5.2.14

Nanismo

Sim, é sobre o nanismo que devo estudar nos próximos dias, pois recebi uma garotinha anã em  sala de aula. Ficamos dois dias na escola, preparando tudo de antemão; ninguém me avisou desta crianças com necessidades físicas especiais.
A pessoa da família que a levou, nada mencionou, e fiquei em dúvida se havia algo explícito em seu prontuário. Por sorte, me lembrei de algumas carteirinhas minúsculas perdidas pela escola, então a servente me ajudou a fazer a troca.
Resolvido o problema da carteirinha, tentei o prontuário: impossível me aproximar da secretaria, por ser o primeiro dia de aulas, os pais aguardam para mudar período, fazer transferência, tudo à última hora.
Quanto ao sanitário, ela me informou que em casa usa o peniquinho - pedi à Coordenadora que providencie um exemplar e acondicione-o no sanitário de deficientes.
Na sala de informática, se faz necessário uma almofada sobre a cadeira; o bebedouro necessita de um tablado; no refeitório, as funcionárias ajudarão. Orientei o pessoal do recreio para que lhe deem atenção especial.
Na saída, questionei a tia sobre possíveis medicamentos, cuidados excepcionais. A mesma informou que a criança não pode cair, por não possuir (não entendi se total ou parcialmente) a cartilagem dos joelhos. Mais recomendações ao pessoal do recreio amanhã.
Ela apresenta aquele nanismo dos membros desproporcionais, pelo que observei. Intelectualmente é perspicaz e falante; fisicamente é autônoma, esperta.
Quando questionando sobre quem mora bem próximo à escola e quem mora longe, ela logo disse que mora na outra rua, porém a mãe mora noutra cidade: na cadeia - e foi presa por vender drogas (no momento, perdi a fala).
As funcionárias já fizeram a festa: pegaram-na ao colo, fizeram festinhas com ela. Fui logo cortando; devemos dar-lhe tratamento especial quanto ao espaço físico, sem tratá-la como criancinha.
No geral, a classe parece bem desenvolvida em aprendizagem e sem casos comportamentais gritantes (espero). Quatro crianças ainda não compareceram.
A professora ao lado recebeu um garoto com TDO: Transtorno Desafiador Opositor (ou Opositivo, ou de Oposição, ou Opositor Desafiante). 
Na minha experiência, este é um dos piores quadros para se lidar em sala de aula, pois eles desafiam o tempo todo, rompem regras, nos tiram todas as energias, e não aparentam transtorno: um leigo diria que é má índole (falta de surra, como diriam os outros pais). 
Na verdade, se não for diagnosticado e tratado devidamente, a criança pode seguir para o banditismo. Três quartos dos internos da "Fundação Casa" apresentam o transtorno.
Na saída, ele já fugiu dala, no 1º dia... a pobre estava toda trêmula. Ele foi encontrado na sala da irmã mais velha. Já foi diagnosticado na UNICAMP, porém ainda não iniciou medicação.
Imagem: Aqui  (ainda bem que com as crianças este "ânimo" não é tão nítido). 

6 comentários:

  1. Oi, Cristina!
    A sua profissão é desafiadora pois lida com seres em formação e cada um distinto do outro. Não é à toa que muitos professores se tornam exemplos e/ou heróis para essas crianças!
    Vai dar tudo certo!!
    Beijus,

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  2. Oi, Luma!
    Cada caso é único, sem contar que nós mesmos também somos sempre seres em formação.
    Eu nunca havia lidado com este tipo de inclusão (nanismo), e estou procurando formação na internet para melhor atender minha garotinha.
    Tenho sempre em mente que esta profissão é minha chance de fazer o máximo de diferença nesta comunidade. Vivo nas proximidades da escola e pessoas melhores educadas trarão benefícios a mim mesma no futuro.
    Quanto aos coleguinhas da classe, a naturalidade com a menininha impera. O grupo já está bem coeso, pois vieram de quatro salas de educação infantil. Apenas duas crianças são forasteiras.
    Outros beijos a ti.

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  3. Olá, Cristina.
    O caso mais complicado que tive na minha docência, foi uma aluna portadora de deficiência por parilisia cerebral. Nunca conheci um caso de nanismo nas diferentes cidades onde lecionei, pelo que, li com o maior interesse.
    Na altura, sem internet, tive muita dificuldade em arranjar apoio pedagógico específico.
    Os casos de TDO, não se desejam a ninguém.

    Muitas felicidades e sucesso para a sua classe e para o seu ensino.
    ~ Abraço ~

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  4. Boa noite, Majo!
    Então você também é da área educacional? Adorei saber!
    Paralisia cerebral realmente é necessário um acompanhante, pois a criança requer alguém o tempo todo a seu lado. Nesses casos, temos estagiários, contudo o processo é lento, dependendo da gravidade.
    TDO é o pior, pois não aparenta ser caso clínico. A garotinha com nanismo está integrada, segue normalmente com o grupo. tive sorte demais!
    Grata pelos votos, espero que o ano transcorra calmo.
    Grande abraço do Brasil.

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  5. Não tive apoio na sala de aula. A aluna tinha parte do tempo letivo, numa outra sala, acompanhada de uma professora especiaizada em ensino especial, mas que não tinha recebido formação para estes casos.
    Infelizmente, não evoluiu muito a instrução, por ter capacidades muito limitadas, mas desenvolveu bastante a socialização.

    Fiquei satisfeita por saber qie a tua aluna está integrada e que acompanha a aprendizagem da tua turma.

    Desejo-te que o ano letivo te corra da melhor mameira possível.

    ~ ~ ~ Grande abraço, colega. ~ ~ ~

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    1. Inclusão é um desafio imenso, tanto para professores, quanto para coleguinhas, que necessitam exercitar a tolerância.
      Um dos pontos que mais favorecem as crianças com deficiências severas é mesmo a socialização.
      Agradeço o apoio,
      Até logo mais.

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