31.7.14

Expatriação

Na oficina do "Par" trabalha um colaborador europeu - de Portugal. Antes do contato estreito com um imigrante, eu não fazia ideia das emoções (positivas e negativas) envoltas nesta trama, pois nesta região quase não há expatriados contemporâneos.
O moço de 32 anos é um sujeito miudinho, espontâneo e ingênuo (lento em aprendizagem). Em Portugal, cursou o equivalente ao ensino médio e trabalhou vários anos numa fábrica de tijolos, operando máquinas. Depois passou outros tantos anos pertinho de casa, numa padaria.
A casa da família, lá no norte do país, é daquelas que vão passando de geração a geração. Toda feita de pedras e madeira; foi comprada dos outros herdeiros (tios) e reformada.
O rapaz saiu da terrinha a quase oito anos, trazido por um tio para melhores chances, instalando-se em Fortaleza, onde passou privações e foi assaltado três vezes. Desceu para Minas Gerais, conheceu a esposa e literalmente caiu aqui.  
A esposa (em união estável) é enfermeira, daquelas que cumprem 12 horas num hospital e correm para mais 12 no outro. Internado, conheceu-a, 12 anos mais velha. Vivem com os pais dela e a bisa de quase 100 anos, que faz bolachinhas especialmente para ele. Uma poesia pura!
Mas como nem tudo é poesia, a mãe faleceu neste meio-termo, o pai se ajuntou novamente e tudo corria bem. No ano passado, porém, ele chegou desconsolado para o trabalho, dizendo que o pai havia perdido a perna num trágico acidente de trabalho com o trator, em Portugal.
Sem poder viajar devido aos custos, sofreu à distancia, e como desgraça pouca é bobagem, agora, após 6 meses, o seguro do pai ( tipo nosso INSS) foi cortado, até que saia o resultado da ação trabalhista em decorrência do acidente. 
O benefício de cerca de 480 euros (um salário mínimo), diminuiu para 120 euros aproximadamente, sendo que o senhor de 60 anos gasta 400 euros apenas em despesas essenciais: comida num asilo (150 euros mensais), prestação do mini-carro para locomoção, água e luz, farmácia, empréstimo.
Agora, o rapaz terá que mandar todo o seu provento mensal para o pai, visto que o irmão tem duas meninas pequenas,  paga aluguel e está depressivo ante tantos perrengues. A esposa (e família maravilhosa que praticamente o adotou) se prontifica a mantê-lo pelo tempo de penúria, enquanto não sai o resultado da ação trabalhista.
O pai já gastou todas as economias com advogado e ainda faltam 5 anos para completar tempo suficiente para  aposentadoria. Sua prótese não vingou, deixando bolhas na perna cortada à altura da coxa. Uma nova será confeccionada. A companheira? Já deu no pé assim que ocorreu o desastre, e o induziu a assinar um empréstimo bancário. 
É angustiante ouvir os suspiros do português, enquanto trabalha absorto em pensamentos longínquos...

"Quentá sor"

Esse hábito arraigado na nossa cultura cabocla, tão simples e caipira quanto um "cigarrin di paia", vem a décadas sendo minado pelas notícias de buraco em camada de ozônio, câncer de pele, necessitando untação desde o couro cabeludo com protetor solar. 
Fato é que todo exagero é ridículo... então agora as pessoas, em pleno país tropical, estão apresentando deficiência em vitamina D. No mês passado foi uma amiga, depois a mãe de outra, agora uma colega de trabalho tendo que tomar 50 gotas da vitamina, uma vez por semana.
O médico da colega aconselhou-a a tomar 15 minutos de sol com o mínimo de roupa. Detalhe: deve ser em torno do meio-dia, quando o astro irradia sua energia incidindo diretamente sobre a pessoa, e não "di banda", como de manhãzinha ou à tardinha. E enfatizou que só faz bem.
Eu já havia lido alguns artigos sobre estes exageros, e também ficava matutando. Sendo interiorana e roceira, sempre vi as pessoas trabalharem ao ar livre, de sol a sol e nem por isso a incidência de câncer de pele é grande. Claro que um chapéu adequado e mangas longas são necessários, contudo protetor solar inexiste lá na serra, dentre os primos.
E com este inverno geladinho, ficar desavisada da vida, lagarteando ao sol que nos acaricia até aos ossos, tem nada melhor, principalmente nestes dias de céu vidrado e sem uma felpinha sequer de nuvens. Quer vir comigo "quentá sor" e prosear filosofias baratas enquanto a estação ainda permita? 

27.7.14

Blanche LV: Enfim, Tom!

