10.6.14

Angustiante

No domingo, ao voltar da serra, eu descasquei vários chuchus (que estavam grandes demais para se comer com casca) e 4 mamões maduros. 
A quantidade de cascas foi tanta, que levei à calçada para depositar ao pé da árvore (tenho uma mureta alta lá, para compostagem). 
Era quase 18 h 30, já noite fechada. De repente, um rapaz surge à minha frente. Ele trajava casaco com capuz e bermudas; tentou falar e a voz não saía... suas mãos trêmulas estavam vazias (sem arma branca). Tão drogado que até hoje nunca havia visto.
Meu portão estava entreaberto e com a chave no trinco interno. Tive medo que ele se alterasse, ficasse agressivo ou entrasse em casa (estava mais próximo que eu). Enquanto ele gesticulava (pois não saiu um som sequer), eu lhe disse:
_Vou pegar e já venho.
Pegar o que? Nem sei se ele queria dinheiro para mais drogas, estava visivelmente alucinado. Voei para dentro e tranquei. Talvez ele só precisasse de ajuda, porém não arrisquei; uma crise de abstinência, um surto agressivo, tudo pode acontecer.
Depois de um tempinho na lida na cozinha e atenta aos ruídos da rua, o interfone tocou...  tocou e tocou cinco vezes em  15 minutos. O rapaz não se evadia. Eu não tinha como ajudá-lo, nem sei sua história; mesmo trêmulo ele podia ser mais forte que eu.
Quando meu Par chegou, e depois o "Fiotão", contei tudo e eles pediram mais cautela. A cidade pode não estar mais tão pacata... 
Fato é que não paro de pensar naquele sujeito, em sua mãe, no tipo de vida que o levou até ali. Deparar-se com um filho naquela situação deve ser demasiado angustiante; talvez quase tanto quanto a morte.
O que fazer contra este vício horrendo, que destrói personalidades, desestrutura famílias, causa degradação física e moral, corrompe adolescentes? Será que agora ele está bem? Será que continua a esmo por ai? 

8 comentários:

  1. Que tristeza isso e imagino o teu medo!! Credo!!! Pena, mas está cada vez mais cheio desses casos! beijos,chica

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    1. Olha, Chica, o que era raro aqui no interior, está ficando corriqueiro... infelizmente!

      Beijos a ti.

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  2. Olá Cristina!
    Porque somos mães, pensamos que aquela criatura (marginal) também tem mãe... mas nós também temos filhos... você foi prudente e agiu corretamente... não poderia se arriscar.

    Abração
    Jan

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    1. Oi, Jan!
      É exatamente como você diz: pensar na mãe dele e no meu filho. Não dá para assumir um risco destes.
      A mãe (minha) dise que se ele conseguiu acionar o interfone e tempos espaçados, estava consciente.

      Grande abraço a ti também!

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  3. ~
    ~ ~ E o hospital não presta assistência?!
    ~ ~ Sempre é bom eles apanharem uns ralhetes, quando são internados.

    ~ ~ Concordo contigo-- deve ser angustiante ver uma pessoa tão mal e não se poder fazer nada para ajudar.
    ~ ~ Só há uma dezena de anos, os toxicodependentes são connsiderados doentes, em Portugal. Anteriormente eram considerados marginais e punidos com prisão!

    ~ ~ Os pais suportam uma cruz tremendamente pesada.
    ~ ~ ~ Que Deus tenha compaixão! ~ ~ ~

    ~ ~ ~ ~ ~ Abraço. ~ ~ ~ ~

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    1. Então, Majo, ele estava andando, sem ferimentos, provavelmente drodado ou em abstinência. Se ele perdesse a consciência, eu chamaria o SAMU... foi bastante lúcido para ficar me "chamando" por 15 minutos.
      Os traficantes, que alimentam esses zumbis, são os maiores vilões. No Brasil também eles passaram a ser tratados como doentes a não muito tempo.
      Espero que neste momento ao menos ele esteja com a família.

      Outro abraço, querida!

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    2. ~ ~ ~ Bj ~ ~ ~

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    3. ~ ~ ~ Bj ~ ~ ~

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