28.10.12

Jambo

Trata-se de uma deliciosa fruta com sabor e aroma de rosas. Rosas mesmo! Sensação de rosas, forte e marcante!
Muita gente discorda da palavra "deliciosa"... Ele tem uma polpa carnudinha envolvendo um grande caroço.
Não é ácido, não é suculento, não necessita descascar, não é doce demais. Parece que não se presta a sucos, compotas ou geleias.
O fato de lembrar as rosas é enjoativo? Não para mim.
O jambeiro é uma grande árvore, frondosa, com folhas brilhantes. Os jambos ficam bons de agora até o natal. Não há necessidade de amadurecer muito para comê-los.
Este pé, ninguém da família se lembra quem plantou, e é mais velho que eu. Fica bem na entrada de nosso recanto. Gerou espontaneamente, um filho, que já está frutificando!
Adoro morder uma a uma, estas frutinhas amarelas, do tamanho de meia goiaba, chacoalhar para fora o caroço que está solto lá dentro, e só deixar sobrar a rosinha da ponta. 



27.10.12

Ancestralidade

Quando os pesquisadores nos trazem uma nova suposta espécie de hominídeo, ou nova descoberta relacionada, tentando encontrar o tal "elo perdido" entre símios e humanos, me vem à mente uma deliciosa sopa.
Coloca-se uma lisinha pedra de córrego (paleontologia), dois litros de água deste mesmo córrego preferencialmente límpida (imaginação), fotocópias de escritos bíblicos selecionados, toda a teoria darwinista e temperos fresquinhos (novas descobertas científicas ).
Australopithecus (macaco do sul), paranthropus (com mandíbula robusta e cérebro nem tanto), homo rudolfensis / hábilis (habilidoso, ferramenteiro) / erectus / sapiens (Você é sabido?)...  nada é consensual, tudo fragmentado, e cada degustador encontrará novo sabor para a sopa, segundo suas convicções e ideologias.
Selam
A infanta Selam  reconstituída- Fonte: en.wikipedia.org
Lucy, famosa fêmea adulta de 3,600 milhões de anos, agora tem uma coleguinha: morta aos três aninhos, fossilizada a 3,300 milhões de anos. Devido às duas omoplatas preservadas, Selam subia em árvores tanto quanto andava ereta.
A Lucy faltando partes - Fonte: en.wikipedia.org
A "família" Sediba, adulta de cerca de 30 anos, com adolescente de 10 a 13, caíram num respiradouro de caverna, há quase 2 milhões de anos, morreram  e foram preservados, para nosso deleite, pesquisas e especulações.
Como viviam? Eram parentes?   Fonte: www. history.com
Não é belo romantizar a cena? Mãe e filho caminham em fila, displicentemente, sofrem a queda quando o chão cede sob eles, e se imortalizam, viram celebridades!
Quem descobriu o 1º osso do garotinho acidentado, foi justamente outro garotinho em idade próxima, quando pesquisava com seu pai cientista. 
O cientista mirim - Fonte: pt.wikipédia.org

25.10.12

Transtorno de Ansiedade de Separação

Nada a ver com pais separados (isso é neura). Trata-se de algo que acomete crianças em idade escolar, quase todo ano eu tenho um ou mais casos, tamanha a frequência. Veja um caso real, o encaminhamento de meu miúdo.
O garoto (8 anos) está comigo desde o início do ano passado. Era um pouquinho ansioso, contudo sua ansiedade não atrapalhava as atividades acadêmicas. Atualmente porém, vem apresentado-a num grau muito maior: Está evitando as aulas de informática, chegando a ter dores de estômago na entrada da Escola (voltando então para casa).
Vai à Ed. Física, todavia pergunta se quero ajuda (para ficar em sala). Estando lá, tudo fica bem e se diverte. É um aluno enturmado e fica naturalmente em sala de aula, o que o assusta é o novo, a quebra de rotina. Na “Semana da Criança”, chorou para adentrar à Escola na segunda-feira, já prevendo coisas diferentes.
Não tenta experimentar alimentos que lhe sejam exóticos (tipo crepe suíço), afirmando que o estômago está doendo. Demonstra fobia odontológica. Anteriormente, se restringia aos consultórios. Ultimamente se esquiva de ir com as profissionais da escovação dentária também. Seus dentinhos necessitam tratamento e a genitora não consegue êxito.
Os pais sentem-se inseguros, chegando a temer que algo possa ter acontecido de extraordinário na Escola, e o menor vem apresentando faltas às aulas devido à ansiedade.
Há uma criança com Transtorno Desafiador Opositor em sala (há post anterior), sendo que este garotinho chega a ter pesadelos por medo da criança citada.
Critérios Diagnósticos para F93.0 - 309.21 Transtorno de Ansiedade de Separação:
Ansiedade inapropriada e excessiva, envolvendo a separação do lar ou de figuras de vinculação, evidenciada por três (ou mais) dos seguintes aspectos: 
(1) sofrimento excessivo e recorrente frente à ocorrência ou previsão de afastamento de casa ou de figuras importantes de vinculação;
(2) preocupação persistente e excessiva acerca de perder, ou sobre possíveis perigos envolvendo figuras importantes de vinculação;
(3) preocupação persistente e excessiva de que um evento indesejado leve à separação de uma figura importante de vinculação (por ex., perder-se ou ser seqüestrado);
(4) relutância persistente ou recusa a ir para a escola ou a qualquer outro lugar, em razão do medo da separação;
(5) temor excessivo e persistente ou relutância em ficar sozinho ou sem as figuras importantes de vinculação em casa ou sem adultos significativos em outros contextos;
(6) relutância ou recusa persistente a ir dormir sem estar próximo a uma figura importante de vinculação ou a pernoitar longe de casa;
(7) pesadelos repetidos envolvendo o tema da separação;
(8) repetidas queixas de sintomas somáticos (tais como cefaléias, dores abdominais, náusea ou vômitos) quando a separação de figuras importantes de vinculação ocorre ou é prevista;

