23.9.15

Primavera e desabrochar dos alunos

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Todo ano, algumas crianças vão no reboque dos demais, no próprio vácuo dos coleguinhas. Descem "na banguela" que é uma beleza, entretanto se tiver que "engatar uma primeira marcha" para subir sozinhos, o câmbio trava. 
Ficam por lá, na marcha lenta, sendo constantemente empurrados até um determinado ponto em que acordam "do transe" e saem desacompanhados do "ponto morto".
Quando desabrocham vivazmente, é como a flor mais perfumosa... Toda a turma comemora e vibra com vigor! Os olhinhos deles faiscam assustados, por virem-se enfim capazes.
É justamente em torno do início da primavera que  acontece o milagre da alfabetização para certas crianças mais dificultosas.
A emoção do professor perante o fenômeno equipara-se a uma flutuação em águas translúcidas numa madrugada enevoada e fresca.
A sinergia da sala de aula a esta altura do ano propicia a confiança mútua e estimula a segurança dos não tão capazes a ousar aprender. E quando ousam, conseguem - "simples" assim.
Nenhum professor universitário, em curso de doutoramento que seja, experimenta um êxtase tão intenso quanto a participação nesse processo intrincado e árduo com os alunos em dificuldades. Nos sentimos quase salvando alminhas desprotegidas...
E eles? Em razão do grandioso esforço despendido, estão convictos de que aprenderam absolutamente sozinhos. Nem mesmo os amiguinhos contribuíram. E que lhes brilhem os holofotes de primavera!
Imagem Google.