29.9.13

Blanche - XXXVIII

*  Aqui  terá o conto completo!

Domingo à tarde, revertendo a cavalo da propriedade paterna, Blanche se depara com uma zaragata no terreirão frontal da residência de tábuas.
Instintivamente, contorna-a de manso e capta a essência da altercação. Um afeminado eunuco vagara pela temerária floresta, partindo da imensa reserva indígena, detrás da montanha.
Acha-se todo ornado com abrasadas pinturas sacras, portando adereços adelgaçantes, contudo todo ferido e desgrenhado pelos dias ao léu, sem o pajem que o honrava prontamente.
Eunucos são seres meio bruxos, meio deuses, passíveis de ascensões celestiais e descensões infernais; e apenas prescindem de seu espaço imaculado, em apostasia, fugidos ou banidos.
Furibundo, gesticulando e bradando, tenta intimidar a família à procura do doce sabor de conquista, que atônita, prostra-se diante da intensa entidade fantasmagórica. 
Blanche intercepta tamanho arroubo ainda montada, e imperiosamente comunica-se na língua indígena com o feiticeiro, de imensos e harmônicos cabelos zainos.
Este, assustado, deixa a “máscara" e implora auxílio. Encontra-se em passadiço, então solicita pouso e alimentos, a tarde já fria em breve se fará noite, diz em timbre de gravíssima beleza.
São seres manipuladores do sacro que rogam pragas, e Peter, num rompante, captura a velha égua reformada. Apesar da acastelada estima ao equídeo, esquivar-se-á de riscos.
Ufa! Foi-se a criatura, desajeitadamente montada a pelo, com um embornal de vitualhas preparado por Colen. Ganha a estrada nas jocosas vestes esvoaçantes e apaga-se dentro da poeira.
Tal inconveniência fez com que o guardado Peter, pela primeira vez, arrastasse um discurso desnecessário com Blanche, enquanto sobem a montanha. A curiosidade o impeliu.
Ela aclara que quando eclode um indiozinho especial, que se distingua por um dom ou sinal físico, abre brecha para observação dos pajés, naqueles olhos indecentes que não piscam. 
Em torno dos nove anos, quando os garotos indígenas cruzam uma espécie de adolescência, o "especial" é arredado da família e instado na caverna de um ancião iniciado. Pavor e deslumbramento.
As abrasadas lágrimas da mãe, tingem-lhe o rosto em prata, na estranha éticazinha que mistura emoções. Saboreia um caldo fino de alegria na profunda crueldade desta desominização.
Sua iniciação na seita dos psicopompos durará o ciclozinho de um ano, com todos os ensinamentos e ritos necessários, quando fará estréia da dopagem, hora após hora, para a posterior orquiectomia.
Por quatro luas completas, será fomentado com líquidos vegetais, em caverna escura, e com fungos estupefacientes, chás alucinógenos, incensos lisérgicos e outros opioides (venenos de insetos, sapos).
Com a lua cheia subindo a trote, o séquito de magos, em bafejantes sorrisinhos bravios, se dirige ao local abençoado em meio à floresta, com ungida faca de sílex soberba e autoritária.
Num ligeiro golpe, um sectário sem critério de vida, retira o pênis e saco escrotal da criança, que já se encontram amarrados com finíssimo cipó, para deter a corrente sanguínea.
O próprio brado ensurdecedor desperta o incipiente eunuco do transe, e o devolve desmaiado sobre o rochedo sacrificial, recoberto por emblemáticos petróglifos miudinhos, que se assustam com a cena.
Um canudo de madeira oca é instalado no orifício penial para que a urina flua. Em maca, o garotinho, com o atônito no rosto, retorna à caverna pela madrugada, a comitiva entoando cânticos exotéricos. 
Em constante vigília, curandeiros comutam emplastros, concebem banhados e ministram chás anti inflamatórios, mantendo a dieta frugal, e o estado estupefato do menino, até que recupere as forças e se emaranhe na enantiodromia. 

Ensino Religioso


Este livro me rendeu um belo debate com a criançada.

Fiz a exploração da capa, leitura instigante da resenha, e apresentei autora e ilustradora.