A perturbação tem uma duração mínima de 4 semanas. Inicia-se antes dos 18 anos. Causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, acadêmico (ocupacional) ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. Não ocorre exclusivamente durante o curso de um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Esquizofrenia ou outro Transtorno Psicótico e, em adolescentes e adultos, não é melhor explicada por Transtorno de Pânico Com Agorafobia. Início Precoce: se ocorrer antes dos 6 anos de idade.
Fonte de apoio teórico:  esta

23.10.12

Maliciômetro enguiçado.

Fonte: aqui  
Todo dia, 18  h, o telefone começa a "esguichar", seus tiririns. Não atendo, desprezo. Ficamos abertos na empresa, das 6 h 30 às 18 h, ininterruptamente! E a extensão telefônica é aqui em casa.
Adivinhe agora? Parei para atender à campainha: clientes de Minas. Sorte o Esposo ainda estar "escafunchado" na firma..
E agora inicia-se um mini dilúvio. Será que desligo o PC devido aos relâmpagos? Banho não tenho coragem de tomar, prefiro aguardar o abrandamento. E "Fiotão" que não chega...
Esposo deve estar bufando por atender aquele grupo a esta hora, cansado como a um trator. Pulamos da cama pontualmente às 5 h, e horário de verão é para ser aproveitado à tardinha.  
Peguei birra de telefonemas, e dos inocentes aparelhos telefônicos fixos; me incomodam. Um dos motivos é que na firma, o barulho é grande e dificulta a audição. Tenho que ir na adivinhação e repetições lacônicas, enquanto caminho por entre os mecânicos.
É a forma de comunicação que menos prefiro. Melhor qualquer outra: ao discar, nunca sabemos o que o interlocutor está realizando, se poderá interromper e nos atender.
A "parentaiada" toda já sabe, e me liga preferencialmente lá na empresa, em horário comercial. Minha mãe dá o recado rapidinho, ou espera que eu passe por lá, duas vezes na semana.
Meu celular "faleceu" a tempos, virou despertador. Estou levando na paz sem outro.
Trabalho a vida toda fora, com público, com crianças e pais. Uma hora esgota as energias vitais.
Adoro ficar insularmente isolada neste quartinho de hóspedes com meu netbook (e que os hóspedes avisem antes de vir).
Não gostaria de passar de estressada a entediada, conquanto o meio termo é este sossego! Supimpa!
Chegou meu garoto, passou o toró e Esposo ainda atendendo aos mineiros. Vou-me ao banho.

20.10.12

Parabéns a você!

"Fiotão" completa 27... me deixou reflexiva, melancólica, a semana toda.
Claro que passei por isso 26 vezes antes, contudo agora ele não é mais um mocinho. Um homem de 27!  Há algo diferente no ar...
Fui mãe aos 21 (Esposo com 23). Tudo aconteceu cedo em meu percurso: trabalho aos treze, namoro "firme" aos 16, casamento aos 20.
Considerei muito prazeroso e fácil criá-lo. Mentira: os primeiros quatro meses foram difíceis. Eu "sozinhinha", Esposo sempre trabalhou muito, e a cultura era outra.
Eu tinha medo de tomar banho e deixá-lo, então passava correndo por debaixo do chuveiro. Sonhava com batata frita (coisa que nem ligo mais), tinha medo de precisar pegá-lo e lhe espirrar fritura.
Cambaleante e "bêbada" nas madrugadas! Ficava com ele na cozinha, para não atrapalhar o sono do Esposo (provedor familiar).
Eu fazia crochê "prá fora", enquanto ele mamava no peito, aconchegado na almofada: conversava, cantarolava e ele dava aquelas olhadelas gostosas. Que saudade!
Aos 5 meses, começou a reptar (arrastar-se como réptil). Ficou independente! Nunca teve problemas graves de saúde.
Logo antes dele nascer, deixei um emprego de 6 anos: confecção. Passei quase 4 anos fazendo bicos, e com ele a tiracolo. Isto o deixou tão "senhor de si"!
Construímos (parcialmente) nossa casa atual, nos mudamos (ele tinha 3 anos) e logo voltei a trabalhar. Nunca mais parei.
Nos feriados, brincávamos neste terreno aqui ao lado onde estou (na firma do Esposo). O terreno ainda nem era nosso. Gastei várias colheres fazendo estradinhas e fazendinhas por debaixo dos arbustos. Ainda é meu brinquedo favorito.
Ele trabalha no setor de engenharia da fábrica de aviões, aqui mesmo. Em foto conosco, e com a namorada!


