30.6.13

Comorbidade

http://dearleticia.blogspot.com.br
Este palavrão estranho é o bicho papão dos professores. Deficiência ( defasagem continuada), distúrbio (anomalia), síndrome (sintoma) ou transtorno (perturbação), nem sempre vem sozinho. 
Em muitos alunos, há associações do tipo: TDA/H  (Transtorno do Déficit de Atenção / Hiperatividade) com TDO (Transtorno Desafiador Opositor).
O próprio TDA/H, tão comum, se formos desmembrá-lo em 1-Hiperatividade (agitação corpórea), 2-Impulsividade (agir sem pensar) e 3-Desatenção (devaneio) - que são as suas principais características, já daria margem à comorbidade.
Tanto é, que temos o DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção), já desmembrado por diversos profissionais, do TDA/H. É bastante comórbido com TA (Transtornos de Aprendizagem).
Os casos de TDA/H mais focados na impulsividade, costumam ser os mais comórbidos com TDO (Transtorno Desafiador Opositor) e TUS (Transtorno do Uso de Substâncias - dependentes químicos).
O TDO inclui comportamentos disruptivos, como reação agressiva a tudo e todos, insensibilidade /inculpabilidade  e/ou inclinação voraz ao delito /rompimento de regras.
O TDO pode evoluir para Transtorno de Conduta (delinquência - na adolescência) e Transtorno da Personalidade Antissocial (banditismo - ao atingir a maioridade). Por isso, considero-o gravíssimo ao indivíduo e à comunidade.
O TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada - medos, lentidão física e mental, sono irregular, queixas somáticas), iniciado pelo TAS (Transtorno de Ansiedade de Separação), pode apresentar comorbidade com TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e outros transtornos do espectro ansioso, como Síndrome do Pânico, TD (Transtorno Depressivo) e TT (Transtorno de tiques e Tourette).
O THB (Transtorno de humor bipolar), com seus episódios de explosão, apresenta forte comorbidade com TDA/H e TCS (Transtorno do Ciclo do Sono).
Há autores que consideram parte desdes transtornos como pertencentes a um espectro maior (recheio do bolo), enquanto outros os consideram transtornos independentes.
Outros consideram possível haver a comorbidade de outros transtornos, com TDAH. Há autores que conceituam os   sintomas e sinais, como reativos (mecanismos de defesa ou comportamentos compensatórios) ao TDAH, não implicando  comorbidade em si.
Ufa! "Miséria pouca é bobagem"... haja pedopsiquiatra competente e professor mais competente ainda, para dar conta de tanta complicação.
Isso sem discorrer sobre espectros do autismo, filhos que são fruto do uso de substâncias e outros...

Inquérito

Do blog de uma portuguesa (prefiro não indicar outros blogs, se alguém tomar gosto, é só copiar e colar).

01 - Nome? Cristina mesmo.

02 - Tatuagens? Piercings? Nunca fiz tatuagem; nem meu filho e sua namorada.  Piercings, os indígenas já gostavam. Prefiro o mais natural possível (já temos preocupações demais, trabalho demais, acessórios demais).

03-Afazeres domésticos? Gosto de lavar à máquina e passar a ferro, cozinhar e limpar a cozinha, ajeitar a casa e completar detalhes da faxina. Detesto faxinar sozinha - pago com prazer  a faxineira, e quando ela não pode vir, dou uma "benzida". 

04 - Já foi à África? Nem mesmo do Brasil conheço 20%... Nunca saí daqui.

05 - Já ficou bêbado? Jamais... nem meu pai. O filho, pouquíssimas vezes. Já o "Par", entretanto... ai, ai, ai!

06- Já chorou por alguém? Dosadamente (em conta-gotas). Fui moldada na dura lida da roça, onde se engolia o choro diante das cobras venenosas, vacas bravas, cães raivosos e problemas...

07- Envolveu-se em acidente automobilístico? Nunca seriamente, mas um irmão morreu atropelado (aos 31).

