14.11.15

Efeitos assustadores da crise

Resultado de imagem para imagem pão de cachorro quente
Eu trabalho com crianças a vinte e tantos anos, atuei com bebês de creches até alunos adolescentes.
A merenda escolar nunca foi um restaurante 5 estrelas devida à verba sempre mínima, contudo satisfaz muitas boquinhas famintas.
Um contingente de crianças vai em jejum à aula por saírem de casa muito cedo, ou às pressas, ou por preguiça da mãe, ou por falta de que comer, ou por não terem fome ao acordar.
Na minha infância, a gente tinha proteína texturizada de soja nas sopas de legumes de segunda à quinta-feira; e de prêmio, leite em pó no mingau de aveia, canjica ou arroz doce às sextas-feiras.
Já houve época em que a merenda mandava pêssegos e goiabas imensos, carne em fartura, biscoitos recheados industrializados aos montes.
Nesta semana, começamos a segunda-feira com macarrão porque não havia ovo - o habitual do cardápio.
Ontem, dia de pão com carne moída, o produto foi servido apenas com margarina! Meus olhos se recusaram a crer no que viam... Nunca, em toda a minha carreira serviu-se uma merenda tão pobre à hora do recreio.
O pão branco já é um isopor, e a margarina falta um "tantico assim" para ser um plastiquinho... Para piorar o quadro, às sextas-feiras não se serve fruta como sobremesa.
Pode-se colocar a culpa na greve dos caminhoneiros, ou alegar falha na licitação, devolução de mercadorias, sei lá mais o quê.
Esse Brasil está mesmo em apuros ou a roubalheira continua sangrando as verbas essenciais, agora minguadas? Na saúde, já faltam até os remédios mais básicos e corriqueiros.
Deus do céu! Um país tão bem dotado e à deriva...