18.10.12

Ao menos não parei no tempo!


Agora à tardinha, levei uma peça pronta, da firma do Esposo a uma oficina do outro lado da Cidade. 
Horário de pico, o sol cegando de chapada na cara, e o meu itinerário era todo leste - oeste.
Concentração total, moto já é perigosa sem isto. Cortei pelas vilas, evitando o excesso de tráfego.
Ufa! Tudo "em riba". Na volta estou contra o "holofote". Não mais compenetrada, pude pilotar divertidamente, e  pensando em meu percurso desde o nascimento, em 1964.
Minha mãe, e a avó de 90 anos, estudaram três aninhos, e mesmo assim, faltavam bastante. As duas nunca trabalharam fora, nunca sonharam em dirigir sequer bicicleta (só cavalo na roça).
Minha avó é lúcida e "serelepe", sabe usar o controle da TV, disca ao telefone, lê "de soquinhos", adora folhear revistas de artistas. 
Minha mãe lê na igreja, rezava o terço na rádio comunitária, compreende alguns documentos, gosta de livros (inclusive infantis).
Eu já perdi as contas de meus anos de escolaridade, cursos e mais cursos extras, palestras, oficinas pedagógicas, autodidatismo. Cansa...
Nunca me imaginei dependente de alguém para ir e vir,  fazer serviço bancário,  supermercado, médico...
"Fiotão" é só 21 anos mais novo que eu: envelheceremos quase juntos! E depois?
Minha avó tem uma ajudante diurna e uma noturna. A mãe, 18 anos mais nova, se vira sozinha, tendo meu "irmãozinho" como secretário, motorista, um pouco babá, pois ela delega a ele coisas que poderia realizar sozinha (como ir à padaria). E ele mora com a esposa.
Sempre fui pragmática, preferiria para mim, viver sem preconceitos em um asilo, e ajudando muito aos demais. 
Posso dar aulinhas a eles, fazer serviços de rua (Até que idade podemos dirigir?), passear com alguns velhinhos no quarteirão do asilo, lavar louças, descascar legumes para as sopinhas... criar um blog coletivo lá.
Oniricamente falando, não custa planejar o futuro, todavia é mais feliz, aquele  do par que se vai primeiro, recebendo do outro, os cuidados apaixonados até seu último dia na Terra. 
Agora vamos voltar à vida real? Não sem esta linda mandala para refletirmos!

Fonte da imagem:    esta 

16.10.12

Maritacas

Elas vão se aconchegando, escandalosas, sempre ao mesmo horário: em torno de 17 h 30, ao pôr do sol.
Dois casaizinhos vêm a anos; um se estabelece no predinho, o outro em frente à firma,  na fiação.
Aqui não há divórcio: se catam piolhos, se contentam com o que a natureza lhes fornece!
Trazem coquinhos jerivá para seu jantar. Pegam ali, no campo de futebol.
E são tão demoradas em destrinchar cada coco... o resultado vai ao chão.
Em tardes de tempo fechado, aparecem meia hora mais cedo, permanecem menos e gritam menos!
Seu verde intenso, sua robustez; e onde dormem será? Nidificam por perto?
As "minhas" monogâmicas.

As "do vizinho" em frente, lá na grade.

Ao pôr de sol...

Já  jantamos!

14.10.12

O morro dos ventos uivantes

Ufa! Acabei... livro forte, sombrio, pesado, sem contudo deixar de conter certas levezas relacionas sobretudo à charneca (zona rural da Inglaterra). 
O romance, escrito por uma mulher, remete aos idos de 1800. Permeia a história, diversas mortes prematuras, inclusive por partos.
Uma serviçal narra quase todo o romance, tendo Heathcliff como personagem central: ele vem adotado, sofre perseguições na infância, tem seu amor renegado por dinheiro.
Torna-se adulto vingativo, atormentado, sádico, um caso psiquiátrico. As reticências ocasionadas pela morte antes do amor consumado, o levam à loucura final.
Refleti muito sobre os personagens, inclusive a serviçal: sem família, sem amor, sem vida própria. Passa suavemente pelas vidas dos outros, fazendo destas também a sua.