08 - Estilo de se vestir? Gosto de calça preta, calçado fechado preto, meias de todo tipo e sempre, blusas bem alegres, coloridas, delicadas, esvoaçantes, quase sem acessórios ou maquiagem.

9- Música preferida? Gosto do silêncio e sons da natureza. Não gosto de dirigir com música, ler com música, trabalhar com música.

10- Cerveja ou Champanhe? Água de torneira (que aqui é de qualidade), chás e sucos não ácidos.

11 - Metade cheio ou Metade vazio? Adoro ser medíocre, assim passo totalmente desapercebida. Se for perfeita demais, me cobrarão a mínima falha. Se for péssima, cobrarão melhoras, o tempo todo.

12 - Lençóis de cama? Muita estampa e cor, em algodão natural - e enormes. Sou enjoada com lençóis e fronhas.

13- Filmes? Documentários e biográficos, de vida rural e épocas passadas. Quase não vejo filmes, nem TV.

14 - Flores? Flores do campo, as mais selvagens possíveis. Sonho em conhecer a alfazema (lavanda).

15 - Coca-Cola simples ou com gelo? Raramente tomo: gastrite. Prefiro sem pedras de gelo.

16 - Centros de interesse? Leituras, pesquisas na internet, vida rural com a família, tranquilidade, cotidiano, saúde.

17 - Quantas vezes você deixa tocar o telemóvel antes de atender? Não tenho celular por opção, retiro o telefone da tomada aos fins de semana, também por opção. Uma das coisas que mais detesto é falar via fone. Me incomoda, prefiro cara a cara ou por escrito, como aqui.

18 - Quais seus meios de locomoção? A minha moto, sobretudo; caronas no veículo do esposo; caminhadas. Só peguei táxi uma vez (na adolescência, com a avó). Raramente uso ônibus, van ou moto-táxi.

19 - Espero que este ano eu possa? Continuar saudável, sem a mínima dor..., sem grandes problemas, delícia!

20 - Pior sentimento do mundo? Estar vulnerável, impotente, dependente (física ou emocionalmente doente).

21 - Melhor sentimento do mundo? Serenidade.

22 - Sua região de moradia? Situo-me num dos melhores estados brasileiros: São Paulo (nem muito quente, nem muito frio), vida interiorana bucólica, qualidade satisfatória dos serviços públicos (mas necessitamos melhoras), boa oferta de empregos, proximidade de grandes centros (tecnológicos).

23 - Qual o primeiro pensamento ao acordar? Disposição, gostosura, muitíssimo ânimo (sempre às 5 h). 

24- Qual o último pensamento antes de dormir? Desgaste energético, queda no metabolismo, leseira (sempre às 21 h).

25 - Se pudesse ser outra pessoa, quem seria? Eu mesma, apenas seria mais dura com os outros desde novinha (exercitaria muito mais a "cara de mau").

26 - O que você nunca tira? Não ganho em jogos porque não participo, mas procuro a sorte através da organização (não contraio dívidas - detesto).

27 - O que você tem debaixo da cama? Nadíssima, ela é de alvenaria.

28 - O que gostaria de ter estudado? Se tivesse tido oportunidade, seria uma pesquisadora ligada a uma universidade de renome - vivendo dos estudos avançados em qualquer área - paixão! Não há no mundo,  nada mais chique que ter doutorado...

29 - Outra profissão? Se não fosse professora e microempresária, talvez funcionária pública na área administrativa.

30 - Viajar para onde? Primeiro o Brasil, que é imenso... depois o restante da América do Sul (Cadê tempo?).

31 - Qual o livro que estás a ler?  Nenhum. Tenho uns vinte à espera (que peguei na mesa de doações da biblioteca). "Mar Morto" de Jorge Amado, está a quase um mês iniciado e enroscado... desde quando terminei o e-book "Memorial de Maria Moura" de Raquel de Queiroz.  

32 - Característica tua? Pragmatismo, naturalismo, descomplicação.

33 - Decepções que tiveste ao longo da vida? Tenho 48 anos, mas nenhuma tão terrível. Aquelas profissionais e políticas, que todos têm. 