Tom subiu inocentemente no arpejo manso das ferraduras, e na montanha, sem enganar os pesares, Nick defronta-se agora com a consequente complexidade abismal dalgum ato mais ousado. Metodicamente, baixa o resignado e pedinchão olhar de cobiça.
Agir é tão árduo quanto torturar pedras em nuanças grisalhas, contudo sua força em desejar e fraqueza em resistir ao ser desejado expulsa qualquer pontinha de brio. Serrazinado com o inconfessável sonho de concubinagem, treme-se todo o interior, escoltando um perturbador olhar oblíquo. 
Nick se apodera febrilmente de esperanças, numa satisfação violenta e picante. Recrudescendo em sua perseverança, ergue esforço inquebrantável com eterno ar de cobiça, possuindo Tom em avidez, tão apenas com os olhos compridinhos, e nunca com as comichosas unhas. 
Em tramontana, suplanta meras torpezas carnais que tornam o sangue trescaldante, para obcecar e umectar o hipotecado espírito. Então, em respiração convulsa, passeia a língua úmida e em brasa deliciosamente pelo próprio antebraço, enquanto o venera ao longe com o coração prenhe de desgostos e sobressaltos.
Desassombrada manhãzinha seguinte, com os miolos estorricados a marulhar em meditação, vai apeando-se da rede em estupor, lutando suplicantemente com o objeto querido de sua existência, na gula viçosa daquela flor noturna quase translúcida em tostada nudez. 
Sente o trepar de um formigueiro assanhado coxas acima; todo ele a pedir seu homem, apertando os beicinhos, aborrecido. A espacejada e circunvagante coragem quase vem. Tom todinho é alheio àquele prazer amplo, sorvido sem respirar, de ente eleito para mimo ternurento... 

Ciro e Van

O casamento da prima, em Americana, foi perfeito. Viajamos direto para a igreja, depois à recepção e voltamos na madrugada. "Fiotão" não bebe e dirige bem. Enquanto o Brasil perdia, a gente seguia.
Na semana, corri de manhã e à noite; tomei cuidado com a alimentação, pois sabia que "enfrentaria" carpaccio, bobó de camarão, salmão... e só bebi água, muita água.
 Guloseimas maravilhosas.
 A linda noiva - ela é muiiiito festeira, sempre foi. 
 O vestido belíssimo. Estavam a dois anos preparando tudo.
 Ela e as tias. 
A da direita, levou uma sacola cheia de havaianas, alguém na mesa ao lado derramou uma garrafa, que escorreu no chão da mesa dela e derreteu a sacola - espalharam-se havaianas com o pontapé de outro alguém!
 O noivo e seus avós. Ele tem uma aura especial, uma ternura penetrante.
 Eu e a mãe da noiva - tia Lena.
 "Fiotão" e Gi.
 Golden House - Americana.
A banda era ótima e dançamos bastante.
Eu e o Par.
Roguei aos céus para que o casal forme uma família serena, centrada e íntegra, que venham filhos (pois ambos querem) e possam desfrutar pacificamente dos pais, por todos os seus dias.
Não tirei fotos na igreja, contudo foi uma cerimônia comovente. Por mim, apenas aquela seria suficientemente completa. Não me importo quando os noivos saem acenando, vão à lua de mel e a gente reúne um grupinho para comer pizza.
Na infância rural, a gente ia à tulha da maior fazenda aguardar a chegada dos noivos, que se casavam na cidade com pouquíssimos acompanhantes. Tábuas eram colocadas nas laterias e um sanfoneiro fazia o baile. 
Passava-se um garrafão de pinga "cuma" canequinha de "ferragate", onde todos bebericavam, inclusive crianças. Cigarros de palha misturavam seu odor ao suor dos dançantes noite adentro. Beber água, só no "corguinho" ao lado. Voltávamos a pé em meio ao cafezal, felizes da vida!
Sou muito pragmática e comedida, então imagino o trabalhão, estresse e o dispêndio para se concluir em minúcias uma festa assim, com cada detalhe. Ao final da comilança e bebedeira, vê-se sobre as mesas um desperdício quase irresponsável. 

