13.9.15

Amor-perfeito

Esta dupla "famosa" vive literalmente jogada pelos cantos aqui da vila. Ela tem três filhos adultos que largou por aí.
Quando me casei, morei por três anos e meio numa casinha do sogro situada a 100 metros da mãe dela, que servia homens em troca de moedas, tamanha a penúria. 
Eu vinha de um bairro muito conservador e discreto - nos primeiros meses foi um baque ver esse povo largado nas ruas da vila, gente falando alto, desgrenhada... 
Logo me acostumei.
Na última terça-feira, eles ficaram a tardo toda quase em frente à oficina. Não aguentei e fotografei a "paixão".
Repare no carrinho de feira: Em torno de meio-dia eles vieram catar os restos da feira livre. Provavelmente já estavam demasiadamente bêbados e só pegaram uma verdura e um mamão, que logo rolou e deitaram sobre. Amassou tudo, ficaram lambuzados.
Dizem que ele é um policial aposentado por invalidez devido à bebida. A cerca de uma década perambulam de bar em bar e voltam à casa dela. Sempre dão escândalo. Quando o nosso barracão, do outro lado da rua estava em construção, eles dormiam lá - na maior. Nem ligavam prá nós.
Deitaram, cochilaram, mijaram  pela roupa, fumaram, se beijaram escandalosamente, brigaram aos palavrões, subiram e desceram, novamente subiram, esvaziaram o corote... 
Quando escureceu e fechei a oficina ainda estavam na esquina de cima, ela bem mais bêbada que ele, numa briga só.
Anteontem, enquanto eu corria, ele tentava tirá-la do bar e de perto d'outo cara. Por fim, ela o trocou e ele ficou tristinho na esquina, com olhos só para ela, choroso. Ela se divertia no bar, quase babando e cambaleando. ele aguardou compassivo até tirá-la e irem felizes prá casa (da família dela).