34 - Programas de TV que assistias quando criança? Nenhum. Nem eletricidade eu tinha...  Fui ter rádio a pilha aos 9 anos (não podia ligá-lo, para não gastar as pilhas - que eram do Pai).

35 - Programas de TV que assisto hoje? Quase nenhum. De vez em quando, Luis Nachbin, debates políticos e econômicos, documentários. Prefiro livros, crochê, afazeres domésticos, passeios curtos e computador.

36 - Formas diferentes que me chamam? Cris, Cri, Tina e Tia (para alunos e seus pais). 

37- Comidas Favoritas? Arroz com feijão, qualquer carne pequenina ou ovos, legumes ou verdura refogada (não sou adepta a saladas - são frias). Frutas diversas como sobremesa (e qualquer doce). Não bebo nada  enquanto como...

38 - Lugar em que desejaria estar agora? Aqui mesmo, após ter caminhado e tomado café, nesta manhã domingueira de inverno ( 14 graus de temperatura). Estou no sossego, e sem dor/desconforto algum. Um silêncio na vizinhança, com uma orquestra da passarada.

27.6.13

Amoras

Minha infância foi recheada por estas quatro espécies de amora.
Esta primeira, solta estes cachos a partir de um arbusto em forma de touceira com espinhos, que adora estar à beira de barrancos.
Há uma touceira destas, à borda do caminho que me leva ao sítio. Sempre verifico se há frutos maduros. Não é tão abundante nesta região.
http://www.caldeiraodeplantasmedicinais.com
Esta amora, denominada taiuva, é de uma árvore frondosa e leitosa, também espinhosa. Ao frutificar, deixa o chão forrado delas. Os pássaros fazem a festa.
Existe à beira de pequenas capoeiras. É a que menos gosto, acho enjoativa, pelo leite que contém e pelo sabor doce demais.
http://saudepelasplantas.blogspot.com.br
Esta terceira, é a favorita do bicho da seda (a folha). Se cair na roupa, mancha como tinta. Deliciosíssima, a árvore é de médio porte, com galhos finos e longos, que se curvam na hora da colheita. 
Era a única amoreira não nativa, lá no sítio do vovô.
http://segredodasfolhas.blogspot.com.br
A última sempre foi a mais abundante e minha preferida. Muito parecida ao moranguinho, só que oca.  Havia um amoral delas lá no pastão.
O pé é mais alto que o morangueiro, mede cerca de 70 centímetros, frutifica o ano todo e fica cheia de mamangavas a polinizá-la.
http://www.google.com.br

26.6.13

Blanche XXIX

*  Aqui  terá o conto completo!

