8.2.17

Dieta do Guerreiro - boa logística

APENAS JANTAR
Livro da Dieta do guerreiro
A dieta do guerreiro clássica se baseia no livro "The Warrior Diet" - ano 2001 do autor Ori Hofmekler, todavia é possível variações conforme as necessidades.
O básico da dieta é mesmo fazer somente a janta. Uma praticidade! A logística perfeita fez com que fosse seguida empiricamente ao longo da história.
Nas guerras dos primórdios, quando o corpo-a-corpo imperava, a única ração do dia era servida ao entardecer, quando os ânimos se assentavam (geralmente um sopão). Daí o nome.
Os civis em áreas de combate também racionavam ao máximo o parco alimento, deixando aquela minguada indulgência para abrandar a noite escura e tenebrosa.
A filosofia maior da dieta do guerreiro é manter o  “espírito guerreiro” permanentemente ativado, num corpo mais ágil e forte, com energia de sobra e mais instintivo.
O autor chama de undereating  as 20h / 22h de jejum, estimulante do Sistema Nervoso Simpático – responsável pelos mecanismos de luta ou fuga.
As 2 ou 4 horas de alimentação - overeating, é um período estimulante do Sistema Nervoso Parassimpático – responsável pelo relaxamento (por isso - jantar).
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Povos nórdicos residentes em áreas rurais faziam apenas uma refeição quente por volta das 17 horas para aproveitar ao máximo a escassa luz do dia.
Em diversos países do outro hemisfério ainda há esta cultura do "almojantar", com lanchinhos rápidos ao almoço e café da manhã.
Descansar duas horas na melhor parte do dia para almoçar, pode ser considerado desperdício de produtividade segundo esta lógica... Então, a dieta do guerreiro também é a dieta do empreendedor.
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Na colonização do Brasil, os bandeirantes em trânsito também paravam ao pôr do sol para fazer uma janta de uma panela só e dormir até o primeiro arrebol, quando seguiam viagem.
E depois os tropeiros levavam carne seca (ou caçavam), rapadura e farinha de mandioca. Pegavam plantas e frutos / sementes à beira da trilha. O feijão tropeiro vem desta tradição.
À época da escravidão, também servia-se o sopão apenas ao final da lida, no baixar do sol, quando todos eram recolhidos à senzala. Daí nossa feijoada!
Até o final do século XX, no nordeste brasileiro, em épocas de estiagem, as famílias numerosas eram obrigadas a racionar alimentos, fazendo uso também de protocolos parecidos.
Ainda hoje os vaqueiros pantaneiros e da caatinga fazem uso dessa logística básica: acordar antes do dia, vaquejar de sol a sol e refastelar-se com calma no cair da noite. Ao amanhecer, pode-se preparar um café preto ou chá antes de nova jornada.
Caminhoneiros autônomos que rasgam os rincões desse Brasil-continente, se servem de algum "belisquete" enquanto seguem viagem, parando à tardinha para fazer seu "rango". O arroz de carreteiro é típico.
Representantes comerciais (vendedores) costumam tomar um café da manhã reforçando na pousada onde pernoitam, pular o almoço adiantando as vendas e unicamente  jantar quando se hospedam à noite na pousada seguinte (para economizar na diária).
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O protocolo básico é de um jantar substancioso, lento e prazeroso que pode durar duas horas, entretanto seria melhor um "almojantar" ao crepúsculo, devido à digestão. Tomar um café ou chá sem açúcar ao acordar, e não esticar o jantar até a noite fechada, é fundamental para manter a regulação do ciclo circadiano.
A densidade nutricional conta muito na dieta do guerreiro: muita comida de verdade, com carboidratos lentos (tubérculos e frutas menos doces), proteínas naturais e gorduras de boa qualidade; abuso dos vegetais, especiarias e ervas.
Nem há necessidade de uma disciplina espartana, basta um dia agitado, sem tempo. Todavia, é importante experiência prévia com jejum intermitente, estando assim ceto-adaptado (acostumado a queimar a gordura corporal estocada para esse fim).
Um acompanhamento com nutricionista é fundamental para um cardápio de acordo com cada individualidade bioquímica / metabólica e objetivos a serem alcançados.
Num protocolo com intervalo de 4 horas, usado para hipertrofia, pode-se comer antes do treino e logo após. Do início de uma refeição ao final da outra, não pode-se ultrapassar as 4 horas. 
No dia seguinte, ingere-se líquidos não calóricos: chá e café sem adoçar, suco verde sem fruta, água saborizada, caldo de ossos sem a gordura (gelar e tirar a "nata gordurosa").
É possível ingerir um vegetal cru no final da manhã: pepino, tomate, pimentão amarelo, salada verde (sem azeite), cenoura, talo de salsão...
Nenhum alimento energético / calórico é permitido fora do jantar: açúcares e amidos (carboidratos), gorduras, proteínas (exceto caldo de ossos). Frutas não; frutos (legumes) crus, sim.
A dieta do guerreiro é quase uma variável do jejum intermitente, portanto trazendo basicamente os mesmos benefícios. O maior expert em jejum intermitente é o Dr.Valter Longo.
Pode ser feita ocasionalmente, em dias fixos da semana, apenas algumas semanas seguidas, ou até mesmo por um período maior, sob supervisão médica para que haja resultado e não risco.

Assim como salada, sopa é sempre prato de elite:  com vegetais de baixo amido e carne. Bastante água ao longo do dia para não confundir fome com sede.
Batata doce, abóbora madura, frutas não tão doces (abacate, coco, azeitonas), amendoim torrado, queijo artesanal, proteína animal inclusive de órgãos (vísceras) por sua densidade nutricional maior (coração de frango, moela, fígado, pele suína, língua e fígado bovino), muito ovo, alimentos sazonais.
A personalidade individual conta muito mesmo na escolha da arte alimentar. A goiaba, por exemplo, é uma fruta que tem um perfume tão dela, só dela, com personalidade marcante. Entendeu? Estudar boa ciência nutricional é fundamental.