Senhor do tempo

Se alguém conhece o "Senhor do tempo", favor me apresentá-lo, pois necessito fazer um financiamento... as 24 horas atuais têm sido poucas.
A reforma da casa, com limpeza de tanta bagunça do pedreiro, correria atrás de material de construção, a demora em encontrar um simples par de meias perdido dentre os montes de roupas devido aos armários vazios.
A volta às aulas se efetivou no dia 17, com a chegada de um casalzinho novo de alunos: ele de outro bairro, ela de outra cidade. Estão adaptados já, contudo ainda não estão alfabetizados. Preparo atividades diferenciadas para 1/3 que ainda não lê e paralelamente sigo com os alfabéticos. É penoso atender duas turmas ao mesmo tempo e com demandas diferentes, mas é possível.
O tal curso "Pacto pela alfabetização" vai a todo vapor, com aulas quinzenais aos sábados e mais uma noite, e lição de casa, MUITAS lições de casa difíceis, tendo que ser devidamente preparadas, trocando-se ideia entre colegas (sem tempo prá tal),  aplicadas com os alunos, avaliadas e preparada toda a gama de "direitos de aprendizagens" e avaliações.
Meu cérebro fica martelando PACTO, PACTO, PACTO e tento desligar lendo alguns livros, cozinhando, cuidando dos afazeres domésticos. Nesse instante, se fosse levar ao pé da letra, eu deveria estar fazendo tarefa de casa, contudo me recuso a pagar esta pena em pleno domingo à tarde.
Para completar, a oficina tem "pegado fogo", com tanto serviço. Um dos colaboradores está em licença cirúrgica pelos meses de julho e agosto. Uma máquina nova, de quatro metros de altura, que estamos pagando desde o ano passado e continuaremos, ainda não foi devidamente instalada, pelo tamanho faraônico. Esta máquina é para retirar a tinta velha das rodas (vulgo jato de areia), fazendo sozinha em dois minutos o que um profissional faz em três horas com o jato antigo. 
Aliado a estes fatores, o passeio que faríamos com os vizinhos, melou. Está chovendo aqui e no destino, portanto trocamos a reserva para a semana que vem, devido ao alerta do filho. O problema foi que o marido aqui e a esposa ali, não aderiram bem à mudança, e ficaram de bico.
Já estivemos outras vezes em S. Tomé, e o foco do local é a natureza exuberante. Impossível curtir grutas e cachoeiras com chuvisqueiro constante. A cidade é minúscula e as atrações são afastadas umas das outras, a altitude torna o clima frio; sem sol é inviável.
Aproveitei para faxinar entre detritos, lavar e passar. Cozinhei canjica (com leite em pó, para obter cremosidade), fiz bolachas caseiras, sopinha de fubá com legumes e carne moída - músculo, pela magreza. Ainda farei um mingau de fubá doce à tardinha.
Ovo caipira e de granja - a diferença (dividi com o Par) 
 Bolachinhas de aveia e coco (feitas com sal amoníaco)
 O guincho depositando a máquina pesadíssima
 O Par e colaboradores colocando as partes, já dentro do barracão 
Trio namorando a belezura

17.7.14

Falta de educação

Primeiro dia de aula, e trabalhei um livrinho sobre alimentação, sabendo que as crianças voltam desregradas, tanto no sono quanto na nutrição. Na aula de letramento (onde trabalho a função social da escrita), levei uma embalagem de aveia para analisarmos todos os dados, inclusive a tabela nutricional.
Em teoria, já estão craques: sabem elencar os produtos na pirâmide alimentar, também sabem que certos alimentos transitam entre as faixas da pirâmide, como a banana ou abacate com nutrientes de várias faixas, ou uma torta de legumes com frango - alimento completo, compreendendo a três principais faixas.
Sabem que os combustíveis ( energéticos) devem ser ingeridos em maior quantidade para termos ânimo e disposição. Também conhecem a importância dos soldadinhos (reguladores), para brigar com os micro organismos invasores - e quando não estão bem, pode estar havendo uma luta dentro de si... na linguagem infantil.
Os construtores (que propiciam crescimento) são os queridinhos, pois adoram mudar de lugar na fila (seriação). E os super energéticos todas evitam. Sei! Na prática a teoria é outra, como se diz.
Na hora da merenda, fico de olho e percebo que a comunicação oral em sala, a classificação dos alimentos, a literatura infantil voltada ao tema, pouco adiantam diante da má educação familiar. Algumas comem uma folha de alface, outras pegam um tiquin de beterraba que nem suja o prato e outras disfarçam até que eu volte prá sala.
Na merenda, geralmente servem arroz com feijão, carne com legumes e salada. De sobremesa, uma fruta da estação (não todo dia). A verba é mínima e os professores não podem comer para incentivar a turma (em alguns anos, é obrigatório comer com eles prá incentivar, sei lá).
Eu explico que não me alimento com eles por não poder, mas gosto de tudo aquilo (fica vago) e mostro meu lanche: banana com granola (que eles dizem farinha), abacate sem açúcar, bolinho de arroz ou bolo funcional, outra fruta, e água durante a aula.
Ao descreverem o jantar de ontem, ou lanche, ou almoço, percebo que por vezes dou murro em ponta de faca. Eles próprios dizem que não tem fruta e sim bolacha recheada, a mãe não fez janta e pediu lanche, que foram à feira prá comer pastel (frito).
A pouco, fui ler a Companheira e vi o espelho de minha classe. Inclusive, pedirei licença para ler seu texto aos pais na reunião semana que vem. Na minha infância não havia esclarecimento como hoje, mas por sorte não havia tantas besteiras; sobretudo na zona rural.
Minha mãe não variava muito: era arroz com feijão, e de mistura - batata ou ovo e carne aos domingos/ sobras na segunda. Tinha verduras, mas era tabu fazer mais de uma mistura por vez. Se refogava serralha, era só arroz com feijão e serralha, ou chuchu ou abobrinha batida, nada de ovo. Ah, e eu dividia meu ovinho caipira com o irmão, para não gastar e vender o excedente!
Por sorte, tínhamos muitas fruteiras, cana caiana e atacávamos os pomares da vizinhança, assim como algumas roças - pegávamos amendoim, pepinos, ananás e procurávamos frutos nativos feito criança pré-histórica: ingá, maracujá do mato, amoras variadas, araticum, gravatá, jaracatiá.
Andávamos 7 km todo dia ida e volta à escola, comendo o que achávamos pela frente e competindo prá ver quem comia mais unidades, tipo 8 bananas nalgum cacho maduro em meio ao cafezal .
Voltando à aveia, as crianças sabem da qualidade, contudo poucos já experimentaram. As mães compram achocolatados, salgadinhos "isopor", guloseimas da padaria. Nem feijão comem mais; arroz e pão integral custam mais caro, contudo carne gorda e embutidos não faltam.