O domador de cavalos Dory e sua linda mestiça indígena (Brenda) se casarão provavelmente no próximo biênio, conjuntamente à irmã Criscia e Lucano, que já se vê com o corpo inteirinho feliz. É praxe da região, juntar casais num só conúbio. 
Aguardam ansiosos, a primeira menstruação da mirradinha morena Criscia, de longos cabelos serpenteados e atitudes quase infantis, sem a qual nenhuma púbere nefelibata é consignada ao noivo.
Alguém dentro da agradável e obstinada Brenda diz que viverá asperamente na rude estrebaria, ao passo que a futura cunhada, em graça maior, seguirá para a nova existência, como atendente a abrilhantar o armazém.
As festas de himeneus consistem na celebração religiosa exatamente ao por do sol de sábado, com valor civil. Um animado baile com músicos locais, no anexo da capela, começa quando o escuro traz emoções cortantezinhas.
Não há convidamentos, nem dádivas aos nubentes. Devido à função civil, ao festivo toque da sineta, cada clã obrigatoriamente envia seu principal membro masculino, com ou sem acompanhantes.
Serve-se bebida alcoólica artesanal e alimentos de época: pipocas, castanhas, abóboras (cosidas) com mel. O sacristão Karly vai aguando o recinto, para abrandar a poeirinha causada pelas botinas em terra nua.
Estes casórios são  raras ocasiões de encontro e festejo para os jovens da vila, que vivem em solidão profunda e vazia, quase árida. Jamais perdem a oportunidade, a menos que os malvados pais proíbam... 
Após horas de algazarra, mulheres desgrenhadas dormitam no piso da igreja e homens suados instalam redes no anexo, resfolegam até o primeiro alvejar da aurora; quando se retiram para assumir em pormenores, as tarefas rotineiras.
Alguns casais adolescentes, enamorados, apenas fogem, num silêncio de acordar o mundo, e se "amigam". Burlam todos os trâmites matrimoniais. Habitam a princípio, uma das invulgares cavernas esculpidas por indígenas, feitas camafeus emoldurando interrogações. 
Galgam um espinhoso período em total degredo, subsistindo de caça, pesca, insetos, folhas, raízes e amêndoas de palmeiras. Ao nascimento do pranteado bebê, legitimando a família, vão retornando paulatinamente à comunidade em apelo de paz, onde recebem guarida.
Ariadne, sua irmã Criscia e Brenda, a futura cunhada desta, eram as prestimosas alunas de Ingrid, Juntando-se a algumas mulheres casadas. As três mocinhas valeram-se de seu precioso auxílio para prepararem o artesanal enxoval de casamento da primeira. 
A competente professora, detém a máquina de costura do vilarejo: toda verde, alegre, uma tecnologia; alguém gira a manivela, enquanto ela manobra a peça a costurar. Arcaicamente, as outras mulheres cosem minuciosamente à mão, ponto por ponto. 
Por hora, as aliadas Criscia e Brenda encontram-se sós na idílica empreitada de seus enxovais, devido ao casamento de Ariadne, a mais experiente. Ingrid, perfeccionista, as segue proximamente, com orientações pontuais. 
As roupas “da noite”, introduzidas na vila por Ingrid, consistem em alva blusa manga longa, atada à cintura por fita, e calçola bordada presa sob o joelho, com um orifício circular na região interfemoral, para a drástica perda de virgindade. 
Na manhã seguida às núpcias, em embaraço descomunal, a calçola é exposta ensanguentada à janelinha do puxado (alcova) do novo casal. Caso a operação não se concretize nas primeiras noites ao tálamo, a aflição ataca os ansiosos familiares.
Não há lua de mel, tudo é rotina imediata; a nova vida das noivas em casa de sogros, faz-se ainda mais severa que aquela em solteiras, quando com coraçõezinhos esvaziados. Retribuem a dura paga feita em bens a seus lacônicos pais. 
Somente após o brotar de alguns mirradinhos bebês é que podem apartar cabana, no ansiado de seu viver, adquirindo desafrontada independência.
A venturosa Blanche se aloja em voo na montanha dos caprinos, porém oficialmente, seu lar é a estância da pradaria, juntamente à destemerosa família do “esposo”. 
Ela escapuliu ao fatídico ritual por não ser urbana, onde a regra se aplica mais estritamente. O fato de não possuir sogra, facilitou-lhe sobremaneira a vivência de eremita indomada, restando apenas Peter a tentar lhe "torear".

