30.12.15

Congonhas - Minas

Congonhas deixou de ser "do Campo"... A primeira cidade histórica que visitamos e onde estão as últimas e mais enigmáticas obras da equipe de Aleijadinho.
Ele possuía escravos, artesãos e aprendizes livres, pois era chamado "mestre" e tinha oficina / escritório (uma "empresa"); entretanto a supervisão e acabamento das peças eram sempre seus. 
Há em museus, contratos de trabalho e recibos que orientam essa tese. São obras demais para não ser assim. As irmandades Carmelitas e Franciscanas "brigavam" por ele - o melhor.
Com a doença já avançada, amarravam-lhe ferramentas nos membros degenerados e ele trabalhava na sombra da noite, devido à sua deformação. Arrastava-se de joelhos e a dor extrema o fez cortar alguns dos próprios dedos.
Creio que como o nosso Furlanetto, ele não tinha consciência de sua genialidade, mas sim de seu valor - cobrava caro. Trabalhava para sobreviver; a devoção religiosa era o poderio da época, não o artista. Muitas pessoas viviam da arte sacra, toda a hierarquia social era ligada ao sacro.
Ele morou com sua equipe em várias cidades da região para talhar suas obras em pedra sabão, material corriqueiro na área. A confecção dos trabalhos durava anos e até décadas.

O clima nos favoreceu com dias lindos, apenas com pancadas rápidas de chuva.
A ruazinha histórica que começa abaixo da igreja S. José e termina bifurcada. À direita, chegamos aos profetas. 
As pedras irregulares "pé-de-moleque" nos transportam no tempo. Lindas casas de época são habitadas pelos locais humildes e imprimem veracidade a todo o conjunto arquitetônico.
A entrada da igreja S. José - a primeira a visitar e uma das que mais me marcaram. Exala transcendência, apesar de simples. A faxineira nos atendeu muito bem.
Pelo interior, suas lindas torres arredondadas revelam as pedras brutas. Ela tem a mesma porta almofadada de tantas igrejas e capelas da região, entretanto não fica num morro e sim no meio da ladeira.

A Basílica Matozinhos está em restauro, entretanto fica aberta para visitação gratuita, com um senhor orientando. Não se permite traje indecente. O altar, principal beleza, está inacessível. 
No quintal há uma capela e museu dos devotos abertos para visita. À direita da foto fica a imensa igreja atual, sanitários públicos e a lateral de um novo museu municipal que só abre aos sábados (?).

Chegando ao encontro dos profetas - emoção forte estar nesse famosíssimo museu ao ar livre. Eles nos saúdam do adro, alguns já parcialmente depredados por vândalos, sem dedos - criaturas seguindo a sina do criador.
(ainda não replantaram a palmeira morta - faz muita falta)
 Veja o detalhe dessa bota. Cada membro ou acessório revela perfeições únicas.
Meu Par junto a um profeta e todo o deslumbre da acidentada paisagem rugosa. As sagradas montanhas de Minas nos acompanharam desde casa.
A beleza árida da praça rodeada por muita área verde e prédios da época, como um imponente hotel, completam o cenário.
 Aqui, seguindo a sina do mestre, a ponta do pé se foi. Veja a delicadeza da vestimenta.
Há 6 capelinhas abaixo. As inúmeras imagens da via sacra são de madeira policromadas. Aqui, a Santa Ceia. Jesus, 12 apóstolos e dois criados servindo.
Duas passagens na mesma capela. Os olhos são expressivos, pupilas dilatadas. Impressionante como a mesma perfeição da estátua de Jesus reaparece em cenas tão distintas.
A ladeira o os degraus dão o charme à praça e às capelas, onde observa-se as imagens e cenas pelas grades da porta trancada.
Romaria, bem próximo aos profetas. Esse local é enigmático - embora de época atual, possui uma arquitetura que lembra uma taba indígena.
Vários museus funcionam nessas casinhas numa disposição circular, porém fechado para reforma.
No vale abaixo fica o centro comercial com trânsito caótico e logo acima, a bela e de época Igreja N S Conceição, também em restauro.
Consegui as três abertas! Pouco antes da igreja fica o Solar  da Intendência - hoje prefeitura (não fotografei por estar poluído de luzinhas de natal.
O antigo colégio de moças ao lado da igreja e logo após, o cemitério, que em Congonhas, não fica nas igrejas.