Com a luz apagada, todos debruçadinhos em "bracinhos de travesseiros", iniciei a "leitura deleite".
Passamos então ao debate: meninos X meninas. Comigo, somou-se oito contra treze. Uma briga feia!
Essa comum guerra dos sexos, na observação da autora, ganha poesia. E a mulher ganha empoderamento.
Os dois sexos se olharão nas diferenças (que não são apenas culturais) e também nas semelhanças, com mais prazer e tolerância, fortalecendo a convivência mútua.
Eis uma canja:

Menina sabe que não é princesa de verdade, e nem flor, mas é organizada.
Eles não são heróis, corajosos e espertos. Fortes são mesmo.
Meninas ficam de mal e são fofoqueiras. Meninos ficam de mal humor e são porcalhões.
Meninas surram com a língua, eles surram com o muque.
Eles são impacientes, do contra e fazem xixi em pé, além de gostar de insetos asquerosos.
Menina é dedo-duro e adulto acredita, menino faz piada boba e é folgado...
Menina é vaidosa ou fresca? Prefere ficar diante do espelho que diante da TV.
Garotos sabem que ninguém morre se não tomar banho. Eles fecham os olhos para escolher as roupas!
Eles adoram chulé, palavrões e selvageria. Ralar o joelho e puxar cabelo de menina é troféu.
Só de vez em quando eles protegem as garotas ou emprestam algo. Elas também ajudam de vez em quando com as tarefas!
 É que elas têm femininice e eles, masculinice.
_ Eu só gosto de uma das meninas. Uminha só.
_E eu, apenas de um dos garotos. No máximo um.

O livro no Youtube, em forma de teatro:   aqui

Empreender

Tive que usar a engenhosidade para fazer a manhã render; digitei trabalho escolar, pois faço um difícil curso chamado "Pacto Nacional para a Alfabetização na Idade Certa:  aqui
Como já estava na oficina, terminei a contabilidade, pois amanhã o mês se finda. E a chuvinha fina caía constantemente.
Em casa, cacei na net, uma receita de bolo de alface... era muita alface, então fiz logo duas receitas: uma para nós e outra para os sete funcionários da oficina.
A estratégia é esta: amanhã aguardo até 16 h 30, quando estarão varados de fome, faço uma limonada e sirvo o "bolo de laranja". Quando não sobrar nem farelo, aviso que era bolo de alface! 
Sim, adaptei a receita e coloquei o que sobrou do doce de laranja que fiz domingo passado. Na falta do doce, a casca de uma laranja também dá certo...
Assei os dois bolos ao mesmo tempo, então o nosso não corou no centro.

Estas fotos estão magrinhas, porque a Calu me ensinou a diminuir o peso delas, ficou "facin" de baixar pro blog.
 O bolo virado de bruços: ficou bem verde, leve e fofo. O sabor do doce de laranja prevaleceu bem forte.
Numa receita básica de bolo, usei oito folhonas de alface, fui batendo tudo no liquidificador e acrescentei a farinha depois, numa tigela. Coloquei dois terços de farinha, e um terço de amido de milho, para ficar meio crocante. Dobrei a receita para os dois bolos.
Veja por dentro: cheirinho de laranja, gostinho de laranja, e corzinha de alface... ninguém desconfia! 
Já está diminuindo. Não recheei, nem fiz cobertura, então vai bem com refrigerante, chá, suco ou café com leite, para servir de lanche, não de sobremesa.

Aproveitei o forno quente para assar sardinhas com batatas previamente cozidas, e fazer torradas.



Ontem, enquanto ajeitava a casa e lavava roupas, fiz duas fornadas de pães de cenoura, para congelar uma parte. Saudável e sem química.

Passei a manhã revesando trabalhos na casa e na oficina, que estava cheia de clientes. Quando terminei as tarefas caseiras e corrigi cadernos, o sábado também havia terminado.
Fui caminhar quando escureceu, e adivinha quem encontrei? Logo na esquina de casa, minha aluna K fazia corrida com a mãe, e parou para me gritar.
No bairro de cima, a mãe do H quase ficou rouca, gritando para ele:
_ Veja sua tia, dê oi para sua professora, anda, vem...
Quase na saída da vila, encontrei um grupo de crianças com refrigerantes maiores que eles, ziguezagueando pelas calçadas. Ao me avistar, já foram chamando:
Tia do S... ela  é a tia do S! Oi tia do S. Acenei e segui rumo ao centro, onde não há crianças perambulando soltas.

