3.1.16

Mais sobre a cidade ofuscada

Pela indelicada ausência de turistas e pela indecente falta de pousadas, nota-se que Mariana, apesar dos noticiários sobre a barragem, é a irmã esquecida ladeando a opulenta Ouro Preto.
Nada justifica o abandono. Mariana é tão histórica, sublime e tão autêntica, que por um lado egocêntrico foi mágico tê-la vazia só para nós!
O povo também parece viver no passado. Restaurantes e hotéis / pousadas exibiam avisos do tipo: Estamos em recesso / fechados de 14 de dezembro a 04 de janeiro / reabriremos depois dos festejos / não funcionaremos nos feriados...
Por que eles não entram em recesso precisamente no mês de agosto, quando não há feriados e nem lucros? Só mineiro explica...
Das poucas opções de hospedagem, a maioria nos deixou de cara na porta. Ao ligar ou interfonar, diziam que reabririam tal dia a tal hora. 
Encontramos uma simpática e meio cara numa biboca qualquer. Estacionar a caminhonete nas pirambeiras espremidas era risco iminente; teríamos que deixá-la lá longe em outra rua a noite toda... Não há estacionamento pago.
Almoço de natal? Fizemos um piquenique bem no alto do morro, num local paradisíaco. Nem padaria encontramos aberta. Ranço do catolicismo...

Cada cantinho do telhado, cada escadaria cinzelada manualmente, cada pormenor de janela, cada  indispensável sacada, cada magnificente porta de entrada...
Um mundo setecentista impregnando as afuniladas ruazinhas ladeirosas, tortuosas, charmosas, misteriosas, vigorosas. 
Aqui, a primeira escola para meninas de Minas.  Hoje funciona um hotel (recesso); tem a capela, um museu e o Colégio Providência.
Sou aquele pontinho laranja e branco; as minuciosidades da construção impressionam, considerando que o prédio (católico) toma todo um quarteirão.
Quase em frente, a boniteza ressequida da menos portentosa igrejinha N. S. dos Anjos e seu enigmático cemitério, como em todo templo histórico.
Apenas podem ser enterrados aqui os ainda membros da "Arquiconfraria São Francisco dos Cordões dos Homens Pardos", herdeiros dos túmulos.
A fachada diferente em frontispício chanfrado em 3 planos. Guarda imagens portuguesas e o quadro original de S. Francisco. Estava fechada... A calçada ainda intacta já vale a subida. 
Mais acima, rumo à Basílica S. Pedro dos Clérigos, dá-se de cara com o bucólico chafariz S. Pedro, entranhado num cantinho qualquer. Mariana detém uma surpresa em cada ladeira!
A igreja citada. Ficou inacabada, expondo esta delicada cor ocre. O portão também lhe traça personalidade única.
Nos fundos, um jardim e morada de padres. O rudimentar adro à frente é amplo, elevado e luminoso, pairando sobre a cidade lá embaixo... Um conjunto perfeito.