3.1.16

A cidade do minério de ferro

Como mostrado nas fotos, Mariana tinha raríssimos turistas, trânsito bonançoso, parecia um diamante bruto aguardando ansiosamente a vinda do lapidador.
O Par está na lateral duma das igrejas gêmeas - a de N. S. Carmo. Numa modéstia esplendorosa, desdenha a superioridade da colega ao lado.
Por fora, destacam-se as duas torres tubulares a brotarem do teto, e a diferenciam da "irmã" que traz torres "quadradas". A sacristia quase a escapar para a rua, também se ressalta.
Sofreu um incêndio a poucos anos e está fechada.
Aqui, as gêmeas juntinhas a se rivalizarem: S. Francisco (dos brancos) e Carmo (dos pardos). Observe as torres o tempo todo se confrontando feito bisões no cio.
A beleza dessa praça encimada está na singela nudez escancarada e absoluta. Básica, determinada, robusta, displicente a sustentar seus preciosos monumentos.
A cruz dupla da Igreja S. Francisco e esta portada principal talhada de forma totalmente diferente, casam de forma perfeita com as vigorosas pilastras em pedra sabão.
E à frente, a Câmara de vereadores a se manter até hoje, onde no piso funcionava a cadeia e senzala. O quartel dos dragões (polícia) do império também funcionou aqui. 
À frente, o pelourinho... É bastante assustador vislumbrar aquele instrumento de tortura esculpido de forma tão artística.
Muito sangue correu nesse tronco. Negros passavam noites gélidas e tardes escaldantes aí amarrados, implorando por água e surrados por capatazes. Malfeitores também expiavam aqui, veja o símbolo da justiça.
A escadaria corpulenta é de uma beleza à parte, o local privilegiado escolhido a dedo, as minúcias emoldurando a porta principal. E eu com minha insignificância, ao alto, a degustar a boa vidinha...
No terreiro, um velado e sedutor bebedouro no vão da capelinha. Todo o quintal é um tesoura à parte: aberto, amplo e arejado. Torna-se quase possível sentir os cavalos pastando e o burburinho de transeuntes.
Não é à toa que essa região se chama "quadrilátero ferrífero"...