Curioso que aqui na Cidade há uma rua importante com o nome Heathcliff !

Escolhi português de Portugal. Eis uma canja: 
__Capítulo XVII: Aquela sexta-feira foi o último dia de bom tempo desse mês. Ao anoitecer, o tempo mudou: o vento começou a soprar de sul para nordeste e trouxe consigo a chuva e, depois, granizo e neve. No dia seguinte dificilmente se diria que havíamos tido três semanas de Verão: as buganvílias e os crocos vergavam-se agora às ventanias de Inverno; calaram-se as cotovias, amareleceram e caíram as folhas das árvores temporãs; fria, soturna e sombria, a manhã arrastava-se preguiçosa! O meu patrão não saiu dos seus aposentos. Assenhoreei-me da sala vazia e transformei-a num quarto de bebés. E ali estava eu, sentada, com a bebé chorona ao colo, embalando-a de um lado para o outro e contemplando os flocos de neve que não paravam de cair e se acumulavam no peitoril da janela sem cortinas, quando a porta se abriu e alguém entrou, a rir-se e ofegante. Por momentos a minha fúria suplantou o meu espanto; pensando que. fosse uma das criadas, gritei: Cala-te! Como te atreves a entrar aqui nesse despropósito? Que diria Mr. Linton, se te ouvisse?-- Desculpa -- respondeu uma voz que eu bem conhecia. --Mas sei que o Edgar já está recolhido e não me contive. Dizendo isto, a minha interlocutora aproximou-se do lume, ofegante e com a mão fincada na cintura.-- Vim a correr desde o Alto dos Vendavais... – prosseguiu após uma pausa -- sem contar com as vezes que tropecei e caí; foram tantas que até lhes perdi a conta. Dói-me o corpo todo! Mas não te assustes! Vais ter a explicação logo que eu a possa dar. Por agora, faz-me o favor te ir lá fora mandar preparar a carruagem para me levar a Gimmerton, e diz a uma criada que me arrume algumas roupas. A intrusa era Mrs. Heathcliff. O seu estado não era para risos: o cabelo caía-lhe sobre os ombros, desmanchado e a pingar; trazia o mesmo vestido de rapariga, de sempre, mais adequado à sua idade do que à sua condição de senhora casada; era curto e de mangas igualmente curtas; na cabeça e no pescoço não trazia nada. O vestido era de seda leve e colava-se-lhe ao corpo de tão encharcado que estava. Nos pés, apenas umas chinelas. Um golpe profundo por baixo de uma orelha, que só o frio impedia de sangrar profusamente, um rosto empalidecido, arranhado e ferido, e um corpo que mal se aguentava de pé devido ao cansaço, contribuíam ainda para o seu aspecto lastimoso. Assim, é fácil imaginar que o meu susto não tivesse passado por completo quando tive a oportunidade de a examinar melhor.
LEIA EM E-BOOK, salvando em favoritos (anote a página que parar):   Fonte: esta   

13.10.12

Viajei no tempo: Maria Fumaça!