27.9.13

Alface


Eu não me alimento muito com alface devido à gastrite. Faço opção por verduras refogadas que digerem melhor.
O tempero (vinagre ou limão) para as saladas, deixam meu estômago em carne viva. Ou eu "degusto" sem tempero, ou troco por legumes.
Ontem, porém, o Par ganhou três lindos e fresquinhos pés de alface de um cliente, e por eu já ter um pé que comprei na feira livre, improvisei.
Em vez de levar fruta para meu lanche no recreio, levei pão com frios e muita, muita alface. Conclusão: estive totalmente dopada após o recreio escolar.
As crianças subiram por cima de mim, treparam no meu colo, fizeram bagunça, seus agudos gritinhos não me ardiam aos ouvidos... eu estava solta ao vento. 
Claro que o evento não alterou meu trabalho, a aula transcorreu normalmente, todavia eu estava muito mais tolerante e atenciosa.
Esta história de que alface é calmante, e que chá de alface faz dormir, é antiga na roça. Olha, funciona mesmo. Devemos guardar as folhas feias e os talos, para um chazinho auxiliador de sono revigorante.
A partir de hoje, passei a sentir um profundo respeito pelo poder desta aparentemente delicada hortaliça.
Este tipo de gentileza é comum aqui no interior, na terça-feira eu fui presenteada por outro cliente, com uma sacolinha de tomates cereja.  
Preciso de receitas, estou com quatro pés de alface em casa!

Imagem: Google Imagens.

24.9.13

Férias

O fim do ano vem chegando, semana que vem já é outubro e as crianças, meus alunos, querem descanso.
Após tantos relatos de longas viagens de lazer em blogs pela Europa, vejo o quão é cultural esta questão.
Em minha região, poucos passam mais que quatro dias na praia, ou mais que um fim de semana prolongado no campo (emendado com um feriado). 
Apenas quem viaja ao exterior, uma parcela pequena, faz saídas mais demoradas que uma ou duas semanas.
Para alguns dias, não há necessidade de períodos de repouso clássicos. Muitas pessoas vendem suas férias, ou parte delas aos patrões, com o dinheiro dão entrada numa moto, reformam o carro, ou pagam contas.
Não conheço muita gente que faz financiamento para viajar na parança anual. Um deslocamento ao Nordeste, de no máximo uma semana, pode ser pago em um ano,  após o gozo. 
Não temos propriamente um mês típico para o ócio digno em empresas, apesar de que janeiro e julho são preferenciais devido às pausas escolares (para famílias com filhos).
Professores, como eu, tiram sua quietação obrigatoriamente nestas datas: férias em janeiro e recesso em julho. Sem opção.
Em janeiro chove demais, e os riscos nas estradas aumentam. É também o mês mais caro - alta temporada em áreas turísticas, com superlotação em locais badalados, falta de espaço para estacionar, maior risco de contratempos e estresse.
Em julho é frio para curtir praia ou até mesmo o campo, os dias são mais curtos, sendo a época mais aconchegante para permanecer  no lar e fazer curtos passeios diurnos. 
Antigamente, os parentes de São Paulo, "arranchavam" na casa dos pais ou outros parentes próximos aqui no interior. 
Chegavam a ficar entulhados na casa dos outros durante um mês inteiro, pois as esposas não trabalhavam fora. Davam o maior trabalho.
Quando minha avó morava no sítio, os irmãos, primos e até tios dela baixavam acampamento lá, e de mãos abanando! Sem contar as famílias de filhos casados, mas estes não ficavam tantos dias quanto aqueles.
Essa fase passou. Raramente hoje alguém hospeda parentela por tanto tempo. Hotéis e pousadas são caros, e com as mulheres no mercado de trabalho, raramente a família toda consegue o descanso longo na mesma época. 
Eu adoro viajar em abril, na interrupção de páscoa: clima ameno, sem riscos de temporais, sem superlotação, todavia com poucos dias livres.
Para quatro dias, Minas Gerais é a dica de viagem com cultura marcante, tranquila e barata, principalmente em cidadezinhas não turísticas, uma por dia ... além do litoral norte paulista. Nosso cantinho na serra também estará sempre à espera.
Não conheço estabelecimentos comerciais que fechem para desafogo, exceto parada de uma semana no fim do ano.
Aqui na oficina, nunca fechamos, não é possível deixar tudo na mão de empregados: certos serviços somente são feitos pelo Par, e a administração é apenas nossa. Assim, alívios longos distante daqui são difíceis.
Eu particularmente, adoro ficar lagarteando em casa, lendo bons livros, cozinhando, passeando de bici, caminhando, crochetando, navegando pela net, zanzando pelas cidades das redondezas.
Eu de azul - litoral norte. 
Par e Fiotão - sítio da avó.