Pirâmide das Necessidades

Imagem: http://ideagri.com.br
Todo pedagogo adora Maslow. Os políticos, provavelmente devem aplicá-lo direitinho à sua vida privada.
E então, porque não aplicam a pirâmide das necessidades ao País? Oras, todo rebanho de ovinos necessita do lobo mau para lhe conferir legitimidade...
Pão e circo, faz parte da auto-realização (lá no topo da pirâmide - passatempos). Esta genialidade existe desde a Roma antiga: samba, futebol e bolsa família.
Vamos queimar as etapas da pirâmide, e fingir que já as vencemos todas. A copa do mundo pode tornar os brasileiros reis, mesmo que em contos de fadas.
Quem quer realidade? Quem quer raciocínio lógico-matemático (importante para seguir corretamente as etapas da pirâmide das necessidades)? 
Comida industrializada com qualidade para todos? Compra-se com Bolsa família... Na base da pirâmide (sono e repouso) também coloco o abrigo (do calor, do frio, da chuva) - casa própria ou estádios campanudos?
Segurança? Aí entra também o cuidado, abrigo e proteção aos idosos: o Estado joga todo o ônus à família (quando há família - quando não há - filantropia).
Cadê as creche de idosos, com toda infraestrutura que necessitam e merecem?
Voltando à segurança: TDO é um transtorno psiquiátrico passível de detecção na infância, e que afastaria muitos adolescentes das infrações (crimes). 
Alguém se interessa por Transtorno Desafiador Opositor? Nem o Estado... tacha-se os adolescentes como portadores de má índole e não se trata a causa, ainda na infância - pedopsiquiatria é oneroso.
Necessidade social: Telecomunicações e TV (programação) de qualidade, internet acessível, escolas emocionalmente sadias, trabalho.
Estima: como atingi-la sem casa própria, sem comida suficiente (e industrializada saudavelmente), sem escolas de qualidade, sem bom atendimento à saúde (e alento ao idoso), sem a menor confiança na polícia, sem trabalho decente, sem a libertação do Bolsa Família?
Somente agora chegamos ao topo da pirâmide: muito carnaval, futebol, festas ostentativas...
http://pt.wikipedia.org
Eu? Sonho com três possibilidades: TDO levado a sério mesmo; polícia eficiente e confiável mesmo; local para a velhice, quando inapta (creche / abrigo público de qualidade). Todas as três reivindicações dizem respeito à segurança.

25.6.13

Demência


Minha avó completa 91 anos em outubro, e desde o início deste ano, o cérebro começou a falhar...
Ela acorda bem, ao longo do dia vai regredindo, e à noite a confusão mental fica forte. Quando dorme mal (tosse),   ou quando há mudanças na rotina, a demência se acentua.
Ela tem vivido numa intermitência entre sua própria casa e a casa de uma filha. Piora, via com a filha, melhora, volta para casa.
A sua sobrinha, que dormia com ela a mais de dez anos, faleceu. O fato lhe gerou angústia. Várias pessoas foram trabalhar (dormir) lá, e não houve êxito.
Minha outra prima cuida durante o dia (agora, novamente na casa da mãe dela). 
Levamos a avó no sítio neste fim de semana prolongado. Ela adora. Na primeira noite, quando o sono não vinha, falava sem parar, esbravejava.
Depois de um tempo, disse que estava perdida, que é horrível, que não sabia onde estava... a casa onde morou quase toda a vida de casada.
Fisicamente, está bem. Come bem. Tem verticulite, o que faz o intestino funcionar mais de uma vez ao dia, e a desidrata. Temos que fornecer líquidos o tempo todo.
É uma preocupação constante: a cada fim de semana,  um dos filhos fica com ela na sua própria casa (ou no sítio), para descansar minha tia.
Ela ainda tem uma reserva financeira (fruto do trabalho duro no sítio), mas sua pensão é de apenas um salário mínimo (gasta de três a quatro vezes este valor).
Não temos no município e região, "creches para idosos" ou  casas de repouso / asilos públicos (temos aqueles filantrópicos - de qualidade, pagos, mas com poucas vagas).
Minha avó tem oito filhos, todos foram educados para cuidar, acolher... e a nossa geração? Como será o futuro? 
Tive uma ideia! Poderemos utilizar os estádios de futebol para acondicionar nossos idosos no futuro (ou nós mesmos). Pelo menos, terão uma serventia...

Imagem: http://www.arcoweb.com.br/memoria/estadio-do-corinthians-as-diversas-11-01-2010.html

