra e abacate, fartos feito moça cortejada.
As farinhas de alguns desses produtos, são preparadas artesanalmente, para utilização criativa na culinária local: fubá, farinha de mandioca, de cará, amido. Enquanto as mães trabalham, filhos montam em seus movimentos.
O mingau, com o casamento das várias farinhas, às vezes enriquecido com legumes ou passas, é prato trivial, sempre equilibrado no doce ou no sal, servido na refeição matinal ou no lanche de sol a pino. Vem fumaceando no seu quentinho aromático.
Com a aproximação do inverno e constantes geadas (ou até neve de quando em quando), as hortas são desfeitas e legumes armazenados no sótão, para se desidratarem e aturarem o tempo frio. A fragrância leva a um respirar prensado pelo encanto.
Blanche detém receitas repassadas pela avó indígena, utilizando folhas, raízes, frutos e tubérculos coletados nas encostas e pouco conhecidos pela população branca. A sopa vai se acaldando no todo de seu capricho.
Os indígenas somente faziam duas refeições diárias: ao amanhecer e ao anoitecer, porém com a chegada de novas culturas, caminharam nos furtivos que julgavam passageiros e um leve lanche foi adicionado à dieta, bem ao sol a pino.
Nos anos de grande seca, ou de inverno rigoroso, volta-se à aflissurada dieta de duas refeições, inclusive para a população não índia. E nestas acuações crescem um pouco mais dentro de si mesmos.