Criançada

O raciocínio lógico-matemático dos miúdos é bastante diverso ao  nosso...
Após terminar agosto, um de meus alunos armou a maior "brigaiada" na vizinhança: o mês do folclore havia se acabado, portando estava proibido soltar pipa.
O pior de tudo? "Foi a Tia quem falou".
Ontem cedo, ao apresentar a primavera em sala de aula, caía uma garoa fria e o dia estava cinza. Outra criança decretou que esta bela estação não poderia e não iria chegar, apenas seria aceita quando surgisse uma linda manhã de sol. 
_ Mas, e agora? Já chegou ontem! 
_ Devolve, que volte depois.
Hoje, uma das meninas me interpela, séria e incomodada:
_ Tia, o G está batendo muito na cara. Coloque-o de consequência (castigo)! 
_ No rosto de quem ele bate (já correndo)?
_ Dele mesmo.





23.9.13

Vário pratos por R$ 2,00!

A feira  livre vem à minha esquina, toda semana! Comprei um maço de beterrabas com quatro unidades e lavei-o. Cozi-as na pressão com bastante água.
Retive as folhas, piquei e refoguei. Segredo: fritei num fio de óleo, lascas de gengibre, retirei-as e dourei  cebola picada. Murchei bem as folhas com uma pitada de sal.
Farofa: usei três talos grandes, piquei miudinho e refoguei num fio de óleo com cebola dourada, pitada de sal e uma xícara de água (café).
Ao secar a água acrescentei um ovo inteiro e uma clara (reservei a gema) e mexi até encorpar. Adicionei uma colher de farinha de mandioca torrada (sopa). Desliguei e abusei do cheiro verde.
Na água da beterraba, levei lascas de gengibre e tampei. Deixei na pressão por cinco minutos. Destampei, retirei a gengibre e deixei a água reduzir com duas colheres de açúcar (sopa).
Peguei um copo americano P com leite integral (é mais substancioso), levei a metade à panela, com uma gema mexida.
Na outra parte, incorporei duas colheres de farinha de trigo (chá). Coei sobre a fervura e mexi até engrossar; deixe meio ralo; ao gelar, engrossa.
Antes de desligar, joguei uma pontinha de faca (minúscula) de sal ao creme, para tirar aquele doce enjoativo. Aprendi a muitos anos com a "Tia Dinha"!
A farinha de trigo é mais suave que o amido de milho, fazendo com que seu sabor não interfira tanto no tempero da receita. O sabor da gengibre quebra o gosto forte de beterraba, e o creme compõe um lanche da tarde nutritivo, com torradas e chá de alfavaca.
A alfavaca consigo gratuitamente com o vizinho de minha mãe, ou em terrenos baldios. Tem diversas propriedades medicinais. 
Sobraram talos para fazer no arroz amanhã cedo. Também para usar na sopa de quinta à noite. Com o restante, farei um macarrão à  bolonhesa na sexta. 

21.9.13

Recicle postagem antiga.


Gente, a cinco meses, meu blog não se atualizava... 
Cliquei em "Reportar Problemas" tantas vezes, que quase fiquei sem as digitais! nunca recebi resposta.
Exclui "Seguir por e-mail", como havia lido num blog, e nada aconteceu...
A Calu   http://fractaisdecalu.blogspot.com.br/  , me deu uma dica que eu não atinava: diminuir o peso das fotos, para o post ficar mais rápido para abrir.
Obrigada, Calu, já testei e deu certo. Inclusive "emagreci" todas as fotos que estão salvas no PC.
De hoje em diante, não mais postarei fotos "gordas"!

Continuei fuçando e descobri a Eliane http://www.elainegaspareto.com/ .
Seguindo os conselhos dela, fui em "Configurações" - outro - encontrei o URL de direcionamento de feed...
Lá eu havia inadvertidamente colocado o meu e-mail, e tudo foi direcionado a ele.
CONCLUSÃO: a partir desta "esperteza", minhas atualizações travaram.
Apaguei tudo e salvei, atualizei uma postagem antiga e meu blog subiu na lista!   

Sim! A outra coisa que aprendi com a Eliane, é atualizar uma postagem antiga e reciclá-la. 
Como? Após dar uma nova roupagem a um post antigo (se quiser), vá à lateral direita e mexa no reloginho/calendário.
Coloque na data e hora de hoje, e salve. Pode parecer bobinho para vocês, mas eu não sabia.
Eu sinto saudades de postagens antigas, e de vez em quando atualizarei algumas. Por que não?
Imagem: www.google.com.br