24.6.13

Eucalipto


Imagem: http://www.milkpoint.com.br/mypoint/agripoint/f_plantacao_de_eucalipto
Esta monocultura tem feito estragos em minha região. Há manifestações isoladas em prol de maior rigor legislativo na ampliação das lavouras.
Sem contar o estrago causado nas estradas e o risco de acidentes, com caminhões superlotados, a vida animal  e vegetal tem sofrido horrores.
Nem ninho de passarinho existe em meio à escuridão clonada de um "calipiá", forma um paredão pior que deserto verde.
O maciço alcalino de Poços de Caldas é um ecossistema ímpar, agora dominado pela cultura do eucalipto. Ali cabia uma reserva ecológica com urgência.
Os  barrancos da região, variam de coloração, indo do negro absoluto aos tons azulados, rosáceos, ocres, atingindo o branco!
Aquela região naturalmente radioativa, repleta de minérios nobres, era também a casa de tantos animais e plantas silvestres.
As consequências, rapidamente se voltam contra o próprio homem: duas crianças foram mortas no entorno, pela suçuarana.
A última garotinha, aguardava a perua escolar na estrada da fazenda onde a família é colona, foi atacada e arrastada para o matagal.
A onça parda arrancou e comeu suas entranhas, pois sabe que estragam antes. Tampou bem o corpo com folhas para comê-lo nas próximas refeições.
Horrorizada ao encontrá-la, a comunidade da fazenda armou uma tocaia e agindo inadvertidamente, matou o leão baio (sabendo que ele procuraria a caça), sofrendo as consequências legais (o atirador foi preso).
A alguns dias, num sítio próximo ao Mamonal, do irmão de minha tia, amanheceu uma devastação no curral de ovinos: nove carneiros mortos, sendo dois arrastados para o mato, e não encontrado nenhum vestígio.
Os outros sete foram abandonados. Provavelmente se tratava de uma mãe ensinando os filhotes a caçar.
Imagem: http://www.jureia.com.br/mostramateria.asp?idmateria=266

Fonte da imagem: https://www.google.com.br
O maciço alcalino é este "vulcão" à esquerda, na imagem de satélite. A cidade de Poços de Caldas fica dentro da "cratera", ao norte. O "Pico do Gavião", famoso local de voo livre, fica na borda sul. Impressionante!

Adoção

Imagem: http://blog.voluntariosonline.org.br/transtorno-desafiador-opositivo/
Sábado levei para dormir no sítio, a filha de minha prima, com 23 anos de idade. A última vez que a havia levado foi a mais de um ano...
Ela foi adotada aos seis dias de idade, após a minha prima ter abortado espontaneamente, por três vezes em menos de dois anos.
Um dos ginecologistas a orientou a adotar, sob pena de ter um bebê com deformidades, pois os abortamentos apresentavam problemas do gênero.
A garotinha, aos poucos foi apresentando comportamentos atípicos: muitos profissionais e diagnósticos depois, constataram deficiência intelectual.
Até aí, tudo esclarecido. No tumulto, minha prima engravidou, e quando a menina tinha dois anos, já havia um molequinho belo e saudável complementando a família; nada de deformidade. 
A comorbidade que a garota apresentava, até hoje não foi oficialmente diagnosticada, mas tudo indica TDO.
Sim, além da deficiência intelectual, há comorbidade!
O Transtorno Desafiador Opositor implica esforço redobrado por parte dos familiares, em lidar com a criança "difícil", considerada por alguns, com "má índole".
É um transtorno comportamental que se refere a desobediência, enfrentamento, agressividade, não aceitação de regras, tentativa proposital em irritar, sentimento de raiva, dificuldade em manter amizades, dentre outros.
Isto aliado à deficiência intelectual, a torna um desafio: ela diz frases repetitivas, em tom muito alto, teima nos mesmos assuntos, tem compulsão alimentar (consequentemente é obesa).
Após se ambientar, passa a fazer birras por motivos fúteis. Foi o que aconteceu ontem, em meio a 25 pessoas (familiares).
Sabendo que parte do grupo ficaria no sítio mais um dia, não aceitou voltar comigo, todavia não tinha lugar para ela nos veículos que voltam hoje.
Após estressar os parentes, aceitou voltar com minha outra prima, que viria bem à noite, e mesmo estando sob minha responsabilidade, tive que deixá-la mais um pouco, cedi para não enfartar.
Onde quero chegar?
A adoção é um direito da família que pretende constituir mais membros, e sobretudo um direito da criança à uma segunda chance.
Há nesta teia, um terceiro direito: o direito à verdade. É fundamental que a família saiba de antemão de todas as probabilidades e se disponha a enfrentá-las.
Então você retruca:  qualquer mulher pode ter um filho especial. 
Nestes mais de vinte anos de experiência com crianças, já fui inclusive, Conselheira Tutelar. O que ouvi de um juiz da infância e juventude me deixou reflexiva.
Ele disse que os perfis das mães que entregam os filhos em adoção são basicamente dois (salvo exceções).
São mães com deficiência intelectual e/ou dependentes químicas (lembrando que há exceções).
Minha prima descobriu a algum tempo, a mãe biológica de sua filha (cidade pequena): É deficiente intelectual, com outros filhos especiais. 
Sabemos que as chances de uma mulher deficiente intelectual gerar filhos especiais é infinitamente maior. Sabemos também que o uso de substâncias químicas na gravidez causa problemas ao bebê, em maior ou menor graus. 
Munida eticamente destas informações relevantes, a família se organizará para receber o bebê, que poderá ou não, apresentar algo mais.
A alguns anos, uma família foi induzida estimulada por profissionais, a requerer a guardar de três irmãos que estudavam em minha escola: menina, garoto, menina (de seis a onze anos).
As duas meninas apresentavam TDO (sem diagnóstico fechado), e esta informação importantíssima foi omitida ao casal. Após alguns meses de muitíssimo trauma, foram devolvidos...
Culpa das crianças? Culpa do casal? Culpa do TDO? Culpa dos profissionais envolvidos. Todos na escola sabiam da fragilidade de um pacote três em um, ainda mais envolvendo transtorno tão difícil!
E nesse emaranhado, o garoto havia se adaptado bem. Não foi permitido que a adoção ocorresse apenas com ele, embora tanto ele, quanto o casal solicitassem tanto.
A lei é clara: ou se adota a família toda, ou a devolve toda para o abrigo - discrepância total entre o real e o ideal. 

