22.1.16

Ouro Preto - a chegada

A chegada a Ouro Preto revelou uma cidade judiada, sofrida pelo descaso, apesar de tão famosa: Um peculiar chafariz todo abandonado, escondido no mato. 
Ponto de encontro, essas escadinhas laterais, tão ternas, ouviram as tantas histórias da mulherada da redondeza num entra e sai sem fim à busca d'água...
Há minas escavadas pelos barrancos da periferia. A cidade, sobre montes rupestres, é um queijo suíço curado.
As igrejas, tantas, ainda possuem esse metal para retirar a lama dos calçados de outrora.
As irmandades e congregações leigas se rivalizavam: religião, imposição de poder, tradição e competição hierárquica se mesclavam.
Brancos, mestiços e negros; escravos e libertos; pobres e ricos - cada macaco no seu galho.

Essa é a "Mercê de cima".   
Aos fundos, o cemitério sempre! Um senhorzinho nos disse que será enterrado aí. Ele pertence à irmandade e detém túmulo familiar.
Porta lateral ricamente talhada. Os raminhos no portal se destacam poeticamente. São todas igrejas tão iguais e tão diferentes.
São 11 igrejas e 10 capelas.
Par no adro da S. Francisco de Paula -"S. Chico de Cima", e os fundos da Capela de S. José logo abaixo. 
Cada morrinho, uma igreja... E a paisagem de tirar o fôlego.
 Par na escadaria da S. Francisco de Paula. Nada mais transcendente que escadarias de igrejas. Por dentro ela é divinal (nada de fotos).
A ladeira abaixo da escadaria. haja perna (medo do Par xiar...). 
Tudo tão integrado ao entorno! Eu passaria um mês marchando por essas vielas.
A despretenciosa capelinha de S. José com as laterais abauladas e a muretinha superior. Os dois pinotes brancos emolduram o telhado.
Lá abaixo, uma das pontes toda trabalhada e com cruzeiro: O banco convidativo para o Par descansar, e em frente, uma meia-lua clama ao recosto olhando as águas (não tão limpas).
Em cada pancada de chuva, parece que as águas se misturam ao esgoto, o fedor fica perceptível.