Fomos a Paulínia (na grande Campinas) comprar tinta pó.  Poderia vir na transportadora, porém decidimos passear.
Embora com diversos (e caros) pedágios, saímos antes das seis. Paulínia é um polo petrolífero: antes de chegar, já se vê as refinarias, com chaminés acesas.
Os inúmeros vagões de trens, formato tanque, trazem o petróleo bruto. Caminhões aguardam nas vias de acesso, em filas de 20, 30, para carregar os subprodutos prontos.
Minhas tias moram em Americana, ali perto. Uma comunidade de americanos lá se instalou a décadas, formando um polo têxtil.
Antes ainda, há Limeira, polo cítrico. Nas margens da rodovia, só laranjais carregados!
Contornamos Campinas: grande demais, me dá claustrofobia, fico tensa. Paramos em Jaguariúna, na antiga estação férrea.
Já passeamos  de Maria Fumaça: entre São João Del Rei e Tiradentes - MG.
Faltava 1 h para a partida: ficamos a ver o museu ferroviário e a feirinha de artesanatos. Pudemos adentrar uma locomotiva, meter a mão na fornalha (apagada).
Na feirinha, comprei bolachinhas caseiras salgadas, temperadas com muito alho e tinindo à pimenta. Pareciam casulos minúsculos. Tentarei fazer.
Não havia a opção de percurso completo (R$ 60,00). O meio percurso não chega a Campinas (R$ 40,00). E às 10 h em ponto, o trenzinho partiu.
Para quem assistiu "Sinhá Moça", é aquele trem a vapor, pois foi filmado ali...
Há um engraçado guia explicando tudo, nomeando os lugares. Sai devagarinho, sobe o viaduto, e desce mais rápido. Ganhamos a zona rural de Jaguariúna a Campinas. 
Vencemos três estações rurais. Na última, o trem espera a chegada do irmãozinho de Campinas, com percurso completo a Jaguariúna.
Desgrudamos da locomotiva, recebemos as outras duas (juntas), pois agora é mais peso. Vamos afastando até acoplarmos aos vagões com os turistas campineiros. 
Nosso vagão foi um dia do Pantanal: Ponta Porã. Pequeno, com banquinhos de madeira. O encosto é reversível: quando voltamos, não precisamos viajar de costas.
Na segunda estação, voltando, um número imenso de turistas no meio do nada. Não dava para ver a estradinha até um hotel fazenda. Dois vagões reservados a eles!
O primeiro vagão é o restaurante. Compramos água e biscoitos de polvilho. As fagulhas fizeram furos nas toalhas das mesas. Queimam até as roupas. 
No lado oposto às estações, a oficina ferroviária: vagões, troles, locomotivas, carro-ambulância, uma imensidão! E os mecânicos trabalhando no restauro. Muita coisa funciona perfeitamente.
Logo mais, o clube de campo deles. E então entra uma bandinha no vagão. Cantaram modinhas antigas e passaram o chapéu: Cantora sexagenária, sanfoneiro, pandeirista e tambor.
Todos trabalhadores homens, de uniformes azuis, com exceção da foguista: longas tranças loiras, suja de fuligem como um tatuzinho. Altiva!

12.10.12

Faxina? Quero morar em dois cômodos...

Fonte:  esta     
Tenho uma mocinha que me limpa a casa aos sábados de manhã. Sua tia já me ajudou, depois a mãe por três anos, agora ela quase três.
Ela tem casamento amanhã, e não virá (e sairei de madrugada para Campinas). Estou no batuque desde 5 da manhã; tirando 1 h de caminhada, só trabalho!
Fiz menos coisas que ela e demorei bem mais. Ela vem das 6h 30 às 11h 30, sendo que divido a faxina pesada em 6 semanas: uma para cada cômodo grande.
Os banheiros, lavei "a seco". A salona? Ignorei. Cuidei das plantas, que imploravam desde as férias de julho...
O quarto do "Fiotão" leva horas. E a máquina sempre lavando as roupas. Tira e põe (e varal). Estou com um "Everest" à frente para ser dobrado.
Passar roupas não dói: seleciono as estritamente necessárias, 2 h por semana, no domingo de manhã.
Cozinhar e lavar louças, mesmo sendo cotidiano, tranquilo. A faxina é maligna! 
A 20 anos, quando iniciei em escolas, várias professoras tinham empregadas em tempo integral. Depois passou a 3X na semana, 2...
Vieram então as diaristas: 1X na semana, quinzenalmente, a cada 20 dias, agora 1X ao mês. Aumenta-se o custo, diminui-se a quantidade. 
Prefiro toda semana meio período, embora muitas não aceitem. A minha estuda de manhã (ensino médio), é babá de minha aluna à tarde; vem prá mim no sábado de manhã (como sempre preferi), e tudo se encaixa.
Aos sábados, trabalho até meio dia na firma do Esposo, e dou uma "catada" à tarde, no que fica para trás.
Ele? Nem pensar... são 65 h semanais por lá (e só). Neste "feriadão", está dando voltinhas de caminhonete.
Ui! Hora de tirapõe na máquina!

11.10.12

Transtorno de Déficit de Atenção

Coloco aqui, para exemplificar, o encaminhamento de uma criança com suspeita de TDA, porém sem a hiperatividade, ao "Projeto Criança Casulo":

 HISTÓRICO:
 A  criança está comigo desde o início do ano passado. Sempre se mostrou dispersa, devaneando.
Não apresenta traços de hiperatividade, apenas sintomas acentuados de desatenção. A genitora providenciou óculos, todavia a distração, dispersão e lentidão para executar as atividades continuam iguais.
Ao realizar o sincronismo na relação visomotora, perde-se constantemente, e pouco copia da lousa. Em outras atividades escritas (livros, folhas avulsas), também não acompanha o ritmo da turma.
Durante brincadeiras, ela prende-se em outras coisas, perdendo o foco. Quando está na hora do recreio, por vezes devo avisá-la de que a turma está saindo (parece não vê-los).
Ao ser chamada, geralmente demora a ouvir. Em questionamentos orais, parece perder o pensamento, bate com o dedinho nos lábios e olha para o teto, tentando lembrar o tema.
Tem baixa percepção da passagem do tempo, quando digo que acabou o tempo para tal atividade, se mostra surpresa, não acredita.
É desorganizada com seus materiais, com seu caderno de registros, assim como no espaçamento das atividades, as palavras ficam soltas na linha (querendo fugir).
Certa vez, na hora da história, luz apagada, e todos em silêncio. Houve-se um estouro com faísca. Ela colocou a tesourinha (sem pontas) no orifício da tomada (a extremidade da tesoura ficou escurecida).