16.7.14

Anarquia

Assim está minha casa. Começamos uma reforma, pois as paredes vinham descascando (umidade). Vivo aqui a quase 26 anos e pouco mexemos. Vou desmanchar também a cama de alvenaria, e renovar meu quarto. Já penso na cor da pintura em tons leves. 
Deixamos a sala para "acamparmos" e reformar no fim. Sanitários e cozinha não serão afetados; estamos com tudo amontoado na sala, onde agora dormimos; o filho foi para a casa da sogra. Eu tenho uma casinha de dois quartos fechada nos fundos do barracão, do outro lado da rua, mas fiquei com preguiça de fazer a mudança. 
Hoje é meu último dia de férias, nem roupas lavei, pois há muita poeira. No sábado, terei curso (diretão) até 14 h 00 e depois lavaremos a casa toda. Há uma trilha de jipe para fazermos no domingo, onde fico na casa de parentes da vizinha; pretendo ir para fugir à anarquia geral da casa.
Lavar e passar roupas? Vai atrasando tudo, fazer o quê... nem podemos ligar TV ou computador por falta de espaço. À noite, pego um livro e leio na garagem, estamos dormindo super cedo para desligar da confusão.
Fiquei tão nervosa na primeira noite de balbúrdia que briguei com o filho - depois me arrependi. A discussão foi por causa de dinheiro: eu tentando segurar e ele achando exagero. Sou mesmo exagerada em economia, pois assim aprendi desde a infância. Ele também é econômico, sobretudo quando afeta o próprio bolso.
Assim que o caos terminar, posto fotos do antes e depois, contudo a mudança será pequena, nada de desmanchar tudo para refazer, que meu dinheirinho é suado e abomino desperdício. 
Hoje minha tia, com mais de 80 anos, passou por aqui, pois estava indo passar o dia com minha mãe que mora aqui perto. A recepcionei no escritório da oficina por impossibilidade técnica! Nem um lanche pude lhe oferecer, todavia a visita foi abençoada.

12.7.14

Compostagem

De frapê não se trata, pois não contém  iogurte, leite em pó ou gelatina; vitamina também não é, por não conter leite... suco verde? Espesso demais, sei lá ... não é saboroso, nem tão ruim - é médio.
Já me disseram que se parece com compostagem, visto que eu aproveito talos, folhas e cascas diversas. Nestas mini-férias (recesso escolar), pude caprichar nas receitas de meu denso suco verde. Meu café da manhã e lanche da tarde são compostos quase sempre dessa refeição.
Antes das 6 h 00 ligo o liquidificador e tomo dois copos; vou correr tendo mais ânimo e bem estar, me hidrato melhor, propicio a limpeza intestinal diária, ganho saciedade. Se tem muitos nutrientes benéficos ou se um alimento rouba o nutriente do outro, é controverso ainda. Parece uma sopa fria ou uma salada líquida.
Neste prato: mamão, couve, casca de banana (do café do marido), beldroega graúda, mexerica com casca e talos de alface (do lanche do filho). Tudo bem batido, com água gelada.
Alface, trapoeraba, erva fazendeiro, limão com casca, abacate com casca e uma folha de serralha (amarga).
Dou preferência aos nutrientes locais; neste prato, tudo veio orgânica e gratuitamente do sítio na serra. 
Beldroega graúda, banana com casca, erva melissa, folhas de goiabeira (boa p/ gastrite), cascas de bergamota e chicória.

