19.8.15

Motossera X tesoura


Pense num barulho estressante misturado a outro ainda mais. É o som característico de 20 e tantas crianças em sinfonia com um cortador de árvores e galhos, galhinhos, galhões que não acabam mais.
Sim, resolveram dar poda radical em três grandes árvores no quintal de minha sala de aula. E em horário de aula. E sem aviso prévio.
Dois dias. Ledo engano eu imaginar que até à tarde de ontem terminariam, e hoje estaria salva.
As crianças se contorciam, reclamavam, esbravejavam.
Tive que mudar todo o planejamento de aulas - IMPROVISAR.
Como fazer uma leitura deleite? Como realizar contextualizações orais? Como dar comandas de atividades, sendo que sem interferência externa já tenho que falar 15 vezes a mesma comanda...
E deu zica...
Toda quarta-feira, metade de minha turma (os já alfabetizados) vão para a outra professora e os fraquinhos não alfabetizados dela vão para mim.
A certa altura, apliquei uma atividade de recorte e colagem, para não exigir tanta oralidade e acalmar a "tropinha". Tudo transcorria bem, eu lá abaixada ajudando um aluno que requer mais...
Grito!
O F havia desferido uma tesoura contra o colega, que é  da outra sala... Simplesmente se estranharam e a tesoura voou na nuca do outro, fazendo um furinho.
Eu mereço?
Cacei uma estagiária para higienizar o ferimento e acalmar o menininho. Pedi auxílio à Diretora (coisa que não faço), pois a criança é de outra turma e não conheço o temperamento da mãe.
Aquelas tesourinhas sem ponta não cortam nem papel, meu Deus do sétimo céu!
Após uma bronca geral sobre manuseio de tesoura, e olho no olho em particular com meu anjo, penalizei-o com três dias sem recreio.
TUDO NA VIDA TEM CONSEQUÊNCIA.
Não acabou. Após todo mundo entregue às famílias, fui confirmar se a conversa via fone com a mãe fora leve.
Gente! A Diretora esqueceu-se de ligar e explicar... 
A criança foi entregue à mãe pela outra professora como se nada houvesse!
Toca o telefone. Era a mãe. Sorte que o filho não escandalizou o ato. A diretora esclareceu.
UFA!
Professor passa por cada saia justa rasgada...
E amanhã, com TODA certeza, o F perguntará:
_  Tia, estou de consequência ainda?
_ Claro!
_ Mas já paguei a consequência ontem...
Um porém: A mãe de F não pode discipliná-lo. É deficiente intelectual a ponto da avó ser sua tutora.
Se reclamo com a avó, ela o surrará tanto, que da próxima vez F atirará uma motossera ligada no outro!
Ps.: No último dia sem recreio, ajudei-o a fazer um bilhete se desculpando. Fui com ele entregar e dar um abraço no colega. Espero ter havido crescimento nesta experiência.
Imagem minha.

2 comentários:

  1. Querida Cris,
    há coisas inexplicáveis que acontecem no ambiente escolar...nem mesmo Sherlock Holmes resolveria.
    Estou de volta a escrever. Gostaria muito de sua visita ao meu blog, pois lá um post esclarecedor.
    Com carinho de sempre,
    Denise

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  2. Olá, Denise! Que saudade de seus textos!

    A criançada anda a cada ano mais agitada... Pode ser a tal "Sindrome do Pensamento Acelerado" de Augusto Cury.

    Te visito já

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