Palanque

Imagem; http://gilberguessantos.blogspot.com.br
Gente! Como eu detesto este troço... todo ano, nos desfiles comemorativos /cívicos em que trabalho como professora, quase enlouqueço diante de tanta falta de ética.
Hoje não foi diferente. Aniversário da Cidade, e as crianças desceram a avenida principal.
O público sai da cama, se aglomera nas calçadas para assistir ao evento, e as evoluções, as coreografias, somente são executadas onde? Claro, em frente ao palanque das endeusadas autoridades...
Minha função foi arrebanhar as garotinhas da dança, e as mesmas estavam "engessadas", estáticas, sem remelexo, sem molejo...
Estavam nervosas e ansiosas para fazer bonito diante do tal altar... não foram preparadas para durante o percurso, alegrar ao público com seus sorrisos, fantasias e gingado.
Somente após termos descido toda a avenida, puderam enfim se apresentar. Foi lindo, todavia pavoroso: políticos, autoridades afins, pessoas "nobres" se mostrando melhores que o povo...
O que salvou a pátria, foi um grupo de manifestantes na praça, bem em frente ao tal palanque. Meu sonho foi que aquele grupo tomasse para si o tal altar. E seria de direito.

Futebol

Imagem: ww.google.com.br
Será mesmo que os brasileiros gostam tanto assim de futebol? Apenas um terço da população aqui de casa se interessa pela coisa, e mesmo assim, superficialmente.
Você, estrangeiro, que esteja interessado em visitar o Brasil por este motivo,  saiba que há um movimento (forte) em direção ao boicote destes "circos".
A oferta de  festas populares, encabeçadas pelo carnaval (por vezes, antros de prostituição e drogas) e mega competições desportivas (por vezes, antros de corrupção e lavagem de dinheiro), estão agora na mira do povo - cuidado!
Quer vir ao Brasil? Será muito bem vindo, todavia antes pesquise, não seja um gaiato a financiar eventos antiéticos... venha conhecer nossas maravilhas, sobretudo quando estiverem bem longe dos holofotes.
Em minha juventude (desde a infância) compareci a muitos campeonatos rurais de futebol, onde o objetivo era a interação das comunidades, a competição sadia, o lazer domingueiro.
Nada era pago pelo público (com exceção dos picolés), os jogadores bancavam suas próprias camisas e passagens de ônibus aos campos adversários.
Não havia máquinas fotográficas, tinha que se registrar na memória; não havia vestiário, tinha que se ir atrás da moita; não havia arquibancada, tinha que se trepar nos barrancos...
As cartinhas para a rádio garantiam a circulação das informações e coesão grupal. Não havia intermediários, atravessadores, politicagem... tudo era numa escala "nano", mas a satisfação era "mega".
Existem ainda esses eventos aqui na região (e tantos outros eventos anônimos), mas não são para turistas, não visam lucro,  não são de verdade.
Futebol (e qualquer outro evento) rural só perde mesmo para futebol de várzea, e deve ficar em off, bem longe da FIFA...