Erva fazendeiro, limão com casca, hortelã, amêndoas de macaúba, salsa, meia maçã, mamão com casca e algumas sementes. Apenas a maçã foi comprada.
Couve e talo, chuchu, abobrinha, cebolinha, uma folha de serralha, amendoim cru com girassol descascado, mexerica com casca.
Morangos (ganhei um bocado), melissa, gergelim, folha de serralha, limão e cascas de bergamota (que chupei ontem), trapoeraba.
Muitos produtos eu trago da serra, outros planto no quintal (em vasos) e o restante compro na feira livre (ou no mercado mesmo). Aqui, erva melissa, um pezinho de limão ao centro; na bandeja abaixo, salsa, hortelã e trapoeraba. Tenho picão e manjericão noutro vaso(ainda pequenos). 
Goiabeira no vaso: vou podando e utilizando as folhas no suco.
As oleaginosas acrescentam o óleo ao suco, potencializando a absorção de nutrientes ; há quem coloque um fio de azeite para o mesmo efeito.... associado à corrida diária de 4 km e reeducação alimentar, me mantém leve. 
Me levantei às 4 h 40 da madrugada todos os dias de férias, incluindo domingos, e corri cedinho (6 h 00), com o ar límpido, sem trânsito. Voltando às aulas, terei que correr à noite... pena!
Quando comecei, no início de janeiro, estava com 71 kg - meu maior peso, e já caminhava quase uma hora, todas as noites. Não me alimentava mal, contudo exagerava nos doces e fazia poucas refeições maiores. 
No momento, o saldo é este: cinquenta anos, 1,68 m e 62 kg. Quanto mais velhos, tendemos a encolher e engordar.
Alimentação atual:
Suco verde variado - 6 h;  9 h 30 - banana com granola, abacate puro ou bolos/bolachas funcionais; 12 h - almoço ( e alguma besteira de vez em quando); 15 h 30 - suco verde ou fruta com castanhas; 18 h - jantar (arroz com feijão ou sopa; sanduíche; sardinha/carne grelhada) e uma colherinha de mel rural (não pasteurizado); 20 h 30 - ceia (chá com bolo ou biscoito salgado ou torrada ou iogurte ou castanhas ou leite com pouco achocolatado).
Tomo água entre todas as refeições (com limão uma vez, com canela de madrugada). Nunca liguei muito para suco ou refrigerante. Não fazia as refeições com líquidos ao lado, desde sempre. 
Suco natural de frutas é pior que a fruta em si, com as fibras. O suco contém muita frutose, complicando a saúde de quem tem tendência a fígado gordo.  Sucos azedos (de limão, maracujá ...), necessitam de muito açúcar ou adoçante, então prefiro aqueles de frutas não ácidas, para a família (caju, melancia, goiaba, manga, etc).
Ainda estou reptando em todo este conhecimento, contudo tenho a sensação de que com a conjunção desses fatores todos,  equilibro melhor o fluxo de energia vital - descarrego e me estresso menos.
O que melhorou? A gastrite sumiu, o intestino não prende mais, emagreci e fiquei feliz, estou mais calma e confiante e o sabor do suco já está um pouco mais palatável. O foco é dar o exemplo e atacar síndrome metabólica do marido, que ainda é sofrível. 

11.7.14

Vaselina controversa

Desde que me conheço, via meu pai aplicando vaselina nos cabelos - parecido a essa latinha vintage. Ele não teve câncer, nem morreu calvo.
Imagem daqui
Todo inverno, aplico nos cotovelos e nas pernas, do joelho para baixo. "Sebo nas canelas" é uma expressão daqui, que indica rapidez, por ser escorregadio. Minhas canelas coçam e até sangram sem vaselina. 
Trata-se de um óleo mineral, do petróleo, que existe a quase 150 anos. Há quem exagera e diga que todo óleo mineral é cancerígeno, se mal refinado e com resíduos tóxicos, contudo só uso no inverno, pois é gorduroso demais (não sou alérgica). 
Nos calcanhares, aplico em excesso na noite anterior à pedicure eu. Coloco saquinhos plásticos e meias apertadas. Durmo assim, envelopada, e no dia seguinte faço os pés. Ficam macios e não racham partem. Na roça, o povo passava unto de galinha, banha de porco ou outra gordura animal.
Vaselina não hidrata, mas amacia, suaviza, dá elasticidade - é emoliente; forma um véu que impede a evaporação da água da pele, causando oclusão dos poros (tomar muita água hidrata de dentro prá fora). 
Inúmeros cosméticos contém vaselina com nome de petrolatum. Produtos 100% vegetais advertem: livre de petrolatum. Tá! Mas contém um corante que vem do petróleo... troca-se 6 por meia dúzia.
Controvérsias à parte, na roça usava-se para assaduras, para coriza nasal (não assar entre narinas e lábios), para lábios ressecados no inverno. E no cabelo, quem não tinha brilhantina, ia de vaselina! Para pentear cabelo pixaim também era usado.
A vaselina de farmácia, geralmente é filtrada três vezes (pura) e há uma infinidade de usos na net. Aqui na oficina, uso baldões dela para montar pneus. O preço é baixo e meus antepassados usaram.
Os antigos andavam descalços, e quando iam à cidade, besuntavam o calcanhar da botina com vaselina para não formar bolhas. Dá resultado, coloco nos calçados novos, todavia nunca uso no rosto...
Nós até comemos derivados de petróleo nos chicletes e corantes artificiais com nomes estranhos. Quanto mais cor exótica e intensa, mais probabilidade de vir do petróleo.
Um exemplo é o corante "azul brilhante FCP" e outras siglas doidas. Eles são mais baratos e conferem aos alimentos aparência mais vívida, por isso guloseimas multicor são foco desses corantes sintéticos. 
Porém, os piores venenos são naturais. Natural não quer sempre dizer inofensivo e nem artificial sempre perigoso. O arroz integral tem muito mais arsênico que o branco - lógico, está com a casquinha que fica mais próxima às poças d'água (e diversas águas minerais contém o veneno natural arsênico também). 
Moderação não mata ninguém; nem mesmo arroz integral devemos ingerir todo santo dia.  

