18.1.15

Trânsito

A prima, alegre como sempre!

As pessoas vão se aglomerando em cidades, vão comprando veículos, vão aumentando a pressa nem sempre necessária. O trânsito moderno é tão eficaz quanto mortífero.
Nem bem chegou 2015 e na semana passada, "Fiotão" chegava na esquina de trás e alguém cortou sua frente. Sem vítimas, apenas danos materiais, entretanto há que se fazer B.O., perder horas de serviço para acionar seguro, levar à oficina para avaliação, ficar um tempo com veículo amassado.
Eu fico aqui remoendo compaixão pelo policial que estava num carro velho e será cobrado do seguro. O capô e toda a saia frontal do carro do filho serão trocados. Fico também pensando no risco ocorrido com o filho...
No outro dia, ao almoço (horário de rush), passei ao lado de uma moça caída da moto, numa esquina movimentada. Escorria-lhe sangue pela boca, apesar de estar consciente e quieta (sem gemido ou choro). Ficar deitada no asfalto, rodeada por estranhos até a chegada do resgate deve ser uma eternidade angustiante. 
É um segundo para acontecer e nem sempre os danos são reversíveis. Na última terça, a moça da papelaria aqui do bairro foi atingida. Ela trafegava por um cantinho tranquilo, às 16 h - fora do horário de pico, e um rapaz, após gracejos com a namorada, deu uma guinada de 360 graus sobre ela.
Não seria tão grave não fosse uma parte do carro pegar seu pé, quase separando-o da perna. Foi implantado e aguardamos temerosos. Ela é muito querida pelos clientes da papelaria; sua irmãzinha que estava na garupa nada sofreu de grave. 
Algo extremamente desrespeitoso e que caberia pena legal foi que em minutos a foto do pé estava na Net. Já passamos da hora de uma lei severa proibindo que se filme o fotografe acidentes para estes fins.
Eu estava melancólica após esses três episódios próximos, quando minha mãe ligou avisando que uma Kombi  matou a esposa do primo que se exercitava de bicicleta. A amiga está em terapia intensiva; provavelmente serão anos de luta e até sequela permanente.
Pelos relatos, todos estavam numa subida sem acostamento quando o sol acabava de nascer, cegando completamente os que iam em seu sentido. O veículo se aproximou, pegou-a pelas costas e depois à amiga, num local de baixíssimo movimento. 
Meu irmão e cunhada, que eram demasiadamente íntimos do casal de primos, ficaram muito abalados e ajudaram ao máximo, indo e voltando daqui à cidade vizinha onde morara a falecida. O viúvo não foi ao velório, preferiu guardar a imagem da esposa viva. Só o tempo abrandará esse vazio pesado e frio.
É aflitivo analisarmos que nascemos, vivemos nossas dores e delícias, para sair do palco sabe-se lá quando e como. Indagamos se é destino ou fatalidade, se há um algo mais ou nossa crença é puro mecanismo de defesa. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Desativado

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.