COMPORTAMENTO E APRENDIZAGEM:
Sempre se mostrou uma criança extremamente educada, respeitosa para com os demais, nunca irrita os colegas.  Vive esboçando um leve sorriso.
Por  vezes penso que ela sorri para conter a ansiedade, por estar sempre atrasada nas lições,  frente aos demais.
Já chegou ao Ensino Fundamental alfabetizada (bem à frente da maioria), todavia no momento, já não se destaca como uma das melhores.
Produz textos curtos, mal cuidados, contudo pertinentes, se mantendo no tema, inclusive colocando detalhes.
Tem bom raciocínio lógico matemático relacionado à sua idade (está entre os mais novos alunos da turma).
 Não é raro dar respostas muito inteligentes, destacando-se no grupo com pensamentos acima de sua idade.

QUEIXA DO PROFESSOR:
Seu desenvolvimento acadêmico, anteriormente elevado, está ficando a desejar, devido à dificuldade de atenção. Não há por parte da criança, acompanhamento do ritmo mediano da sala.
Para 2013, no 3º ano, pode vir a prejudicar-se ainda mais, caso os sintomas não sejam amenizados.

Sendo este relato o que temos a comunicar, agradecemos antecipadamente a colaboração do Projeto.

10.10.12

Criança Casulo - magnífico!

Temos no Município, uma Organização Não Governamental com esta nomenclatura.
Trata-se de um centro especializado em atendimento a dificuldades de aprendizagem e comportamento infantil (gratuito).
Sou uma freguesona de carteirinha. No momento, estou com mais seis crianças por fazer relatórios de encaminhamento.
É um trabalho minucioso, que me toma tempo, pesquisa e concentração. O relatório bem feito, auxilia na triagem da minha criança.
A criança A apresenta indícios de Transtorno de Ansiedade de Separação. Algo que, se não tratado, pode levar à depressão na idade adulta, e até síndrome do pânico (e até mesmo suicídio, em casos extremos).
A criança B apresenta indícios de déficit de atenção, todavia sem hiperatividade. Vive voando, devaneando... bom aluno, mas quase não registra (atrasa as lições).
A criança C apresenta os sintomas da B, contudo um pouquinho irritadiça, sem paciência, desenturmada.
A criança D apresenta dificuldade de aprendizagem, raciocínio lógico ainda incipiente, faz "Fono" e tem auxílio odontológico: elásticos (ainda usa chupeta em casa).
A criança E é o cúmulo da desorganização: não segue regras, diz palavras de baixo calão, produz pouquíssimas atividades, entra e sai ao "bel prazer", não traz lição de casa, chega a atacar os colegas, coça sempre a cabeça, perdeu o uniforme novinho que a Escola forneceu. Dei uma camiseta usada então: colocou para forrar a gaiola do passarinho (sujou de cocô - óbvio).
Os responsáveis nunca compareceram a uma reunião, desde o ano passado. Ela não penteia os cabelos, vai de pijamas à aula; parece estar sendo "criada por lobos".  Ainda não se alfabetizou.
A criança F apresenta traços fortíssimos de Transtorno Desafiador Opositor. Necessita urgentíssimo fortalecer o superego freudiano.
Depois publico um relatório sem identificação.
Visite o site do Projeto:  este     

7.10.12

Missão cumprida!

Acabo de chegar da votação. Na seção (de periferia) onde trabalhei, o candidato a prefeito focado na educação ficou em terceiro lugar (e bem atrás dos outros dois).
O candidato a vereador mais votado foi um médico. Caramba! Médicos por aqui têm quatro a cinco empregos...terá tempo?
O dia foi calmo: cheguei às sete e já havia fila na calçada. Meu presidente: eficiente, veterano e líder, estava com a urna montada, afixando a fiação... ficamos quarenta minutos à toa, aguardando o início.
Um show é quando abre-se o portão! Aquela correria atropelada... prá que? Tonteira...
Após emitirmos a zerézima, o primeiro vota e aguarda o segundo terminar. Então é só rotina. 
Há um pequeno degrau nas salas, e sempre aviso aos idosos; todavia, quando estou orientando alguém e não aviso, pronto! Tropesso. E até na saída...
Oriento sobre qual mesário procurar: vá com a moça, seu nome está no primeiro caderno. Aguarde, pois seu nome está no segundo caderno, com o moço de camisa azul...tem gente que inverte tudo, atrasa o processo.
Na urna, os idosos ficam gritando por ajuda, querendo inclusive, o número de seu candidato...é mole?
Lá pelas 14 h, tudo calmo. De repente, um tendel embaixo na sala, no quintal! Uma senhora aos prantos e berros com um casal jovem. Reivindicava algo sobre seu neto...
Parecia ser o pai de seu neto com a atual companheira, cada eleitor ia à janela assistir, e nada de votar... durou meia hora.
Após 16 h, o fluxo aumentou novamente: aguardavam "o sor baxá", justificavam! Cerca de 70 pessoas não compareceram, dentro da média, vários acima dos 70 anos.
Ninguém saiu para almoçar: dois lanches de presunto, dois refris e duas águas ao longo do dia. Cafezinho com bolachas na sala dos professores. Temos R$22,00 para almoço, sobrou.
É muito gratificante, interessante e nada monótono. Adoro participar!
Voto limpo
Fonte:  esta   