Salgado



Nascido em Minas Gerais, Sebastião Ribeiro Salgado é um dos mais respeitados fotojornalistas da atualidade. Nomeado como representante especial do UNICEF em 3 de abril de 2001, dedicou-se a fazer crônicas sobre a vida das pessoas excluídas, trabalho que resultou na publicação de dez livros e realização de várias exposições, tendo recebido vários prêmios e homenagens na Europa e no continente americano. 
"Espero que a pessoa que entre nas minhas exposições não seja a mesma ao sair" diz Salgado. "Acredito que uma pessoa comum pode ajudar muito, não apenas doando bens materiais, mas participando, sendo parte das trocas de ideias, estando realmente preocupada sobre o que está acontecendo no mundo".
Suas fotografias mostram a expressividade humana em sua forma mais pura e crua.
Pesquise seus trabalhos, é uma enorme reflexão sobre os objetivos de nossa existência e sobre as diversas formas de se tentar existir...
Fonte:   aqui

20.9.13

Meninos

Os sete anões pequeninos
Sete corações de meninos
e a alma leve, leve, leve
São folhas e flores ao vento
O sorriso e o sentimento
da Branca de Neve, neve, neve...

Conhecem esta música? É maravilhosa! Digitem o título e o compositor Juraildes. Ouçam nas diversas interpretações... segredo: É infantil.

Gosto do que há da melhor qualidade para meus meninos (alunos).

Os "cantadô"?  Juraildes da Cruz / Xangai. Lhes são familiares?
Augusto Jatobá também faz parte da seleta equipe...

Imagem Google.

18.9.13

Blanche - XXXVII

*  Aqui  terá o conto completo!

Amanhece um generoso domingo empurrado pela brisa. Ao refulgir o sol, todos terminam o desjejum na casa de tábuas. Blanche, de beleza perigosa, à medida que encarrega-se de Isaac, vela pelos maiores, amestrando-os num jogo indígena de pedrinhas. 
Em cuidadosos trajes de “ver Deus”, e prontos para partir, não podem amarrotar-se. De repente, Bencio contesta lá no cantinho do salão, que Verna soltara uma ventosidade anal abundantemente ruidosa, assim: pororóóó...
A garotinha, desfavorecida, num misto de vergonha e pavor, encolhe-se um bocado, a ponto de ficar miudinha embaixo da bancada. Regurgitando o branco dos olhos, mãozinhas espalmadas no assoalho, mordidelas ao beicinho, aguardando punição. 
Roya se abana, tentando interceptar inutilmente o possante fedor. Blanche, em fisionomia leve, discursa que até mesmo os indiozinhos espelem flatulências... E os convida a uma aventura altamente secreta.
Já no quintal, se dirige ao galinheiro e agarra um ovo choco, dos que não vingam em pintinhos. As donas de casa os utilizam como indês (mostruário) no ninho, a estimular postura de ovos pelas galinhas.
Todos quietinhos, pé ante pé, seguem a tia até o baita lageado de pedras próximo à porteira. A regra do jogo indígena, é permanecer o maior tempo possível bem próximo ao ovo, de fedentina insuportável, após a quebra.
Todos se posicionam a uma distância inteligente, para que o conteúdo fétido e tóxico não espirre em tão nobres vestimentas. Blanche exerce galeios com o ovo em mão, mirando no meinho de um ponto saliente.
Atira masculamente a bomba biológica bem ao cume do rochedo. Instantaneamente se dispersa o cheiro nauseabundo, quase visível, quase palpável. Seus olhos impossíveis gritam!
Cada integrante da equipe deve aproximar-se ao máximo do epicentro catinguento, sem esboçar náuseas. Blanche, com ar de quem se pertence toda, comanda a bagunça sigilosa.
Quem fraqueja, deserta o território demarcado por gravetos. Isaaczinho, nos braços de Blanche, resmunga e se retorce, apoquentado. Ela não se aproxima o quanto apreciaria, em respeito a ele.
Obviamente, Bencio tornou-se triunfante, pois as duas garotas sofreram tanto receio em vomitar nas tenras vestes, que efetuaram prudência demasiada. Ele receptara em medalha, um belo limão cavalo, na sua madurês dourada.
Blanche retirou um fininho cipó por entre os arbustos, fincou no limão, fez um colar e laureou o vencedor, conquanto ele permaneceu bem arcado para frente... aquela ácida fruta a pingar... sua indumentária a resguardar.
A tia, após período suficiente, retirou-lhe a medalha e escondeu-a sob a pedra, para que o sol não a avarie. Será resgatada no revir do vilarejo.
Acocorados à outra borda do pedregal, mãozinhas enlaçando os joelhos, ouviram dela que o jogo é célebre entre seu povo: os deixa fortes, destemidos, empreendedores, rústicos; atributos necessárias à vida tribal. 
As carroças se abeiram e Blanche corre restituir o bebê à Colen, que não irá. Com semblante de santinha perante Sara, acondiciona Bencio e Verna sobre o assoalho forrado por tecido rustido.
Estrategicamente acomoda-se na segunda carroça, juntinho às costas de Eric, abaixo da boléia. Com Roya ao colo, trança-lhe novamente os cabelos enquanto venera o adorado. Tão perto e tão distante...
Esbanjando confiança, contudo sem se fazer de fácil, pensa e diz com propriedade, assuntos másculos, enfatizados com o dedinho indicador eriçado. A voz modulada, baixa e firme, expele as palavras, que se espalham na pastagem.
Os homens da família: Nick, Scott, Tom e Eric, o agregado, fazem gestos de admiração enquanto ela, cheia de si, discorre com propriedade sobre os problemas da vila. Com gargalhadas no olhar, nota, assim de supetão, alguma solução inusitada.
Peter, à frente com Walacy e a família,  alheio ao discurso exaltado, canta hinos religiosos. Scott, acomodado ao chão, em frente à "esposa", alisa a selecionada palha de milho, na pontinha da faca, sobre a coxa robusta. Uma cariciazinha que apenas emprega ao cigarro, bem cuidado, sem pregas.
Nas pontinhas dos dedos, esfarela o fumo picado, perfumento, e vai pitadeando num filete. Umedece levemente a libidinosa língua e beija de sul a norte, a borda da seca palha: cola natural.
O restinho de cuspe que sobra, Scott lança `a distância, admirando a "esposa" Blanche. Vai acendendo com pitadinhas minguadas, e mastiga a fumaça, satisfeito. Golfa espaçado, as bolotinhas perfeitas - um artista no ofício.

