12.6.15

Antropometria

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Todo início de ano, as nutricionistas da merenda alimentação escolar, além de ministrarem cursos às professoras, fazem a antropometria da criançada (entro na fila).
Os responsáveis pelos indivíduos que fogem à média recebem orientação via palestra. Fato é que a maioria não comparece. E aí?
Entramos nós, professores. Todo trabalho que envolve alimento, aproveitamos e puxamos um gancho. 
Hoje, aquela parlenda "Cadê o toucinho que estava aqui?" rendeu muito debate alimentar. Iniciando pela palavra "toucinho" que no dialeto daqui se diz "toicinho" e que virou "bacon".
Como eles se alimentam errado! Cereal matinal à solta, biscoitos recheados, refrigerante, doces a qualquer hora.
Quando digo que é preferível comer uma banana ao café da manhã e evitar cereal ou biscoitos industrializados acompanhados com leite e achocolatado, torcem o narizinho...
Na primeira vez que expliquei sobre os males do sorvete: gordura, açúcar, químicas... Ficaram revoltados comigo. Como pode algo tão gostoso ser ruim? Hoje, quando repito, ficam revoltados com a fábrica, e alguns até diminuíram o consumo.
Corante artificial, não tinham a menor ideia do que fosse. Quando expliquei ser uma palavra chique para dizer que estão comendo tinta, ficaram assustados - é assim que se lida com os pequenos, ou não haverá efeito.
Sorte a merenda ser mais saudável. Eles vão ao refeitório 9 h 10 e recebem arroz com feijão fresquinho, legumes e verduras com uma proteína. Fruta de sobremesa. Poucos consomem todos os itens.
Tenho visto a polêmica da merenda escolar de filhos de famosos, e me lembro da minha infância. 
Não tínhamos acesso (ainda bem) a produtos industrializados. Comíamos o que havia na roça, comprando sal, açúcar, farinha e fermento para pão, umas balinhas.
A primeira vez que experimentei azeitona, aos 10 aos, detestei aquele sabor fortíssimo! O mesmo aconteceu com o azeite misto "Maria".
Certa vez, nessa mesma época, meu pai trouxe dois potinhos de iogurte (não se vendia por bandejas), Tanto eu quando meu irmão detestamos o sabor estranho. Chamamos um vizinho que havia morado na cidade para aproveitar "aquilo".
Minha memória palatável é do arroz com feijão e chicória refogada, dos bagres que meu pai pescava na hora, "pedacin" de frango caipira, das frutas no pé, amendoim furtado na roça, água direto do córrego.
As festas juninas com batata doce assada, pipoca, pinhão, doce de leite com banana, bala de limão feita em casa, chá de melissa e alfavaca.
Que triste essas crianças terem uma memória totalmente artificializada e um paladar estragado, só porque a mídia impôs e a sociedade acatou como cultura... 
E o errado é quem come "algo estranho"?
Eu levo de lanche um abacate com cenoura ralada e mostro a eles. Levo jatobá (fruta que comia todo dia) para experimentarem, batata doce (nem sabem o que é). 
Haverá salvação? Haverá retorno?

Imagem Net

2 comentários:

  1. ~~~
    ~ Penso que haverá algum retorno...
    ~ Porém, será um processo lentíssimo...
    ~ É uma excelente causa, nunca desanimes!


    ~ Tenho sorte de dispor de um leite bio magro
    de Portugal - caro - não tem concorrencia...
    ~ Faço os iogurtes e queijo a partir dele.

    ~ Há dias espantei-me: andava na 'net', quando
    encontrei, num vídeo, muito tolo, uma moçoila
    brasileira a servir-se de Parmalat UHT...
    ~ Parmalat é o leite mais desprezado da Europa
    e UHT é um leite longa duração, ou seja, morto,
    mortíssimo 'da silva'.
    ~ Um país com tanto pasto, como não tem um
    leite de qualidade?!

    ~ ~ ~ ~ Abraços ao natural. ~ ~ ~ ~
    ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
    .

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  2. Realmente, Majo, o leite longa vida, de vida não tem nada. Nenhum bacilo sequer escapa.
    Nossas pastagens perdem-se de vista, mas as multinacionais invadem qualquer campo.
    Saldoso o tempo em que o leiteiro passava com sua vaquinha vendendo o leite direto da teta...
    Salvam-nos apenas os queijos direto do produtor.

    Outro natural abraço de cá!

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