6.10.12

Que manhã feliz!

Esta história de blogar tem início, como tudo:  Em agosto de 2010, pesquisando os diversos motivos que colocam a Noruega, um país pequeno, desconhecido por aqui, entre os melhores índices (e quase sempre o melhor) de IDH mundial, encontrei o primeiro blog que passei a seguir.
Eu havia terminado um curso de LINUX (software livre), onde abordava os blogs, que até então nunca tinham me atraído. 
Este blog, narra a história de uma garota como todas nós, porém com sua vida singular, também como todas nós.
Ela saiu da cidade de SP em 2006, para unir-se em matrimônio (uma singela história de amor...), com um norueguês; como muitas mulheres ao longo deste Planeta.
Antes, professora particular de inglês, retomou a vida profissional (rapidinho) como faxineira, em horário parcial, estudando muito.
Com cerca de três anos por lá, já recebeu uma proposta como professora, na ilhazinha bucólica onde viviam.
Eu li o blog, como um livro autobiográfico, me identificava com aquela alma límpida; em alguns posts, relia.
Me apaixonei pelo casal. A escrita dela é matemática, centrada, cuidadosa, delicada, magnífica!
A partir daí, passei a seguir outros blogs, apenas em 2011. Estava "atolada", devido à Especialização na Universidade Federal, e me animava absorvendo a energia da garota guerreira.
Nunca comentei, pois considero complicado aparecer "na casa dos outros" como anônimo.
Fiz planos de iniciar um blog, justamente para isto, interagir!
Em maio último, fim da monografia... acabou o curso. Junho: fechamento de bimestre letivo. Um mês de férias em julho, ajeitando a vida e inciando o bloguinho (magrelo...).
Por que estou tão feliz? A companheirinha de blogagens voltou a postar após quase três meses!
Aprendi tanto com a "Brasiguesa", agradeço imensamente! Ela nos mostra, que qualquer lugar é bom e belo, depende de nós...
Eis um almoço típico norueguês, jamais imaginaria um país frio almoçando sanduíches...
Link: neste blog aqui

5.10.12

Fotografia da infância

Fonte:    esta   
No blog da Beth (vide "Mãe Gaia", aqui ao lado), tem uma ideia adorável para a "Semana da Criança"!
Não posso participar da forma convencional, simplesmente por falta das fotos digitalizadas...
Imagina! O vovô tinha três sitiozinhos, tão pequenos... vivíamos em um deles e de um deles. Tirar retrato era coisa para gente civilizada, da cidade.
A primeira foto, foi a Tia Lucinda (Professora de S. Paulo) que tirou, eu de mãos dadas ao Joãozinho: meu irmão menor que faleceu com 31 anos. Eu tinha 6 aninhos.
A segunda, tiramos na charretinha, quando a mãe foi ao dentista em Poços de Caldas. Sete anos.
A terceira foi na festa junina do terceiro ano... o pai da Professora Maria Angélica tinha o "Foto Ribeiro" - luxo total. Oito prá nove anos.
Depois disso, foi só aquela 3X4, aos 10 anos, para adentrar o ginásio, na Cidade de Águas da Prata.
A semana da criança é sempre bem cuidada na Escola: com antecedência, preparamos eventos diários para nosso miúdos (sabemos que alguns só tem aquela chance).
Um lanche diferenciado a cada dia, saquinho-surpresa na quinta-feira; pipoqueiro, algodão doce feito na hora!
Brinquedos infláveis... cineminha. O que fazemos questão, é de um teatro infantil ou show de mágica.
Na creche, tínhamos passeio de trenzinho. Amo passear de trenzinho (esposo, bobão, tem vergonha).
Pedimos R$ 10,00 (para quem puder contribuir), e levamos um puxão de orelhas dos superiores, salientando que se trata de calendário escolar normal!
Não cancelaremos as aulas, será apenas um recreio maior. Esse povo não teve infância!