17.9.13

Pontos de vista

Quantas vezes nos identificamos com um texto e repudiamos outro... ficamos indignados com certas atitudes, e agimos estranhamente para quem não nos conhece.
Se somos trabalhadores, estranhamos aqueles senhores ainda fortes, todos sentados na esquina "tomando a fresca" em plena segunda à tarde.
Se compramos tudo a prestações e financiamos até o celular com parcelas a perder de vista, ficamos indignados com aquele pão duro, mofinas, avarento que põe cada moeda na poupança.
Se reclamamos daquele nosso aluninho difícil, jamais nos conformamos que a professora do reforço fale mal dele...
Se viemos de uma família numerosa, ficamos boquiabertos com quem casou-se a dez anos e jura de mãos juntas não querer filhos (insinuamos que não pode engravidar).
Se ao contrário, temos vizinhos com cinco crianças, achamos que são desorganizados e não sabem fazer devidamente o controle familiar.
Se somos homossexuais, achamos que o mundo é dominado pelos héteros e eles não nos compreendem. Se somos héteros, falamos que o outro grupo extrapola, é muito axacerbado.
Se viajamos, ao voltar só falamos naquilo e esfregamos as fotos na cara de todo mundo. Se o colega de trabalho viaja, damos logo uma gelada nele, para que isto não se repita. 
Se compramos um carro, toda a cidade resolve comprar um igual. Se o cônjuge corta o cabelo, não percebemos a menor diferença e passamos por deselegantes.
Se arrumamos um novo trabalho, procuramos mil maneiras de nos sentir estáveis. Se adquirimos a estabilidade, procuramos mil maneiras de cair fora dali.
Se alguém nem sequer imaginava nos ofender com determinada atitude, temos a pretensão de nos sentirmos ofendidos (nós nos ofendemos, não o outro).


Não vemos as coisas como são, mas como somos. 
Anais Nin
Imagem: Google Imagens. 

15.9.13

Passeio no mato

O tempo esquentou e às tardinhas de domingo, uma volta de moto nas imediações rurais cai bem. Este é o Par.
Um loteamento a perder de vista. Será que virão tantas famílias viver na cidade? Não está nascendo tanta criança assim...

Queimada recente - precisamos de chuva.




Plantação de feijão.





A vista é bela, e as nuvens se anovelam.






Arranha-céu de eucaliptos. Estão por toda parte.







A sagrada serra da mantiqueira que circunda a cidade de sul a norte...







Café colhido por máquina - fica bem pelado.
Nem bem foi colhido, e já floresce.







Acampamento cigano. São três barracas; veja os trens de alumínio brilhando. Trem é um dialeto mineiro para designar utensílios de cozinha!
Será que meu aluninho Juliano, com dente de prata, está "amoitado" por ai? Com certos alunos, não conseguimos manter apenas um "amor profissional".