22.6.13

Moral e Ética


Imagem: http://meuqueridotcc.blogspot.com.br

Nesta semana, uma das estagiárias da escola estava atarefada com seu  TCC, sobre o tema acima. 
Como faço parte de suas pesquisas, respondi a questionário e entrevista, após as observações feitas por ela no semestre letivo.
Segundo os cursos de aperfeiçoamento de que já participei, dizendo a grosso modo, a moral é um conjunto de regras e normas de conduta criadas para o bem comum.
Ética é algo mais elevado, implica valores intrinsecamente construídos pelos indivíduos ao longo da existência. Alguém com grau maior de escolaridade tem mais possibilidades em ser eticamente mais evoluído, contudo não é regra. 
O raciocínio lógico matemático mais desenvolvido através da educação, contribui para um ser crítico e ético, daí a relação ética/escolaridade.
O problema é que a possibilidade em ser ético não implica em sua necessidade. Muitas pessoas fazem exatamente o oposto, usando a ética "torta" a seu favor, e não em função da comunidade/humanidade.
A moral é mais simples de ser seguida por pessoas pouco questionadoras, pois geralmente implica sanções, punições: cumpre-se por temor.
Regras de trânsito, normas escolares, leis, relações trabalhistas estão ligadas à moral.
Condutas cotidianas estão ligadas à ética (ou falta dela): 
  • Consumir somente o  necessário, poupando o Planeta;
  • Consertar objetos mesmo não compensando economicamente;
  • Pagar decentemente nossos prestadores de serviços domésticos;
  • Escolher aquela maçã não tão bonita ao comprar, evitando que acabe no lixo;
  • Ser atencioso e paciente no trânsito;
  • Perder individualmente, para um ganho coletivo.
Com as crianças, construímos a ética através da resolução de conflitos cotidianos e sobretudo através de exemplos práticos, com muita reflexão sobre as ações.
  • Se eu falto ao trabalho sem motivo grave, como exigir assiduidade dos alunos?
  • Se eu bebo cerveja naquela festinha onde há alguns deles, como dizer que drogas são maléficas?
  • Se não me visto decentemente ou ostento um estilo de vida irreal, o que estou ensinando a elas com esta postura?
  • Se discorro sobre alimentos saudáveis, devo levar abacate ou chocolate como lanche?
  • Se ao receber um telefonema (atendido por ela), e faço sinal de que não estou, posso pedir que não minta? 
É também importante que resolvam eles mesmos, seus próprios conflitos, dentro do possível. Trabalhamos com o ajudante do dia, que é o "chefe". Todos recorrem a ele para intermediar suas desavenças (com minha supervisão à distância - na sala de aula).
Incrível observar como uma criança se transforma e se torna muito mais autônoma, com o simples ato de ser o responsável pelos demais naquele dia.
São estas crianças eficientes e "antenadas" que mudarão seu mundo no futuro: com responsabilidade, segurança no agir, discernimento e senso de coletividade.
A Estagiária relatou que suas colegas de classe, não concordam com o fato de terem que manter (quando professoras) uma postura ética durante 24 h por dia.
Dizem que a vida é delas e que fora do horário e local de trabalho são livres e desimpedidas. Este é um típico pensamento moral, e não ético, pois só se tem posturas adequadas quando há sanções em jogo.