13.6.15

Quer morar no interior? Parte 2

De vez em quando recebo um e-mail com dúvidas sobre a qualidade de vida no interior. A dias recebi um pedido reincidente e aqui vai:
alimentação é cara?
Alimentos naturais de qualidade não. Eu gasto cerca de R$ 45,00 por semana na feira livre, com queijo, mel, hortifruti em quantidade. 
Produtos do mercado variam pela marca. Temos quatro mercados grandes e muitos mercadinhos de bairro. Eu cozinho em casa toda madrugada, comer fora encarece um pouco.
Os restaurantes populares a quilo vendem marmita grande a R$ 12,00, suficiente a um casal, se acrescentar uma saladinha. O quilo para consumo in loco varia segundo o estabelecimento e o dia da semana.
Dá para montar um prato saudável por R$ 10,00 evitando molhos e carnes com ossos (pesados).  Conheço casais que usam estas estratégias e não cozinham nunca.
Nos fins de semana, é comum os restaurantes rurais, a 25,00/ 35,00 por pessoa. Servem de 40 a 60 variedades, muita sobremesa caipira e apenas bebida paga à parte.
Produtos de cuidados pessoais, higiene e limpeza saem caros se não houver moderação e economia (creio que como em todo o Brasil).

E a água?
Bebe-se da torneira, filtrando sempre (pode haver contaminação nos canos). Há quem compre de galão e "se acha"! Nossa água nasce cristalina na Mantiqueira (foto) e é coletada direto no rio, antes de chegar à cidade. Ela e as montanhas são nosso maior tesouro natural.
Na cidade vizinha, a água mineral jorra solta, é só encher o galão. Muitos vão lá no fim de semana e já fazem um lazer.

Como faço para conseguir um bom imóvel? E a locomoção?
É fácil alugar ou comprar, de acordo com as possibilidades de cada um. A maior oferta é de casas térreas em qualquer bairro. Pessoas de classe média baixa geralmente possuem casa própria (popular) e mais de um veículo. A maioria se locomove em carro próprio (ou moto como eu) - tudo é relativamente perto; ninguém demora horas até o trabalho local.
Crianças vão à aula com vans pagas ou levadas pela família. Há ônibus escolar gratuito para bairros distantes e zona rural.
Infelizmente, ainda não temos ciclovias e o trânsito em horário de pico é um risco e desestímulo a quem vai trabalhar de bicicleta. Temos o serviço básico de ônibus circular e muitas centrais de moto-taxis.

Escolas para as crianças:
A cidade é bem servida de escolas / creches públicas e privadas para crianças de todas as idades. No ensino médio temos "Anglo" para os mais exigentes e a escola federal citada. Daqui de casa, nos quatro pontos cardeais há 4 creches totalmente gratuitas a no máximo 15 minutos a pé, com vagas.

E a saúde?
Casos especiais são encaminhados ao hospital da UNICAMP e outros centros hospitalares especializados da região. Temos postos de saúde nos bairros com bom atendimento, pronto socorro central (a qualidade do atendimento dependente da demanda do dia), centro de especialidades administrado por profissionais da UNICAMP, outros centros especiais, um hospital filantrópico que atende pelo SUS e um da UNIMED. Planos de saúde temos UNIMED e do hospital filantrópico (o meu).

Envelhescência:
A cidade envelhece rapidamente e não está NADA preparada para acolher idosos dependentes. Não temos nenhum asilo (clínica) público, só filantrópico e particulares (caros). Há um projeto na Prefeitura para construção imediata de apenas UMA casa-dia. Precisamos de uma por bairro urgentemente.
Idosos com demência são cuidados em casa, geralmente com revesamento dos filhos ou contratação (dispendiosa) de cuidadores. Nem sei como se dá com a população de baixa renda...

Quais os principais acontecimentos?
O que dá de falar nas rodinhas de fofoca sobre a cidade são acidentes, suicídios, assaltos, eventos, chegada ou saída de empresas (contratações e demissões). Veja notícias nesse jornalzinho popular e nesse mais tradicional.

E o sotaque?
Não é mais tão carregado como antigamente, exceto pelos mais velhos e pessoal da zona rural / periferia. Eu particularmente adoro nosso sotaque caipira, onde o L costuma ser trocado pelo R - meio "espanholado" (borsa - bolsa / carcinha - calcinha).
O R é retroflexo - entortando-se a bochecha (errrr) e existem palavras peculiares (terreiro - quintal / campear - procurar) e expressões (ê lasqueira / larga mão).


Na verdade, aqui temos o melhor dos dois mundos: Alta tecnologia nos polos interioranos e a cultura caipira raiz, sobretudo aqui ao lado, em Minas. O clima é bom, com ajuda das montanhas.

FOTO MINHA

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