20.11.15

"Cê qui sabi"



Aqui na minha região, os famosos brechós levam o apelido acima. Existem pessoas que abominam! Sentem-se menores por usar resto de outros.
Outras (como eu esquisita) pobres conscientes acostumadas a vestir tudo de primos, tios e vizinhos desde bebês, são fascinadas por garimpo.
A moda reaproveitável requer  inteligência para criar um estilo personalizado, mesclando peças antigas e atuais (novas) sem escravização às tendências. 
Comprar peças-coringa de boa qualidade, fazer pequenas reformas à máquina de costura e renovar sempre os acessórios é o mote. Eu costuro peças lindas a partir do pano de outras peças que não eram "nada a ver".
Quando há algum defeito na peça, é só mostrar à responsável pelo "Cê qui sabi" e conseguir ótimo desconto. Em casa, pode-se pregar ou tirar um bolso, colocar um laço, uns botões, cortar uma calça e fazer bermuda, tirar a manga...
Com crianças, tudo é usado tão pouco, pois elas crescem... Comprando e higienizando devidamente economiza-se para outras prioridades. Sempre levo calçados, estojos completos, revistinhas e tantos mais para alunos meus carentes.
Na quinta-feira, fui levar uma doação e ficar um pouco com minha mãe na lojinha da igreja onde ela é voluntária nesta tarde. Encontrei o casaquinho jeans perfeito (foto acima), do jeitinho que procurava a tempos.
O preço? Dois reais! E de quebra, peguei a echarpe de seda por um real e a bela pulseira de alumínio por cinquenta centavos. É de inverno! E daí? Guardo para o ano que vem; garimpagem funciona assim mesmo. 
A bermuda  (foto acima) é novinha, foi queimada a ferro e abriu um furo. Colei essa etiqueta da nossa Bandeira com "aquela" cola. O Par passeia de Triton com a bermuda de 1 real.
E livros então? Encontra-se cada joia! Basta ser paciente.
Já encontrei quadros, bibelôs retrô, acessórios dos mais variados, aparelho de ginástica (que a agente enjoa logo), as toalhinhas de crochê antigas que coleciono (só coleciono isso).
Compro assim todos os meus tênis de corrida com amortecedores (que uso muito). Aliás, correr com tênis amaciados é meio caminho andado para o sucesso.
Entre as professoras, há o grupo que adere e o que repulsa. Fazemos trocas durante o recreio, sob alguns olhares bem tortos.
O que se vende novo nas lojas também já foi experimentado por muitos. Em locais públicos usamos sanitários e cadeiras. Nos hotéis e restaurantes compartilhamos cama, talheres. No hospital podemos receber sangue e até órgãos de estranhos.
Então, prá quê tanto preconceito? O Planeta Terra e as entidades assistenciais agradecem a engenhosidade (e minha máquina lava com água quente)!

2 comentários:

  1. Boa Cris, reflexão perfeita sobre esta bobagem.
    Eu já usei muitas coisas de pessoas que partiram para o outro lado.
    Hoje a customização é uma arte que tem evoluído muito.
    Como Caetanos jogue leite ruim na cara dos caretas,kkkkkkk

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  2. Moramos em casas que já foram de outros, compramos carros já pertencentes a outros, até cônjujes que pertenceram a outros é corriqueiro...
    Customizar peças usadas é simples e o resultado compensa!

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