9.7.14

Arrastada pelos cabelos

Apenas por ter sido sincera em dizer abertamente que estou torcendo pela Argentina, quase me escalpelaram, os convíveres!
Ninguém compreende a minha estranha e descabida lógica de querer a taça aqui pertinho, na nossa América do Sul...
E rivalidades à parte, até agora, Los Hermanos estão resistindo bravamente aos europeus. Esta história dará pano prá manga.
Diziam os antigos, que "se não tem tu, vai tu mesmo", e bola prá frente que há vida além do futebol, apesar dos pesares.  
Creio que fomos suficientemente competentes na empreitada de sediar um evento tão amplo. A mudança na rotina, as folgas extras, o patriotismo, a festança, o espírito desportivo, a recepção de tantas culturas distintas. Tudo é entretenimento.
Voltemos aos poucos à realidade: à busca por prioridades, à luta por um país cada vez melhor, pela seriedade nas eleições... aliás, já fui devidamente convocada - primeiro mesário.

Blanche LIV: a caça de Nick.

Notoriamente, a dupla Nick e Tom se amofinaram com a notícia da partida do indiozinho. Tom, bem a fundo, ansiava embrenhar-se no sombrio submundo de suas origens maternas. Nick, vocacionado à fruição estética, estimaria conviver alguns dias na reserva, sorvendo profundamente toda a milenar cultura ali impregnada.
Já no enregelante inverno, Nick, em desatinada concupiscência por Tom, ousou desacovardar-se e solicitou, em palavras constrangidas, uma gentiliza à Blanche: que ela descesse à civilização, sob pretexto de estrompamentos constantes. Toda uma semana na deleitável efervescência da pradaria, junto à Eric.
Tal ato, faz com que seja afreguesado por seu venerado amigo, procurando desengastalhar comprazeiramente o reticente relacionamento. E num voo à cabana velha, ajeita meia dúzia de livros e afofa uma almofada em chitão. Arrasta o caixote e escancara a porta, pedindo excelsante ar fresco.
Na ânsia por assenhorear-se da exuberância brutal do amado, o sangue latejava-lhe, rogando aquele homem gotejante em suor pela constante labutação. Supondo-se afrontado apenas pela implacável floresta, fica mais e mais possuído em ferrolhos de delírio e ardor pelo inocentezinho.
A espera infinita: cunha maltratando a fenda... um chá fumegante, as lisérgicas cascas das mini-bergamotas sobre o caixote. Um recender de melissa  bloqueando o raciocínio. A parca mobília em gritos, enquanto  a cruviana a chacoalhar a rede, vai fugindo pela janelinha aberta.
Chafurdando-se em fantasias de lubricidade, que excessivamente lhe assanhavam o desejo da carne, num fremir que punha e dispunha engenhosamente da imagem poética do outro, em devaneios, apalpando-lhe a saborosa quentura do corpo, sugando-lhe o vigoroso néctar dos lábios, sentindo-o na rede, pleno e nu.
Os cães a latir no ar seco e uma teia inacabada refrata a luz. Uma bigorna a esbofetear-lhe o crânio enquanto o coração desce ao estômago; cavalo com bilhão de patas a cavocar vigorosamente o trâmite rumo à montanha. Pujança, moço! Esturra num escandaloso monólogo. 
Mais tarde, defrontando-se com a renhida realidade, a contragosto se encontra numa miuçalha e logo se vê instintivamente mareado pela possibilidade de lapsos e perjuros, dissipando em rezingas a regalia de arquitetar seu ansiado par naquele extenso chão vazio. Vê-se sorrindo sem rir, entre prantos e rejúbilos.

