8.7.14

Mediocridade

É o caminho do meio, o equilíbrio entre dois extremos, nem demais de de menos; nem excelente e nem péssimo - medíocre. 
Numa cultura tão expansiva como a brasileira, onde os interrogatórios  pessoais  por vezes são dirigidos com excessiva naturalidade até mesmo a estranhos, encontrar o ponto de equilíbrio é o mote.
Elencar temas neutros para dialogar em grupos não tão íntimos, ser cordial e não  invasivo, escolher vocabulário apropriado, expor-se apenas o suficiente, é o meio-termo para uma boa convenção social.     
Já diziam os antigos que falar é prata, calar é ouro. A necessidade de se aparecer, se sobrepor, ser o maioral, faz com que certas pessoas se excedam e percam o equilíbrio. Palavras não voltam, e podem ferir, humilhar, queimar quem foi alvo ou quem as proferiu.
Evitar excesso de grosseria, bisbilhotice,  puxação de  conversa fiada em momentos inapropriados, agindo com moderação, é uma ciência a ser estudada desde o berço.
Um adequado aperto de mão, num confiante olho-no-olho, evitando-se abraços e beijos a estranhos, é parte integrante de um código de conduta onde certos excessos devem ser reservados à intimidade.
Esta obrigação atual de se estar sempre provando algo, fingir o que não é para agradar aos outros, para se ajustar, numa cultura de constante superação, competição, excelência, desgasta o trivial, o simples, o médio.
Deixou-se de valorizar o moderado, comedido, discreto,  nem a mais e nem a menos. A busca pela superioridade, impecabilidade, prodigalidade leva a que o "homem seja lobo do homem".
A filosofia da ponderação, de ser na medida certa, dar o melhor de si na hora certa, diferenciar amigos de conhecidos, atinar que tudo que é demais não presta, tem sido substituída pela política do individualismo.
Uma professora de faculdade dizia para jamais sermos medíocres, avançarmos, estarmos no topo... mas será que isso não é desgastante? Será que tenho sempre que deixar o outro para trás? Quanta energia despenderei na empreitada?
Pensando bem, o  medíocre é o menos exposto, o menos cobrado, o menos exaurido. Ele é mais imbuído numa rotina, comete menos erros, inova menos, obedece mais.
Ser o melhor ou o pior, deixa o medíocre no recheio do sanduíche, desapercebido, competente. O medíocre quase nunca é demitido, quase nunca pula de cá a acolá, é estável, confiável, amigão.
Um colaborador medíocre cumpe seu papel com seus defeitos e qualidades. Aquele bonzão, ou logo irá embora ou passará a perna no patrão. O ruim é um parasita, prejuízo na certa...
Então, por que colocar tanto estigma no medíocre? Por que tanto medo em se tornar opaco? Qual o custo x benefício da não mediocridade? Se eu for o melhor num grupo de 10, aqueles nas posições 4, 5, 6, 7 serão infelizes? 
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14 comentários:

  1. Há mesmo essa terrível cultura de sempre querer ser o melhor, sobressair e tantas vezes, por isso, aparecem pelo lado ruim... beijos,lindo dia! chica

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    1. Oi, Chiquinha!
      Há dias em que queremos apenas estar entre, estar com; não precisa muito em certos dias.

      Excelente semana, e beijão!

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  2. Olá, querida
    Tive em família 'medíocres' nos estudos (5... 5,5...) que ganham muito acima de mim... rs...
    E por aí vai a mediocridade vencendo os demais... mas não devemos ser assim conscientemente...
    Belo desabafo de alma e verdades contidas nele!!!
    Bjm fraterno de paz e bem

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    1. Olá, Rosélia!
      Estar dentro da média, não fazer tão bonito e também não fazer feio é uma técnica de vivência que nos alivia em muitas circunstâncias.

      Muita paz e alegria a ti também, outros beijos fraternais.

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  3. Bom dia, Cristina
    Considero este seu texto/reflexão não medíocre, mas excelente! :)
    Ser competitivo, NA MEDIDA EXACTA, parece-me o mais acertado.
    A dificuldade, muitas vezes, é saber onde está a "medida exacta".
    A sociedade exige sempre mais e melhor.
    E se competir é saudável, é indispensável, dentro dessa mesma competitividade, manter o espírito de grupo, para não se cair no individualismo.
    Não creio que ser medíocre seja o ideal... mas ser o melhor pode colocar o indivíduo numa grande solidão.

    Continuação de boa semana.
    Beijinhos

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    1. Ótima noitinha, Maria!
      Nem sempre há energia a ser despendida para grandes feitos, contudo não se pode marcar as ocasiões também pelo mau feitio. Uma ponderação acaba sendo a melhor forma de acertar sem se exaurir.

      Tenha também uma semana iluminada,
      Beijos a ti também.

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  4. ~ Querida Cris, medíocre não é sinónimo de discreto nem de diminuido mental, quantos deles não são uns gabarolas espalhafatosos!

    ~ É preciso definir o conceito de medíocre que será aquele que desempenha mal as suas funções. Quase sempre, não é sensato e não admite a sua falta de capacidade.

    ~ Uma pessoa com um baixo QI não é, forçosamente, um medíocre, pode ter um ótimo desempenho, em funções adaptadas ao seu nível mental.

    ~ Tenho a certeza que te esmeras em todas as tuas tarefas, pelo que cumpres o apelo que a tua professora te fez.
    Não precisamos ter um nível de especialista, em todas.

    ~ ~ ~ ~ Beijinhos. ~ ~ ~ ~

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    1. Queria tanta que a equipe tivesse sido magnificamente medíocre ontem... bem na média, mantendo apenas um espetacular e suficiente 0 a 0.
      Na partida houve tudo, menos mediocridade - uns lá no topo, os melhores; outros rastejantes - os piores...
      Esperança na vizinha Argentina!

      E beijos também a ti.

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  5. Salam, Cristina!

    sua reflexão é muito importante. Gostaria de acrescentar o que ocorre a nós muçulmanos online. Aparecem pessoas com perfis falsos e nos agridem, insultam, perturbam a paz online, fomentando ainda mais o ódio entre pessoas.
    Esses perfis falsos, no início, passam por muçulmanos e depois distorcem versos do Alcorão. Assim, a capacidade do ser humano de conviver pacificamente, parece que faz da internet um novo local de guerra. Fato que alimenta a guerra pelo poder, de ser o melhor, mas melhor nessa guerrilha? Que pobreza de espírito!...
    Bem, só me resta deletar esses perfis falsos...
    Um abraço.

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  6. Boa noite, Denise!
    Olha, a pessoa mais sensata, ponderada, comedida e pacífica com quem me deparo nos últimos tempos é justamente você!
    Eu não tinha uma imagem do povo muçulmano porque nunca havia convivido com ninguém - que eu conheça, em minha região não há muçulmanos.
    Você é um arauto da essência desta religião tão antiga e ainda desconhecida nesta parte do Brasil: sem excessos, sem exageros, expondo uma lapidada mentalidade aberta em prol de uma raça - a humana!
    Exclua os fundamentalistas transbordantes em excessos que realmente acirram animosidades tolas.

    Outro abraço fraternal.

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    1. Assalam Alaykum (Que a Paz esteja contigo), Cristina!

      fico muito feliz em tê-la conhecido também e, se assim Deus quiser, nos encontraremos além do mundo virtual.
      Abraços!

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    2. Se vier passear por estas bandas, me avise com antecedência (preciso ficar bonita prá te conhecer)!

      Até mais

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  7. Respostas
    1. Como um ditado antigo: "Nem 8; nem 80... estar no meio.

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