29.11.15

Comida para intervenção terapêutica


Meu Par vem arrastando indícios de uma tragédia anunciada a 12 anos, quando começou a medicação para hipertensão arterial.
Dali para cá houve acúmulo significativo de gordura visceral - aquela dura, que fica na parte interna da barriga e pior que a banha visível e mole.
Ele teve vários episódios de triglicerídeos a 750, descendo para 350 e subindo novamente aos poucos.
Teve efeitos colaterais terríveis com medicamentos para baixar - dores difusas por todo o corpo, aparentando um velhinho de 75 anos (fibromialgia).
Em 2010 eu o levei a um geriatra que fez 14 exames e detectou o efeito colateral das estatinas como uma das principais causas daquela condição degradante.
Teve eventos inflamatórios, pois triglicerídeo é o pior agente inflamatório existente - esporão, gota recorrente, tendinites, dores articulares.
Em meados de 2013 passei a estudar autodidaticamente alimentação, visto que eu também engordara um pouquinho, apesar de não comer demais e me exercitar - hormônios do climatério.
Fui percebendo controvérsias gritantes entre estudos estrangeiros atuais e as orientações tradicionais sobre alimentação - um medo se instalou.
Quando em meados do primeiro semestre deste ano, o Par trouxe a bomba - estava pré diabético - eu já havia me armado com a descoberta da restrição de carboidratos como intervenção terapêutica e não como dieta da moda.
Carboidrato está em todo canto - até no talo da couve, que não digerimos (celulose - um açúcar). Os densos é que são os vilões (arroz branco, farináceos, batata, alimentos açucarados). 
Os integrais são um pouco menos densos, assim como mandioca, milho verde, tapioca, baroa, beterraba, abóbora madura, banana...
Futas de menor teor glicêmico, legumes e verduras possuem carboidratos leves e levíssimos, formando a base da alimentação de um pré diabético, acrescendo-se uma proteína e gordura. Tudo natural, com o mínimo de industrializados.
No Brasil, um dos blogs sérios que me ajudaram a sair das trevas, trazendo referências bibliográficas de peso foi este, com uma didática invejável. Nossa salvação, pois as orientações médicas tradicionais estão totalmente ultrapassadas e equivocadas, cuidando os sintomas e não a causa.
Obviamente eu não sigo nenhum autor específico, pincelo cá e acolá e monto um quebra-cabeças que se encaixa à realidade do meu  Par, sua rotina e aceitação. O próprio médico autor do blog prega a customização das dietas terapêuticas.
Aqui, uma palestra dele que resume muitas ideias avessas ao senso comum e reforça o sentido terapêutico da restrição de carboidratos e não modismo.
Meu Par baixou a glicemia de 167 para 98 / 105 em quatro meses, sem medicação e com uma disposição incrível. Ele não segue dogmas à risca, apenas compreendeu que carbos lhe são prejudiciais e a opção é a gordura, pois proteína não é combustível.
O efeito colateral? A pressão arterial caiu tanto que ele foi diminuindo e espaçando a medicação até parar de vez. Ele monitora todo dia a pressão e glicemia (que dá uma subidinha quando ele perde a linha). Os próximos exames laboratoriais calcularão os triglicerídeos.
Gordura é abacate; polpa de coco; amendoim, castanhas e afins, sementes de girassol, de abóbora, gergelim; azeitonas;  ovos e suas gemas (sobretudo caipiras); queijos (principalmente o branco artesanal curado); manteiga; comida feita moderadamente na banha caseira; carne com alguma gordurinha anexada - sem forçar a gordura.
Você conhece um portador de Síndrome Metabólica? Oriente-o a estudar, se informar, pesquisar autodidaticamente e reverter sua condição comendo corretamente.
Para quem deseja se aprofundar, aqui eu tenho uma lista imensa.