8.7.14

Mediocridade

É o caminho do meio, o equilíbrio entre dois extremos, nem demais de de menos; nem excelente e nem péssimo - medíocre. 
Numa cultura tão expansiva como a brasileira, onde os interrogatórios  pessoais  por vezes são dirigidos com excessiva naturalidade até mesmo a estranhos, encontrar o ponto de equilíbrio é o mote.
Elencar temas neutros para dialogar em grupos não tão íntimos, ser cordial e não  invasivo, escolher vocabulário apropriado, expor-se apenas o suficiente, é o meio-termo para uma boa convenção social.     
Já diziam os antigos que falar é prata, calar é ouro. A necessidade de se aparecer, se sobrepor, ser o maioral, faz com que certas pessoas se excedam e percam o equilíbrio. Palavras não voltam, e podem ferir, humilhar, queimar quem foi alvo ou quem as proferiu.
Evitar excesso de grosseria, bisbilhotice,  puxação de  conversa fiada em momentos inapropriados, agindo com moderação, é uma ciência a ser estudada desde o berço.
Um adequado aperto de mão, num confiante olho-no-olho, evitando-se abraços e beijos a estranhos, é parte integrante de um código de conduta onde certos excessos devem ser reservados à intimidade.
Esta obrigação atual de se estar sempre provando algo, fingir o que não é para agradar aos outros, para se ajustar, numa cultura de constante superação, competição, excelência, desgasta o trivial, o simples, o médio.
Deixou-se de valorizar o moderado, comedido, discreto,  nem a mais e nem a menos. A busca pela superioridade, impecabilidade, prodigalidade leva a que o "homem seja lobo do homem".
A filosofia da ponderação, de ser na medida certa, dar o melhor de si na hora certa, diferenciar amigos de conhecidos, atinar que tudo que é demais não presta, tem sido substituída pela política do individualismo.
Uma professora de faculdade dizia para jamais sermos medíocres, avançarmos, estarmos no topo... mas será que isso não é desgastante? Será que tenho sempre que deixar o outro para trás? Quanta energia despenderei na empreitada?
Pensando bem, o  medíocre é o menos exposto, o menos cobrado, o menos exaurido. Ele é mais imbuído numa rotina, comete menos erros, inova menos, obedece mais.
Ser o melhor ou o pior, deixa o medíocre no recheio do sanduíche, desapercebido, competente. O medíocre quase nunca é demitido, quase nunca pula de cá a acolá, é estável, confiável, amigão.
Um colaborador medíocre cumpe seu papel com seus defeitos e qualidades. Aquele bonzão, ou logo irá embora ou passará a perna no patrão. O ruim é um parasita, prejuízo na certa...
Então, por que colocar tanto estigma no medíocre? Por que tanto medo em se tornar opaco? Qual o custo x benefício da não mediocridade? Se eu for o melhor num grupo de 10, aqueles nas posições 4, 5, 6, 7 serão infelizes? 
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3.7.14

Festas invernais

De maio a julho, nas igrejas, escolas, chácaras e propriedades rurais, respinga-se festas "juninas". Aquelas de igreja contém barracas pagas, bingos e prendas, para arrecadação$.
Nas escolas era parecido, porém não se pode precisa mais angariar dinheiro, então modestou-se a mesma, incluindo crianças e funcionários, sem família.
As festas de chácaras, pagas e modernosas sofisticadas, são para os jovens. A mais tradicional aqui se chama "Vem cumigo... Dispois ti isprico", na décima primeira edição.
As rurais são mais tradicionais e gostosas, onde cada família leva um prato típico. A reza dos terços cantados culminando com foguetório dá espaço à comilança típica e quentão, com direito (ou não) a arrasta pé em volta da fogueira.
Lá na serra, íamos fazer a nossa, em homenagem aos três santos de uma só vez: Santo Antonio, João e Pedro, todavia perdemos a Matriarca e perdemos também o ânimo... fica para outro ano.   
Estas fotos são da Escola:
Meus ex alunos
 Eu com elas
 Eu com eles (nestas fotos ausentam-se alguns, cujas mães não permitem publicação).
 Os primeiros anos todos juntos, degustando pipocas e outras guloseimas antes da dança.
 Lanche das Tias (sala dos professores). Cada qual leva um prato típico (eu lá atrás, de rosa).
 Fiz torta de bananas, pois tinha muitas (da serra)
 Separei umas 15 mais maduras
 Descascando
 Caramelizei a forma na boca do fogão, dividi-as ao meio e montei no fundo todo.
 Rende uma forma enorme com apenas uma receita de bolo (de fubá). Deixei alguns pro "Fiotão".
A banana caramelizada dá o toque, numa massa que não deve ser muito doce.

2.7.14

Blanche LIII: Ele se foi...

