19.9.15

O que é a Sugestão Popular 15, de 2014?

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Segunda-feira eu fiz este texto por ser um tema por demais relevante ao empoderamento feminino. Na próxima quinta-feira, 24 de setembro,  ocorrerá em Brasília uma Audiência Pública Interativa.
Irá instruir a SUG 15, de 2014, que regula a interrupção voluntária da gravidez, dentro das doze primeiras semanas de gestação, pelo Sistema Único de Saúde
Ninguém é a favor do aborto indiscriminado, é apenas uma das alternativas para a mulher (pobre) decidir com seus familiares (ancorada em profissionais de apoio) em reparar (ou não) uma eventual "gravidez desestrutural".
A natureza é malandrinha para perpetuar a espécie. Aproveita as menores brechas num ato sexual aparentemente seguro. Quantas adolescentes engravidam na displicência e os avós que se virem... 
A classe média aborta clandestimanente, enriquecendo clínicas inseguras. Romper a solidão, a culpa, o medo da justiça e a vergonha é um direito familiar. Muitas mães pobres, "despejam" crianças após gravidez forçada.
Inicialmente, os motivos alegados contra eram religiosos. Hoje, com a maior força da laicidade, vem à tona a "implosão demográfica" que "quebrará" a Previdência.
Ora! Obrigar a família a levar a cabo uma gestação ocorrida sem planejamento e sem possibilidades de êxito, em nome apenas da ingerência da Previdência Social, é no mínimo hipócrita. 
Depois, lá vem as próprias brasileiras que vivem outra realidade no exterior (onde não se nasce à deriva), acusar nossa extrema violência,  má qualidade educacional, mentalidade atrasada. 
Mais vale menos crianças nascidas com excelência, que um contingente de bebês "ejetados", onde a sociedade finge que ampara com "Bolsa família"  e educação ruim em tempo integral.
Se a educação ainda não atingiu a qualidade necessária, não é dobrando período que o quadro se reverterá, muito ao contrario: ruim + ruim = péssimo.
Quando essa mesma criança "arremessada ao acaso" cresce e vira "noia", atacando a comunidade circundante, há um pensamento "em coro" para que a polícia lhe acerte (sem querer) uma bala perdida. Aí pode!
Diferenças gritantes na sociedade estão sendo incentivadas pelo abandono de gestantes que tributam razões muito próprias para uma difícil decisão de interrupção. O autojulgamento já é o bastante; não necessitando julgamentos alheios vazios.
E quanto ao argumento do assassinato? Vida solene não é o mesmo que quantidade de vidas miseráveis. Uma alma (para quem acredita) tem o direito de nascer dignamente, e não ser apenas expelida por uma família que não apresenta condições básicas para acolhê-la.
Lembra minha infância, quando a questão do desquite estava na berlinda... Parecia algo imensamente absurdo! Era como se todo marido a partir dali, abandonasse as esposas e filhinhos por força de uma lei. Hoje, o divórcio é uma realidade tão banal e nem por isso é menos doloroso quando necessário.
Estou casada a mais de trinta anos e apoio totalmente a possibilidade do divórcio! Com a interrupção da gestação é a mesma coisa.
Eu vivo no estado de São Paulo, tenho um marido "mente aberta" que aceitou fazer vasectomia (pois pílula é falível). E mulheres muito jovens, ou sem parceiro fixo, ou de regiões remotas, ou sem acesso às informações, ou sem condições financeiras, ou sem apoio familiar?