Um ipê perdido... acabamos de passar pelo longo mato do Paraíso. A temperatura cai surpreendentemente dentro dele.
Não dá para fotografar com a moto em movimento, fica tremido. Um passeio assim, leva de uma a duas horas, dependendo da distância, e é bem relaxante.
Há tantas fazendas, e com nomes belos (tirando a "santaiada"). As mais tradicionais são: Mamonal, Refúgio, Gironda, Gerivá, Desterro, Paradouro, Cachoeira, Fortaleza, Paraíso, Aurora,  Morro do Cobre, Paulicéia, Morro Grande, Retiro do alto, Laje, Alegre, Prata, aliança, Lagoa Formosa, Barreiro, Coqueiro, Três Fazendas, etc.
Um nome de fazenda que eu adoro, é da família da escritora Raquel de Queiroz: "Não me deixes"!

Muro de samambaias

O meu muro lateral é coalhadinho de avencas e outras folhagens. Nesta época de seca elas sofrem um pouco, mesmo assim não perdem a pose.
Na virada do ano, com a estação chuvosa, as avencas batem palmas e proliferam em novas folhinhas. Eu não faço nada por este jardim suspenso, simplesmente o aprecio...
Eu mora a  quase 3 km do centro da cidade, então não há muita poluição a atingi-las: nem sonora e nem do ar.




     

   


Gastrite e canela



Tenho gastrite, e se abuso de ácidos (cítricos, maracujá, abacaxi, agrião, rúcula, pimenta, álcool), meu estômago fica em carne viva.
No verão, abuso do suco de goiaba em sacrifício a este deus (estômago), contudo agora é entre safra e os preços estão altos. A canela imersa em água fria tem me ajudado.
Lá no sítio tem uma caneleira, onde recolho algumas cascas. Raspo os líquens e ponho a secar na sombra. 
 Eu e o Par, tomamos água de canela todas as manhãs, e repomos com água fria. Aos domingos, renovo as cascas e troco os copos. Ele não tem gastrite, mas é bom para suas veias e artérias.
Também uso a melissa (erva) junto ao cheiro verde, para temperar alimentos. Ela é calmante e abranda a gastrite. Tenho-a num vaso no quintal.
Em qualquer terreno baldio ela brota, lá no sítio também tem. Seu chá aromático é delicioso! Utilizo esta variedade acima, de ramas e toceira. Também tenho hortelã e uso em carnes.


A canela combate fungos, bactérias e parasitas (corrimento vaginal, úlcera, piolho). É digestiva e reduz os gazes intestinais. Combate doenças respiratórias (por fungos).
É anti inflamatória, auxiliando na arteriosclerose: quando uma plaquinha de gordura cola na artéria, ela inflama e dificulta a passagem do sangue. Também diminui dores inflamatórias, como artrite.
Diminui o colesterol LDL e triglicérides, ajudando na diabetes tipo 2. Também é fonte de manganês, ferro, magnésio, zinco, iodo e cálcio (antioxidantes). Melhora a circulação periférica (dedos dos pés).
Cheirar a canela aumenta a memória e concentração; causa bem estar, diminuindo o estresse. Também é diurética e diminui mal hálito.
A adição de pó de canela aos alimentos é bem mais concentrada que a água de canela, e deve ser apenas esporádica, nunca diária, pois torna-se tóxica.
Apesar dos benefícios, mulheres grávidas e hipertensos não devem ingerir, pois se consumida em excesso, a pressão arterial pode se elevar um pouco. 
Eu não uso como remédio, apenas como complemento natural. O chás são mais fortes que a imersão em água fria, portanto use moderadamente. 

Tromba d'água



Nesta época de seca, lembrei-me da tomba d'água de maior impacto em minha vida: eu estava na escolinha rural, segunda série - 1972. Tinha sete anos e meio.
Possivelmente era março, época de enchentes, pois no segundo semestre fomos para o prédio novo.  A professora sozinha com a criançada, a escola sendo inundada, o pânico.
Um balde gigantesco estava sendo jorrado sobre o frágil telhado com goteiras, sorte não haver muitos raios e trovoadas...
Foram poucos minutos - talvez 15, todavia a água não parava de subir, atingindo nossos joelhinhos. Só havia uma casa por perto, contudo apenas adolescentes e crianças estariam lá.
Fomos dispensados mais cedo - talvez 16 h. As crianças que subiam a estrada, caminhavam vencendo a correnteza que se formou na estradinha, fazendo o som "tchoc, tchoc, tchoc".
Para trás, a sala alagada; as carteiras  eram daquelas pesadas, presas ao chão - de ferro fundido e madeira bruta, estavam com água até o acento. A cadeira da professora foi posta sobre a mesa - desolação.
Nós acompanhamos costumeiramente a professora até a rodovia, onde ela aguardava o ônibus. Para tal, ela retirou os calçados e seguiu conosco, enquanto a água escoava rapidamente para o "Rio da Prata".
Ao passarmos sobre a ponte da rodovia, o rio estava bufando, quase a transbordar... subimos a ribanceira rumo a nossas casas, e ali nada acontecera. Apenas chuviscos. Ufa!
Google Imagens.