4.10.12

Luiz Marins - palestra

A sete anos, paguei uma palestra com ele. Ontem à noite, ganhei o convite, via SEBRAE. Gosto de seu estilo, sua fala me atinge. 
Ele veio falar sobre a "Estratégia do oceano azul" - um livro francês traduzido.
O mercado tradicional é focado como  "Oceano vermelho", onde um concorrente tenta ensanguentar o outro. "Eu quebrei, porém o levei comigo!"
Dentro deste oceano vermelho, há mercados inexplorados, nichos que escapam à concorrência acirrada.
Um exemplo de oceano azul: uma empresa que faz algo muito bem, algo focado, personalizado, e as outras empresas, em vez de concorrer, terceirizam a ela.
Ele falou de uma papelaria no shopping, que faz embalagens de presente para as outras lojas: o cliente leva a ela, por conta da loja onde comprou.
Sua fala, assim como na TV, é descontraída, interiorana, graciosa (para mim, contudo há controvérsias).
Visto que qualidade não se discute mais, esta diferenciação agora deve ser aliada a custo baixo, e não um ou outro.
É claro que, num produto diferenciado, pouco concorrido, é possível agregar valor maior. 
A consistência do produto é fundamental: em todas as unidades deve haver exatamente a mesma qualidade de produto ou serviço. Ex.: um sanduíche tal deve ser exatamente igual em toda a rede. Os atributos não variam.
Criando nova curva de valor, deixe o concorrente irrelevante:
  1. Elimine atributos "chavão" (tipo carregador de malas em hotel).
  2. Reduza outros (diminua serviços como frigobar, sem extinguir).
  3. Eleve certos atributos para diferenciação (melhore a qualidade dos quartos).
  4. Crie novos atributos (estacionamento coberto).
É importante saber se o cliente vai pagar pelas melhoras, ou será aumento de custos. Lembrando que sucesso demora.
Focar em meus não-clientes: o que eles fazem em alternativa a meus produtos ou serviços? Lembrando que meus concorrentes podem ser meus maiores clientes. 
Posso me especializar e atender terceirizadamente, meus concorrentes, numa parte de seus produtos ou serviços.
Ex.: Fazer determinado documento complicado para todos os escritórios de advocacia. Sai mais barato e bem feito, delegarem a mim.
O foco não dispersa os esforços - habilidade específica. A singularidade traz a diferenciação. 
A nitidez traz confiabilidade. Clareza na comunicação. 

Fonte:    aqui   
  

Eu estava "de mal"

Se eu conseguisse fazer esta cara...
fonte:    esta   
Tenho uma criança bem maior e mais velha que a turma: apresenta deficiência intelectual, diagnóstico de hiperatividade (TDA/H) e traços de transtorno desafiador.
Nesta semana ela estava demasiadamente agitada. Quanto à medicação, a família diz que fornece, ela diz que toma somente após o término das aulas...aí não me interessa mais!
Quando agitada demais, ela não bate, porém empurra, vai à mesa do colega e o chacoalha, insulta, mexe, fica "caçando" qualquer deslize das crianças, zanza o tempo todo, fala aos gritos.
Me desautoriza, tenta ir à direção escolar porque cisma que alguém caçoou dela: mania de perseguição. Nem era dela que as crianças falavam.
Ri de tudo e de todos. Nas aulas de dança e artesanato, com poucos alunos, não deu certo.
Eu compreendo demasiadamente seu lado, só que já está se tornando bulling contra os menores (detesto este nome), prefiro intimidação.
Ontem me enchi e fiquei "de mal", literalmente. Chamei-a lá fora, abaixei-me  e disse que gosto dela, e ela sabe disso, porém detesto tais comportamentos, que não me deixam trabalhar: só conflito, conflito!
Ela está extrapolando diversos limites aceitáveis, mesmo em sua condição de criança "não regular" (temos que fortalecer seu superego).
Falei: a partir de agora, estou "de mal". Entramos e retirei as duas crianças que coloco para auxiliá-la.
Lá ficou ela, toda bicuda até o fim da aula. Na saída, fiquei em dilema, pois pela 1ª vez, não iria beijá-la na despedida, mesmo que viesse. 
 Ela viu minha "cara de mau" para com ela (eu não estava para brincadeiras), e só mostrou a avó e se foi.
Remorsos? Claro que acordei às duas da manhã, todavia não cedi. Hoje foi uma maravilha! Até outras duas crianças difíceis, ficaram mais calmas, cismadas.
Somente na despedida a beijei (não aguentaria o final de semana assim), pois amanhã não há aulas (TRE - eleições).
Vou me manter firme e a "distância inteligente" irá continuar.
Há um ditado antigo que diz: "Evite mostrar os dentes para o aluno indisciplinado".