3.1.16

Mariana, a meiguinha!

Quando rumamos à Mariana, logo cedo, da pousada via-se uma nuvem agrafitada, imensa, dominando todo o horizonte.
Colhemos água fresca, guardamos as malas, café e pluft! Tudo aquilo desabou instantaneamente sobre a serra.
O sol nos encontrou na estrada para acompanhar-nos até o meio da tarde. Dia lindo recebeu-nos à terra da Marília de Dirceu.
Parênteses: É uma pena que a história de amor equiparada a Romeu e Julieta seja apenas onírica... Ele, um solteirão já com dois filhos perdidos cá e acolá à caça de dote. Ela, uma menina debutante de família rica, carecendo um marido poderoso. Poder e riqueza sempre formam par.
Seis anos se passaram e só às portas da prisão ele propôs casamento... Todavia quando a dificuldade entra pela porta, o amor pula a janela! Tudo terminado numa carta.
Doroteia (ou sua irmã caçula) teve um filho ilegítimo, passando como um costume hipócrita, o final da gravidez e o parto numa fazenda de amigos.
O bebê foi colocado à porta de um casal conhecido e mantido pela mãe-madrinha-de-batismo até tornar-se médico no Rio.

Esta abaixo é a Rua Direita. Toda cidade antiga ou importante ou histórica tem uma rua direita, que quer dizer DIRETA. Era a rua que levava direto ao ponto central.
O ponto central aqui é a Praça Cláudio M. Costa - o inconfidente. Uma praça com a beleza rústica daquelas praças de outrora. Sua maior beleza está na não modificação.
A Catedral da Sé (obra do pai de Aleijadinho), basílica onde acompanhamos uma missa, tem interior com douramento primoroso, capelas laterais magníficas (não pode foto, como sempre).
O único órgão alemão do Brasil está lá, na lateral esquerda para quem entra, bem no alto, nos admirando.
Há concertos esporádicos e nos fundos da igreja funciona o museu da música e também o de arte sacra.
Mimetizar-se em meio à expressão de fé comunidade, sem turistas bisbilhotando, sentir o clima de uma Mariana parada no tempo, é algo mágico!
Outro ângulo da rua, com os enfeites de natal desenfeitando. Avarandados de todo tipo trazem hologramas de sinhazinhas à espreita, enquanto penteadas pelas mucamas...
Os detalhamentos escandalosos de gradis e fachadas trazem pinturas, sinais e enigmas de uma época cristalizada entre essas pedras eternas.
O pisoteado desgaste das calçadas em pedra-sabão, a tortuosidade assimétrica de janelas, o desnivelamento entre as peças talhadas a olho uma a uma, denunciam o quão remonta cada prédio.
Chafariz São Francisco, em frente à travessa de mesmo nome. Imponente e discretamente escondido, seco e tão vivo. Pode-se ouvir o burburinho das mucamas e senhoras pobres trocando fofocas enquanto os jarros se enchem (e elas nem notam).
Observe o piso original da rua, com sua ladeira característica. Aqui em frente, sobe uma rua tão bela para as bandas da Basílica S. Pedro dos Clérigos.
Subindo à esquerda da foto, chegamos às igrejas gêmeas.
Abaixo, logo a par com a travessa, fica a Praça Gomes Freire (jardim e point dos moradores). Tudo isso fica às costas da Catedral da Sé. Um imenso bebedouro de cavalos ainda perdura.
 Logo acima daquele chafariz, nos fundos de uma das igrejas gêmeas - a sacristia da S. Francisco com escadaria de um grosseiro poético e porta enigmática.