14.9.13

Sábados


No sábado passado, a esta hora, eu estava num ótimo feriado com a família, na roça. Hoje estou igualmente bem: a máquina de lavar está na sexta lavada.
Sim! acabou o inverno e há casacos do filho, camisas de flanela do Par, blusas de lã minhas, que estão sendo lavados para permanecerem dormentes até maio do ano que vem.
Também fiz almoço e lavei louça, fiz pães de cenoura, fiz meu pé (macetei), e ajeitei a casa, enquanto tirava e punha roupas do varal, explorando a net de quando em quando. 
É, a Luana só vai faxinar às segundas feiras de agora em diante, pois ela está trabalhando num salão de beleza e o sábado é o dia principal. 
Eu adoro faxineiras aos sábados de manhã, para tudo ficar impecável para o fim de semana, mas fazer o que? Eu gosto do trabalho da Lu, e ela é de confiança...
A Luana era a sobrinha de minha faxineira, que depois foi a filha de minha faxineira e que por fim foi ela própria a faxineira.
A dois meses, passou o cargo para a prima, para trabalhar numa loja. Ficou um mês e não deu certo - voltou. A algumas semanas, quando fui receber numa transportadora, estando a serviço da oficina, dei com a Luana estagiando no escritório.
Não deve ter dado certo novamente, porque ela me ligou ontem para avisar sobre a mudança... conclusão: todo sábado terei que ajeitar a casa para o fim de semana. Hoje não trabalhei (na oficina).
Como ela só virá às segundas de manhã, então vou pedir que venha apenas a cada 15 dias, para faxinar os banheiros, vidros, venezianas, guarda-roupas, lavar a cozinha e garagem, passar pano duas vezes na casa toda. Eu me viro com o resto.

Datilografia



Vocês acreditam que eu coloquei o meu filho num curso de datilografia? Não agora, mas quando ele tinha 12 anos, em 1997.
Eu considerava importante, pois íamos comprar nosso primeiro computador... havia uma escolinha no próprio bairro, e saía bem mais barato que aulas de digitação. Ele já fazia inglês e informática num outro local.
Hoje ele passa o dedo pelo celular e a máquina "adivinha" o que ele quer escrever. Tão avançado! Porém eu faço uso constante de meus conhecimentos datilográficos aqui neste netbook.
Quando fiz o curso, com 14 anos, em 1998, a escola ficava quase em frente a meu primeiro emprego. Aquelas máquinas pesadas, a dificuldade em posicionar os dedos, a preocupação com a rapidez. 
Só fui trabalhar com datilografia de 1996 a 1999, quando cumpri um mandato de três anos como conselheira Tutelar - a primeira turma da cidade. Fiz mais um mês de aulas datilográficas para "acordar" os dedos.
Tínhamos uma máquina doada, e fazíamos ofícios para a Justiça da Infância e Juventude, sem um erro sequer. Refazíamos várias vezes. Computador? Nem em sonho. 
Por fim, eu já tinha um em casa, então passei a fazer a maioria dos ofícios nele. Apertava o teclado com tanta força, que cada letra se quintuplicava. A tinta da impressora era cara, eu fazia no "rascunho", com letrinha 11, por economia. 
Foram tantas descobertas e transformações... Comparado a seis meses de datilografia, só fiz quatro semanas de informática básica: Word e Excel. Depois fiz informática educacional, mas mexer mesmo, aprendi fuçando (o pouco que sei).
Como professora, uso demais o Word, tanto na preparação de aulas (semanário), relatórios, encaminhamentos, quanto em folhinhas de atividades para as crianças trabalharem. 
Consequentemente, uso a impressora, que é a mesma desde 1997, mas os computadores foram vários.  As máquinas de escrever duravam décadas a fio, sem muita manutenção: trocava-se a fita (metade preta e metade vermelha) e algumas teclas mais usadas que encavalavam.

Imagem Google.