14.5.15

Mulher casada tem filho?

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Estudo revela que quase metade da fecundidade brasileira está atualmente entre mulheres em união estável, e não dentre as casadas formalmente.
Dentre a outra metade, quase 15% compreende mães solteiras, sobrando pouco mais de 1/3 dos bebês para casais em união formal (que acaba de certa forma trazendo mais vantagens ao bebê).
Sim, este é um dado que observamos em sala de aula.

O que não concordo é com a palavra que ampliei no subtítulo da reportagem.
"Estudo do Nepo mostra que a decisão de ter filhos independe das condições proporcionadas pelo casamento."

A palavra "decisão" é bem relativa num país onde a maioria das mulheres em idade fértil hoje, ainda possui baixa escolaridade. 
É bem relativa sobretudo devido à grande restrição ao aborto legalizado, que barra mulheres de baixa renda do direito de decidir sobre o próprio corpo e principalmente o próprio futuro (visto que as ricas procuram clínicas particulares na surdina).
Será que essa metade da fatia de mães brasileiras tiveram seu filho realmente por "decisão" ou apenas por circunstância?
O texto também aponta vantagens e desvantagens da maternidade numa união consensual em contrapartida ao casamento formal e dá a entender que a mulher simplesmente não opta pela maior segurança (ao bebê) oferecida pelo casamento formal, ou não opta apenas por razões financeiras.
Trabalhei em escola estadual; fui monitora de creche / diretora de creche ; conselheira tutelar; trabalhei no departamento de assistência social da Prefeitura; atuo desde 2000 em escolas municipais.
Entrevistei muitas mães em condições não formais. Elas não dizem a estranhos sua real situação ou seus desejos. Muitas vezes, preferem que a palavra "decisão" passe uma imagem (falsa) de autocontrole.
É nas entrelinhas que percebemos, na maior parte dos casos, uma gravidez de supetão (não desejada); a união estável por imposição do parceiro (que não pode se casar - já é casado); a existência de filhos de outros casamentos ( dele ou dela)...

Estamos trabalhando o tema "família" na escola, porque a tempos deixamos de abordar "dia da mãe / dia do pai". Os arranjos familiares atuais nem sempre contemplam "a dobradinha mamãe / papai".
Ontem, num trabalho de ampliação da "comunicação oral", um aluninho disse que teve seu papai, porém não pode mais tê-lo porque a mãe não deixa. Ela lhe arrumou outro pai a algum tempo. Marejou os olhinhos ao abordar sua "paternidade descartável".
Qualquer constituição familiar vale a pena. O que não vale é fazer troca-troca de pai e mãe com criancinhas inocentes, sejam quais forem os motivos...

2 comentários:

  1. ~ Por aqui, tudo se agravou com a crise....
    ~ Bebés são raríssimos, em qualquer caso.
    ~ As mães são cada vez mais maduras...

    ~~ O país está cada vez mais envelhecido.~~

    ~~~~~ Grande abraço. ~~~~~~~~~~~~~~~~~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

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  2. O Brasil também já está abaixo da taxa de reposição, e ele não é densamente povoado!
    Os nossos bebês ainda nascem de mães jovens, porém a idade está se estendendo.
    Mães adolescentes, se a família não apoiar, acabam por dar ao filho uma estrutura familiar deficiente que refletirá no seu futuro.
    Essas crianças podem se tornar "cidadãos de segunda classe"...

    Até breve!

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