27.1.16

E é assim:

A chuva se precipita... Cai toda frondosa, forte, num vigor
Trovões ao longe, quase quietos, medrosos, com clarão chocho
Admiro pela janela, e as gotas me afagam; carícia mansa, veludo
Corre a enxurrada límpida, sem pecados, vida plena
Os jorros que precipitam, regato quase, abundância
Que Planeta extraordinário, uma Terra em só natureza
Vinte horas e o horizonte ainda se mostra, fraco, lento, se mostra ainda no vão da chuva
Uma chuva que a quatro horas nos visita carinhosa, visita educada
Agora mostra a que veio: Limpar, expurgar, refrescar, animar
Gratidão, lindezura, exuberância simples, afago doce, receptividade
Convidei pro jantar: Caldo de feijão e linguiça, pipoca de dendê com orégano, creme caseiro de chocolate com manteiga e café solúvel - suave, manso a combinar com a força da pancada - o café na receita massageia todas as papilas gustativas, todas!
Ponta dos pés, me debruço na janela a beber na goteira da telha, como feito sempre... sempre desde a infância
Chuva em forma de água, água em forma de chuva... e a brisa a bailá-la, conduzi-la... ora para cá, ora acolá
Meu Par me chama proutro ângulo... Licença, viu?