Numa prosaica manhã outonal, assim nos derrepentes da vida, um trio indígena, exibindo fumaças de nobreza, aguardava na cabeceira da mata. Com estridentes e pressurosos estalidos entreconfundidos, clamavam pelo garoto, que encantonado, se agitou em sobressalto pelos jorros de luz solar.
Era a somenos e descrente semana de Scott, o subserviente e enfarruscado "esposo" de Blanche. Os insondáveis mistérios que os envolvem, voltarão a reinar escancarados na solidão da alcoviteira montanha.
Ela voou até a tulha, o indiozinho excogitava apressado; um ardoroso olhar de filho que ama sem querer, tão comprido e pontiagudo, lancetou-a em mil palavras mudas. Qualquer som é contra producente...
Aquiescendo, azafamou-se à cabana de troncos, colheu vitualha de matula e acrescentou um tapetinho rajado, no formato circular. Configurava uma mandala em tons degradê puxados do branco ao centro, até o negro arrematando as bordas, sem nunca deslindar-se. 
Entregou-lhe a simbólica peça, banhada em bagas de lágrimas, orientando que o tivesse sempre... aquele delicado desenho circular simbolizava a perfeição daquela convivência trimestral, o infinito daquelas trocas culturais e a transcendência daquela amizade rudimentar.
Numa assestada reverência, o menino puramente sensível fez alusão ao querer paternal que dedicava a Tom e Nick, entregando às trêmulas mãozinhas de Blanche duas tornozeleiras fertilmente trabalhadas. A ela, devotou uma mínima estatueta de suçuarana, entalhada minuciosamente em madeira nobre.
Sem sofrear, picou a ressequida trilha num tropel triplo com apoio de cajado, carregando a matula, a tatuagem escarificada, as escanhoadas vestes rústicas e o tapete penso a um ombro. Carregava uma história de cooperação, de compadecimento, de humanidade pura.
A certa altura, prestes a embrenhar-se entre as enralecidas pedras, retrovertou lentamente o corpo num aceno tão afilado e pusilânime, entretanto tão pleno de efervescente comoção. A anfitriã abanou-lhe o avental, e a brisa, abelhuda que só, encarregou-se de agitá-lo compassadamente, enquanto o vulto sumia.
Reaparecendo em verossimilhança bem acima, próximo aos altivos acompanhantes, formou um escultural quarteto aureado pelo contrário sol matinal, já canículo. Espoucaram-se no viageiro batido da mata, restando apenas o fantasmal silêncio e funil de escuridão por detrás.
Cá abaixo, em meio a raios solares ainda mortiços, tingindo de ouro velho o curral, num relance, Blanche voltou-se de soslaio a seu outro desacertado garoto. Desenvolto, ordenhava as cabritas displicentemente, dirigindo-lhes chistes ingênuos e insossos.
Quebrou o  turvo mutismo do dia cascateando em voz lacrimosa e robustecendo de arrosto um possível presságio desdito. Seus olhos saltaram indagatórios pelo vão da janela que dava ao velado. A sagacidade e argúcia do  assenhorado indiozinho se encarregará de cuidá-lo no recôndito ermo.

1.7.14

Pititinha

Meus "pititicos" brincando de carrinho de sorvete.
Sim, eu tirei umas férias "pititicas" - recesso escolar. Ontem, passamos o dia todo na Escola, no "trem" dum curso "disgramado"... é estranho ver aquele casarão sem criança. Hoje, na manhãzinha, me encontrei com a mãe das gêmeas na feira.
Falando nas minhas gêmeas, elas são falsas. Vieram de inseminação, mas apesar de uma ser morena, grandona e cheinha; a outra ser loira, seca e miúda, a mãe as veste parecidas, mudando a cor (e tamanho); às vezes fica uma "marmotice".
Quando ensino as dificuldades ortográficas relacionadas ao SS e RR, sempre uso gêmeos da escola como referência aos alunos; tendo gêmeas na própria sala, melhor ainda - eles adquirem uma aprendizagem "bitelona".
A maior é minha melhor aluna, até tento desequilibrá-la para que relaxe um pouco. A outra é mais séria, abandona algum trabalho pela metade, vive de "butuca". Sempre a maior é que procura pela outra. Esta, por vezes lhe dá a "cacunda", nem lhe dá "trela".
Todos os alunos guardam peculiaridades ímpares... alfabetizar crianças de 6 anos é o paraíso, principalmente quando não há casos de "gastura" (criança marrenta, rilienta, que azucrina) no grupo. Neste ano eu não precisava nem dum "tiquim" de férias, pois não "pelejei" muito. 
Nesse "cadim" de descanso, não quero nada "reguenguela", só uns passeios simplezinhos: chá de fralda da colega, casamento da prima, dormir na serra, vagar pelos arredores. Não estou varada de canseira.